Torcidas do Botafogo?

25 novembro, 2009

Vejam essas duas reportagem e tentem entender o que está ocorrendo com as torcidas do botafogo. Muitas informação, pouco entendimento:

O presidente da torcida organizada do Botafogo, Força Independente Anjinhos do Belo, Rodrigo Pereira, procurou o Paraíba1 nesta sexta-feira (20) para pedir ajuda. Ele teme ser atacado e até morto por integrantes de torcidas rivais no próximo domingo (22), quando acontece a final da Copa Paraíba.

Segundo ele, o Ministério Público começou a acompanhar os casos de violência nas torcidas da Paraíba e ficou de convocar uma nova reunião com a presença do Comando da Polícia Militar. Porém, este encontro nunca aconteceu. Rodrigo disse que foi várias vezes ameaçado e que, inclusive, já foi agredido antes.

Rodrigo explicou que espera o encontro com a Polícia para sugerir que o estádio passe a abrir as portas para as diversas torcidas em horários específicos para, assim, evitar os confrontos na chegada ao campo. “Temos que ir em grupo. Se formos sozinhos ao campo, corremos o risco de sermos encurralados e espancados”.

“Eu represento uma torcida e não posso deixar de ir ao campo, mas temo por minha vida”, disse revelando que um dos líderes de torcida é policial militar e anda armado sempre, “inclusive quando não está de serviço”. O policial a que se refere é o cabo França, conhecido como Leão. De acordo com Rodrigo, há até fotos na Internet em que o policial aparece com uma bandeira roubada dele sendo rasgada.

O presidente disse que as ameaças que sofre por liderar a torcida Fiab se tornaram mais graves quando, há quinze dias, teve a loja onde trabalha atingida por disparos de revolver. “A loja estava fechada na hora, mas o rapaz que dorme lá para cuidar do local teve que se jogar no chão para escapar dos tiros.

Ele pediu que ficasse registrado que se algo acontecer a ele nos próximos dias, os prováveis culpados serão o cabo França, da torcida Jovem do Botafogo, ou o dirigente Léo, da torcida Fúria Independente do Botafogo. O curioso é que a violência acontece entre torcedores do mesmo time.

O dirigente de torcida e policial militar citado na matéria, também conhecido como professor Leão, foi contactado pela reportagem por telefone, mas se negou a falar sobre o assunto.

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O acusado de ter assassinado a tiros dois homens no Busto de Tamandaré, na orla de Tambaú, em João Pessoa, na noite do último domingo (22), já pode estar fora da capital. É o que acredita o delegado Francisco de Assis da Delegacia de Roubos e Furtos, na Central de Polícia, no Centro da Capital, designado em caráter especial pelo Delegado Geral da Polícia Civil Canrobert Rodrigues para investigar o caso.

Em entrevista ao Portal Correio, Francisco Assis disse que o jovem acusado de ter disparado contra cinco pessoas e matando duas é o estudante do curso de Direito do Unipê onde faz o segundo período Eduardo Raniere (idade não revelada), também conhecido como Gordo DD.

Ainda, segundo o delegado, o pai do estudante foi levado à sede da SES, em Mangabeira, na Capital, acreditando que o seu filho estaria com problemas atribuídos a motocicleta.

Francisco de Assis contou que Eduardo Raniere já tem passagem pela Polícia. Ele, quando menor, chegou a ficar detido no Centro Educacional do Adolescentes (CEA). O motivo da detenção não foi informado.

O estudante mora no bairro de Jaguaribe e é membro da torcida Força Independente Anjinhos do Belo (Fiab) que seria uma dissidência da Torcida Jovem do Botafogo. Já uma das vítimas, Jonathan, seria integrante da torcida Fúria.

Na opinião de Francisco de Assis, as torcidas, na verdade, são verdadeiras fachadas de gangs que vêm atuando em João Pessoa.

As vítimas
As vítimas atingidas durante o tiroteio são o zelador Jonathan Santos Monteiro, 19 anos (membro da torcida Fúria), e o ambulante João Sebastião dos Santos, 40. O primeiro foi atingido por três tiros no tórax e morreu no local. O segundo foi atingido por um tiro nas costas, chegou a ser socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma da Capital, mas não resistiu ao ferimento.

As outras três vítimas atingidas pelos vários disparos são o estudante André de Queiroz Ferreira, 19, que saiu ferido com tiros nas pernas; Thiago José Santos da Silva, 23, e mais um jovem de 17 anos. Todos foram socorridos para o Trauma e já receberam alta.

