Comentários a Guerra de Gaza

Nestes dias destacamos em vários artigos argumentos contra a guerra em Gaza. Nos últimos posts trouxemos informações graves e sérias sobre o conflito e sobre o passado de Israel. Como toda disputa política há interesses e cada qual luta pela seu. As pessoas tendem a julgar tais interesses como melhores e piores, certos ou errados e para isso lançam argumentos.

Muitas vezes a posição de apoio a determinado lado faz com que esqueçamos certas coisas e imaginamos que tudo é possível quando se quer conseguir algo, que os fins justificam os meios e que as ações de determinada parte são certas porque o apoiamos. São questões sérias que permeiam e devem balizar os comentários e textos. É importante afirmar de que lado você está, como é importante estar aberto ao contraditório e a mudança de opinião, embora sejam processos graduais. Sobre a guerra em Gaza tomamos posições de “ataque” a Israel, embora não se trate de defesa do Hamas. Muito embora, alguns podem falar que a omissão termina por gerar a dedução de que quem ataque Israel é a favor do Hamas.

Em toda esta discussão é necessário firmar alguns pontos:

O governo de Israel não é “santo”. É preciso que pessoas e a mídia abandonem este pressuposto, e para isso é necessário mostrar o lado negro deste estado, muitas vezes escondido. É preciso mostra que se hoje Israel “melhorou” em suas posições e ações, por outro lado ficou impune em relação aos crimes que fez, com perspectiva de ficar impune dos crimes que faz. Israel usou de meios similares ao que hoje combate. É preciso mostra que o Hamas não é “santo”? A mídia já faz isso bem. Assim, é preciso contrapor a balança. Se o Hamas é um grupo terrorista, Israel também já foi. Se o Hamas usa civis como escudo e tortura seus inimigos políticos, Israel ataca comboio e instalações da ONU, lança bombas de fósforo e com urânio empobrecido. Esse nivelamento é importante.

Israel tem direitos como a Palestina também tem. Fala-se muito no direito de Israel a segurança, no direito dele existir, no direito de seus cidadãos viverem tranquilamente. Porque os Palestinos não possuem estes mesmos direitos? Porque não se falam deles? Há receio que se perceba o quanto Israel desfruta hoje dos direitos que possui, mais do que os Palestinos?! Há receio de que a população informada apoie a causa Palestina, e assim, legitime suas ações e deslegitime as ações de Israel?! É justo ser alvo de foguetes? Não. É justo ser alvo de bloqueio/racionamento de alimentos, remédios, combustíveis, energia, água mesmo quando há cessar-fogo? Não.  Será que há direitos iguais? Acho que não. Por isso é importante firmar os interesses do povo palestino.

Israel deve existir e a Palestina também. Tanto quanto o estado de Israel tem direito a existência, o Palestino também. Entretanto há que se firmar que Israel hoje é um estado de fato e a Palestina não. Israel tem governo, empresas, universidades, igrejas, exército, leis, escolas, território. E a Palestina, o que tem? Não tem território, nem empresas, nem exército, possui universidades e governos precários, até teatrais. A palestina possui seus territórios ocupados por Israel. Quem realmente sofre ameaça contra sua existência? É mais fácil, hoje,  a Palestina deixar de existir do que Israel. Então é preciso firmar a necessidade de existência da Palestina.

Israel não tem carta branca para fazer o que quer. Porque dar carta branca se ele não é “santo”? Porque dar carta branca se ele é igual aos outros? O que faz de seus interesses melhores do que os dos outros? É importante firmar isso já que as críticas a Israel são tidas como injustas e hipócritas. É tratado como absurdo (por muitos) criticar um estado tão “nobremente governado”. E ainda, este fica impune em relação aos crimes que comete, enquanto que ele mesmo trata de julgar e dar o veredicto em relação aos crimes que os Palestinos fazem.

Os palestinos necessitam muito mais do apoio internacional do que Israel. Qualquer guerra contra e em solo Palestino é apenas forma de deixar destruir este estado, que ainda não existe de fato.  Nesse sentido há que se relembrar sempre que Israel ocupa boa parte do estado Palestino, ocupa militarmente. Israel controla todo acesso e entrada de produtos na Palestina. Se for justo atacar um grupo paramilitar porque este é terrorista, é justo, até no direito mais clássico, atacar um estado que ocupa seu território. Se o ataque do exército israelense é uma autodefesa contra foguetes que caem em seu território (diga-se território dos outros, mas que está ocupado), também os ataques do Hamas é uma autodefesa contra o bloqueio/racionamento de produtos e contra a ocupação de seu território. Muito embora os ataques mútuos não resolvam a questão. Por fim, não foi o Hamas quem quebrou o acordo. Israel já o vinha desrespeitando quando não acabou o bloqueio e ainda matou militares do Hamas. Ou seja, sua justificativa para o início da ofensiva soa como desculpa

Quais as intenções do governo de Israel? No fim de tudo, este parece não desejar a existência de um estado Palestino e empurra com a barriga, não tratando seriamente a questão da Paz nesta região. 

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One Response to Comentários a Guerra de Gaza

  1. […] entendimentos sobre esta questão, a qual muito superficialmente é colocada neste blog pelo post: Comentários a Guerra de Gaza. Veja artigo de Norman […]

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