O que é isso companheiro? Qual o sentido das ações do PT-PB?

4 junho, 2011

O PT da Paraíba é um caso aparte no cenário político estadual. Trata-se nada mais, nada menos, que o partido de origem do atual Governador, que não simplesmente passou pela sigla, como foi um de seus grandes destaques durante mais de dez anos.

Não deixou o partido por falta de identificação, mas por divergências internas e vontade de ocupar o cargo de Prefeito quando surgir claramente uma grande oportunidade. O que conseguiu em 2004 com certa comodidade. Ao deixar o PT, Ricardo Coutinho se filiou ao PSB, partido histórica e umbilicalmente ligado ao PT, podendo ser chamado de um de seus satélites.

Diferente de muitos que deixaram o PT durante os anos Lula e já anteriormente, Ricardo não se mostrou um político dito de extrema esquerda, que deixaram o PT por sua uma guinada ao centro. Pelo contrário, Ricardo, mesmo fora do PT representa bem esta guinada, que por osmose ou consequência faz seus partidos irmãos, como o PSB, PCdoB e outros, também executarem.

Ou seja, seria natural esperar do PT um apoio mais forte ao PSB de um candidato que crescia exponencialmente desde quando era vereador. Assim como o PT espera de seus “irmãos” um apoio, seja no primeiro ou segundo turno (aqui para os chamados de extrema esquerda), era de esperar o apoio recíproco ao PSB. Entretanto, as brigas internas deixaram marcas profundas e pessoais, que fizeram muitos petistas esquecerem sua origem comum, sua ideias similares e o seu campo político para comprarem uma briga auto-fágica.

Quando Ricardo se aliou ao PMDB (2003) e depois ao PSDB e DEM (2010) disseram que este seria o seu fim, que o PSB não teria hegemonia na coligação, assim como o PT tem a nível nacional na sua aliança com o PL (2001) e depois com o PMDB (2003) e outros. Mas o histórico vem mostrando o contrário, Ricardo soube construir a hegemonia usando um projeto político como mecanismo de união e correção de rumos.

Ao ocupar cada vez mais o espectro de esquerda na PB e ao conquistar os novos eleitores simpatizantes do estilo PT/Lula de governar, Ricardo e o PSB foi sufocando um PT, já em definhamento, simplesmente pela falta de espaço. Eles lutam e brigam pelos mesmos eleitores, por mentes e ideias similares e  pelo estilo de governar da nova esquerda de grande influência lulista.

Para completar a sina do PT da PB este tomou atitudes e agiu de forma descompassadas com os novos caminhos da política brasileira. Em vez de fortalecer o centro-esquerda local, fomentou o conflito e a separação unicamente para projetar seus próprios políticos e não suas ideias. Passou a ser massa de manobra e escorra para outros partidos, em particular o PMDB.

O PT parece falar para o PSB: sua estrela não pode brilhar mais que a minha. Você não pode ocupar o espaço e aproveitar a oportunidade que sempre sonhamos. Essa conquista deveria ser nossa por direito. Entretanto, foi o próprio PT que construiu este rumo e esta história, por suas opções que o passado e agora o presente mostram ser equivocadas.

Quem entende esse oposição acirrada do PT em relação ao governo do PSB de Ricardo? Teoricamente quem teria mais interesse nesse tipo de ação política seria o PMDB, que se sentiu traído por querer sufocar seu grande coringa e uma de suas forças aliadas, o Ricardo Coutinho. Porque isso? Porque querer tomar um espaço de centro-esquerda em consolidação pela liderança do PSB? Porque o PT se sente tão ofendido com o Governo do PSB? Porque tomam as dores de uma oposição que é mais de Maranhão/PMDB em relação a Cássio e Ricardo?

Durante a vice-governadoria no Maranhão III, o PT não fez valer seu estilo de governar. Não fez valer sua posição de “braço direito” da aliança. Não fez valer o espaço que ocupou.

Assim, resta ao PT pensar: que espaço e estilo de governo ele quer se apropriar, aquele do PMDB ou aquele do PSB? Ainda, que avanço o PT quer mostrar em relação ao PSB? O que o PT está comunicando, um partido a la PMDB ou um partido além PSB?

Se alimentar de um antagonismo (Cássio – Maranhão) como mote para sua alavancagem é seguir o caminho oposto que se vê a nível nacional – aquele de superação do antagonismo PT-PSDB. O PT local pode estar fazendo o caminho do PSDB nacional, direcionando-se a uma centro-direita por oposição a uma visão/partido de centro-esquerda em consolidação. Esse caminho está transmutando o PSDB que tem como destino retirar a Social-Democracia de sua sigla.