MP-PF-JF-ABIN, a “quadrilha” contra Dantas, o perseguido-mor da república.

27 maio, 2009

Há pouco tempo atrás dizeram que o MP não consegue fazer o controle sobre a PF. E quem falou foi um tal de Gilmar Mendes. Agora um tal Juiz Ali Mazloum (que por acaso foi investigado e acusado de crime pela PF, outro dia desses – ele não estaria em suspeição?) disse que ligações entre MP, Juiz e PF são indícios de ilegalidade. Realmente as coisas são confusas, para não dizer o contrário. Mais uma vez renasce a tese da quadrilha do MP-PF-JF e aquela que Dantas é o perseguido mor da república.

Outro sim, primeiro disseram que a PF atuou na ilegalidade, malharam o delegado que comandou a investigação, Protógenes. Agora, depois do vai e vem na imprensa, condenaram o delegado por ter vazado. Realmente, se foi ele, melhor tarde do que nunca, pois outros e outros vazaram e ninguém tava nem aí. Parece que a coisa vai mudar… será? Mas não vejo ninguém dando atenção para outros vazadores. A globo disse até que tem cidadãos que serve de informações privilegiadas, ou seja, vazadores profissionais.

Mas agora mexeram com a pessoa errada, por isso todo o clima pesado. Enfim, siguemos. Para continuar, o Juiz Ali acusa e pede investigação contra a atuação do MP na Satiagraha. Fechou-se o círculo. Todos que investigaram agora são réus! Viva! Diria o macado Simão.

Chegamos ao ponto: Daniel Dantas: a vítima de tudo e de todos… com tinha dito na CPI. Como Dantas não poderia falar diretamente do MP como um ente que está embebido de interesses contra ele, foi necessário que o Ali falasse.

Vejam bem em que ponto estamos chegando: a atuação do MP, da PF e de juízes de 1º grau, em conjunto, como uma quadrilha (vamos deixar de eufemismo), está a serviço de interesses privados de empresários (o Alim, genial, identificou estas linhas obscuras): Demarco e Paulo Amorim. Eles montaram uma investigação, com muitos policiais, recursos e convocaram até a participação da ABIN para incriminar uma pessoa completamente inocente, Dantas. Não vamos entrar em formalidades de procedimento, pois como diz o advogado de Dantas em seu livro: “eventuais irregularidades verificadas no âmbito do inquérito policial não tem o condão de anular o processo penal que dele decorra”. Para completar mostro apenas está notícia: Suprema Corte dos EUA valida uso de prova obtida ilicitamente.

Engraçado é ver que esta tese da quadrilha (vamos deixar de eufemismo) infiltrada no estado foi ventilada por um tal de Gilmar Mendes, que soltou Dantas num habeas corpus ultra-rápido e sem fundamento.

Essa tese deve provar que esta perseguição vem de longe, lá das operações Kroll e Chacal, pois esta operação é derivada e não original. Ou seja, não é apenas Protógenes. São vários delegados, policiais, vários procuradores e juizes que estão perseguindo Dantas. Contruiu-se apenas mais uma operação para denegrir Dantas. Pensando bem, não apenas ele, mas também Naji Nahas e Celso Pitta. E se pensarmos em outros casos, temos a perseguição a Maluf, que o MP e a justiça faz há muito tempo. Que triste justiça temos 😦

Enfim, isso é muito para minha simples cabeça. Ou seja, não há quadrilha nenhuma. São operações legais contra pessoas que tem muito o que explicar para a justiça. Houve erros de procedimentos nestas operações? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas como falei acima isso não acaba com as operações com um todo. Afinal é bom lembrar que a Satiagraha foi “refeita” e gerou outro relatório.

Vai e vem esses teses voltam. Aí fica a pergunta: isso tudo é para defender Dantas? Porque isso tudo? Que negócios são esses de tamanha envergadura para tirar do sono instituições várias do País? Será nossas instituições tão criminosos que montaram aparatos de guerra contra esse Dantas?

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Aonde Protógenes se meteu

26 maio, 2009

Reproduzo post do Blog de Luis Nassif:

A sentença do juiz Ali Mazloum sobre o delegado Protógenes é polêmica e merece esclarecimentos da parte dele.

