Palestinos no Brasil: impotência e saudade

Relatos extraídos do G1

Há pouco mais de um ano, o palestino Hossam Khalil, de 37 anos, conseguiu deixar um campo de refugiados na fronteira da Jordânia com o Iraque para ganhar um lar em Mogi das Cruzes, a 57 km de São Paulo. Entretanto, mesmo longe dos conflitos do Oriente Médio, ele não está em paz.

Desde que chegou ao país, ele tenta tirar o filho Aeihm, de 9 anos, e a sua mãe da Faixa de Gaza, que há 13 dias está sob ataques de Israel. Khalil relata ter pedido ajuda ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mas até agora não conseguiu que os parentes viessem ao Brasil.

“Meu filho me perguntou uma vez, por telefone: ‘Papai, por que você não quer me levar daqui? Você não me ama?’”, relembrou ele, na quarta-feira (7), no estacionamento onde trabalha em Mogi. Seu rosto é cansado, e a fala revela um misto de desespero e resignação. Com a tradução de um amigo brasileiro, Khalil – que fala pouco o inglês e o português – disse ao G1 que se comunicou com os parentes dois dias antes do ínício da ofensiva e, depois, perdeu contato tanto por internet quanto por telefone.

De acordo com o palestino, os ataques atingiram a região onde sua família vive. “Não sei se meu filho está vivo em Gaza. Não sei nada. Se ele morrer, não posso fazer nada”, desabafou ele, que acompanha o noticiário pela televisão.

Nascido em Gaza, Khalil conta ter testemunhado episódios de violência, como o que ficou conhecido como a Primeira Intifada, em 1987, quando os palestinos usaram paus e pedras em confronto com soldados israelenses.

Ele morou em Dubai e no Iraque, país que teve de deixar após a intervenção dos Estados Unidos, em 2003, que se estende até os dias de hoje. Na ocasião, migrou para o campo de refugiados próximo à Jordânia. A ONU o enviou ao Brasil com o pai e a atual esposa, com que tem dois filhos pequenos – um de 5 meses e outro de um ano e dois meses.

O técnico em informática Walid Altamim, de 40 anos, e a esposa, a protética, Huda Al Bandar, de 29 anos, também viviam no mesmo campo de refugiados que Khalil. Filhos de palestinos – ele nasceu na Jordânia e ela, no Líbano –, o casal também é considerado refugiado.

“Acredito que um dia voltaremos ao território palestino. Nosso sonho é voltar para lá”, diz Walid, que tem sobrinhos em Gaza. Para ele, o Hamas, considerado um grupo terrorista por Israel, está defendendo o território dos ataques. Entretanto, segundo ele, a solução só virá por via pacífica.

O também refugiado Mahmoud Hossein Obeid, de 53 anos, diz que perde o sono por causa do conflito e reclama da demora de a comunidade internacional buscar uma solução. Os palestinos que vivem em Mogi das Cruzes – atualmente cerca de 47 – se reúnem na mesquita da cidade, onde rezam pela paz em Gaza.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: