Onde está o autoritarismo? E o fim de uma aliança – PMDB-PSB

5 novembro, 2009

O prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho é acusado de ser autoritário e querer impor um projeto pessoal de poder para as eleições de 2010. Mas para que serve tais “argumentos”? São utilizados no jogo para impor uma imagem negativa a Ricardo e outra positiva a Maranhão com bases superficiais. Vamos entender autoritarismo num sentido de senso comum, como alguém que deseja impor sua vontade dentro do jogo político e afastar desse sentido o que seria golpes de estado e outros eventos similares.

José Maranhão que de vez em quando afirma que está aberto a conversas com Ricardo e que no PMDB não há desentendimento, que há diálogo etc e etc. Esconde por baixo das palavras-manta o próprio projeto de poder. Vejam bem, o atual governador ficou no poder praticamente 8 anos de 1994-2002. Afinal Mariz morreu muito cedo e nem conseguiu dar o tom de seu governo. Após isso tentou emplacar seu sucessor, o tal Roberto Paulino e tentou mais duas vezes voltar ao poder sem sucesso.

Voltou agora para cumprir quase dois anos de mandato e assim fechar 10 anos de poder. Insatisfeito, quer ser candidato para 2010 e ficar mais 4 anos. Ou seja, algo em torno de 15 anos no poder e mais 25 anos influenciando os rumos do poder na Paraíba. É quase certo que Maranhão será candidato como 2 mais 2 são 4. E ai de quem questionar. Isso, é claro, não aparece, afinal o PMDB é um partido de diálogo e sem divergências.

Democracia também implica alternância, principalmente quando novas forças políticas possuem possibilidades claras de colocar seu projeto de governo e poder em prática. Luciano Cartaxo alardeia que muitos brigam e qualquer um quer ser vice de Maranhão sem pensar no projeto e no que politicamente o governador representa, neste momento. Desdenha se aliar a Ricardo, que tem mais coerência com PT do que Maranhão. Deseja ser vice como se outras vias não existissem.

Além desse passado todo, outra fato que fica é que Maranhão só aceita Ricardo se este apoiar seu projeto político de voltar ou ficar no Palácio da Redenção, muito embora isso não seja dito. Ninguém fala que ele é o candidato do PMDB, mas todos sabem que ele o é. Ou seja, o PMDB e o próprio Maranhão esconde seu autoritarismo imputando-o aos outros, aos adversários.

Assim, quem é o paladino do autoritarismo?

Mas afinal, o que temos? Temos um bloco de partidos aliados no qual um figura nova desponta com forte capacidade de conseguir ganhar o governo, algo até reconhecido claramente pelo oposição. E como natural, tal figura deseja colocar seu nome na rua para ser eleito e governar o Estado. Por outro lado, tal figura, como é de praxe, enfrenta dissidências dentro do bloco aliado, pois há intenções de governo por parte de outro membro do bloco.

Todos com suas intenções legítimas colocam seu bloco na rua para obter apoio, mas não se falam e nem tentam resolver suas diferenças, aí encaminham-se para a separação muda. Essa falta de comunicação e separação muda é a marca do fim desta aliança, não se trata desse ou daquele ter abandonado a aliança. Afinal, a aliança não era Maranhão forever (para sempre). E nem poderia ser.

A aliança acabou porque os dois tem projetos que se chocam e não desejam reduzir suas posições. Até aí tudo bem, mas o que é problemático, é não querer ou se evitar conversar, talvez por saber que esse papo vai chegar a canto nenhum e talvez gere apenas mais desgaste. Vamos deixar isso para as eleições de 2010, devem pensar o antigos aliados.

Como se vê falar em autoritarismo é apenas falácia no jogo político, não muito elevado que ocorre na Paraíba.

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PMDB rifa o PT em diversos Estados.

4 novembro, 2009

Quanto vai custar a candidatura do PT a presidência? A morte do partido, sua subserviência aos comandos de um outro partido? Pois bem, as coisas parecem que se encaminham para algo parecido. Será que o PT vai virar partido de cúpula e desconsiderar seus militantes?