Conversei agora com Luiz Roberto Demarco, que traz os seguintes dados para análise:

1. No episódio da tentativa de suborno do delegado da Polícia Federal, oferece-se R$ 1 milhão ao delegado para duas missões. Primeiro, o de tirar o nome de Daniel Dantas e familiares do inquérito. Segundo, o de incluir o nome de Demarco. A razão é simples: fornecer à defesa de Dantas o álibi de que o inquérito estava subordinado a disputas comerciais. É ponto central da defesa de Dantas. 

2. Na sentença do juiz Ali Mazloum, o parágrafo 53 diz o seguinte:

3. Onde está a questão obscura? O juiz fala de 50 telefonemas para P.H.A Comunicações e Serviços SS Ltda e Nexxy Capital Brasil Ltda. Não informa, na sentença, que são empresas distintas e que P.H.A é o jornalista Paulo Henrique Amorim, que nunca escondeu que falava sistematicamente com Protógenes. A Nexxy é de Demarco. Não são especificadas quantias ligações para PHA e quantas para a Nexxys. Ali misturou as duas empresas e apresentou a soma total das ligações, mesmo estando elas em escritórios distintos, tendo PABXs  e números de telefones diferentes. Com base nisso, exige que se abra um inquérito para apurar essas relações.

4. Demarco garante que, se houve ligação, será fato isolado. A empresa tem cem funcionários. Algumas vezes Paulo Henrique Amorim – que é amigo de Demarco – esteve lá. Alguma ligação isolada pode ter sido feita, diz ele, embora ele não saiba de nenhuma, jamais ligações sistemáticas. Seria fácil tirar a prova dos nove: bastaria conferir o número de ligações de uma empresa e de outra. Ocorre que Mazloum abriu o segredo do inquérito, mas manteve em segredo de justiça a relação de telefonemas. Justamente o ponto central no qual se baseou para pedir a abertura de um inquérito.

5. Com base nessa presunção de ligações telefônicas, Ali junta a afirmação de que existem disputas comerciais entre Demarco e Daniel Dantas. Aí se estabeleceria o nexo. Ocorre que, segundo Demarco, essa informação é falsa. Suas ações contra Dantas são de natureza criminal. Demarco – segundo me informa – é assistente de acusação no inquérito que apura o caso Kroll. Não tem nenhuma demanda comercial contra Dantas.

6. Em cima de um fato que não comprova – as supostas ligações da Nexxys para Protógenes – e de uma informação que Demarco garante ser falsa – as tais demandas comerciais – Ali exige a abertura do inquérito e envia a questão para… o Conselho Nacional de Justiça e para a Superintendência da Polícia Federal.

7. Simultaneamente, o notório Cláudio Tognolli publica no Conjur uma salada com o tal relatório italiano e a Veja entra no jogo através do seu blogueiro. Tudo coincidentemente no mesmo dia. Uma armação nítida.

Já defendi várias vezes Ali Mazloum neste espaço. Acho que ele deve explicações. O fato de sua sentença cair como uma luva para a defesa de Dantas não o torna, em princípio, suspeito de nada. O fato de não haver clareza nos argumentos invocados exige esclarecimentos.

Clique aqui para baixar a sentenca.

 

Por Professor

Prezado Nassif:

Em primeiro lugar, uma correção. Não é sentença, mas sim uma decisão de recebimento de denúncia, ou seja, que autorizou a abertura do processo criminal contra Protógenes pelo crime de violação de sigilo funcional. A sentença é o julgamento final do caso (condenado ou inocente). Mas bem que parece uma sentença…

Decisão de recebimento da denúncia no primeiro grau nunca é extensa. A extensão desta em particular chama a atenção.

Li o documento. Estou perplexo. Jamais tinha visto um rebaixamento tão grande de uma autoridade judicial desde a sessão do STF que julgou o HC de Dantas. Ali Mazloum tornou-se um vingador de si próprio. A dignidade da função jurisdicional foi jogada às favas.

A decisão tem várias partes. Mazloum não se limitou a receber a denúncia do MPF. Foi longe, muito longe.

Como se sabe, o expediente policial que gerou essa denúncia foi aquele conduzido pelo corregedor-vazador da PF, que devassou a investigação de Protógenes e a vida pessoal do policial, na esteira da CPI e da imprensa interessada.

O MPF paulista recebeu o material e fez a denúncia apenas referente à participaçao dos repórteres no momento da prisão, caracterizando a quebra de sigilo funcional e a tal fraude processual. Mas pediu o arquivamento do inquérito no que tocava ao crime da lei de interceptações telefônicas, por entender lícita a prova produzida na Satiagraha.

