A difícil relação Agra, Cartaxo e Ricardo (PT/PSB) e a prefeitura de João Pessoa

13 julho, 2012

O processo de transformação por que passa a cidade de João Pessoa, seja na gestão ou nas políticas públicas de habitação, cultura e lazer, urbanização, transporte e saúde, é resultado da atuação de um conjunto de forças políticas e sociais advindas de um campo de centro-esquerda, que tiveram, e ainda tem, Ricardo Coutinho como maior representante. Entretanto, inúmeras pessoas e figuras públicas foram fundamentais para a elaboração e operacionalização destas idéias e ações, transformando-as em realidade. Sem estas pessoas vários projetos ficariam apenas no papel.

Esta transformação não possui um dono ou mentor, seja uma pessoa, um partido ou uma entidade. Pelo menos este é o ponto de partida e condição de existência. O projeto em curso tem a marca da construção coletiva, do aperfeiçoamento contínuo e do movimento. Por isso, falar de um representante maior, desta frente de vários partidos, políticos e organizações.

Assim, quando vemos pessoas que tiveram papel relevante, que doaram esforço, emoção, e desprendimento e que foram de significativa influência para a construção e implementação desta transformação serem negadas no seu papel de representante, partícipe e construtora deste processo, ficamos a se perguntar: quando e quem patenteou esta transformação? Quando e quem registrou esta idéia?

Apenas o conceito de propriedade explica porque verificamos pessoas serem “escanteadas”, desrespeitadas e “expulsas” de um processo que não tem dono, mas adeptos, membros e participes. Esse “projeto” não é apenas de Ricardo ou do PSB, é de várias pessoas e entidades. Assim, como João não é apenas filho de Maria, mas também de José.

Pessoas como Bira, Nonato Bandeira, Luciano Agra e mesmo o Luciano Cartaxo tem sim, identidade como esta transformação. Não se pode dizer que eles construíram um projeto de outrem, mas sim que eles construíram esse projeto COM outrem. Deste modo, eles se apresentam como uma opção para continuidade e aperfeiçoamento desta transformação, pois construíram e/ou sustentaram tudo isso. Eles foram formados na mesma escola política, na mesma tradição e fazem parte do mesmo campo político-partidário.

Por todos estes fatos, há alguns desvios de rota, desencontros e mal-entendidos que precisam ser trabalhados por todas as partes envolvidas.

A postura de oposição, e mais, oposição radical ao Governo do Estado por parte de Luciano Cartaxo e de carona, em relação à Prefeitura de João Pessoa, era e é uma opção perigosa, incoerente e desnecessária desde o princípio. Agravada pelo aceite de Agra e Nonato em sua campanha. Qual a razão de ser desta oposição? Principalmente quando ele passa a mão na cabeça de Zé Maranhão, por quem ele foi humilhado e escanteado. Talvez essa seja a oportunidade de reflexão.

A postura de Ricardo Coutinho de querer se apropriar deste processo de transformação como se fosse apenas de sua autoria e propriedade soa incoerente e preocupante. Agravado pela entrega do projeto a membros do DEM, PSD e PSDB. São estes que melhor representam essa transformação? Descobriram agora que Bira e companhia não constroem com qualidade esse projeto?

Essa postura é conseqüência da condução equivocada que o PSB fez da postulação de Agra. Os acontecimentos corroboram cada vez mais a noção de que o partido, com aval do presidente de honra, Ricardo, queria ver o prefeito pelas costas. E diante de sua carta-renúncia tratou logo de substituí-lo e esquecê-lo, pois era uma pedra no caminho. Nem um pedido de desistência da renúncia foi ao menos tentado. Esse processo está levando o partido e seus membros, alguns, a cultivar as noções: ou está comigo ou está contra mim; os fins justificam os meios.

Resumo do quadro: o atual prefeito da transformação apóia Cartaxo que se coloca como oposição ao ex-prefeito da transformação, que por sua vez, apóia Estela e acredita no DEM/PSD como melhores membros para continuidade do projeto.

