Cada vez mais estou convencido que governar um ente estatal é um ato de planejar e de se preparar para o futuro, para situações problemáticas que não nos parecem urgentes e que estão sendo, hoje, agora, gestadas na meio da sociedade. É um ato de projeção, de antecipação e de pró-atividade.
Dar respostas à situações imediatas, problemas que surgem diariamente pela própria movimentação de pessoas, organizações e grupos é um ação óbvia, própria das responsabilidade que são atribuídas a um administrador público. Em certos órgãos, quando temos um sistema bem estruturado para dar respostas satisfatórias, essas situações devem ser entendidas como corriqueiras, mas o administrador deve estar bem atento para as necessárias adaptações e correções de rumo.
Claro que aqui estamos falando de problemas de alta relevância, de largo alcance em termos de pessoas e de tempo e muitas vezes, de demandas não atendidas por escassez de recursos que fazem muitos órgãos não atenderem sua demanda prontamente.
Entretanto, os grandes problemas são aqueles futuros. São aqueles que afetarão um conjunto amplo de pessoas e que, se não forem atendidos com antecipação, colocação o gestor numa situação de apagar incêndios, de ter que fazer remendos, que terminam por piorar a situações problemática.
O mais interessante disso tudo é que os problemas do futuro, estão aí presentes. Sendo o grande desafios identificá-los com clareza e perceber suas ramificações e soluções. Vamos deixar isso mais claro?
Há hoje um boom na construção de edifícios e casas, de todos os tamanhos e preços. Mas isso não é bom? Só que o problema não está no teto de 130mil do programa minha casa, minha vida. O problema do administrador público é outro:
Será que a rede de esgoto está preparada para receber todos os resíduos de um maior número de habitantes por metro quadrado? Será que as empresas de telefonia estão aptas a suportar uma maior concentração de ligações sem perda da qualidade no sinal? Será que as vias de transporte serão suficientes para atender a maior demanda de pessoas se movimentando para estes bairros?
Aqui está o nosso foco: como resolver isso? Que medidas devem ser tomadas e projetadas HOJE para evitar a manifestação deste problema latente?
Outros problemas, dizem respeito por exemplo a geração e distribuição de energia elétrica. Como atender o crescimento da capacidade de fabricação das indústrias e o maior consumo de energia pelas pessoas que estão comprando TV’s, computadores, celulares, maquinas de lavar e outras utilidades domésticas?
Na segurança, por exemplo, como dar respostas a uma número cada vez maior de bandidos que saem de SP, RJ e PE para atuar em nosso estado e para propagar o vício em crack, droga da morte pelo rápido vício e baixo preço? Como cuidar de nossas fronteiras e das nossas comunidades carentes, redutos preferenciais destes marginais, pois há uma baixa atuação do estado?
Esses são os problemas do futuro que estão aí em nossa frente, se mostrando, se moldando, se disfarçando de normalidade. São para esses problemas que o administrador público deve estar preparado e deve preparar os órgãos para evitar que eles afetem a sociedade e num futuro próximo tornem o Brasil, a Paraíba, um lugar pior, sem desenvolvimento, com velhos problemas, para os quais estamos nos escondendo.
Escrito por José Bezerra 



