São verdadeiras bolhas de escândalos que estão ocorrendo e envolvendo o Senado e o Governo. Falo bolha porque muitos foram inflados ou soprados para longe. A crise do senado, a verdadeira crise, não esta em “Sarney fica ou não fica”, simplemente foi soprada para longe do noticiário e debatida tangencialmente, as demais crises são bolhas infladas, veja o caso da Petrobras, da Lina, do 3º mandato etc. Chega-se agora na crise do PT. O partido vive um momento de abalos, num dia juntou a saída de Marina Silva e o arquivamento da investigação de Sarney em troca de apoio umbilical do PMDB.
Agora qual é a crise que o PT passa? Antes é preciso entender bem todo o contexto. Não foi apenas o PT que arquivou o processo contra Sarney. Sua participação foi decisiva? Sim, foi. A participação dos demais partidos também. Não se arquivou apenas o processo do Sarney, a investigação do reú confesso Arthur Vírgilio foi junto e por UNANIMIDADE, é bom dizer. Todos os partidos de modo cínico souberam colocar o dedo na cara do adversário, com discursos eloquentes, acusações abstratas, sinais de moralismo. Junto a isso, os mesmos partidos estavam escondendo todos seus podres debaixo do tapedo, e com um toque de apoio da mídia, o caso de Virgílio é claro.
Veja o comentário do observatório da Imprensa: Se o leitor atento é do tipo que guarda jornais velhos, um exercício interessante de observação consiste em reler manchetes publicadas nas últimas semanas, quando a imprensa cobriu muito intensamente a crise no Senado. O leitor vai notar, por exemplo, que o senador Arthur Virgílio desapareceu do noticiário logo que se configurou a intenção de seus adversários políticos de julgá-lo no Conselho de Ética. Será que Virgílio, que era o campeão das declarações, simplesmente entrou na muda ou os editores é que decidiram poupá-lo?
Mas vamos lá. Após o fato, a maioria dos partidos voltaram tranquilos para casa, pois conseguiram livrar o seu lado e deixar o negativo da crise de Sarney no colo do PT, o desejo mais profundo da grande mídia e da oposição. Todos saíram caladinhos, sem vergonha. Ninguém sentiu nada. Veja bem, apenas o PT sentiu que devia algo, apenas o PT se sentiu envergonhado, se sentido atingido por tudo que aconteceu. E todos cobram isso dela, cobram coerência, cobram postura. Se cobram é porque ele tem algo para oferecer nesse sentido.
A crise do PT expressa muitos os dilemas e as crises em que vive a política brasileira, o sistema político nacional. É claro que a crise expressa também problemas internos, como a falta de uma plataforma consistente de políticas para a eleição de 2010 e a excessiva força que a figura de Lula tem hoje.
É bom que o PT se sinta atingido, pois podemos ver que ele ainda está atento e conectado com as cobranças políticas de vários grupos da sociedade. E pior será quando todos esses fatos se tornem comuns, não consigam nem mais gerar indignação interna. Isso falta aos demais partidos e por isso eles não estão na crise, e por isso a crise do PT expressa também os problemas da política brasileira e a busca por saídas.
As reações parecem bem sinceras e expressam as contradições do momento. O partido, vale dizer Lula, apostou no apoio do PMDB, ou seja, optou estar refem ou do lado do fisiologismo puro e vive sob o dilema do quanto vale ceder para obter o apoio pragmático e a governabilidade de que precisa? O custo está muito alto, principalmente quando Lula parece cego pelo vontade de colocar um sucessor.
O partido não soube lidar com a crise Sarney. Pois numa atitude emocional e ocasional queriam a cabeça de Sarney para os Leões e livrar a de Virgilio. Fizeram uma caça a Sarney como se a crise do Senado derivasse da presença dele alí. Um reducionismo barato para vender jornal, e a midia entrou ou criou isso. O PT e principalmente Lula não soube lidar com a situação e ficou num beco sem saída, mas uma vez queimou credibilidade por projetos políticos de curto prazo. E aí está o partido em crise.
Com certeza essa crise atinge em cheio o PT, mas também a política brasileira. O sistema com um todo parde mais uma leva de credibilidade e entra em rebaixamento. Com certeza essa perda do PT não será um ganho para o oposição, mas sim para projetos que buscam novas alternativas e posturas para 2010 e para a construção da política brasileira. Deve reforçar as linhas de centro-esquerda, não se sabe se na figura de Marina, de Ciro, de Heloisa e de outro. O PT continua sendo um bussula forte na política, mas está perdendo o posto, o que falta é alguem com capacidade e capilaridade para ocupar o posto forte.
Aí entra a possibilidade Marina e as incertezas… agora é esperar para ver e agir para si.
Escrito por José Bezerra 
Escrito por José Bezerra
Escrito por José Bezerra 



