
Pesquisa mostra o substancial aumento de processos pedindo a cassação de políticos e o substancial aumento das cassações. De acordo com o levantamento, 119 vereadores foram cassados apenas nas eleições de 2008. Em 2000, esse número era 15 e em 2004, 73. (…) De acordo com levantamento da Corregedoria Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 4 mil processos relacionados a corrupção eleitoral ainda estão em aberto. Desse total, 3.124 são processos sobre compra de votos no último pleito. Em 2006, foram 1.100 casos.
Do final de 2008 a março deste ano, 357 prefeitos, vice-prefeitos e vereadores foram cassados por compra de votos. Este é um dos resultados da pesquisa “Prefeitos e Vereadores cassados por Corrupção Eleitoral”, realizada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), tendo por base dados da Corregedoria Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Todos estes dados revelam como a justiça está mais ativa na cassação de políticos corruptos, atendendo um anseio da população. Mas parece que tais resultados ainda estão longe de satisfazer a opinição pública e a opinião publicada. Entretanto este dados mostram também a outra face e um novo aspecto que surge na política brasileira: as eleições não acabam após a contabilização dos votos, acabam só após o julgamento de processo eleitorais.
Tais fatos trazem grandes implicações. A guerra política fica cada vez mais acirrada, com partidos fazendo acusações uns contra os outros e entrando com processos uns contra os outros. No fim parece que todos estão envolvidos em esquemas de corrupção. A acusação virou arma política nos horários eleitorais e nos debates e em falas diretas e indiretas. No extremo todos os candidatos podem ser cassados, pois todos são acusados de alguma coisa pelos adversários.
Nas elaições, sob a cotação dos advogados na disputa pela aparição na mídia, eles vêm para responder quanto para acusar. Todos tem argumentos e linguagem jurídica para dizer que o outro roubou e fez isso e aquilo. Aí as argumentações ficam cada vez mais ricas e cheias de omissões, manipulações e jogos de verdades que ambos os lados produzem para ganhar a disputa.
A Justiça Eleitoral fica sobrecarregada e tem que responder em tempo todos os processos e acusações. O que já é uma grande dificuldade, pois muitos são cassados depois de 2 ou 3 anos de mandato e o que entra também tem processos para serem julgados.
Com a consolidação da acusação jurídica como arma política na disputa eleitoral e com a morosidade (tendo em vista o mandato de 4 anos, isso piora) da Justiça fica cada vez maior a percepção de que todos são iguais, no sentido ruim do termo. Fora isso, cria-se uma grande instabilidade do mandato, pois a qualquer momento o candidato-eleito pode sair por um processo. Além disto a disputa eleitoral torna-se mais uma disputa judicial que de ideias para a sociedade. Todos se perdem no meio.
Essas são grandes questões que não parecem ter soluções rápidas. A rigorosidade da lei quando misturada com a malandragem sem fim dos políticos pode criar uma situação de instabilidade enorme. É necessário que os partidos e políticos partam para um acordo de republicanos que garantam que todos cumpram o mínimo necessário que a lei pede e possam enfim fazer política com base no debate de ideias e não na troca de acusações.
Mas como político é malandro, um acordo velado de não acusação mútua pode ser possível, mas espero que não prospere diante da atuação do MP e da população ativa e da mídia em suas várias vertentes.
Enfim… a futuro é uma caixe de surpresas.
Uma campanha “não reeleja ninguém” foi lançada. O que vcs acham?
Escrito por José Bezerra
Escrito por José Bezerra
Escrito por José Bezerra 






