O que nós verificamos é que o segmento majoritário quer tratorar o minoritário. A ideia de que foi passada de que José Dirceu viria para “enquadrar” os dissidentes, não era real. Ele não veio em nome da executiva e nem do diretório nacional. Ele tem uma posição claríssima, com a qual não concordamos, mas estamos vendo que a maioria aqui presente quer entregar o PT ao governador José Maranhão. É muito triste que estejamos rastejando para indicar o vice, quando o governador diz claramente que não quer. O partido não faz nenhuma defesa do atual vice governador. Se eu fosse o vice, com a indicação do partido e tivesse recebido o carão do governador, eu romperia. Esse pessoal está cheio de cargos, de benesses, de compromissos para deputado federal e estadual. Cada um pensa no seu umbigo, no seu projeto pessoal. Eles não vão romper, não. Maranhão vai dizer que eles já têm mais do que pediram. A fatura já foi paga. Dizer que Maranhão vai apoiar Dilma é o óbvio ululante!
As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho
10 janeiro, 2010Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.
Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.
A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.
Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.
Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.
Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.
Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.
Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.
Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.
Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!
Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.
PMDB rifa o PT em diversos Estados.
4 novembro, 2009Quanto vai custar a candidatura do PT a presidência? A morte do partido, sua subserviência aos comandos de um outro partido? Pois bem, as coisas parecem que se encaminham para algo parecido. Será que o PT vai virar partido de cúpula e desconsiderar seus militantes?
A comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta nas eleições de 2010 faz sua primeira reunião hoje, na sede do PT em Brasília. Os dez petistas e dez peemedebistas que compõem a comissão fizeram reuniões prévias para levantar os problemas eleitorais no Brasil, tal como ficara acertado quando PT e PMDB fecharam a aliança nacional em torno da candidatura à Presidência da República da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Em Minas Gerais, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não se conforma de liderar as pesquisas eleitorais com mais de 40% das intenções de voto em qualquer cenário e ainda ter de enfrentar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que não ultrapassa 12% na preferência. Ele disse que, deste jeito, perdem os dois. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também não aceita a candidatura de Lindberg Farias (PT), que já obteve o apoio do diretório fluminense para se apresentar como candidato no horário eleitoral do PT no rádio e na televisão. O programa vai ao ar no fim de novembro.
No Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli mandou avisar que está pronto para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff, mas que não o fará caso o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, entre na briga pelo governo estadual. Para demonstrar boa vontade, ele avisa que já se acertou com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e que não haverá dificuldade em fazer uma dobradinha com o petista.
Ceará
Também é grande a gritaria do PMDB contra o PT no Ceará – do deputado e ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB). O protesto é contra a candidatura ao Senado do ministro da Previdência Social, José Pimentel. Em jantar da cúpula peemedebista ontem à noite na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), Eunício se queixou de que Pimentel faz uma campanha agressiva com dinheiro da Previdência para competir com ele.
A preocupação dos governistas no Ceará é grande porque uma das duas vagas ao Senado deve ficar com a oposição, já que o senador Tasso Jereissati (PSDB) disputa a reeleição com o apoio do governador Cid Gomes (PSB) e do irmão Ciro, deputado e pré-candidato pelo PSB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A inabilidade hábil que fomenta a luta PT-PSDB
12 setembro, 2009Uma boa análise sobre a situação política do País é feita por Nassif em sua coluna.
As brigas entre PT e PSDB pelo poderio estatal ultrapassa os limites do aceitável em alguns momento e terminam por atrapalhar a criações de convergências necessárias ao desenvolvimento do País.
É incrível como se criam imagens sobre os fatos para que a discussão seja levada para o seu lado, impedindo o diálogo produtivo. É esta “habilidade” que bem utilizada principalmente pelo psdb que termina por criar um padrão não util para o País. Trata-se de uma inabilidade que é hábil para si mesma.
Por outo lado, o artigo mostra os recuos do PSDB assim como do PT em 2002.
Ontem, o PSDB mudou sua posição em relação ao pré-sal. Decidiu não mais fazer oposição sistemática ao projeto do governo. Antes, havia desistido da oposição sistemática ao Bolsa Família. Nos dois momentos, a radicalização foi pautada pelo noticiário, ainda bastante apegado a slogans do período fernandista. O ajuste de rumos foi motivado pelo reconhecimento de que esses dois temas se incorporaram definitivamente na agenda política brasileira.
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Antes disso, o PT havia aberto mão de bandeiras históricas para abraçar temas como responsabilidade fiscal, mercado de capitais, respeito aos contratos, manutenção da privatização. Essas duas posturas ajudam a entender um pouco o panorama político brasileiro. O primeiro ponto é que não existem partidos programáticos, e sim pragmáticos (no plano político), que vão se amoldando aos ventos políticos. O segundo ponto é a extrema dificuldade do discurso político racional, não ideológico. Nos anos 70, o surgimento de grandes estatais foi importante para completar o ciclo de industrialização brasileiro. Com a estatização ganhando vida própria, seguiu-se um período de exageros que paralisou a economia. No começo dos anos 90, foi necessário um furacão para romper um conjunto de dogmas que vicejavam na economia.
