A difícil relação Agra, Cartaxo e Ricardo (PT/PSB) e a prefeitura de João Pessoa

13 julho, 2012

O processo de transformação por que passa a cidade de João Pessoa, seja na gestão ou nas políticas públicas de habitação, cultura e lazer, urbanização, transporte e saúde, é resultado da atuação de um conjunto de forças políticas e sociais advindas de um campo de centro-esquerda, que tiveram, e ainda tem, Ricardo Coutinho como maior representante. Entretanto, inúmeras pessoas e figuras públicas foram fundamentais para a elaboração e operacionalização destas idéias e ações, transformando-as em realidade. Sem estas pessoas vários projetos ficariam apenas no papel.

Esta transformação não possui um dono ou mentor, seja uma pessoa, um partido ou uma entidade. Pelo menos este é o ponto de partida e condição de existência. O projeto em curso tem a marca da construção coletiva, do aperfeiçoamento contínuo e do movimento. Por isso, falar de um representante maior, desta frente de vários partidos, políticos e organizações.

Assim, quando vemos pessoas que tiveram papel relevante, que doaram esforço, emoção, e desprendimento e que foram de significativa influência para a construção e implementação desta transformação serem negadas no seu papel de representante, partícipe e construtora deste processo, ficamos a se perguntar: quando e quem patenteou esta transformação? Quando e quem registrou esta idéia?

Apenas o conceito de propriedade explica porque verificamos pessoas serem “escanteadas”, desrespeitadas e “expulsas” de um processo que não tem dono, mas adeptos, membros e participes. Esse “projeto” não é apenas de Ricardo ou do PSB, é de várias pessoas e entidades. Assim, como João não é apenas filho de Maria, mas também de José.

Pessoas como Bira, Nonato Bandeira, Luciano Agra e mesmo o Luciano Cartaxo tem sim, identidade como esta transformação. Não se pode dizer que eles construíram um projeto de outrem, mas sim que eles construíram esse projeto COM outrem. Deste modo, eles se apresentam como uma opção para continuidade e aperfeiçoamento desta transformação, pois construíram e/ou sustentaram tudo isso. Eles foram formados na mesma escola política, na mesma tradição e fazem parte do mesmo campo político-partidário.

Por todos estes fatos, há alguns desvios de rota, desencontros e mal-entendidos que precisam ser trabalhados por todas as partes envolvidas.

A postura de oposição, e mais, oposição radical ao Governo do Estado por parte de Luciano Cartaxo e de carona, em relação à Prefeitura de João Pessoa, era e é uma opção perigosa, incoerente e desnecessária desde o princípio. Agravada pelo aceite de Agra e Nonato em sua campanha. Qual a razão de ser desta oposição? Principalmente quando ele passa a mão na cabeça de Zé Maranhão, por quem ele foi humilhado e escanteado. Talvez essa seja a oportunidade de reflexão.

A postura de Ricardo Coutinho de querer se apropriar deste processo de transformação como se fosse apenas de sua autoria e propriedade soa incoerente e preocupante. Agravado pela entrega do projeto a membros do DEM, PSD e PSDB. São estes que melhor representam essa transformação? Descobriram agora que Bira e companhia não constroem com qualidade esse projeto?

Essa postura é conseqüência da condução equivocada que o PSB fez da postulação de Agra. Os acontecimentos corroboram cada vez mais a noção de que o partido, com aval do presidente de honra, Ricardo, queria ver o prefeito pelas costas. E diante de sua carta-renúncia tratou logo de substituí-lo e esquecê-lo, pois era uma pedra no caminho. Nem um pedido de desistência da renúncia foi ao menos tentado. Esse processo está levando o partido e seus membros, alguns, a cultivar as noções: ou está comigo ou está contra mim; os fins justificam os meios.

Resumo do quadro: o atual prefeito da transformação apóia Cartaxo que se coloca como oposição ao ex-prefeito da transformação, que por sua vez, apóia Estela e acredita no DEM/PSD como melhores membros para continuidade do projeto.

Tudo ainda está muito confuso para o eleitor.

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O errante PT/PB e seu novo papel no atual contexto

1 julho, 2012

 O PT da Paraíba mostra seguir um caminho errante sem um rumo certo e coerente com sua história. Suas ações tem mais atrapalhado que auxiliado o sucesso e consolidação da centro-esquerda na Paraíba e em João Pessoas.