Tudo ainda está muito confuso para o eleitor.


O errante PT/PB e seu novo papel no atual contexto

1 julho, 2012

 O PT da Paraíba mostra seguir um caminho errante sem um rumo certo e coerente com sua história. Suas ações tem mais atrapalhado que auxiliado o sucesso e consolidação da centro-esquerda na Paraíba e em João Pessoas.

O partido é cada vez mais dominado por intrigas pessoais em todas as linhas e tendências. Não há espaço para ver como ele, enquanto protagonista nacional, pode contribuir para seu campo aqui na PB. O PT está imerso em vaidades pessoais e partidárias, sem conseguir enxergar além do tempo imediato.

O PT preferiu abdicar de uma candidatura forte socialmente com Ricardo para depois viver politicamente a reboque do PMDB. Quando teve a oportunidade de recompor-se com seu ex-membro e fortalecer as novas idéias, perdeu-se com as possibilidades de poder quando Cássio saiu do governo e com os egos pessoais que não o fizeram enxergar além na história.

Ainda, assumiu recentemente um discurso de oposição ao PSB, contra a esquerda, baseada na desculpa da aliança com o PSDB e DEM. Em vez de optar pelo fortalecimento deste campo, optou por esvaziá-lo e tornar mais difícil a renovação política na Paraíba.

Hoje mais uma vez, é dada a oportunidade de se projetar como uma opção de centro-esquerda e parece preferir a oposição fechada ao PSB. Em vez de compor, quer dividir, em vez apresentar opções, que se opor.

Quando PT e PSB vão perceber que são aliados e não inimigos, mesmo quando momentaneamente são adversários. Eles que podem construir um núcleo forte no campo da centro-esquerda da Paraíba e do Brasil. Tem que aprender a conviver juntos e superar possíveis diferenças, principalmente agora com o crescimento do PSB. Por isso, o PT tem que estar proto para apoiar PSB no segundo turno em JP e o PSB tem que estar pronto para apoiar o PT caso isso ocorra. Mas antes de tudo, tem que haver uma unidade superior.

No atual momento de crescimento o PSB tem que saber ser uma opção ao PT, quando necessário e possível, sem se perder nas alianças perigosas que está empreendendo. Este é o momento para uma construção de longo prazo. PSB tem que observar bem seus passos para não ser um PMDB ou PSD. Tem que saber reconhecer a construção que o PT fez, sem se apequenar. 

 


Chegou a hora do PSB mostrar sua identidade política

1 julho, 2012

O crescimento do PSB a nível nacional era visível e um possível choque com o PT era previsível, apenas não se sabia a data. O choque viria devido às pretensões de Eduardo Campos ou mesmo Ciro Gomes de ser presidente aliado ao crescimento do partido no campo da centro-esquerda, ambiente em que o PT se mostra hegemônico atualmente.

Os primeiros atritos começam a aparecer com as eleições de prefeito em 2012.  Podendo antecipar um possível atrito maior em 2014 caso o PSB ache que possui musculatura suficiente para se lançar sozinho a presidência. Algo que ocorrerá sem dúvidas em 2016 e 2018, contando as tendências atuais. O que é uma previsão frágil num ambiente tão volátil quanto a política brasileira.

Mas vamos ao que interesse, o crescimento do PSB tem mostrado características peculiares em relação ao do PT, seu partido incentivador e de suporte. O PSB tem optado pelo aliancismo, que tem implicado em composição de chapas com o PSDB e DEM, partidos que estão sendo cada vez mais empurrados para a centro-direita, seja pelo movimento do PT seja pelo próprio discurso e comportamento daqueles que fazem estes partidos.

O PSB compõe chapa majoritária, não apenas alianças, com o PSDB/DEM sem grande pudor ideológico/histórico, ao mesmo tempo em que compõe com o PT e PCdoB por exemplo. É um partido dual. Com um comportamento cada vez mais parecido com o PMDB, um partido de centro por excelência, que se alia com qualquer outro, tendo como único critério a viabilidade de poder. Está também é a estratégia do novo PSD que nasceu já eclético e tem como identidade a aliança para o poder.