Mazloum recebeu a denúncia, mas discordou do pedido de arquivamento e remeteu a análise do arquivamento para o Procurador-Geral da república. E é aqui que a coisa fica feia para a Justiça. Discordar do MP é uma faculdade do juiz (artigo 28 do CPP). Ocorre que o magistrado, após censurar o MPF por considerar válida a prova penal que seria avaliada em outro juízo (o da Satiagraha, óbvio), fez um longo e profundo arrazoado jurídico exatamente para dizer que aquela prova que o MP analisou continha vício de ilicitude. Prejulgou a Satiagraha e disse que o MPF deveria reavaliar o pedido de arquivamento.

Mas o Juiz vingador não parou aí. Usando seu pode de requisitar a abertura de inquérito policial (CPP, art. 5º), ordenou que a polícia federal instaurasse novo inquérito para apurar irregularidades que ele (Mazloum) vislumbrou na operação da PF e ainda determinou que o trâmite judicial desse inquérito ficasse sob sua competência exclusiva. Virou o juiz inquisidor e investigador da polícia federal.

E o juiz-vingador foi além. Fez questão de ressaltar em letras maiúsculas, em parágrafo apartado, que havia as ligações de protógenes com PHA e com a empresa de Demarco, para mostrar que o policial estava “influenciado” pelo poder econômico na investigação. Trata-se de elemento completamente dispensável para o recebimento da denúncia. Serviu apenas para elemento de divulgação do conteúdo da investigação. Conteúdo, aliás, cujo sigilo foi afastado pelo próprio Mazloum, inocentando retroativamente os vazamentos….

A fantasia da imparcialidade judicial foi rasgada sem pudor algum. Protógenes está condenado por antecipação. E Mazloum está querendo novas investigações. E fazendo espetáculo com sua decisão de conduzir o processo espetacularmente.

Mazloum não tem isenção para conduzir processo criminal contra delegado da Polícia FEderal. Trata-se de juiz que foi réu em processo criminal iniciado por investigação da PF, e que só foi retirado dessa condição de réu (não inocentado) por decisão do STF conduzida por Gilmar Mendes, em divergência sobre questão formal da denúncia. Alguém vai se lembrar disso?

Pior: enquanto isso acontece, a defesa de Dantas pediu no STF o acesso ao inquérito da SAtiagraha ANTES que ele fosse remetido ao MPF (um absurdo jurídico) – alguém lembra disso? Existe o risco de provas serem tidas por ilegais ANTES que o MPF receba o expediente completo e exerça suas prerrogativas legais.

Lamentável. É preciso que tudo isso venha à tona.

É preciso mais. É preciso que o inquérito definitivo da Satiagraha, do delegado Saadi venha à tona, para que saibamos quais as provas foram colhidas e o que a PF aproveitou ou nao da investigação anterior. É preciso que o MPF ofereça a denúncia da Satiagraha ou peça o arquivamento ou diga quais as provas aproveitará ou não.

É preciso que o jornalismo sério fique atento a tudo o que o jornalismo interessado e o poder público cooptado estiver fazendo neste momento.

Releve a extensão. É a indignação.

Cordialmente.


Redes sociais não excluem fotos apagadas pelos usuários

24 maio, 2009

As redes sociais, exemplo maior no Brasil está no Orkut, tem enorme popularidade. Inúmeras são as pessoas que esqueceram os velhos albuns de fotos que guardavam no armário e trocaram pelo album destas comunidades. Lá é possível ver os locais, amigos e coisas que as pessoas fazem. A publicidade do particular é muito grande. Outras não gostam desse tipo de ação, são mais discretos, outros não confiam nas empresas que administram tais sites. Recente pesquisa põe a credibilidade de certas empresas que atuam no meio. Veja a notícia:

Pesquisadores de segurança da Universidade de Cambridge testaram redes sociais online e chegaram a uma conclusão perturbadora: fotos postadas nestes serviços e posteriormente apagadas por seus donos tendem a continuar disponíveis online.

Segundo o site The Register , os especialistas inseriram fotos em 16 serviços do gênero, registrando o endereço completo associado a cada uma das imagens antes de excluí-las. Um mês depois, sete dos sites ainda permitiam a visualização das fotos deletadas.

O problema está no fato de que parte dos sites remove apenas a referência das fotos em seus servidores de perfis, mantendo as fotos armazenadas no servidor de imagens. Sites dedicados a fotografia, como é o caso do Flickr e do Picasa, removeram as fotos, bem como o Windows Live Spaces. Mas populares redes, como o Facebook, MySpace e Bebo mantiveram a imagem no endereço original.