Vamos a notícia:

A comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta nas eleições de 2010 faz sua primeira reunião hoje, na sede do PT em Brasília. Os dez petistas e dez peemedebistas que compõem a comissão fizeram reuniões prévias para levantar os problemas eleitorais no Brasil, tal como ficara acertado quando PT e PMDB fecharam a aliança nacional em torno da candidatura à Presidência da República da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em Minas Gerais, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não se conforma de liderar as pesquisas eleitorais com mais de 40% das intenções de voto em qualquer cenário e ainda ter de enfrentar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que não ultrapassa 12% na preferência. Ele disse que, deste jeito, perdem os dois. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também não aceita a candidatura de Lindberg Farias (PT), que já obteve o apoio do diretório fluminense para se apresentar como candidato no horário eleitoral do PT no rádio e na televisão. O programa vai ao ar no fim de novembro.

No Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli mandou avisar que está pronto para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff, mas que não o fará caso o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, entre na briga pelo governo estadual. Para demonstrar boa vontade, ele avisa que já se acertou com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e que não haverá dificuldade em fazer uma dobradinha com o petista.

Ceará

Também é grande a gritaria do PMDB contra o PT no Ceará – do deputado e ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB). O protesto é contra a candidatura ao Senado do ministro da Previdência Social, José Pimentel. Em jantar da cúpula peemedebista ontem à noite na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), Eunício se queixou de que Pimentel faz uma campanha agressiva com dinheiro da Previdência para competir com ele.

A preocupação dos governistas no Ceará é grande porque uma das duas vagas ao Senado deve ficar com a oposição, já que o senador Tasso Jereissati (PSDB) disputa a reeleição com o apoio do governador Cid Gomes (PSB) e do irmão Ciro, deputado e pré-candidato pelo PSB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Refletindo sobre 2010 – Rubens Nóbrega

4 novembro, 2009

O jornalista Rubens Nóbrega do Sistema Correio publicou na coluna diário sua, podemos dizer, indecisão sobre o peito de 2010. Ele se diz sem opção. O que merece destaque desta análise pessoal do jornalista além da sinceridade é a falta de subterfúgios e argumentos ocultos, o que está cada vez mais raro.

Essas palavras capacita o leitor a fazer suas análises e tomar sua posição, que pode similar ao do jornalista ou mesmo contrário. O que vale é a autonomia.

Por isso merece destaque essa reflexão.

Começo a entrar em pânico pela primeira vez na minha vida de eleitor. Juro que nunca me aconteceu antes o que está acontecendo agora: faltando um ano para a próxima eleição, ainda não sei em quem votar para governador do meu Estado.
A causa da aflição tem a ver com a minha opção pessoal, irrenunciável e intransferível em matéria de escolhas políticas dentro da democracia possível que temos: sou visceralmente contra o voto nulo ou o voto em branco.
Com todo respeito a quem defende o contrário, considero que anular o voto é nulificar a própria participação no processo – esse sim, efetivamente democrático – de cobrança, protesto, crítica, sugestão ou denúncia contra o eleito ou ao eleito.
Votar em branco, então, é negar princípio basilar da existência humana: reconhecer, entre muitos, pelo menos um que tenha alguma qualidade, um mínimo de valor para merecer voto que lhe permita representar minimamente o eleitor.
Resumindo, o voto tem que valer, tem que ser política e eleitoralmente válido, para o bem ou para o mal. Se for para o mal, na falta do recall temos a alternativa de não apenas negar o voto como lutar de alguma forma para derrotar quem não correspondeu.
É assim que funciona em nossa claudicante democracia, que não melhora um tico se os cidadãos começarem a adotar posturas e a fundamentar decisões num absenteísmo que no final das contas reverte contra todos.
É bem verdade que nesse meu ativismo – e de muita gente mais, creio – está embutido um risco muito sério: o de se votar no menos ruim, de se escolher alguém por exclusão. Acontece. Principalmente quando dá segundo turno.
De qualquer sorte, como já disse uma vez o filósofo Paulo Soares sobre a candidatura do próprio irmão, Soares Madruga, “dos males, o menor”. O problema é que para 2010 não estou vendo até agora sequer um mal menor.
E aí me bate aquela aflição medonha…

