ENEM: vazamento, suspeitas e política. Novo faroeste?

Nesse fim de mês aconteceu um fato que vai desgastar e muito, mais uma vez, o governo. Entretanto como outros fatos já ocorridos, há indícios de que foram esquemas políticos e armações sem lastro, coisas criadas para prejudicar a gestão. Muito embora, o contrário não pode ser negado, possa ser que os assaltantes de provas tenham como objetivo ganhar dinheiro.

A prova do ENEM foi cancelada por vazamento do material, e para realizar a nova prova o governo vai gastar R$ 30 milhões de reais  e outros prejuízos como atrasos de atividades e passivos políticos. O ministro agiu como deveria, realmente é de se lamentar o fato, mas não poderíamos esperar outra atitude. Agora é investigar porque vazou, como vazou e até entender se o esquema de segurança do Ministério realmente tem responsabilidades substantivas sobre o caso.

De início o que temos é: ocorreu um vazamento e o ministério tem responsabilidades, a priori, pelo fato pois seu esquema de segurança de algum modo falhou, ou o sistema de elaboração (que envolve entes públicos e privados) está com falhas. A responsabilização nesse caso é também complexa, haja vista que mesmo lojas e grandes museus e joalherias por exemplo já foram assaltadas alguma vez, apesar do aparato de segurança. Ou seja, há que se saber se o governo fez todo o possível e esta ação é mais “mérito” de quem roubou a prova (ou esquemas políticos de quem roubou) do que falta de segurança/planejamento do ministério.

O segundo ponto que temos é: quais as intenções por trás do vazamento? A lógica nos indica que a pessoa que busca roubar uma prova de vestibulares e avaliações substantivas tem a intenção de usá-la para si e seu grupo ou vendê-la para cursinhos, pais, colégios etc. Ou seja, atuar no devido mercado. Mas nesse caso, os jornais de São Paulo foram procurados. Ou seja, havia intenções de explicitar uma possível falha administrativa do governo e até mais especificamente do ministro da Educação. Estavam com as provas desde de segunda e só procuraram nas vésperas para causar maior problema político.

Folha foi procurada.

Recordo e R7 também.

Por fim temos o Estadão.

Há fortes suspeitas que intenções políticas, ou péssimas intenções políticas estejam por trás do caso. Pessoas que preferiram prejudicar toda a população e o Governo para colher dividendos políticos locais ou nacionais para si de forma antiética. Veja a análise de Luis Nassif, muito lúcida.

Vamos ao detalhamento, a partir das matérias publicadas (clique aqui).

1. Há duas maneiras de se fazer dinheiro com o ENEM. O usual – conhecido por esquemas que fraudam provas de vestibulares – é vender para cursinhos ou pais de aluno. É mais rentável mas supõe um esquema prévio armado. O outro modo é explorar politicamente o episódio. E, aí, há duas hipóteses a serem investigadas. Ou o esquema pretendia dinheiro oferecendo o dossiê a jornais (com o intuito de criar escândalos políticos) ou atuava a serviço de alguma organização política.

2. Na explicação dos bandidos aos repórteres do Estadão, fica claro que a melhor maneira de gerar escândalos criminosos é em parceria com veículos propagadores de dossiês (não é o caso do Estadão). Eles dizem claramente que o sigilo de fonte garante a impunidade, razão para não terem procurado o PSDB. Pode ser uma tentativa algo canhestra de explicar porque procuraram o jornal; pode ser uma tentativa de despiste

3. Três veículos foram procurados: Estadão, Record e, pelo que se sabe hoje pela leitura dos jornais, a própria Folha. Os que procuraram o Estado e a Record (não se sabe se são os mesmos) tinham claro conhecimento de fontes especializadas, sabiam das implicações políticas do caso e “adoçaram” a boca dos jornalistas acentuando que o caso poderia derrubar Ministros ou procurando legitimar o vazamento com toques moralistas. Os que procuraram a Folha precisaram se valer de um dono de pizzaria para conseguir o telefone do jornal.

4. O objetivo final era obviamente o Estadão ou a Record, mas por qual razão? Uma possibilidade seria o fato de ambos não terem se queimado com armações e dossiês falsos. Outra possibilidade é que as duas portas óbvias – Folha e Veja –  estavam impedidas de serem acionadas. A Folha devido ao fato de controlar a Gráfica Plural (que recebeu a gigantesca encomenda do MEC de imprimir as provas); a Veja pelo fato da Abril ser grande fornecedora do Ministério da Educação.

5. Qual a intenção de colocar dois trombadinhas para procurar a Folha, então? Uma possibilidade (não a única) é de despiste, soltar penas ao vento para dificultar o trabalho da Polícia Federal, ou colocá-la no encalço de trombadinhas-laranja desviando o foco dos verdadeiros autores

6. Foi uma manobra paulistana, não se tenha dúvida. No caso da Record e do Estadão, havia uma posição dos bandidos em, sempre, colocar Brasília como fonte do vazamento. Eram os filhos de deputados, ora o delegado da Polícia Federal, ora o funcionário do INEP. Ora, há todo um mercado de dossiês já estruturado em Brasília, em torno de sucursais ou dos próprios jornais locais. Uma possibilidade é que tenham atuado em São Paulo para fugir dos esquemas marcados em Brasília. Mas, sendo assim, a troco de quê a insistência em jogar os holofotes sobre supostas fontes brasilienses? Típica manobra de despiste: a operação foi paulistana, reforçada pelo fato de que o material que os repórteres do Estadão viram já eram provas impressas, e o INEP tinha apenas o print das questões em seus cofres.


E aí… será que estamos num novo faroeste? Com armas diferentes?

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One Response to ENEM: vazamento, suspeitas e política. Novo faroeste?

  1. É incrível e repugnante as manobras da oposição ao governo Lula, tentando manchar o Governo com dossiês forjados. E o pior de tudo, acarretando mais despesas aos cofres públicos. Essa turma paulista é sacana mesma.

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