Para Joseph Bonneau, envolvido no estudo, o resultado demonstra que sites de rede social tem preguiça de investir na privacidade, fazendo o que é mais simples em vez do que é correto.

Em contato com a BBC , um porta-voz do Facebook explicou que quando um usuário apaga uma foto, imediatamente ela é removida do servidor, e que no caso do estudo a imagem deve ter ficado armazenada temporariamente em outro lugar, esperando ser sobrescrita por um novo arquivo.

O relatório completo do estudo, chamado de “Attack of the Zombie Photos” (algo como “O Ataque das Fotos Zumbis”) com o período necessário para a exclusão definitiva das imagens pode ser visto em: tinyurl.com/pwm4u7 

No estudo inglês, a rede social Orkut, famosa entre os brasileiros, apagou as fotos como deveria, e o serviço Blogger levou 36 horas para concluir a exclusão. A Geek fez experiências com ambos os serviços e, em 12 horas, as fotos ainda persistiam.

Veja os dados:

Site Type CDN Operator
Revocation
Bebo Social Networking Bebo Unrevoked
Blogger Blogging Google 36 hours
Facebook Social Networking Akamai Unrevoked
Flickr Photo Sharing Yahoo Immediate
Fotki Photo Sharing Fotki < 1 hour
Friendster Social Networking Panther Express 6 days
hi5 Social Networking Akamai Unrevoked
LiveJournal Blogging LiveJournal Immediate*
MySpace Social Networking Akamai Unrevoked
Orkut Social Networking Google Immediate
Photobucket Photo Sharing Photobucket Immediate
Picasa Photo Sharing Google 5 hours
SkyRock Blogging Téléfun Unrevoked
Tagged Social Networking Limelight 14 days
Windows Live Spaces Social Networking Microsoft N/A (cookies)
Xanga Blogging Xanga 6 hours*

 

 

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São pequenos detalhes como esses que fazem toda a diferença. Estas redes possuem uma enorme quantidade de informações pessoais dos seus usuários e  a privacidade é uma pedra de toque destes serviços.

Aí está o alerta. Nem tudo são nuvens.


João Pessoa: o assassino da moto preta

22 maio, 2009

Nestes últimos meses, incluindo a ano passado alguns assassinatos tem chamado a atenção dos mais atentos aqui em João Pessoa e região. Há sempre pessoas que usam uma moto preta para matar pessoas específicas. Não roubam nada e muitos não são pessoas abastadas. 

Hoje, aconteceu mais um crime destes:

Passados alguns dias em que a grande João Pessoa registrou quatro assassinatos em plena luz do dia, mais uma pessoa foi executada, desta vez logo após o meio dia e próximo ao Fórum Civil da Capital, na Avenida João Machado.

O assassinato foi praticado por dois homens não identificados que se aproximaram de Mago em uma moto preta.

A vítima, inicialmente identificada apenas por Mago, ainda tentou fugir quando percebeu que seria assassinato, mas foi baleado nas costas por um dos motoqueiros e ao cair foi atingido mais duas vezes, na mão e na cabeça.

A probabilidade de que seja acertos de contas é muito grande. A problema é que não se sabe bem qual seja o motivos e se os assassinatos tem motivos similartes. É possível, por exemplo, que seja mortes por dívida de drogas, haja vista o crescente tráfico, uso e apreensão de crack na região metropolitana. O blog já vem alertando sobre isso e sobre a necessidade de combate urgente e agora que está no início.

Mortes deste tipo é uma afronta grave a todo o sistema de justiça da sociedade. Trata-se de julgamento e execução de sentenças, o que por isso só já é uma afronta, e por fim a execução com pena de morte. O Que é proibido no País. 

Alguns podem pensar que são apenas bandidos matando bandidos ou algo parecido. Mas a polícia e a sociedade não pode fazer vista grossa, pois isso só fartalecerá essas pessoas que atuam na surdina e matam sem medo da justiça.

Os casos parecem soltos, mas a presença de bandidos em moto preta mostra algum tipo de ligação entre elas. Onde está a nossa polícia científica? Onde está os poderes constituídos que levam tapas na cara a cada morte deste tipo?

Mais uma vez: quanto mais cedo o combate melhor será nosso futuro. Organizações criminosas paralelas ao estado não podem se instalar na Paraíba.


