É melhor encarar: Eles estão se lixando para a sociedade.

Nesta semana o Conselho de Ética da Câmara absorveu o deputado Edmar Moreira (ex-DEM, agora sem partido) de punições relativas a acusação de ter utilizado de forma indevida as verbas indenizatórias. O caso dele é emblemático no que toca a relação entre opinião pública, representada principalmente pela mídia, e as instituições políticas como o congresso. Foi realizada uma maciça cobertura do caso, até pela sua excentricidade, pois o deputado possuía um Castelo em pleno o Brasil. Para dar mais notoriedade e enriquecer o caso, o deputado relator do processo de Edmar no conselho, o senhor X disse para repórteres que estava se lixando para a opinião pública.

De algum modo o resultado ratifica a fala do Sérgio Moraes (PTB – RS) visto que toda a pressão da mídia efetuada via uma série de denúncias sobre as irregularidades de Edmar Moreira e por meio de comentarista políticos (muitos de renome na área), não surtiram o efeito imaginado. Revelando assim que a opinião pública e da mídia não se mostra como fator relevante ou suficientemente influente nas decisões do congresso, principalmente quando estas se referem a punições aos próprios políticos. Luis Weis, do observatório da imprensa já havia identificado fatos similares quando mostrou um fato interessante: o alcance frequentemente limitado do escarcéu da imprensa sobre as baixarias dos políticos. Que pode ser materializado nesta frase: “Vocês batem, mas a gente se reelege”.

Como se vê há outras condições e fatores que influenciam as decisões dos políticos, e se realmente deseja-se mudanças esses fatores devem ser identificados e atacados. Mas quais seriam eles? Um mais claro são as relações de troca que existe entre os políticos, relações que ligam tais indivíduos, criando créditos que são utilizados em momentos oportunos como este. Outro foi citado pelo próprio deputado Sérgio Morais, ele garantiu que seria novamente eleito. Ou seja, o eleitor consciente ou inconscientemente não punem nas urnas estes deputados tidos como não exemplares para a política brasileira. Neste caso, mais uma vez, entra as relações de troca de favores que ligam deputados e redutos eleitorais. Estas relações de trocas terminam predominando sobre qualquer outro fator.

Um ponto central desta discussão é o peso que fatos como esses tem sobre a capacidade de mobilização da sociedade para fazer frente a práticas das quais discorda. Essa capacidade de mobilização sofreu um duro golpe, que marcou uma geração, quando da ditadura militar. Boa parte dos jovens e adultos ficou apática politicamente. Muitos se mostram indiferentes a tais fatos, sedimentando o senso de que não há mais jeito.

Enquanto que em outros países vemos mobilizações espontâneas e muitas vezes individuais de população para protestar e pressionar políticos, no Brasil isso parece uma algo que já nasce em si esvaziado de sentido. Muito disso, se deve ao comportamento da mídia no Brasil, que trata os temas superficialmente ou como clichês, agindo como se tivesse um rei na barriga. Imagina que moverá massas semi-alienadas para as ruas como fez com o fora Collor ou os fiscais de Sarney.

Nessa linha vemos que fatos como o de Edmar vão sedimentando, com numa coleção, a incapacidade de mobilização da população, se isso não ocorre de fato, este pode ser um grande efeito, com implicações relevantes para o país. O que não se deseja. Por isso o alerta. O estudo da mudança organizacional mostra, por exemplo, a importância de garantir vitórias de curto impacto e prazo para que não se deixe esmorecer a vontade de mudança e a perspectiva de efetivo sucesso. É necessário garantir o ânimo e a motivação para a causa, pois os resultados podem ser piores.

Nesse sentido o comportamento midiático muitas vezes parece irracional, parecem que vivem um frenesi por cassa as bruxas, perdendo a capacidade de desenvolver uma visão mais profunda e articulada das questões políticas. Muitos podem dizer que a mídia surfa na onda de grupos políticos, estes sim, não têm interesse na mudança mais profunda, apenas em criar ou destruir imagens (suas e de seus inimigos) para reforça suas bases. A mídia ao surfar irreflexivamente nesta onda atinge necessariamente aquela capacidade de mobilização.

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