O movimento do PSB aos poucos abre espaço para que o PSDB se recomponha como partido de centro-esquerda, caso se desloque do DEM e melhor configure sua identidade partidária. Ou seja, enquanto o movimento do PT e do próprio PSDB/DEM leva estes últimos a estruturarem-se como centro-direita. O novo movimento do PSB abre possibilidades do PSDB se recompor com a centro-esquerda e deixar o DEM numa sinuca e assumir de vez a pecha de direita no Brasil. Isso não é nada impossível, haja vista a composição do PSB com o PSDB e DEM em Belo Horizonte, local de onde vem a nova força presidenciável do PSDB: Aécio Neves.

Cada vez mais o PSB será chamado a tomar uma opção com fortes implicações para seu futuro político. Será mais um aliancista para o poder, no qual as composições locais valem mais que uma identidade nacional, como o PMDB e o novíssimo PSD, ou será um PTB/PDT, médios partidos que ainda optam por se manter no campo da centro-esquerda, apesar dos pesares. Se o trabalhismo ainda se mostra influente na identidade destes partidos, será que o socialismo ficará na identidade do PSB, ou ocorrerá algo similar ao PSDB (social democrática apenas no nome)?

A opção do PSB por alianças com o DEM pode levá-lo ao mesmo destino do PSDB, que optou por se aliar preferencialmente ao antigo PFL para se viabilizar politicamente. E hoje colhe os frutos desta opção.


– Que País é esse? – É a porra do Brasil! / Rock Brasília

23 outubro, 2011

Essa reflexão é resultado do filme-documentário “Rock Brasília – Era de ouro”. O filme, para quem viveu esse período e curtiu essas bandas (Plebe, Capital, Legião – poderíamos incluir Paralamas) será bem recebido, e para os mais novos é um resgate de importante período da história musical e nacional.

Esses garotos, hoje adultos, nasceram e cresceram em pleno período ditatorial em famílias bem relacionadas com o Estado e com ótimo padrão econômico. São “filhos da revolução”, a geração coca-cola, segundo Renato Russo. Ao final da década de 1970 e início de 1980, adolescentes, eles colocaram para fora muita coisa do que a população brasileira estava sentindo e pensando, mas represava.

Eles cantaram a transição da ditadura para a democracia, expressaram o sentimento de uma nação e de uma nova geração que junto com eles se apresentavam ao mundo, aos pais, ao país. Um grupo, meninos da colina, que também influenciou uma nova geração que estava nascendo na década de 1980, que nas suas lembranças conscientes já estavam na democracia pensada e construída em 1988, que estava regulamentado muitos de seus dispositivos constitucionais e combatendo males antigos como inflação, desatualização e recessão econômica.

Pois bem, a música símbolo deste grupo, desta época, de um aurea que circundava a nação era uma música de Renato, composta bem antes, mas lançada em 1987:

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Ao olhar para trás, é possível imaginar que este grito ecoava nas bocas de jovens, adolescentes e até crianças e refletia um sentimento: Que País é Esse?

– É isso que devemos mudar.

– Esse não é o país que eu quero.

Era um grito de indignação, de desprazo, mas também de reflexão, de mudança, de apelo em pleno período da campanha de Diretas Já, do final da ditadura, a anistia política, da constituinte, enfim, da mudança e da construção de um novo país. Estava na agora de expurgar “aquele país” ali cantado e esnobado.

Já faz um bom tempo que este refrão vem sempre acompanhado de um “É a porra do Brasil”. Um complemento que já ficou parte da música nos tempos de hoje. Mas que reflete um outro momento, um outro sentimento.

“Que País é esse, é a porra do Brasil”

– É este o país que não tem jeito.

– É o país que você tem que suportar.

Mostra, pois, um sentimento de desilusão, de desistência, de impossibilidade. De todo uma geração que apostou num sonho nascido do questionamento e da rebeldia e que foi levado por caminhos desconhecidos resultando em algo que não era bem o que se queria.

