As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.

Uma resposta para As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

  1. Cristiane disse:

    Será que Ricardo irá chamar os professores concursados no último concurso lançado por ele uma pergunta que não quer calar??????????????????????????????????????????????

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