A ausência de senso moral na política paraibana

Reiteradamente ouve-se dos políticos e comentarista da área aqui na Paraíba que “em política tudo é possível”. Frase dogmática, quase religiosa que teria seu complemento em “tudo é possível ao que crê” (sem ofensas). Tal dito em vez de expressar um sentido normativo, de como deveria ser a política ou como devem agir os políticos, parece ter mais um senso descritivo e efeito reforçador, ou até legitimador de práticas que fogem ao interesse público e que não engrandecem nossa política.

Em termos teóricos, realmente, tudo é possível, até a impossibilidade prática daquilo que afirma esta frase. Mas o que se deseja relatar aqui é a falta de senso normativo e moral que reina entre comentaristas e políticos paraibanos. Pegam-se, por exemplo, as discussões e debates em torno do empréstimo que o Governo Federal liberou para o Estado; o vai e vem sobre a criação ou não do TCM; o tal sumiço dos elevadores do Espaço Cultural; a cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima; a pretensa união entre Ricardo e Cássio. Enfim, o que não falta é casos que são tratados do modo mais superficial ou puramente fisiológico.

Na linha do “tudo é possível”, os comentaristas, a cobertura jornalística, as falas e argumentos dos políticos vão com vistas a criar e engendrar justificativas do injustificável ou desculpas difíceis de engolir. Todos, num processo cíclico, fazem tal artimanha pressupondo provavelmente que a população não está nem aí para política ou é uma analfabeta no assunto.

E todos surfam na onda de justificar porque entrou na contramão, porque ultrapassou sinal vermelho ou xingou o vizinho de graça. Não se constrói, nem nos comentários uma linha normativa sobre a prática política paraibana. Não se espera, nem se exige dos políticos correção, coerência, legalidade, moralidade etc etc. Apenas replicasse sem filtro as desculpas.

Outro dia tinha um grupo de deputados com uma faixa bem grande na frente da Assembléia, na qual se via escrito que eles queriam trabalhar. E não era para aumentar o número de sessões para quatro ou cinco, mas para votar coisas do interesse político deles. Muitos políticos aqui adoram a frase de que “tudo foi dentro da legalidade”. Esquecem a moralidade e a ética e mais, esquecem que quem conhece bem as regras pode burlá-las com engenho.

Pois bem, a briga sobre o empréstimo é outra. Sobram ressentimentos, alfinetadas de parta a parte, desculpa para começar rinha, vontade de passar a perna no outro e até construção de “argumentos”. O que falta é INTERESSE PÚBLICO. Falta alguém dizer que eles não estão sozinhos no mundo, que há um Estado para ser bem gerido. O que falta para começar é PRESSÃO popular e da mídia. Mesmo que se apóie esse, aquele ou aquele grupo político há que se pensar no interesse da maioria e no bem estar coletivo, antes de tudo.

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