Milhares de filhos da revolução e de filhos da constituição apostaram num país e hoje veem suas apostas e sonhos jogados, esquecidos ou esbarrando em estruturas mais profundas e arcaicas que são difíceis de serem contornadas. Que estão até impregnadas em nos mesmos, e não percebemos.

Essa música perpassa dois momentos, mas reflete um só pensamento e desejo. Marca duas gerações de sonhadores, hoje desiludidos e que vivem na porra do Brasil. Aí pergunto, que mensagem deixamos para a geração que nasceu e cresceu no pós-inflação, no pós-constituição, na era da internet e dos celulares? Que lição a história nos ensinou sobre este país e que está simbolizada nesta música?

Podemos imaginar que uma geração toda tentou e não conseguiu, eles tinham a garra, a vontade, o comprometimento e o sonho, mas conheciam pouco sobre as estruturas políticas e sociais desse brasilzão. Desse país imenso e cheio de contradições e especificidades. Que ainda é possível sim melhorar e mudar, mas que temos que evitar os erros dos filhos da revolução e da constituição. Mas mantendo aquele comprometimento, garra e sonho.

Ou será, que vamos deixar a mensagem que é melhor esquecer tudo isso e curtir um restart e um fresno, ou ficar nas músicas populares que sempre existiram e sempre vão existir para nos fazer relaxar, se divertir e rir.

Bom a sorte está novamente lançada. Qual é o sentimento dessa nova geração e que futura eles desejam? O que deixamos de lição para nossos filhos? Como será contada a música “que país é esse”?

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Não podemos viver nesse luta fratricida entre grupos políticos e sociais que construíram o Brasil de hoje. Deve-se reconhecer que não se atingiu o alvo, que temos que rever a estratégia, os caminhos e objetivos e nos unir, pois ainda se canta “a porra do Brasil”. A mudança é mais profunda e complexa e começa na nossa casa. Cada qual tem o seu papel e não se pode externalizar culpas apenas para o congresso.


O que é isso companheiro? Qual o sentido das ações do PT-PB?

4 junho, 2011

O PT da Paraíba é um caso aparte no cenário político estadual. Trata-se nada mais, nada menos, que o partido de origem do atual Governador, que não simplesmente passou pela sigla, como foi um de seus grandes destaques durante mais de dez anos.

Não deixou o partido por falta de identificação, mas por divergências internas e vontade de ocupar o cargo de Prefeito quando surgir claramente uma grande oportunidade. O que conseguiu em 2004 com certa comodidade. Ao deixar o PT, Ricardo Coutinho se filiou ao PSB, partido histórica e umbilicalmente ligado ao PT, podendo ser chamado de um de seus satélites.

Diferente de muitos que deixaram o PT durante os anos Lula e já anteriormente, Ricardo não se mostrou um político dito de extrema esquerda, que deixaram o PT por sua uma guinada ao centro. Pelo contrário, Ricardo, mesmo fora do PT representa bem esta guinada, que por osmose ou consequência faz seus partidos irmãos, como o PSB, PCdoB e outros, também executarem.

Ou seja, seria natural esperar do PT um apoio mais forte ao PSB de um candidato que crescia exponencialmente desde quando era vereador. Assim como o PT espera de seus “irmãos” um apoio, seja no primeiro ou segundo turno (aqui para os chamados de extrema esquerda), era de esperar o apoio recíproco ao PSB. Entretanto, as brigas internas deixaram marcas profundas e pessoais, que fizeram muitos petistas esquecerem sua origem comum, sua ideias similares e o seu campo político para comprarem uma briga auto-fágica.

Quando Ricardo se aliou ao PMDB (2003) e depois ao PSDB e DEM (2010) disseram que este seria o seu fim, que o PSB não teria hegemonia na coligação, assim como o PT tem a nível nacional na sua aliança com o PL (2001) e depois com o PMDB (2003) e outros. Mas o histórico vem mostrando o contrário, Ricardo soube construir a hegemonia usando um projeto político como mecanismo de união e correção de rumos.