Votar em Maranhão?
Como, se até agora, oito meses após tomar de volta o poder, o seu governo se comporta como quem entende que governar se resume a tocar obras sem tocar, no sentido de resolver, os problemas mais cruciantes da Paraíba?
Chego a pensar que o governador e seus auxiliares realmente acreditam que resolver a saúde, por exemplo, significa construir ou concluir hospitais e botar pra funcionar, sem que exista no Estado uma política pública de saúde digna desse título.
E o que dizer da Educação? Alguém aí poderia me apontar algum programa educacional conseqüente e de resultados mensuráveis, palpáveis, concebido e posto em prática por este governo para acabar ou pelo menos atacar repetência ou evasão escolar?
Dá pra falar em educação pública com um mínimo de qualidade quando o Estado paga tão mal aos seus professores e não dispõe deles em quantidade minimamente suficiente – concursados, qualificados – em centenas de escolas?
Segurança? Dá pra falar em segurança pública com mais de uma centena de cidades sem delegado ou com duas centenas policiadas por no máximo cinco policiais militares, sem contar greve dos policiais e o pior salário do Brasil que dizem receber?
E o que o governo faz para resolver ou, pelo menos, ensaia resolver? Sinceramente, não vejo nada. E temo que o próprio governo se ache o máximo porque toma de conta. E nisso, reconheço, é mil vezes melhor do que o antecessor.

Votar em Ricardo?
Até o início deste ano, o dilema que confesso agora não existia. Estava certo de votar em Ricardo Coutinho para governador. Afinal, o Mago dera provas em seu primeiro mandato de prefeito da Capital que poderia fazer diferente.
Mas aí o alcaide e suas circunstâncias levaram-no para um lado que faz do discurso da diferença mero exercício de retórica e sua prática política muito parecida ou igual à daqueles que ele combatia ontem (Cássio Cunha Lima) e hoje (José Maranhão).
Quer ver uma coisa: tem coisa mais cassista – ou maranhista, para quem assim preferir – que se aliar (ou tentar aliar-se) a alguém como Cássio Cunha Lima, ícone do mais desbragado patrimonialismo que já se adonou do poder na Paraíba?
Desse jeito, onde vai parar aquela belíssima palavra de ordem (repetida ad nausean por Ricardo na campanha de 2004) de ‘resgatar o caráter público da administração pública’ que a Prefeitura da Capital perdera sob Cícero Lucena?
Desde quando ou a partir de quando Cássio se tornou melhor do que Cícero aos olhos, corações e mentes do ricardismo? Ou será que vale qualquer coisa para se chegar a um poder que pode mais ou pode quase tudo, em se tratando da Paraíba?
Não é só a aproximação ou a tentativa de fazer dobradinha com Cássio (e o que ele representa) que me fez repensar e, por enquanto, desistir de votar em Ricardo Coutinho para governador do meu Estado.
A proximidade com o cassismo parece ter contaminado irremediavelmente o nosso prefeito, a julgar pelo esforço de cooptação – em curso no atual mandato – movido a dinheiro público.
Digo isso pelo que li e vi comprovado ontem na última edição do Contraponto, que exibe a relação de membros de um partido que teve o professor Chico Barreto como candidato a prefeito em 2008 e esse mesmo time joga hoje no time do prefeito Ricardo.
Não apenas joga como foi responsável por denúncias que deixaram Barreto muito mal na fita perante o eleitorado naquela disputa, acusado de ter recebido dinheiro de duvidosa procedência para espinafrar o alcaide.
E o que tem isso? Tem que o Contraponto prova reproduzindo atos publicados no Semanário Municipal (órgão oficial da PMJP) e tudo o mais que os mesmos denunciantes hoje são bem aquinhoados prestadores de serviço ao governo do PSB.
Aí eu pergunto: tem coisa mais cassista – ou maranhista – do que isso? Ou já posso perguntar assim: tem coisa mais ricardista do que isso?