Assassinatos de crianças e vandalismo em Gaza. Resultados da guerra.

22 março, 2009

Como tenho dito, todo a solução da paz nesta região depende principalmente de Israel tomar uma posição, repor perdas irreparáveis e vencer seus preconceitos. Noticio a denuncia de que soldados de Israel mataram crianças e mulheres porque podiam e porque cultivavam o ódio pelos palestinos. As autoridades do exército eram omissão e coniventes com tudo isso. Vamos ler e esperar os resultados. ONU deve se pronunciar claramente e as cortes intenacionais também.

Antes vejam as camisetas que os soldados gostam de usar. Blog do Mello:

 

Camiseta de soldado israelense: 1 shot 2 kill

Esta é uma das camisetas usadas por jovens soldados da IDF (Israel Defense Forces). Há outros modelitos, que você pode conferir na reportagem Dead Palestinian babies and bombed mosques – IDF fashion 2009.

A denúncia não é de nenhuma publicação antissionista, antissemita ou anti-Israel. Está no Haaretz, principal jornal de Israel.

Agora as reportagens:

Os soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que mataram civis [ao menos 900, segundo números do ministério palestino] que não representavam ameaça às tropas e destruíram intencionalmente suas propriedades, “simplesmente porque podiam”. As declarações foram divulgadas em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal israelense “Haaretz”.

As confissões chocam pela franqueza. “A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados”, diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. “Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. […] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma”, completa.

O jornal publicou trechos de declarações de militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro deste ano e que deixou ao menos 1.300 mortos, entre eles ao menos 900 civis, além de destruir milhares de casas e a infraestrutura do território palestino.

(…)

Não há lógica

Segundo o jornal, o chefe do pelotão conta ainda que foi conversar com seu comandante sobre as regras da operação que permitiam que os militares “checassem” as casas à procura de militantes palestinos com armas na mão e atirando sem nem ao menos avisar os moradores com antecedência.

Depois que as regras foram mudadas, afirma o jornal, o líder do pelotão reclamou que eles “deveriam matar todo mundo em Gaza”. “Todo mundo é terrorista”, explicou.

“Você não tem a impressão dos comandantes de que há qualquer lógica nisso, mas eles não dizem nada. Nós escrevíamos “morte aos árabes” nas paredes, pegávamos as fotos de família deles e cuspíamos nelas, apenas porque podíamos”, conta o chefe do pelotão.

“Eu acho que este é o principal: Entender o quanto as Forças Armadas israelenses caíram no âmbito de ética. Isso é o que eu mais me lembrarei”, disse o soldado.

O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera “errôneos” e “inaceitáveis” para as Forças Armadas de Israel.

——

E a ONU?

Grupos israelenses de defesa dos direitos humanos pediram nesta sexta-feira uma “investigação independente sobre os crimes de guerra” do Exército de Israel na faixa de Gaza –denunciados por soldados que participaram da recente operação militar no território palestino.

Uma dezena de organizações afirmaram em um comunicado que a decisão do governo de investigar a morte de civis palestinos não garante a objetividade necessária.

“A rejeição do governo de estabelecer uma comissão de investigação independente é uma violação das responsabilidades de Israel frente ao direito internacional”, afirmam as organizações em carta dirigida ao procurador-geral do Estado de Israel, Menahem Mazouz.

Segundo o comunicado, a decisão de abrir uma investigação sobre o ocorrido três semanas depois que os fatos foram publicados pela imprensa, abre margem para questionamentos.

De acordo com depoimentos de soldados que participaram da ofensiva de 27 de dezembro a 18 de janeiro em Gaza, que foram divulgados nesta quinta-feira (19), soldados israelenses mataram civis palestinos indefesos.

Segundo um balanço das fontes médicas palestinas, a ofensiva israelense contra o Hamas na faixa de Gaza provocou a morte de 1.330 palestinos e feriu 5.000. Entre os mortos estão 437 crianças menores de 16 anos, 110 mulheres e 123 idosos, e 14 médicos e jornalistas.

A operação militar lançada por Israel tinha por objetivo reduzir o mínimo lançamento de foguetes contra seu território por parte dos grupos palestinos insurgentes, como o Hamas. Do lado dos israelenses, o balanço foi de dez militares e três civis mortos, segundo dados oficiais.

Indícios

O relator da ONU (Organização das Nações Unidas) para os territórios palestinos, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza. O relator pede que um grupo de analistas averigue sua denúncia e afirma que a ação militar israelense em Gaza não estava legalmente justificada e foi potencialmente um crime de guerra.

Reprodução
O relator da ONU, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza
O relator da ONU, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza

Na conclusão de seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que apresentará na segunda-feira (23), Falk propõe uma investigação por “três ou mais respeitados especialistas em leis internacionais de direitos humanos e lei criminal internacional”, acrescentando que devem ser examinados igualmente os lançamentos de foguetes pelo Hamas.

Segundo Falk, se não é possível distinguir entre os alvos militares e os civis, como define as condições de Gaza, “então lançar os ataques é inerentemente ilegal e poderia constituir um crime de guerra da maior magnitude sob a lei internacional”. Seu relatório afirma que “os ataques se dirigiram a áreas densamente povoadas, […] sendo previsível que hospitais, escolas e igrejas e sedes da ONU fossem atingidos pelos bombardeios israelenses, causando numerosas vítimas civis”.

Um segundo agravante para Falk é o fato de que todas as fronteiras da faixa de Gaza ficaram fechadas, de forma que “os civis não podiam escapar dos locais atacados”. “Em uma política beligerante sem precedentes, Israel rejeitou a permissão a toda a população civil de Gaza -com a exceção de 200 mulheres estrangeiras- de abandonar a área de guerra durante os 22 dias de ataques que começaram em 27 de dezembro”, acrescenta.

Anúncios