Ao ocupar cada vez mais o espectro de esquerda na PB e ao conquistar os novos eleitores simpatizantes do estilo PT/Lula de governar, Ricardo e o PSB foi sufocando um PT, já em definhamento, simplesmente pela falta de espaço. Eles lutam e brigam pelos mesmos eleitores, por mentes e ideias similares e  pelo estilo de governar da nova esquerda de grande influência lulista.

Para completar a sina do PT da PB este tomou atitudes e agiu de forma descompassadas com os novos caminhos da política brasileira. Em vez de fortalecer o centro-esquerda local, fomentou o conflito e a separação unicamente para projetar seus próprios políticos e não suas ideias. Passou a ser massa de manobra e escorra para outros partidos, em particular o PMDB.

O PT parece falar para o PSB: sua estrela não pode brilhar mais que a minha. Você não pode ocupar o espaço e aproveitar a oportunidade que sempre sonhamos. Essa conquista deveria ser nossa por direito. Entretanto, foi o próprio PT que construiu este rumo e esta história, por suas opções que o passado e agora o presente mostram ser equivocadas.

Quem entende esse oposição acirrada do PT em relação ao governo do PSB de Ricardo? Teoricamente quem teria mais interesse nesse tipo de ação política seria o PMDB, que se sentiu traído por querer sufocar seu grande coringa e uma de suas forças aliadas, o Ricardo Coutinho. Porque isso? Porque querer tomar um espaço de centro-esquerda em consolidação pela liderança do PSB? Porque o PT se sente tão ofendido com o Governo do PSB? Porque tomam as dores de uma oposição que é mais de Maranhão/PMDB em relação a Cássio e Ricardo?

Durante a vice-governadoria no Maranhão III, o PT não fez valer seu estilo de governar. Não fez valer sua posição de “braço direito” da aliança. Não fez valer o espaço que ocupou.

Assim, resta ao PT pensar: que espaço e estilo de governo ele quer se apropriar, aquele do PMDB ou aquele do PSB? Ainda, que avanço o PT quer mostrar em relação ao PSB? O que o PT está comunicando, um partido a la PMDB ou um partido além PSB?

Se alimentar de um antagonismo (Cássio – Maranhão) como mote para sua alavancagem é seguir o caminho oposto que se vê a nível nacional – aquele de superação do antagonismo PT-PSDB. O PT local pode estar fazendo o caminho do PSDB nacional, direcionando-se a uma centro-direita por oposição a uma visão/partido de centro-esquerda em consolidação. Esse caminho está transmutando o PSDB que tem como destino retirar a Social-Democracia de sua sigla.


Caos na Saúde do Estado? Buscando soluções ou aumentando o problema?

31 maio, 2011

Muitos querem fazer crer que existe um caos generalizado no sistema de saúde do Estado, assim como já buscaram, durante anos, criar a mesma sensação em relação à saúde do município de João Pessoa.  Existem problemas? Sim, existem.  A estrutura e funcionamento do SUS no Estado continua a mesma e não é em 06 meses que isso mudaria, principalmente numa área tão complexa para se construir prédios, compras equipamentos e reorganizar o atendimento. Existem problemas graves, hoje? Sim, existem, e eles decorrem do “órgão” mais sensível do corpo humano, o bolso. Cirurgiões estão pleiteando a continuação de uma remuneração obtida no ano passado, e o Estado não possui margem para comprometer com o pagamento de pessoal. Esse impasse gerou a morte de um paciente, pois os médicos não foram trabalhar.

Agora, há esse caos no SUS que muitos políticos e jornalistas querem fazer a população acreditar? Hoje mesmo, o WSCOM relatou a morte de uma mulher por atendimento ineficiente ou mesmo erro médico. Isso é só um tijolo de algo cada vez mais constante na mídia, o relato de casos específicos para “mostrar” o pretenso caos. Destacam-se inspeções, atendimento ineficiente, superlotação etc. Coisas que já ocorriam, mas que antes, não despertava a sensibilidade dessas pessoas. Fica aí a pergunta? Porque isso agora?