Segue-se um período inicial de guerra ideológica, enaltecendo o novo modelo, da prevalência do mercado. Em um primeiro momento, provoca um arejamento no modelo econômico. Depois, interesses se estratificam e a ideologia passa a se sobrepor à busca das melhores práticas para o país. Em vez de ferramenta de modernização, o livre mercado torna-se um mantra que paralisa qualquer pro atividade das políticas públicas. Foi uma dura luta a introdução, pelo governo Lula, de novos elementos na discussão econômica. Primeiro, consolidaram-se os conceitos de políticas sociais (com o Bolsa-Família e o salário mínimo). Mas só com a crise global o modelo anterior recebeu seu golpe de misericórdia, com a comprovação, na prática, da importância dos grandes bancos públicos como fator de regulação do mercado e da Petrobras como elemento central da política industrial a ser implementada em torno do pré-sal.
O risco, agora, será a radicalização na volta do pêndulo. Por exemplo, atribuem-se todos problemas da telefonia ao modelo de privatização de FHC. Embora a privatização pudesse ter sido bem melhor estruturada, os problemas atuais decorrem da falta de fiscalização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E ai a razão não são falhas do modelo mas da falta de pressão social e política sobre o órgão – que está há oito anos na órbita do governo Lula. Em algumas áreas, haverá a necessidade de estatais fortes; não em todas. Será necessário aumentar a estrutura de serviços do Estado, mas sem preconceitos contra os métodos de gestão. Será necessário fortalecer tanto a Petrobras quanto o mercado de capitais para a nova etapa de desenvolvimento. Infelizmente, não existe um partido programático que possa passar ao largo da ideologização barata.
Os fantasmas que rondam a aliança Ricardo-Cássio
5 agosto, 2009Embora não seja um fato, mas de tão falada, discutida, tomada como certa e esperada por alguns políticos, a aliança Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima passou a ser um fato-virtual ou pseudofato que guia e intervém fortemente nas ações e analises dos políticos e jornalistas. Isso mostra como um fato, por assim dizer, do mundo das hipóteses intervém no mundo real.
Todos os grupos e pessoas estão querendo tirar os seus ganhos em cima desta aliança. Veja o caso de Manoel Júnior e dos divergentes dentro do PSB que se utilizam da pretensa existência da aliança para fortificar uma justificativa de saída do partido e mesmo de não apoio a uma candidatura de Ricardo para governador 2010. Fizemos um desafio a Manoel Júnior propor e buscar apoio dentro do PMDB para a chapa 2010 encabeçada por Ricardo.
Armando Abílio e outros ligados a base de Cássio, principalmente do PP e PTB desejam ver a aliança formalizada e falam pelas quatro cantos a força desta junção. Tratam como se fosse algo imbatível por somar a fora política e apelo popular de Cássio com a força social e administrativa de Ricardo Coutinho. Algo tão natural na cabeça deles, pois se esquecem do aliado Cícero Lucena, de problemas irreconciliáveis com Ricardo, e dos entraves que o próprio prefeito tem, junto a sua base, em compor tal aliança. Este blog já tentou mostrar alguns.
O próprio Cássio por sua vez não desmente a aliança e indiretamente mantém viva a possibilidade. O mesmo acontece pelo lado de Ricardo Coutinho. Sabemos muito bem que há quatro forças políticas na Paraíba, muito embora elas se apresentem como duas. Temos a peso de hoje, Maranhão e Cássio como água e óleo e Ricardo e Cícero como cão e gato. Nesse quatrilho Cícero e Maranhão não começaram paquera, pelo contrário, Cícero mantém a certeza de que receberá o apoio de Cássio. Fala até de coerência, gratidão e traição. Assim, a grande questão que fica é: o que Cássio e Ricardo têm a ganhar com a solidificação virtual desta aliança?
Cássio tem a ganhar um rompimento seguido de um enfraquecimento por separação de forças no bloco de seus opositores PMDB/PT/PSB. Ganha em efeitos simbólicos por ter sua imagem associada, sem muitos arranca-rabos a um dos políticos de maior crescimento, respeito e força na Paraíba de hoje. É uma verdadeira recauchutada na sua imagem abalada pela cassação. Cássio já fez uma paquera e aliança com diferentes quando se juntou com Cozete e o PT em Campina Grande. Que por fim acabou mal para a petista, que hoje sofre e muito após se abandonada e ter todos os males jogados em suas costas. No final das contas ele tem muito pouco a perder. Poderia ter o ressentimento de Cícero e até um rompimento, mas pela certeza deste que Cássio é fiel, essa aliança soa como um grande golpe de mestre!
Ricardo por sua vez, sabe que o PMDB não vai abrir mão de uma candidatura própria, principalmente se esse candidato vier de outro partido, mesmo sendo da base aliada. É um direito dele querer isso assim como é direito de Ricardo pleitear ser governador. Ricardo sabe que tem o apoio de muitos partidos da base de Cássio e não deseja perder esse apoio. Com certeza o PMDB não deixaria de lado. E para não jogar terra no sonho deles, finge que não escutou a ventilação desta aliança. Além do mais, pode estar a vislumbrar um apoio de alguns cassistas, não todos, num pretenso 2º turno em 2010. Mas enquanto Cássio aparenta não ter nada a perder com essa aliança, Ricardo pode perder sua base social de sustentação além de arcar com uma forte descaracterização de sua imagem social e política. Ele passa a ser como os outros.
Ricardo é o que tem mais a perder nessa bagunça todo. Quando a chuva chegar cada qual vai para o guarda-chuva que lhe é mais familiar e receptivo. E Ricardo pode perder uma chance de ganhar o poder pelo apoio social sem apelar para aliança sem legitimação. Ainda, a Paraíba pode perder uma chance histórica de implementar uma renovação política que seja uma alternativa aos velhos grupos e oligarquias e as velhas práticas. Sendo um marco no quadro político dos últimos 30 anos.
Escrito por José Bezerra 