Meu carro oficial: símbolo de quase tudo de podre

21 maio, 2009

imorais

Nos últimos dias o senador Paraibano Efraim Moraes (DEM) vem sendo alvo de inúmeras denuncias de práticas irregulares das mais diversas. Em recente matéria o correio braziliense fotografou familiares do senador utilizando o carro oficial para fazer atividade partculares. É a clássico confunsão entre o público e o privado. Sem querer entrar nas denúncias contra o senador vamos a questão dos carros oficiais.

Inúmeros políticos e servidores de alto escalão do estado possuem estes carros. Eles devem ser utilizados pelos próprios e apenas para atividades de trabalho. Este é o BOM SENSO. Mas o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou  “O critério de uso do carro é do senador. Cada um usa do jeito que bem entender. Quem manda é o bom senso”. 

Dando a entender que isso que acontece em casos como esse do senador Efraim é bom senso. Mas pelo jeito o critério é o hábito. Sempre foi assim, todos fazem isso também. Eu sigo a regra – informal e aproveito a brecha legal. Enfim, esse é o bom senso a que Fortes faz referência implicitamente.

O uso desses carros oficiais é uma verdadeira farra. E isso não é apenas no legislativo, não. No judiciário creio que seja do mesmo modo. E vale dizer, no judiciário e legislativo de todos os estados e de Brasília. Quanta grana desviada de finalidade!!!! Família e amigos muito se beneficiam desta boquinha. E não adianta controlar taxando cotas não. Pois fazer cotas com base em histórico dos gastos passados é formalizar os abusos dentro da média. 

O engraçado é que a farra das passagens, as verbas de gabinete e de mesa, os carros, entre outras verbas apresentam os mesmos problemas. Um bom senso que reza pelo uso privado de verbas públicas em situações de dificil controle e onde há falhas na lei. O que há de interessante nestes fatos é:

– Todos já sabem a tempos que isso existe. A imprensa principalmente, mas todos fazem vista grossa e depois fazem enxame como se fosse algo novo. Um absurdo que ninguém sabia.

– Após os escandalos faz-se arremedos de controles com base em históricos de gastos totalmente enviesados pelos abusos passados.

– Políticos e servidores se defendem afirmando que é praxe da casa e que a lei não especifica como deve ser o uso! Aí meu Deus. Será que a lei tem que ser tão específica para dizer quando é possível ou não disponibilizar um carro, uma cargo, uma verba (que é para uso em serviço) para atividades particulares, sejam quais forem? A lei não proíbe minha mulher de ir ao salão…. mas proíbe de levá-la ao aeroporto. È esdruxulo, mas só sendo assim para entenderem… ou quer que desenhe.

– Essas brechas legais, que são na verdade desculpas imorais, serem para políticos saírem por aí dizendo que “Agi dentro da lei”. Peraí…


O Brasil precisa tomar posição mundialmente

19 maio, 2009

O mundo vive um momento único. A crise que estourou em 2008 pode marcar uma reviravolta nas referências e estruturas institucionais que estabelecem os parametros de ação e decisão de muitas pessoas, organizações e países neste último século.

Um dos indices destas modificações está no quadro abaixo:

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Como se vê, o domínio anglo-saxão esta caindo, justamente num campo fundamental para o atual estágio de capitalismo financeiro. Em contrapartida, orgnaizações de países como China e Brasil surgem e despontam neste indice. 

As relações entre Brasil e China mudam rapidamente e tem impactos e significados globais. Em Abril de 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil, essa posição era de Portugal, Inglaterra e Estados Unidos (potencias mundiais, cada uma em sua época) nesta sequência. 

Isso seria, pois um sinal de consolidação da China como a nova potência hegemonica mundial?

Por outro lado, esta relação tem preocupado os EUA seriamente. A reunião entre os presidentes do Brasil e da China em Pequim, nesta terça-feira, “reúne duas forças poderosas entre as nações em desenvolvimento do mundo”, e preocupa Washington.

No mês passado, abril, o G-20 de uma reunião para muitos tida como histórica. A construção de novos marcos para a economia e política mundial foram discutidas e intenções foram postas. A própria reuniao já é um marco, pois retira do G-8 poderes e os dilui entre mais países. Em todos estes acontecimentos o Brasil tem marcado presença e além do mais, tem sido cada vez mais valorizado e visto como peça fundamental no novo jogo global.