Os tiros foram dados durante um evento de motocicletas e acessórios para motociclistas que ocorria no Busto de Tamandaré. De acordo com o delegado, o estudante teria tido uma discussão e chegado a trocar socos com uma das vítimas, Jonathan, horas antes dos disparos. O motivo da briga teria relação com as torcidas as quais Eduardo e Jonathan pertenceriam.

Ainda, segundo o delegado, depois da briga, Jonathan teria dito ao estudante que voltasse para apanhar mais e o estudante teria afirmado que voltaria. O que acabou se confirmando. Segundo testemunhas, o estudante teria chegado ao local em uma motocicleta e se aproximado do zelador já com uma arma em punho fazendo vários disparos não apenas contra Jonathan, mas também contra outras pessoas que estavam próximas.

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CRACK – a morte ronda João Pessoa e o Nordeste

18 novembro, 2009

Segundo reportagem do JPB o crack é consumido ou já foi consumido por 2% da população de João Pessoa. É o pouco alarmante. Este blog desde o início de sua operação há um ano alertava o surto de consumo de crack na Paraíba. É assustador. Precisamos urgentemente da atuação do poder público em vários segmentos, que vai da prevenção até o tratamento.

Abaixo colocamos os vídeos sobre a série de oito reportagens do JPB sobre o avanço do crack no Nordeste e na Paraíba. Valem a pena ver, não podemos deixar de lado. Este blog já mostrou em post anterior que o crack é o centro nervoso do aumento da criminalidade da Paraíba. Combater o crack é garantir segurança pública e saúde a população. Não queremos ver zumbis humanos como na cracolândia em São Paulo.

Vejam o post. Toda esta violência tem um centro nervoso, uma espinha dorsal que se chama CRACK. Trata-se de droga de baixa qualidade e preço, sendo aquela que possui os efeitos mais nocivos a saúde e a família. Ainda, é uma droga de fácil dependência, sendo seu vício extremo. Esta droga invadiu a Paraíba nos últimos anos, com o apoio de pessoas de outros estados.

Valorizamos a reportagem da Tv cabo Branco, é a grande mídia acordando para um problema gravíssimo. Temos a vantagem de poder combater no início, não podemos perder essa oportunidade em meio a escuridão atual e apagão futura, se nada ocorrer.

Primeiro vídeo

Segundo vídeo

Terceiro vídeo

Quarto vídeo

Quinto vídeo

Sexto vídeo

Sétimo vídeo

Oitavo vídeo


Aliança Ricardo Coutinho – Cássio Cunha Lima. Resultado da pesquisa e análises

16 novembro, 2009

Este blog colocou no ar sua primeira pesquisa. Durante dois meses (16 de setembro até 15 de novembro) os leitores puderam votar e expressar sua opinião sobre esta muito falada aliança entre Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho para montar uma chapa nas próximas eleições. O blog perguntou, Caso Ricardo Coutinho se alie a Cássio Cunha Lima você votaria nele para governador?.

Eram três opções: sim, não e estou em dúvida. Os resultados indicam que 65% dos votantes aprovam a aliança, enquanto 30% desaprovam, e não votaria em Ricardo. A pesquisa parte do pressuposto de que os votantes são eleitores de Ricardo. Deste modo, um terço destes não gostam da ideia de Ricardo se juntar com os Cunha Lima.

Esta pesquisa não possui validade científica, pois não trabalhou com amostras estratificadas da população do Estado, mas expressas tendências similares àqueles da pesquisa IBOPE, no qual 52% aprovam e 28% são contra, principalmente se consideramos seu pressuposto. Saindo do campo das dados quantitativos e entrando no campo das argumentações podemos inserir esta pesquisa em alguns análise macro da situação política do Estado para 2010.

Até agora a aliança vem sendo propagada e desejada com fervor por Cássio Cunha Lima e seus seguidores e aliados. Ricardo aceita por omissão, por não manifestar seu apoio ou recusa ao que está sendo dito. Ele sabe que está numa berlinda e que para vencer precisa de apoios e palanques no interior, mas a qual custo, fazendo aliança com que tipo de políticos e partidos?

O grupo dos Ricardistas não é maior que o grupo de Maranhistas e Cassistas, talvez seja similar aos Ciceristas. O grande diferencial de Ricardo é sua gestão em João Pessoa, suas novas ideias e resultados obtidos, e isso se dá num contexto de velhos nomes desgastados pela história e sua própria atuação. Isso lhe garante os eleitores desvinculados a políticos e partidos, o eleitor médio da Paraíba. Ou seja, é um momento único para o prefeito. Assim percebemos que essas pesquisas refletem mais a aceitação de  Ricardo entre os Cassistas, do que o contrário. E isso já se firmou, mesmo que Cássio fale que não quer, vai ficar registrado que um dia ele quis e lutou por tal aliança.

