Caos na Saúde do Estado? Buscando soluções ou aumentando o problema?

31 maio, 2011

Muitos querem fazer crer que existe um caos generalizado no sistema de saúde do Estado, assim como já buscaram, durante anos, criar a mesma sensação em relação à saúde do município de João Pessoa.  Existem problemas? Sim, existem.  A estrutura e funcionamento do SUS no Estado continua a mesma e não é em 06 meses que isso mudaria, principalmente numa área tão complexa para se construir prédios, compras equipamentos e reorganizar o atendimento. Existem problemas graves, hoje? Sim, existem, e eles decorrem do “órgão” mais sensível do corpo humano, o bolso. Cirurgiões estão pleiteando a continuação de uma remuneração obtida no ano passado, e o Estado não possui margem para comprometer com o pagamento de pessoal. Esse impasse gerou a morte de um paciente, pois os médicos não foram trabalhar.

Agora, há esse caos no SUS que muitos políticos e jornalistas querem fazer a população acreditar? Hoje mesmo, o WSCOM relatou a morte de uma mulher por atendimento ineficiente ou mesmo erro médico. Isso é só um tijolo de algo cada vez mais constante na mídia, o relato de casos específicos para “mostrar” o pretenso caos. Destacam-se inspeções, atendimento ineficiente, superlotação etc. Coisas que já ocorriam, mas que antes, não despertava a sensibilidade dessas pessoas. Fica aí a pergunta? Porque isso agora?

Será que elas estão realmente interessadas em discutir saúde pública, em lutar pela melhoria do atendimento à população. Será? Então vamos sair da superfície. E os casos de atendimento ineficiente, filas, superlotação, erros médicos e até mortes da UNIMED? Em reportagem recente na Revista Politika esse assunto foi colocado, e isso corre na boca da rua. Mas isso não é saúde pública? Isso não interessa? Esses problemas e mortes são diferentes?

Parece que há um bloqueio, ninguém pode falar continuamente da Unimed, no máximo colocar uma nota para dizer que registrou a notícia. Devem ter medo de perder a publicidade, já que uma empresa privada pode escolher livremente onde anunciar e diferente do Estado não será taxada de perseguidora, de alguém que deseja destruir a imprensa.

Mas, podem dizer que quem tem Unimed é rico e que temos que lutar pelos pobres? Será? Quantas pessoas que melhoraram de vida no Governo Lula não buscaram fazer um Unimed Saúde (plano mais em conta da empresa), quantos servidores públicos, “perseguidos pelo Estado”, não tem Unimed?

A questão da saúde é grave no Estado, e no Brasil. Isso não é de hoje, o que há de novo no front é greve dos médicos, terceirizados, que causou a paralisação do hospital e morte de uma pessoa. Vamos buscar soluções para uma saúde que está doente e incluir na discussão o atendimento por empresas privadas, que na verdade foi pensada como uma solução paliativa, pois o SUS não comportava dá atendimento de qualidade para todos. Vamos discutir concursos para a área e a reorganização do sistema a nível estadual, a qualidade do atendimento e os erros médicos, o cumprimento de 30% do efetivo em caso de greve, e tantas outras idéias legais de devem estar por aí ocultadas por brigas políticas.

Mas isso não parece ser a intenção de políticos e jornalistas. Mas qual seria a intenção? Devem ter várias: obter visibilidade, se mostrar como estando do lado da população pobre, raiva e intriga pessoal com o governador, e busca por dividendos políticos, ter dois pesos e duas medidas. Para isso cada vez mais eles entraram num vale tudo, no quanto pior melhor. Mas a população sabe diferenciar quando há uma cobrança e quando há uma intriga. Quando há sinceridade nas falas e quando há maldade. Infelizmente alguns populares estão pensando como esses e também querem o quanto pior melhor, o vale tudo político. Pois na PB a disputa política começa após o 31 de outubro.

A crise com os médicos é grave e o Estado não pode ser acusado de não ter tentado resolver ou de não estar dialogando. Pode ser acusado de não ter competência na finalização da crise, ou de não ter um dialogo competente. Mas que ele está dialogando, buscando saídas e tentando resolver, ele está sim.

Vamos buscar um caminho decente de luta política e vamos discutir com qualidade as soluções e problemas da saúde no Estado. E isso vale pra educação, segurança e transporte. Jornalista e político são pagos para qualificar o debate, para informar melhor a população e para ajudar na busca de soluções qualificadas. Não para criar um circo por interesses ocultos e deixar a interesse do povo em segundo plano. Solução de curso prazo não é solução.