Este é o grande ponto. Como o Brasil vai se comportar e se colocar diante destas mudanças mundiais? A hora está chegando e cada passo é relevantíssimo para o futuro de longo prazo do País. É preciso ter “olhos grandes” e ambição para se ter um país que efetivamente seja respeitado em suas ações e decisões. Essa atitude pró-ativa e autonoma a governo Lula tem conseguido imprimir nas relações exteriores, mas é preciso ir além. É necessário planejamento estratégico de longo prazo para o País e criatividade para criar novos rumos e alternativas.

O País, em seus maiores componentes, aí está o congresso, o executivo, a mídia, os internautas, as universidades, partidos e a sociedade precisa entrar neste debate de como queremos que o País se posicione mundialmente. O congresso precisa deixar suas picuinhas infantis de lado, a mídia precisa deixar seus preconceitos contra o governo de lado. Os partidos presicam pensar em projetos grande e de longo prazo. O executivo precisa ter coragem para empreender suas ações e isso só virá por meio de visão estratégica. Todos tem que incorporar os “olhos grandes”.


FHC, o mandato presidencial e a república de remendos

17 maio, 2009

FHC

Fiquei ontem sem internet e ocupado com muito trabalho. Hoje a internet “voltou” e a notícia que vejo é sobre a aliança entre Aécio e Serra para a campanha de 2010.  Esta aliança marca a unidade de cúpula do PSDB e mostra que as eleições se encaminham para um enfrentamento entre PT_PSDB. Muito embora haja tendências de fragmentação na base do governo, as duas correntes tendem a se enfrentar e a disputa parece que vai ser feia, pois seus líderes guardam os rancores dos últimos anos. Aí alguém lembra: e o PMDB. Esse vai ficar como estar, no governo, fragmentado e divido. Ou seja, vão liberar as alianças e apoiar o novo presidente.

Essa inicial não é o que mais interessa neste post, mas sim um aspecto que caminha junto das composições e negociações para o mandato 2010-2014: a definição sobre o tempo de mandato presidencial.

FHC é um dos centros desta polêmica. Depois de ter instituido no Brasil, por mecanismos ainda não claros o segundo mandato, para que ele mesmo ocupasse. Agora quer instituir o mandato estendido de 5 anos, para que seus pupilos ocupem. Como se vê só há nestas intenções imediatismo, oportunismo e interesses particulares sobrepondo-se a qualquer outros.

Na outra ponta, há a base governista querendo dar força a campanha do terceiro mandato. Do mesmo modo, só há imediatismo, oportunismo e interesses particulares sobrepondo-se a qualquer outros. Cada qual que puxe a sardinha para o seu lado. 

Este por si só já é um bom indice de como será ou não será a discussão da reforma política do Brasil. Na verdade, o que se deseja é que tudo mude para continuar no mesmo lugar. Ninguém quer perder nem largar o osso que suou para conquistar, pelo contrário, querem ampliar suas posses. 

A falar de hoje, não vejo como essa reformar vai sair. Só virá se o nosso congresso não legislar sobre estas leis ou se a reformar for a prazo, ou seja, faz-se hoje, mas as mudanças só valem daqui a cinco anos ou sete anos. 

FHC como sempre muito astuto, sabe que a tese do terceiro mandato não é boa, pois ele não está no governo e quer impedir qualquer possibilidade de Lula fazer seu terceiro mandato daqui a 4 anos. Além disto, esta tese carrega em si algo no mínino fora do razoável. Aí ele vem com essa dos 5 anos.  Como se diz no direito, FHC abriu jurisprudência ao por em prática o segundo mandato, aí cada um que queria definir a tempo de governo da forma que lhe convém. 

Alias isso parece mostrar bem como nossos políticos tem dificuldade de sair do poder. Após a monarquia, nossa republica foi na verdade um remendo. De 1889 até aqui já tivemos o acordo do Café-com-leite (Minas e São Paulo), a ditadura Vargas e a ditadura Militar. Após esse trauma, FHC vem e cria o segundo mandado. Uma forma elegante de se manter no poder, haja vista que aqueles acordos escussos ou atitudes de força não cola mais.

Ninguém se conforma em saber que fez a sua contribuição para a sociedade e que agora seu papel pode ser exercido por outros meios respeitado as regras do jogo. Mas não…

Apesar de revelar algum tipo de amadurecimento político essa longa república de remendos  mostra como não se trata as questões políticas do País de forma séria. Ninguém quer pensar o País num projeto de longo prazo. E o pior, a mídia que poderia fazer debates mais sérios, se curvar a picuinhas políticas, debatendo-as em si mesma. Girando em círculos ela não consegue ir além das mesmices. 

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