Como anda o (mal) comportamento do empresariado

Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Nesses tempos é muito comum falar como o empresariado, a gestão privada e as relações de mercado tem a solução para todos os problemas sociais, de desenvolvimento e de insatisfação com o Estado. Critica-se muito o comportamento e a ética dos políticos, por outro lado, esconde ou encobre-se  o comportamento do empresariado, que não é muito louvável.

A questão da responsabilidade das empresas com o social, com o ambiente e com as pessoas com quem se relaciona é uma temática forte. Sendo um avanço para analisar o comportamento das empresas, que não pode ficar encrustado, sendo inquestionável ou intocável. Alguns falam que a única responsabilidade social das empresas é buscar o lucro, outros creem que vai além disto, inclui uma perspectiva ética. Em recente pesquisa, a Terco Grant Thornton mostrou que a visão sobre a temática no meio do empreariado está bem polêmica e dividida:

Se tivessem que optar entre preservar o meio ambiente ou manter a rentabilidade dos seus negócios, os empresários brasileiros ficariam divididos: enquanto 47% afirmam que preferem não perder a rentabilidade, 43% garantem que adotariam práticas verdes, mesmo que isso prejudicasse o desempenho de suas empresas.

Antes de rotular empresas e suas ações na velha dicotomia bem e mal, devemos avançar em outras direções. Trata-se de tarefa difícil, mas há que se dar os primeiros passos. Cada agente neste ambiente tem seus objetivos, legitimos diga-se de passagem, mas é preciso entender e refletir sobre como a busca desses objetivos pode intervir na realidade dos demais agentes e inclusive deslegitimar tais objetivos. Este é um exercício primeiro. A incorporação de um senso ético na gestão começa pela conscientização de que a atuação organizacional influi em seu meio relevante, direta ou indiretamente, presente ou futuramente.

Duas análises interessantes põem mais elementos para discussão destas questões, principalmente ao por em foco o comportamento das empresas, não apenas dos consumidores ou do estado, por meio de seus políticos. De alguma forma mostra como o comportamento do empresariado ainda não incorpora esse tal senso ético, e ainda que é preciso avançar para análises que considerem as relações de forças e construção de “entendimentos sobre a realidade” para compreender esta dinâmica.

Pois bem, no blog de Sakamoto, o autor fala como as empresas exigem responsabilidade dos seus consumidores, mas não dão o devido exemplo quando se trata de sua gestão.

Antes de mais nada, esta não é uma defesa da “pirataria”, mas sim da reciprocidade.

De tanto ouvir e ver propagandas em rádios, TVs e cinemas que fazem o consumidor sentir-se um pedaço de lixo, financiador do tráfico de drogas, responsável pelo desemprego e pela fome no mundo, por não se atentar à origem dos CDs e DVDs que compra, creio que se faz necessária uma pergunta: empresas de software, gravadoras e a indústria do entretenimento em geral aplicam o mesmo terror para as suas relações comerciais?

Claro que não. Inexiste, por parte de muitas delas, uma política para evitar a compra de equipamentos eletrônicos (utilizados na criação de programas, gravação de músicas, filmagens de películas) que contêm crimes contra a humanidade e o meio ambiente em seu processo de fabricação. As únicas restrições que impõem são: que o produto tenha preço baixo e a qualidade técnica desejada.

Por exemplo, você sabia que muitos dos seus equipamentos eletrônicos não funcionariam sem ouro? Os equipamentos de transmissão de voz necessitam de 30 diferentes tipos de metal para funcionar. A indústria de aparelhos eletrônicos consome proporções cada vez maiores de minérios preciosos e raros encravados pelo mundo.

Muitos desses metais são extraídos em minas de países pobres nas quais trabalhadores enfrentam condições de trabalho aterradoras. Na República Democrática do Congo, 50 mil crianças, algumas delas com apenas sete anos de idade, trabalham em minas de cobre e cobalto por jornadas exaustivas sem nenhum tipo de proteção. Leia mais.

No Blog Acerto de Contas relata como uma obra pública de cunho relevante para umas das regiões mais pobres do país está empacada devido, entre outras coisas, a ação de um empresário, que deseja tirar toda a vantagem que puder, posi está em situação favorável.

Se tem uma coisa que está incomodando a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) mais que as sessões de quimioterapia, essa coisa se chama Transnordestina… Trata-se de uma das principais obras do PAC , que está parada porque o empresário Benjamin Steinbruch (dono da malha ferroviária do Nordeste) não vai bater um prego até receber algum adiantado do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

A Transnordestina é uma obra que só existe no papel desde o governo do imperador Pedro II e é fundamental para o desenvolvimento do Nordeste. Lula prometeu que iria fazê-la e colocou tudo no colo da mãe do PAC, Dilma. Como custa quase R$ 6 bilhões, se a ferrovia empaca o PAC também empaca. E o índice de eficiência do Plano de Aceleração do Crescimento vai lá para baixo.

Só que a Companhia Ferroviária Nacional, de Steinbruch, só vai tocar a obra (uma Parceria Público-Privada, PPP), caso receba 100% do valor que tem que investir através de financiamentos públicos. Ou seja, não entra com nada e ainda fica com a concessão da ferrovia pelos próximos 30 anos (renováveis por mais 30).

Ontem teve uma reunião em Brasília, da qual participaram Dilma, Steinbruch e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Eduardo está servindo de mediador da solução, pois Pernambuco será um dos estados mais beneficiados pela obra. Leia Mais.

Uma resposta para Como anda o (mal) comportamento do empresariado

  1. argo disse:

    Esse Benjamin sempre foi um pilantra.

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