Merenda escolar, impeachment, imprensa e oposição em João Pessoa

9 maio, 2011

Mais uma vez o caso da merenda volta a afetar a gestão do Luciano Agra e Ricardo Coutinho. Ao aparecer em reportagem do Fantástico abriu grande discussão nos meios políticos. O que vamos analisar aqui é três elementos: governo, oposição e imprensa.

  • O governo

A licitação para terceirização da merenda está se refletindo numa decisão errada por parte da Prefeitura, não pelo procedimento em si, pois tudo indica que houve regularidade na licitação e pagamento sem uso de recursos federais, mas pelo tipo de empresa privada que atua neste área. Inúmeras empresas desse ramo estão envolvidas em uma série de denuncias que vão da má qualidade do serviço até atos de corrupção. Mostrando como o setor privado não é o santo graal da gestão como muitos afirmam.

A  prefeitura imaginou que poderia controlar a qualidade da merenda mesmo sabendo que iria trabalhar com uma empresa desse tipo. Mas o futuro mostrou que não foi bem assim. Eram tantos problemas na empresa que algo sairia errado, e saiu. Se a fabricação de merenda pelo poder público já é de difícil controle de qualidade (vamos ser sinceros, todos sabemos o histórico de sabor e qualidade das merendas em escola pública) imagina tendo que lidar com outra instituição. Se até nos Restaurantes Universitários há reclamações sobre cardápio e qualidade, imagine em escolas municipais.

Pois bem, o governo tentou corrigir a situação refazendo a licitação, mas como toda compra pública é um processo demorado, o tempo acabou e houve a necessidade de renovação preventiva com a SP alimentação. Muita embora jornalistas mal intencionados afirmem que “após denúncia, Luciano anuncia cancelamento de contrato da Merenda”. O que não é verdade! Ele já seria cancelado, só faltou tempo hábil para substituição. Ou ele queria que fosse feito contrato sem licitação ou que faltasse merenda?

O governo deveria ter arrochado o controle sobre a SP Alimentação para esta fornecer, transportar e armazenar o alimento com condições adequadas e cobrando o fornecimento do que foi contratado. E outra, deveria cobrar mais das provadoras, mantendo uma qualidade de sabor. Pois uma escola que tem laboratório de informática, consultório dentário e boa estrutura pode servir uma merenda de má qualidade? É falta de controle.

Assim foi cozinhado um belo prato para a oposição e imprensa, muita dela irresponsável: má qualidade e sabor da merenda, provavelmente pelo má armazenamento dos alimentos pela SP Alimentação.

  • A imprensa

Uma reportagem da Globo que premiou João Pessoa com sua presença foi a cereja. Afinal, porque eles não visitaram as escolas de Recife e São Luis que também tem a SP Alimentação como fornecedora para fechar com chave de ouro a reportagem. Deixaram essas prefeituras de lado, porque? Mas isso é o de menos.

Aí os nossos grandes jornalistas, que não sabem nem fazer uma reportagem sobre o má transporte de carnes que a SP Alimentação fazia, começam a falar ou comemorar a situação com piadinhas, meia-informação e risadas sobre o povo. Fazem a festa do quanto pior melhor. Será que eles realmente pensam em nosso desenvolvimento?

A grande imprensa nacional está perdendo credibilidade todo dia pelos suas ações de ataques desproporcional contra o governo do PT e até preconceituoso contra Lula.

  • A oposição

O quadro se fecha com a oposição pedindo o impeachment de Agra! Querem fazer uma tempestade numa caixa d’água (esse problema não é para um copo). Bradam raivosamente como se fossem pego de surpresa. Bradam com tal desproporção, provavelmente atiçados pelos grandes jornalistas da PB, não para pedir um CPI, uma investigação. Muito menos colocar lupa sobre o caso. Pedem um impeachment.

Essa não parece ser um bom caminho para a oposição. A população sente quando políticos parecem se guiar pelo “quanto pior melhor”, pelo “quer se aproveitar da situação” e pelo “querem torcer um pingo d’água”. Isso já é conhecido. A nível federal o DEM e o PSDB perceberam bem isso quando raivosamente bradavam sobre Lula e o governo dele. José Serra sentiu na pele quando começou a confundir a população com boatos sobre Dilma e na PB, o PMDB e quem diria, o PT, sentiram isso quando apoiaram por inércia ou indiretamente os panfletos sobre pacto com demônio, o tal caboclo Girassol.

A população parece está cada vez mais vacinada contra certos processos políticos e midiaticos que visam obter dividendos e se aproveitando do quarto poder para interesses pessoais e grupais, sem transparência. Pois se possam de imparciais para conquistar o público.