A PEC 300, a segurança pública e a crise na Paraíba: Reflexões.

10 fevereiro, 2011

A Paraíba é surreal. Na eleição de 2010, o governador em exercício pediu licença durante o 2º turno para fazer campanha, e antes disso encaminhou a PEC 300 (aumento, não apenas para policiais militares, mas também para civis, agentes penitenciários e bombeiros!) para a Assembléia, depois de ter o ano todo para fazer isso. Pelo contrário, durante as ações dos sindicatos de delegados e policiais, o Governador não quis receber ninguém, não deu nenhum aumento. Mas do dia para a noite, mudou de ideia. (Viu que iria perder a eleição e quis apelar).

Para pior a situação, na véspera da eleição, dia 30, saiu da licença, voltou ao poder e assinou a PEC 300 que sua bancada na Assembléia tinha aprovado (a maioria dos deputados estavam no meio de campanhas). Contrariou todos as normas legais e morais. No trocar das cortinas assinou uma lei que a Justiça anulou em janeiro do ano seguinte. Um ato que todos sabiam ilegal e que todos sabiam refletir apenas o desespero de um Governador que achava que ganharia no 1º turno, e perdeu.

Ele não estava criando apenas um problema jurídico, estava criando uma situação incontrolável, criando expectativas exageradas e irreais para um conjunto de categorias vital para o Estado, que já vinha lutando por melhorias a anos. Estava liberando um processo de insatisfação que iria ficar na mão do próximo governador e da SOCIEDADE.

Temos que fazer tal retrospectiva para mostrar que as reivindicações e insatisfação dos policiais estão baseadas em mentiras de um Governador que utilizou a categoria para benefícios pessoais e eleitoreiros, sem pensar nas conseqüências para os profissionais, a justiça e a sociedade. Quem acompanhou sabe que Zé Maranhão ignorou e desrespeitou os policiais até a eleição.

Por outro lado, esse fato não anula a luta pelo aumento e melhoria para os policiais, bombeiros e agentes. Mas cobrar e se agarrar a um fato obscuro, imoral e ilegal não é um bom caminho. Acredito que os policiais devem continuar a luta pelas melhorias reivindicando aumento escalonado e investimento em condições de trabalho, sem se apegar a um fato que significou na verdade uma manipulação e uso vergonhoso dos profissionais por alguém que não tinha compromisso com eles. A luta continua, numa nova fase: Não cobrar do Governador cumprir uma ilegalidade, mas fazer uma valorização sobre outras bases e leis.

Se agarrar num pacote bonito, mas vazio e mal cheiroso, é fraqueza de uma criança que se agarra a um pacote, pensando que é o brinquedo que tanto sonhou. Até que os pais o convença que é apenas uma caixa vazio, lá vai tempo.

Ainda, a categoria não pode se deixar levar e mais uma vez ser usada por um Major, que está se mostrando mais “político” que policial. Um “político” que está esperneando e não reivindicando. Que está destilando ódio, e não lutando por uma bandeira. Que move mais uma luta pessoal, que coletiva. Que está atacando a pessoal do governador, e não suas ações de governo. Que se rebaixa com ameças, achando que isso é demonstração de força, mas que na verdade cria uma rejeição desnecessária entre governo e polícia.

Todo cachorro que sabe latir é um bom vigia, mas, mal treinado e sem capacidades pode ser uma grande dor de cabeça, um obstáculo. Quem trabalha com segurança sabe muito bem como um bom cachorro treinado salva vidas e conduz boas investigações.

Se o “Rei” Ricardo não marcou ainda a audiência com os policiais, porque o “Rei” Major se nega constantemente a receber um chefe do alto escalão apenas para satisfazer sua vontade pessoal de falar com o Governador. E provavelmente mostrar sua ira pessoalmente. Porque os Delegados querem falar com o secretário e o “Rei” Major se nega, como menino buchudo que só obedece após a mãe chegar.

Está na hora de entender a situação precária do Estado e dialogar com o Governador estabelecendo um cronograma e parâmetros de melhoria salarial e de condições de trabalho. Não se vai esquecer da PEC, mas conseguir os mesmos objetivos sob novas bases. Se os 3 poderes estão reduzindo custos na ordem de 4% por que a categoria não pode também entender a situação sem deixar de lado as reivindicações?

Criando rejeição, o futuro de uma relação que é inevitável será como de dois irmãos que não se respeitam. E quem paga o pato é a SOCIEDADE.

O caminho é diálogo sem chantagem, sem uso pessoal e incitação a raiva na categoria. A sociedade não que uma policia sem noção e cega quando na busca de seus objetivos.

 

 

 

 

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