Neste momento temos o grande problema de Ricardo, abandonar sua base e até dar as costas para sua história e ideias para obter o apoio político e midiatico de Cássio. Se tal guinada for feita, ele não será mais Ricardo, mas sim, um dos fortes seguidores de Cássio Cunha Lima. Não terá mais sua base de apoio e será um alienígena na base de Cássio, um mero apêndice dos Cunha Lima, como já foi Cozete e agora é Cícero. Os dois vivem na pele os malefícios de sua fidelidade e apoio aos Cunha Limas. Ou seja, pode ser uma morte prevista do prefeito, com um leve suspiro se conseguir ocupar o poder.

As cartas estão na mesa, os próximos passos é que definirão como será as composições para 2010. Se Ricardo conseguir o apoio do PT e do PCdoB, como do PTB e PP ele terá muito musculatura que compense um possível apoio formal que ele pode vir a fazer para Cássio, o que será uma grande tristeza e um ponto negativo na renovação da política do Estado, haja vista que nestes últimos 30 anos a política paraibana se resumiu a uma briga entre Cunha Lima e Maranhão, seja no mesmo partido ou não.

Em breve o blog completará um ano de atuação e muitos leitores conquistados. E novas pesquisas estarão no ar.


Ameaças e limitações a democracia no Brasil – Dallari

15 novembro, 2009

democracia

Ao completar 20 anos do retorno do país ao processo de eleições diretas, o Brasil ainda enfrenta resistência à democracia, na opinião do constitucionalista Dalmo Dallari. Essa resistência parte, de acordo com o jurista, de grupos tradicionais que ainda insistem na manutenção do trabalho escravo e de um processo de criminalização de movimentos sociais e de comunidades pobres.

“É falta de democracia a alta incidência de trabalho escravo especialmente em certos tipos de exploração econômica. Temos um grupo organizado do agronegócio que age ostensivamente dentro do Congresso Nacional, que se coloca acima da Constituição. O primeiro objetivo é ganhar dinheiro. Com isso, permanece essa vergonha que é o uso do trabalho escravo.”

A tentativa de criminalizar movimentos sociais, segundo ele, e a criminalização da própria pobreza são manifestações ainda remanescente de um sistema autoritário, discriminatório que se afirmou no Brasil durante a história. “Ainda é uma herança do sistema colonial. Houve a formação de uma elite econômica absolutamente egoísta que não reconhece o valor humano dos pobres, dos trabalhadores. Isso infelizmente ainda existe no Brasil e provoca o problema da criminalização.”

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Dallari apontou a Constituição Federal de 1988 como o mais importante marco da volta do país ao processo democrático. “Pela primeira vez tivemos no Brasil uma Constituição que começa afirmando princípios que são obrigações mínimas. É importante ressaltar que logo no início a Constituição afirma como princípio a dignidade humana Esse princípio foi que abriu caminho para as reivindicação de direitos”, destacou.

Outro ponto destacado por Dallari como sinônimo de atraso do processo democrático são os crimes de pistolagem, com fundo político, que ainda ocorrem em alguns estados brasileiros. Ele chegou a citar os assassinatos cometidos por grupos de extermínio na Paraíba e em Pernambuco que atualmente mantêm como ameaçados os deputados federais Luiz Couto (PT-PB) e Fernando Ferro (PT-PE). “ Nós temos plena violência contra a pessoa humana no estado da Paraíba e em Pernambuco. Ainda se praticam o crime da pistolagem, com assassinato de juízes e de deputados”, destacou.

Na avaliação de Dallari as consequências positivas do retorno do Brasil ao processo democrático está na maior distribuição de renda que se verificou nos últimos anos e nas políticas públicas implantadas desde então. “Há ainda um caminho grande a ser percorrido, mas comparando com o que existia antes de 1988, o saldo é positivo. Estamos avançando. Podemos dizer que o Brasil vem se democratizando, e a Constituição tem dado uma contribuição fundamental para isso.”


ASPOL virá objeto descartável na mão do Governo

10 novembro, 2009

A ASPOL está sentindo na pele e de forma muito clara, como é ser um objeto descartável, um objeto de conveniências. Será que eles lembram que o Sistema Correio também os abandonou?! O correio só fala na quantidade de processos acumulados e notinhas escondidas no jornal. Pois é… Só o tempo para mostrar com as coisas políticas funcionam na Paraíba.