Será que elas estão realmente interessadas em discutir saúde pública, em lutar pela melhoria do atendimento à população. Será? Então vamos sair da superfície. E os casos de atendimento ineficiente, filas, superlotação, erros médicos e até mortes da UNIMED? Em reportagem recente na Revista Politika esse assunto foi colocado, e isso corre na boca da rua. Mas isso não é saúde pública? Isso não interessa? Esses problemas e mortes são diferentes?

Parece que há um bloqueio, ninguém pode falar continuamente da Unimed, no máximo colocar uma nota para dizer que registrou a notícia. Devem ter medo de perder a publicidade, já que uma empresa privada pode escolher livremente onde anunciar e diferente do Estado não será taxada de perseguidora, de alguém que deseja destruir a imprensa.

Mas, podem dizer que quem tem Unimed é rico e que temos que lutar pelos pobres? Será? Quantas pessoas que melhoraram de vida no Governo Lula não buscaram fazer um Unimed Saúde (plano mais em conta da empresa), quantos servidores públicos, “perseguidos pelo Estado”, não tem Unimed?

A questão da saúde é grave no Estado, e no Brasil. Isso não é de hoje, o que há de novo no front é greve dos médicos, terceirizados, que causou a paralisação do hospital e morte de uma pessoa. Vamos buscar soluções para uma saúde que está doente e incluir na discussão o atendimento por empresas privadas, que na verdade foi pensada como uma solução paliativa, pois o SUS não comportava dá atendimento de qualidade para todos. Vamos discutir concursos para a área e a reorganização do sistema a nível estadual, a qualidade do atendimento e os erros médicos, o cumprimento de 30% do efetivo em caso de greve, e tantas outras idéias legais de devem estar por aí ocultadas por brigas políticas.

Mas isso não parece ser a intenção de políticos e jornalistas. Mas qual seria a intenção? Devem ter várias: obter visibilidade, se mostrar como estando do lado da população pobre, raiva e intriga pessoal com o governador, e busca por dividendos políticos, ter dois pesos e duas medidas. Para isso cada vez mais eles entraram num vale tudo, no quanto pior melhor. Mas a população sabe diferenciar quando há uma cobrança e quando há uma intriga. Quando há sinceridade nas falas e quando há maldade. Infelizmente alguns populares estão pensando como esses e também querem o quanto pior melhor, o vale tudo político. Pois na PB a disputa política começa após o 31 de outubro.

A crise com os médicos é grave e o Estado não pode ser acusado de não ter tentado resolver ou de não estar dialogando. Pode ser acusado de não ter competência na finalização da crise, ou de não ter um dialogo competente. Mas que ele está dialogando, buscando saídas e tentando resolver, ele está sim.

Vamos buscar um caminho decente de luta política e vamos discutir com qualidade as soluções e problemas da saúde no Estado. E isso vale pra educação, segurança e transporte. Jornalista e político são pagos para qualificar o debate, para informar melhor a população e para ajudar na busca de soluções qualificadas. Não para criar um circo por interesses ocultos e deixar a interesse do povo em segundo plano. Solução de curso prazo não é solução.


Merenda escolar, impeachment, imprensa e oposição em João Pessoa

9 maio, 2011

Mais uma vez o caso da merenda volta a afetar a gestão do Luciano Agra e Ricardo Coutinho. Ao aparecer em reportagem do Fantástico abriu grande discussão nos meios políticos. O que vamos analisar aqui é três elementos: governo, oposição e imprensa.

  • O governo

A licitação para terceirização da merenda está se refletindo numa decisão errada por parte da Prefeitura, não pelo procedimento em si, pois tudo indica que houve regularidade na licitação e pagamento sem uso de recursos federais, mas pelo tipo de empresa privada que atua neste área. Inúmeras empresas desse ramo estão envolvidas em uma série de denuncias que vão da má qualidade do serviço até atos de corrupção. Mostrando como o setor privado não é o santo graal da gestão como muitos afirmam.

