Estas notícias são no mínimo curiosas e nos servem para pensar.
Primeiro, saiu no conversa afiada:
DEMITIDOS POR ENGANO. “Setores de vestuário e calçados admitem que exageraram na dose e anunciam recontratações
Empresários brasileiros de setores de vestuário e calçados deram-se conta de que cortaram mais vagas do que precisavam. Agora planejam voltar a contratar para repor os estoques perdidos com as demissões. Intensivos em mão-de-obra, os segmentos admitiram que exageraram na dose por temor da crise econômica, que se tornou mais psicológica do que real nos dois setores. Ambos foram os principais responsáveis pela queda do emprego na indústria, segundo informou ontem o IBGE: o emprego caiu 1,8% em dezembro – cerca de 110 mil vagas entre 6 milhões de trabalhadores, o maior recuo desde que o instituto começou a fazer a pesquisa, em 2001. (pág. 1 e Economia, pág. A16)”
Estas são do acerto de contas:
EUA não querem aplicar o conselho que deram aos japoneses na década de 90
Na década de 90, o sistema bancário japonês entrou em colapso. Muitas instituições estavam simplesmente sem liquidez, e o país correu sério risco de estagnar a economia asiática através de um forte contágio.
Com a taxa de juros historicamente baixa, aconteceu algo semelhante ao que acontece agora, com forte concentração de créditos podres por parte dos bancos, muitos deles em especulação imobiliária. Se quiser entender mais sobre a crise japonesa, pode ver aqui o artigo de Otaviano Canuto.
Na época, o conselho dado aos japoneses foi o de estancar a sangria no sistema, e se livrar dos bancos insolventes. Os japoneses fizeram o dever de casa, e apesar da crise, sobreviveram sem uma depressão na economia. Mas hoje crescem a taxas bem mais modestas (ou realistas).
Os americanos querem o impossível. Estão tentando optar por dar liquidez aos bancos, mas não querem mexer no centro da questão: o fechamento de instituições pouco eficientes.
O Citibank é um caso clássico. O banco praticamente faliu, obteve ajuda do Governo, e além de perder a confiança dos investidores, possui uma carteira de crédito tão ruim e custos de operação tão elevados, que mesmo que o Governo compre a parte podre, sua rentabilidade futura não será suficiente para manter o banco.
Talvez se aplicassem o conselho dado aos japoneses…..mas aí a banca sofreria.
Gráfico da perda de emprego nos EUA: assustador!!!

O gráfico acima é de dar medo. Cliquem nele para ampliar e ver melhor. Trata-se de uma comparação entre a perda de postos de trabalho nos Estados Unidos entre a crise atual e as de 1990 (pós-queda do muro de Berlim) e de 2001 (estouro da bolha da internet). De acordo com o gráfico, os EUA já perderam mais de 3,5 milhões de empregos. Pior. A linha verde segue em queda livre e sem nenhum sinal de recuperação.
Olhando por esse ângulo, até que o presidente Lula estava com alguma razão. Comparado com isso aí, a crise no Brasil ainda não passou de uma marolinha…
PS: Agradecimento ao sempre perspicaz Cláudio Cabral pelo envio do gráfico.
Essa é do Luís NAssif, e realmente, eles esqueceram a grande crise, tá tã na cara das reportagens: A política e as circunstâncias
Mudou totalmente a cobertura da crise pelo Jornal Nacional.Agora, estão à caça dos setores que estão superando a crise. Ontem foram até Santa Rita do Sapucaí, cujas indústrias estão contratando para substituir os importados.
É evidente que a casa percebeu que o uso da crise como arma política era um tiro no pé: aprofundava o pessimismo, irritava os telespectadores e, consequentemente, afetava a publicidade privada.
Em janeiro e fevereiro, se não fossem as diversas campanhas do governo de São Paulo, as emissoras abertas teriam ficado no mato sem cachorro.
Ontem, até a Nossa Caixa, que já foi vendida, estava com campanha na Globo. O curioso é que nos últimos dez ou doze anos, Nossa Caixa praticamente desapareceu no mercado bancário. Poderia ter desempenhado um papel relevante, como agente do governo do estado no estímulo à atividade privada ou nas ações municipais. Mas conformou-se em ser pagadora do funcionalismo público.
É bom ver: Dados sobre desemprego mostram alarmismo da mídia
Para não ficar longo, sugiro ainda este post do blog Anais Políticos:
A LÓGICA DO CAPITALISMO
Existe uma verdade inconstestável no capitalismo. Ele vive do giro financeiro. Muios torcem o nariz para os pacotes de ajuda, dizem que é protecionismo, muitos torcem o nariz para os “bolsa” qualquer coisa, porque dizem que é esmola.
Convém dizer antes de continuar o raciocínio, que muitos desses torcedores de nariz não vêem nada errado em distribuir dinheiro para grandes empresas na forma de isenção de impostos. A isso eles costumam chamar de investimento, de “desoneração fiscal”. Como foi o caso agora das montadoras por meio do IPI. Esmola mesmo, paternalismo mesmo, é distribuir dinheiro para pobre. Pra rico, pode. Continua…
Ministro britânico quer países do Bric em fórum de estabilidade
O ministro de Finanças da Grã-Bretanha, Alistair Darling, defendeu que Brasil, Rússia, Índia e China –os chamados Brics– participem do Fórum de Estabilidade Financeira. A declaração foi dada pelo ministro em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal italiano Il Sole 24 Ore.
Darling disse ainda que a Grã-Bretanha não irá adotar o euro como moeda, acrescentando que a posição do país não mudou desde 2003. ”Essa é simplesmente uma questão que não deve ser levantada”, disse Darling de acordo com a entrevista. O jornal informou que o ministro deu a entrevista para quatro jornais europeus.
Veja nosso comentário:
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