Rede de execuções e o assassino da moto preta

Reportagem relevante do Paraíba 1. Não se pode deixar passar.

Em uma ação silenciosa, detentos de presídios de João Pessoa, Campina Grande e da cidade de Patos, no Sertão do Estado, têm coordenado uma ‘Rede de Execuções’ de ex-presidiários, albergados e pessoas ligadas ao tráfico de drogas no Estado.

As ações, que na maioria das vezes ocorrem nas periferias dos três municípios já estão sendo investigadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Grupo de Operações Especiais (GOE-PB) da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba. As investigações iniciais apontam que a ‘rede criminosa’ já tenha ordenado cerca de 80% das execuções registradas este ano nas três cidades.

Preocupado com os efeitos dessas organizações criminosas, o Ministério Público do Estado (MPE) já colocou como meta prioritária para o próximo ano o combate a esses crimes. As suspeitas da polícia, inclusive, são de que os apenados estejam recebendo ordens e mantendo ligações até mesmo com organizações criminosas enraizadas em outros Estados e que têm atuação no Brasil inteiro.

Este ano, apenas em Campina Grande, foram registrados 136 assassinatos. Na cidade de Patos, 53 pessoas foram mortas e na capital do Estado esse número ainda é mais alarmante, e chega próximo dos 300 homicídios.

Drogas

Para a polícia, a maior parte desses crimes teve como pano de fundo a comercialização de drogas e o desejo dos chefes do tráfico que estão presos de manterem o domínio nas zonas periféricas das cidades.

O coordenador do GOE/PB, delegado Walber Virgolino, revelou que alguns dos integrantes da organização criminosa estão sendo monitorados e já foram encontrados indícios de relação entre as ordens dadas de dentro dos presídios do Serrotão, em Campina Grande; do PB1 em João Pessoa e do Presídio Regional de Patos com as execuções.

“Há bastante tempo nós estamos monitorando esse pessoal, de uma forma integrada com Polícia Federal e com a Secretaria de Segurança Pública. As ordens enviadas tanto são para mortes, como para a prática de assaltos e de tráfico de drogas. A maioria das vítimas são pessoas que saem dos presídios devendo ao tráfico, ou têm algum tipo de envolvimento”, explicou o delegado.

Em grande parte das ações os criminosos agem em motos e não deixam rastros para as autoridades policiais. Ele ainda ressaltou, entretanto, as dificuldades em apurar os crimes que contam muitas vezes com a colaboração de agentes públicos. “É preciso combater de forma integrada e nós queremos aprimorar ainda mais para o próximo ano nosso setor de inteligência. Inclusive em Patos já há um delegado especialmente designado para investigar isso naquela região, Cristiano Jacques. Mas é necessário também se combater a corrupção dentro dos presídios, na entrada de celulares e de droga”, defendeu Walber Virgolino.

Medo

Presos albergados do regime semiaberto de Campina Grande, que pediram para ter os nomes preservados, já relataram ao Jornal da Paraíba o medo de terem de conviver com colegas que servem como ‘mulas’ e ‘teleguiados’ para apenados que cumprem pena em regime fechado nas penitenciárias da cidade. Segundo eles, muitos deles quando desobedecem às ordens são executados a sangue frio pelos ‘homens da moto preta’.

No mês de setembro deste ano, por exemplo, o albergado Gustavo Melo Bezerra, de 23 anos, foi morto a tiros de pistola quando chegava à penitenciária. Segundo a polícia, o crime teria sido encomendado e executado por um outro preso. Em troca, o acusado teria recebido entorpecentes.

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