A  prefeitura imaginou que poderia controlar a qualidade da merenda mesmo sabendo que iria trabalhar com uma empresa desse tipo. Mas o futuro mostrou que não foi bem assim. Eram tantos problemas na empresa que algo sairia errado, e saiu. Se a fabricação de merenda pelo poder público já é de difícil controle de qualidade (vamos ser sinceros, todos sabemos o histórico de sabor e qualidade das merendas em escola pública) imagina tendo que lidar com outra instituição. Se até nos Restaurantes Universitários há reclamações sobre cardápio e qualidade, imagine em escolas municipais.

Pois bem, o governo tentou corrigir a situação refazendo a licitação, mas como toda compra pública é um processo demorado, o tempo acabou e houve a necessidade de renovação preventiva com a SP alimentação. Muita embora jornalistas mal intencionados afirmem que “após denúncia, Luciano anuncia cancelamento de contrato da Merenda”. O que não é verdade! Ele já seria cancelado, só faltou tempo hábil para substituição. Ou ele queria que fosse feito contrato sem licitação ou que faltasse merenda?

O governo deveria ter arrochado o controle sobre a SP Alimentação para esta fornecer, transportar e armazenar o alimento com condições adequadas e cobrando o fornecimento do que foi contratado. E outra, deveria cobrar mais das provadoras, mantendo uma qualidade de sabor. Pois uma escola que tem laboratório de informática, consultório dentário e boa estrutura pode servir uma merenda de má qualidade? É falta de controle.

Assim foi cozinhado um belo prato para a oposição e imprensa, muita dela irresponsável: má qualidade e sabor da merenda, provavelmente pelo má armazenamento dos alimentos pela SP Alimentação.

  • A imprensa

Uma reportagem da Globo que premiou João Pessoa com sua presença foi a cereja. Afinal, porque eles não visitaram as escolas de Recife e São Luis que também tem a SP Alimentação como fornecedora para fechar com chave de ouro a reportagem. Deixaram essas prefeituras de lado, porque? Mas isso é o de menos.

Aí os nossos grandes jornalistas, que não sabem nem fazer uma reportagem sobre o má transporte de carnes que a SP Alimentação fazia, começam a falar ou comemorar a situação com piadinhas, meia-informação e risadas sobre o povo. Fazem a festa do quanto pior melhor. Será que eles realmente pensam em nosso desenvolvimento?

A grande imprensa nacional está perdendo credibilidade todo dia pelos suas ações de ataques desproporcional contra o governo do PT e até preconceituoso contra Lula.

  • A oposição

O quadro se fecha com a oposição pedindo o impeachment de Agra! Querem fazer uma tempestade numa caixa d’água (esse problema não é para um copo). Bradam raivosamente como se fossem pego de surpresa. Bradam com tal desproporção, provavelmente atiçados pelos grandes jornalistas da PB, não para pedir um CPI, uma investigação. Muito menos colocar lupa sobre o caso. Pedem um impeachment.

Essa não parece ser um bom caminho para a oposição. A população sente quando políticos parecem se guiar pelo “quanto pior melhor”, pelo “quer se aproveitar da situação” e pelo “querem torcer um pingo d’água”. Isso já é conhecido. A nível federal o DEM e o PSDB perceberam bem isso quando raivosamente bradavam sobre Lula e o governo dele. José Serra sentiu na pele quando começou a confundir a população com boatos sobre Dilma e na PB, o PMDB e quem diria, o PT, sentiram isso quando apoiaram por inércia ou indiretamente os panfletos sobre pacto com demônio, o tal caboclo Girassol.

A população parece está cada vez mais vacinada contra certos processos políticos e midiaticos que visam obter dividendos e se aproveitando do quarto poder para interesses pessoais e grupais, sem transparência. Pois se possam de imparciais para conquistar o público.