Aliás isso não ocorre apenas em relação a polícia. As propagandas que o Governo está soltando no ar transformaram as obras de Cássio em obras que estão trazendo a reconstrução da Paraíba. Sei que Maranhão tem que fazer seu jogo político, mas está ultrapassando alguns limites do aceitável, chega a ser cinismo. Dizem que estão tocando a obra do Clementino… faz tempo que esta obra está sendo tocada, eles só estão continuando e se apropriando como se ela tivesse começado agora.

Pois bem, os policiais que antes tinham todo o direito e estavam certos em suas reivindicações viraram agora aquele grupo de pessoas inflexíveis que querem tornar a segurança um caos. Vejam as declarações de Flávio Moreira da ASPOL.

“Ano passado os deputados estavam conosco em nosso movimento, subindo em carros de som e dizendo que o governo era um caos. Mas após mudança de governo, ninguém mais fala nada”, reclamou o presidente da Associação dos Policiais Civis da Paraíba (Aspol), Flávio Moreira, em participação no programa Paraíba Agora, da 101 FM.

Segundo ele, os deputados Trócolli Jr. e Gervázio Filho (ambos do PMDB), a quem chamou de amigos, participavam ativamente dos protestos feitos pelos policiais até o fim do ano passado. No entanto, com a cassação do cargo de Cássio Cunha Lima (PSDB) e o encaminhamento de José Maranhão (PMDB) ao governo do Estado, os deputados, antes de oposição, desistiram de apoiar o movimento grevista.

“Antes, eles acreditavam que a segurança no Estado estava um caos e cobravam do então governador uma solução. Mas será que só porque mudou o governo a segurança deixou de precisar de ajuda?”, questionou.

Flávio disse ainda que o movimento já “flexibilizou” demais. “Estamos esperando há 8 meses, pediram que esperássemos até 2009, depois disseram que resolveriam em 2010. Agora estão querendo lançar as modificações para 2011. Nós aceitamos, mas a proposta deve suprir nossas necessidades”.


Crime organizado, mídia e política

9 novembro, 2009

Qual o limite? Se todos esses fatos forem verdades trata-se de um absurdo sem comparação. O crime organizado se aproveitando de todas as instituições da sociedade para fazer valer seus interesses ilegais, imorais. Até onde vamos parar?

Veja reportagem do Domingo Espetacular.


Poder político e dinheiro “sujam” eleição de instituições na Paraíba

8 novembro, 2009

Temática de suma importância para quem observa o cenário político paraibano e nacional. Mostra também a capacidade do Paraíba 1 em observar e tentar analisar tais fatos. O movimento estudantil já conhece muito bem essas forças.

A interferência do poder político e da influência econômica no processo de escolha interna das instituições na Paraíba já está chamando a atenção da academia. Nas universidades, o assunto já toma conta de debates em salas de aula e se transforma em teses e monografias. O “fenômeno” em questão está sendo avaliado em seus níveis de contaminação desde a base – como as Sociedades de Amigos de Bairro e Conselhos Tutelares – até esferas de influência poderosas, como a Ordem dos Advogados do Brasil e a poderosa Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB).

“Lamentavelmente, nos últimos tempos, existe bastante material para estudo sobre essa contaminação sem limites das instituições no processo de partidarização de escolha dos dirigentes”, avalia o cientista político Ítalo Fittipaldi. Segundo o especialista, as informações sobre o desvirtuamento das eleições internas nas instituições são “assombrosas e preocupantes”.

Em João Pessoa, a situação é crítica, por exemplo, nas eleições dos conselhos tutelares. Até mesmo a “compra” de candidatos por agentes políticos se transformou numa realidade que já não é mais escondida. “A negociação é grande, tem vereadores aí que estão dando de R$ 2 mil a R$ 5 mil para o conselheiro fazer a campanha”, revelou Carlos Antônio Ribeiro da Silva, 32 anos, educador social que está tentando a recondução ao cargo de conselheiro, mas se diz desestimulado em função da concorrência desleal com candidatos apoiados por donos de mandatos.

A presidente do Conselho Tutelar Sudeste de João Pessoa, Lindinalra da Silva, 28 anos, denunciou que grande parte dos candidatos a conselheiro encara o cargo como “trampolim político”. “Infelizmente virou um cabide de emprego. O que motiva, hoje, algumas pessoas a concorrerem ao cargo de conselheiro tutelar é o salário, a oportunidade de estar em um meio político-partidário”, denuncia Lindinalra.

Ítalo Fittipaldi vê com preocupação esse fenômeno da partidarização de eleições e avalia como perigosa a intensificação dessas interferências. “O grande problema é essas instituições se transformarem em apêndices de partidos políticos, em uma espécie de extensão de legendas, porque assim elas perdem até mesmo a sua legitimidade de representação”, disse o especialista.