Desafio Educacional: Faltas, trabalhos administrativos e relação com alunos

O tempo útil nas salas de aula brasileiras parece ser escasso. Faltas e atrasos de professores, além de tempo gasto com outras tarefas, encurtam as horas-aula. Pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com 23 países mostra que o Brasil é o 8º em que diretores de escolas mais reclamam que faltas e atrasos dos docentes prejudicam o andamento das aulas.

A Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês) foi realizada entre 2007 e 2008, com entrevistas de diretores e professores de países que fazem parte da OCDE, como a Itália e a Noruega, e outros convidados, como Brasil e México. Os resultados finais mostram que 32% dos professores brasileiros trabalham em escolas cujos diretores reclamam das constantes faltas. A média entre os 23 países pesquisados é de 25,8%.

Um quarto dos professores responde a diretores que têm queixas sobre atrasos frequentes, quando a média da pesquisa ficou em 15%. “O número de professores que faltam é alto e, em muitos Estados, temos uma legislação excessivamente permissiva. Há Estados que permitem duas ou três faltas por mês sem desconto de salário”, diz Maria Auxiliadora Seabra, presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais da Educação (Consed). Apesar de reconhecer que os casos de doença são também altos, a presidente do Consed afirma que a quantidade de atestados médicos fica além do esperado.

Entre os 23 países, faltas parecem ser constantes em 9 deles, onde as reclamações ultrapassaram 30%. A pior situação é a do México – a maioria (67,5%) trabalha em escolas onde essa é uma reclamação constante. “O sistema de concessão de licenças é frouxo”, critica Mozart Ramos Neves, coordenador do movimento Todos pela Educação.

Levantamentos recentes feitos por governos estaduais revelam que o número de licenças pode chegar a 1 em cada 4 professores da ativa, como acontece no Distrito Federal. Em São Paulo, uma lei modificou o sistema de faltas, limitando a 6 licenças com atestado médico por ano. Antes não havia limite.

Apesar das críticas ao sistema de licença e de falta, especialistas reconhecem que, no caso de atrasos, muitas vezes o problema está mais na escola do que no professor. “O tempo que o professor dedica à aula em si é baixo. Falta funcionário nas áreas administrativas e o professor é chamado a cumprir outras tarefas”, diz Mozart.

Entre os 23 países, é o professor brasileiro que mais precisa usar seu tempo com outras tarefas além de ensinar. Ele também utiliza boa parte da aula tentando disciplinar os alunos – 18% dela é dedicada a broncas. Isso se reflete na opinião que os diretores têm dos problemas nas escolas: 60,2% deles acreditam que a maior dificuldade do ensino são as confusões criadas pelos seus alunos.

A pesquisadora Miriam Abramovay, da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA), credita esse dado à dificuldade de relação entre professores e jovens. “A percepção dos professores sobre seus alunos é, em geral, muito negativa. Para o professor e o diretor, a culpa dos problemas da escola é dos alunos”, avalia.

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