Gilmar Mendes não tem limites – 2

20 março, 2009

Tinhamos publicado post tratando sobre os limites que nosso supremo presidente (do STF) vinha extrapolando. Agora teremos que publicar outro post. Se antes Gilmar vinha se utilizando do cargo no STF e no CNJ no qual acumula para pressionor, cercar e até, para certas interpretações, intimidar instâncias inferiores do judiciário e o MP, agora o magistrado está se utilizando de formas de censura a mídia. 

Primeiro foi a resposta do Ministro a uma pergunta ou alfinetada de um reporter do acre. Gilmar disse ao final da pergunta: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta” O complemento da frase seria “senão… “. Estrutura linguistica própria daqueles que partem para a ameaça, utilizando estruturas de poder em vez de estruturas argumentativas.  Veja o que o reporter do Acre fala sobre o fato em seu blog: 

Fui desrespeitoso e cometi um erro hoje contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que está em visita ao Acre para uma palestra sobre drogas para jovens da rede pública estadual.

Ao fazer a primeira pergunta de uma entrevista coletiva, indaguei:

– Ministro, o senhor tem se manifestado constantemente em defesa da propriedade, contra as invasões, mas em nenhum momento o senhor se manifestou contra dezenas, centenas de assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais . [Até aqui, a pergunta é pertinente e correta do ponto de vista jornalístico, o exagero se deu na seqüência] Isso decorre do fato de o senhor ser ministro ou pecuarista?

A resposta do ministro veio à altura:

– Devo lhe dizer o seguinte: eu tenho me manifestado contra qualquer violação de direitos, qualquer violação de direitos. Eu não quero que haja assassinatos, independentemente de… Que não haja violência. Pode-se protestar, pode-se fazer qualquer consideração, mas tem que ser respeitado o direito de outrem. A pergunta de qualquer forma é desrespeitosa. O senhor tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta. Eu não sou pecuarista.

Ao formular de improviso a pergunta, tomei como base o manifesto distribuído no dia 6 de março pela pela Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, onde está afirmado (e até hoje não contestado publicamente), que o ministro Gilmar Mendes “não esconde sua parcialidade e de que lado está” e que é “grande proprietário de terra no Mato Grosso”.

Exagero também veio da parte de quem tanto critica a existência de um estado policialesco no país. Orientado pelo ministro, um assessor dele telefonou para a Polícia Federal, logo após a entrevista, e pediu aos agentes:

– Fiquem de olho naquele moço, pois ele é muito perigoso.

A parte final é uma acusação séria e merece apuração. Ou será que não.

Agora veja o vídeo.

—-

Para completar a semana o reporter da Carta Capital, Leandro Fortes, coloca nota em que repudia a atitude de Gilmar de mandar retirar o programa da Tv Camara da qual ele participou. O programa foi gravado dia 11 de março, estava no site da Tv câmara, link que eu vi e revi o video. Pois bem o vídeo não está mas lá. Vejam no link do programa comitê de imprensa, onde este programa não consta.

Veja agora a nota do reporter.

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa. 

(…)

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido. 

Um coisas interessante. Não vi a grande mídia reclamar do seu direito de imprensa. Que elas tanto usam para afrontar qualquer questionamento a sua atuação. Acho que foi um relapso, como tanto outros que tem havido por aí….

Quem puder ver o programa, vejam,  é muito bom. Ele está no You tube.

 

O post do vídeo voltou na TV camara: VOCÊ VENCEU (E O GILMAR PERDEU): TV CÂMARA DEVOLVE O LINK DO PROGRAMA COM JAILTON E LEANDRO

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Grampo no TJ. Não foi o Protógenes quem fez.

20 março, 2009

Como a manchete diz. Antes que pensem que foi o Protogenes, digo que não foi. Interessante isso, porque a pressão e reportagens sem critérios contra o delegado, creio para alguns uma suspeita superficial e para outros uma certeza que Protogenes fez grampos ilegais. Mesmo que o Juiz De Sanctis afirme que a operação foi toda legal.

Notícia de hoje do G1 afirma que o desembargador presidente do TJ do Rio de Janeiro foi grampeado. Essse sim foi um grampo ilegal.  Colocaram uma escuta com fio ligado a antena externa no telefone do desembargador. Não se sabe ainda quem foi. Mas pelo visto a CPI dos grampos, que já dura mais de um ano, encaminhando-se para quase um ano e meio, talvez (com certeza) não vá se interessar por esse grampo ilegal. Suas investigações nesses dozes meses pairaram sobre vários objetos não identificados, e nada específicos, por assim dizer. E na sua seletividade fixou-se na Satiagraha.

Quais os interesses que tornam aquele grampo mais ilegal que este. Vale ressaltar que na PF quem faz os grampos são as operadoras, a mando da PF, com autorização da Justiça. E que a ABIN não possui nenhuma mala portátil para grampos wireless, por assim dizer. Embora questões específicas tenham aparecido, como: levar material de trabalho, escutas, para casa e mante-las em computador; comportailhar dados com a ABIN; fazer gravações pessoais com gravadores, tipo mp3; vazar informações para nossa querida e raivosa grande imprensa. 

Mas vamos ao grampo, esse ilegal:

 

O Serviço de Inteligência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro descobriu que o presidente do TJ, desembargador Luis Zveiter, o filho dele e o pai, o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Valdemar Zveiter, tiveram os telefones grampeados.

O presidente do TJ-RJ foi informado nesta quinta-feira (19), pela Diretoria Geral de Segurança Institucional do tribunal, de que há oito meses suas linhas residenciais e celular foram monitoradas. Segundo a assessoria do TJ-RJ, uma escuta também foi encontrada numa tomada do gabinete do desembargador.

De acordo com o desembargador Luiz Zveiter, o grampo foi descoberto durante uma varredura no prédio do Tribunal de Justiça, na semana passada. Segundo ele, os agentes desconfiaram de um fio que estava conectado a uma tomada do seu gabinete. O mesmo fio estava ligado à antena do edifício. 

“Ainda não sabemos o responsável pelas escutas, o que sabemos é que foi feito um monitoramento ilegal no meu telefone, do meu pai e do meu filho. As investigações apontaram que o grampo já tinha sido feito havia oito meses atrás, e que a ação voltaria a acontecer nesta semana”, disse o desembargador.

Luiz Zveiter credita a autoria dos grampos a “insatisfeitos com suas medidas à frente da Corregedoria do TJ” e, possivelmente, à sua candidatura à presidência do Tribunal.

Luiz Zveiter já encaminhou um ofício para a Polícia Federal e para a Secretaria estadual de Segurança Pública. Além disse, ele afirmou que vai haver uma sindicância interna. Mas, segundo Zveiter, ainda não há suspeitos para o crime.

“Eu acionei a polícia e tomei algumas atitudes internas. Vamos acompanhar as investigações de perto e queremos que os responsáveis sejam identificados. O TJ vai tentar evitar que este tipo de escuta seja montada novamente”, afirmou. 
A Secretaria de Segurança informou que uma investigação foi aberta. 
A Polícia Federal informou que pode dar apoio às investigações.