O vírus que destrói a política paraibana

A estrutura política paraibana é totalmente desgastada e antiquada aos novos tempos de democracia e cultura social. Neste post pretendo mostrar como um conjunto de famílias domina as estruturas de poder do Estado para obtenção de benefícios próprios.

Tem-se aqui um conjunto de famílias de sobrenome famoso como os Cunha Lima, Targino Maranhão, Morais, Paulino, Lucena, Maroja, Motta, Gadelha, Pessoa, Braga, Maia, Vital do Rego, Fernandes entre outras. Cada família tem enorme influência sobre pequenas regiões do Estado, suas influências não obedecem a limites municipais, até porque esses limites são artificiais e escondem a história de regiões e povos. Quando colocamos essas famílias no mapa vemos um Estado loteado, onde não há uma força hegemônica.

Em processos eleitorais majoritários, como para Governo de Estado, essas forças familiares se unem para eleger um candidato aparentemente de maior penetração estadual. Este candidato deve pertencer a alguma destas famílias e/ou deve querer fazer o jogo delas. Em troca do apoio familiar o candidato oferece um pedaço da estrutura de poder do Estado para um representante de cada família, caso venha a ganhar. Assim, eles loteiam o poder político e formal do Estado de direito, formam uma verdadeira associação, uma irmandade. Deste modo, eles continuam na política, obtêm visibilidade, um salário agradável e a possibilidade de inúmeros instrumentos de troca política para aliciar e comprar forças municipais, vereadores, lideres locais e “profissionais” que detêm espaços na mídia.

Assim se monta uma bela estrutura de campanha e de poder. Somando as várias forças elege-se um Governador ou Senador e estes fazem negociações com os candidatos à presidência para obter apoios e verbas.

Este esquema serve apenas para beneficiar seus participantes e para perpetuá-los na política impedindo renovações. Quando surgem forças novas, pois a realidade é incontrolável, elas têm que se aliar com algumas ou muitas famílias. E por muitas vezes se entregam ao esquema de troca de apoios, esquecendo o elemento que lhe dava o ar de renovação: a possibilidade de quebrar tais estruturas ou oferecer rachaduras.

Quando ocupando o poder, o Governador eleito com base nesse esquema de apoios não se relaciona com Prefeitos e sim com os comandantes (antigos coronéis) das famílias que ajudaram a elegê-lo ou com comandantes de famílias opositoras, que precisam se manter vivas na política.

E deste modo, os investimentos, a construção de hospitais, escolas e delegacias, a distribuição de equipamentos hospitalares, de segurança e educação, a melhoria de estradas, a extensão de redes de esgoto e abastecimento, entre outras políticas, não são definidas com base na necessidade de cada região e da população local, mas sim com base no interesse e necessidade de determinada família, que quer dar mais visibilidade a um filho (ou esposa, ou mãe ou tio) que está entrando na política, que deseja atender interesses comerciais da própria família, ou daqueles grandes financiadores da campanha; que deseja esconder algum esquema ilegal com a realização de uma obra ou ação do tipo “tapa buraco”.

Deste modo, o Estado vai se afundando econômica e politicamente. Não se tem uma efetiva distribuição de renda, pois apenas aqueles que podem entrar ou participar do esquema político possui os benefícios, formando a casta da elite paraibana. Os demais contaram(ão) com a sorte, a criatividade, os estudos ou os concursos públicos para vencer na vida.

O grande elemento sustentador deste processo está na forma como estas famílias ganham a simpatia e as cabeças dos eleitores. Como são comandantes locais, eles se relacionam diretamente com as pessoas de sua região, oferecem para eles soluções pontuais para problemas urgentes, como um transporte de ambulância, o pagamento de uma conta, um emprego temporário, a permissão de participar de perto das discussões políticas (do poder), o status de fazer parte do círculo de influência da região, uma viagem urgente para a capital, à resolução de uma briga local, a famosa compra de voto entre outros. Assim, as pessoas vão desenvolvendo um sentimento de ligação, de identificação, de empatia com estas pessoas. Além disto, é difícil questioná-los, pois há sempre o boato de que alguém já foi morto, alguém ficou sem emprego e hoje está na penúria para sustentar sua família. A famosa perseguição, que é difícil enfrentar/suportar.

Em épocas passadas isso era mais cruel, pois os coronéis tinham as armas e a força para obrigar as pessoas a votarem em seus indicados, e ainda podiam conferir se eles votaram efetivamente no que foi pedido. Hoje é mais sutil.

Após se estabelecerem na estrutura política oficial eles vão dispor de maiores instrumentos para a realização de favores, só que desta vez, os favores serão pagos com dinheiro do contribuinte, com nosso dinheiro. Dentro da estrutura política podem-se obter concessões de rádios e direcionar verba publicitária, assim se instalam na imprensa verdadeiros soldados defensores destas famílias. Estando no poder (quer queira, quer não) eles vão construir e fazer algo pela cidade, mas sem nenhum planejamento, sem estratégia e sem colocar a população em primeiro lugar. Como já se disse, as políticas são direcionadas para atender interesses e necessidades da própria família que ocupa o poder.

Esse círculo negativo e nefasto tem que acabar. Isso depende de cada eleitor, que cada cidadão perceba o candidato que pode promover rachaduras ou mesmo modificar tal estrutura. Esquema no qual um conjunto pequeno de pessoas se beneficia do dinheiro de todos, do poder de todos, da inércia de todos, da falta de educação de todos.

4 respostas para O vírus que destrói a política paraibana

  1. Um texto esclarecedor. Se permitir, gostaria de republicar no meu blog.

  2. Samba do crioulo doido…

    Achei interessante a seu link, assim, eu adicionei um Trackback para ele no meu blog :)…

  3. F.Silva disse:

    Espero que após as eleições se faça algo para controlar melhor os ímpetos dessa IMPRENSA CORRUPTA que mostrou suas garras como nunca antes havia feito de forma tão cruel contra uma MULHER.Condenam a justiça do Irã contra o apedrejamento,mas a maneira como vem agindo,criando factóides contra a DILMA não deixa de ser um tipo de apedrejamento.A imprensalona e seus jornalistas amestrados tem se comportado em suas manchetes e editoriais tendenciosos de maneira a influir na consciência do povo brasileiro em prol do distribuidor do BOLSA IMPRENSA.

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