Jornalismo de hipóteses e teses superficiais

Reprodução de texto do Vi o mundo. Muito simples para desmestificar certas manchetes com intenções escusas….

O Viomundo recebeu cópia de um cheque por e-mail. Mostra que um certo Pafúncio Dantas pagou 1 bilhão de reais a uma pessoa que tem o mesmo nome de um dos controladores da Folha de S. Paulo.

Donde a manchete: Dantas pagou 1 bi à Folha.

Não consegui confirmar a autenticidade do cheque. Mas também não consegui demonstrar que ele é falso, nem produto de uma de minhas múltiplas personalidades.

Assim sendo, eu publico primeiro. Se a Folha chiar, eu desminto mas deixo claro: não consegui comprovar a autenticidade, nem que é falso.

Essa é a lógica empregada pelo jornal ao admitir que publicou uma ficha de Dilma Rousseff que recebeu por e-mail.

Em vez de enfiar o galho dentro, dizer que fez bobagem e pedir desculpas, a Folha diz:

O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o “arquivo [do] Dops”. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada.

Nem original esse “jornalismo” é.

É uma versão do “testando hipóteses”, de Ali Kamel, que foi aplicado com maestria no acidente da TAM em Congonhas. Kamel escreveu, em defesa da imprensa, em O Globo:

Na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se  portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim.

Ou seja, a Folha estava apenas “testando a hipótese” sobre a autenticidade da ficha.

Não se esqueçam que quem deu uma grande contribuição a esse gênero do jornalismo foi o repórter Marcio Aith — ex-Veja, hoje na Folha –, ao reproduzir as contas de integrantes do governo Lula no Exterior.

brasil14_4.jpg

Dizia a legenda:

A LISTA COM AS SUPOSTAS CONTAS SECRETAS
Na lista produzida por Holder e Manzano, para uso de Daniel Dantas, o presidente e outras autoridades aparecem como detentores de dinheiro em paraísos fiscais. VEJA usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão – positiva ou negativa.

Como se sabe, mais tarde ficou provado que o “dossiê” de Dantas era falso, o que rendeu um processo ao banqueiro. Ficou tudo por isso mesmo. Aliás, quem foi punido até agora foi o delegado Paulo Lacerda, que dirigia a Polícia Federal no período em que ela desmentiu a picaretagem jornalística de Veja.

Existe, pois, uma matriz neocom para essa picaretagem — dos Civita, dos Frias e do preposto dos Marinho.

PS: O cheque a que me referi é tão verdadeiro quanto a ficha de Dilma ou o “documento” publicado pela Veja.

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