Post de Luis Nassif revela como a mídia se tornou a instituição que substituiu o povo no controle dos políticos e das instituições políticas brasileiras. O problema não é apenas que a sociedade civil deixou de ter um controle direto, se é que teve quando do impeachement de Collor, mas sim que a mídia forma um grupo fechado e reduzido de empresas e empresários que oculta por trás de notícias, notas e editoriais interesses obscuros e pela frente afirma ser imparcial e apenas (in)formar a população.
Alguns poderia dizer que tratam-se dos novos coronéis. Mas estes ganham da política e com ela, sem participar diretamente dela, faz o trabalho de dosar o “humor” ou o que se chama de “opinião do público”, a qual ela forma. Engraçado é que este poder, sem controles até a propagação da internet, está se esvaziando justamente por suas faltas e jogos políticos. Quando não trata as questões políticas, sociais e até de saúde com seriedade e buscando qualificação vai criando sua própria porta de saída.
MARCOS NOBRE
EM MEIO À bandalheira da década de 1980, foi escolhido um presidente por eleição direta, o que não acontecia havia quase 30 anos. O afastamento de Collor em 1992 instaurou uma expectativa de controle direto do sistema político, em que o eleitorado poderia tirar mandatos a qualquer momento.
A partir da eleição de FHC, o impeachment desapareceu pouco a pouco do horizonte. Com o tempo, a expectativa de controle direto foi substituída por uma espécie de controle da “opinião pública”, entendido como uma pressão incessante da mídia sobre uma determinada figura política. Mesmo o Judiciário, o Ministério Público e as polícias se tornaram forças auxiliares desse novo controle indireto, em que se exigia pelo menos a entrega de anéis para a conservação dos dedos.
Muitos ministros caíram assim.
(…)Não que controlar o sistema político por meio de uma mídia oligopolizada seja algo a comemorar.
Mas o episódio Sarney mostra que até mesmo esse controle precário e indireto pela mídia está desaparecendo das mãos do eleitorado.
Pode até haver quem ache saudável essa redução do controle do sistema político pelo eleitorado ao momento das eleições. Mas democracia nenhuma se faz apenas com eleições. As próprias movimentações do eleitorado para 2010 dão prova disso. Quanto mais o sistema político procura se fechar em si mesmo, mais rachaduras aparecem.
Lula tenta reduzir o campo eleitoral a um plebiscito sobre seu governo, a uma disputa entre sua candidata e o candidato do PSDB. Aparece Ciro Gomes. Lula articula de todas as maneiras para neutralizá-lo. Sem sucesso até agora. Aparece Marina Silva. Difícil imaginar o que Lula poderia fazer. O sistema político enclausurado que se cuide. O que está em jogo não são mais dedos e anéis.
Comentário
A atual geração de CEOs da grande imprensa carregará na biografia a mancha de ter desmoralizado um dos poderes essenciais em uma democracia. E personagem central desse desmanche foi Roberto Civita, nesse período insano da Veja. Os demais foram fracos, indo atrás de uma loucura.