O partido é cada vez mais dominado por intrigas pessoais em todas as linhas e tendências. Não há espaço para ver como ele, enquanto protagonista nacional, pode contribuir para seu campo aqui na PB. O PT está imerso em vaidades pessoais e partidárias, sem conseguir enxergar além do tempo imediato.

O PT preferiu abdicar de uma candidatura forte socialmente com Ricardo para depois viver politicamente a reboque do PMDB. Quando teve a oportunidade de recompor-se com seu ex-membro e fortalecer as novas idéias, perdeu-se com as possibilidades de poder quando Cássio saiu do governo e com os egos pessoais que não o fizeram enxergar além na história.

Ainda, assumiu recentemente um discurso de oposição ao PSB, contra a esquerda, baseada na desculpa da aliança com o PSDB e DEM. Em vez de optar pelo fortalecimento deste campo, optou por esvaziá-lo e tornar mais difícil a renovação política na Paraíba.

Hoje mais uma vez, é dada a oportunidade de se projetar como uma opção de centro-esquerda e parece preferir a oposição fechada ao PSB. Em vez de compor, quer dividir, em vez apresentar opções, que se opor.

Quando PT e PSB vão perceber que são aliados e não inimigos, mesmo quando momentaneamente são adversários. Eles que podem construir um núcleo forte no campo da centro-esquerda da Paraíba e do Brasil. Tem que aprender a conviver juntos e superar possíveis diferenças, principalmente agora com o crescimento do PSB. Por isso, o PT tem que estar proto para apoiar PSB no segundo turno em JP e o PSB tem que estar pronto para apoiar o PT caso isso ocorra. Mas antes de tudo, tem que haver uma unidade superior.

No atual momento de crescimento o PSB tem que saber ser uma opção ao PT, quando necessário e possível, sem se perder nas alianças perigosas que está empreendendo. Este é o momento para uma construção de longo prazo. PSB tem que observar bem seus passos para não ser um PMDB ou PSD. Tem que saber reconhecer a construção que o PT fez, sem se apequenar. 

 


Chegou a hora do PSB mostrar sua identidade política

1 julho, 2012

O crescimento do PSB a nível nacional era visível e um possível choque com o PT era previsível, apenas não se sabia a data. O choque viria devido às pretensões de Eduardo Campos ou mesmo Ciro Gomes de ser presidente aliado ao crescimento do partido no campo da centro-esquerda, ambiente em que o PT se mostra hegemônico atualmente.

Os primeiros atritos começam a aparecer com as eleições de prefeito em 2012.  Podendo antecipar um possível atrito maior em 2014 caso o PSB ache que possui musculatura suficiente para se lançar sozinho a presidência. Algo que ocorrerá sem dúvidas em 2016 e 2018, contando as tendências atuais. O que é uma previsão frágil num ambiente tão volátil quanto a política brasileira.

Mas vamos ao que interesse, o crescimento do PSB tem mostrado características peculiares em relação ao do PT, seu partido incentivador e de suporte. O PSB tem optado pelo aliancismo, que tem implicado em composição de chapas com o PSDB e DEM, partidos que estão sendo cada vez mais empurrados para a centro-direita, seja pelo movimento do PT seja pelo próprio discurso e comportamento daqueles que fazem estes partidos.

O PSB compõe chapa majoritária, não apenas alianças, com o PSDB/DEM sem grande pudor ideológico/histórico, ao mesmo tempo em que compõe com o PT e PCdoB por exemplo. É um partido dual. Com um comportamento cada vez mais parecido com o PMDB, um partido de centro por excelência, que se alia com qualquer outro, tendo como único critério a viabilidade de poder. Está também é a estratégia do novo PSD que nasceu já eclético e tem como identidade a aliança para o poder.

O movimento do PSB aos poucos abre espaço para que o PSDB se recomponha como partido de centro-esquerda, caso se desloque do DEM e melhor configure sua identidade partidária. Ou seja, enquanto o movimento do PT e do próprio PSDB/DEM leva estes últimos a estruturarem-se como centro-direita. O novo movimento do PSB abre possibilidades do PSDB se recompor com a centro-esquerda e deixar o DEM numa sinuca e assumir de vez a pecha de direita no Brasil. Isso não é nada impossível, haja vista a composição do PSB com o PSDB e DEM em Belo Horizonte, local de onde vem a nova força presidenciável do PSDB: Aécio Neves.

Cada vez mais o PSB será chamado a tomar uma opção com fortes implicações para seu futuro político. Será mais um aliancista para o poder, no qual as composições locais valem mais que uma identidade nacional, como o PMDB e o novíssimo PSD, ou será um PTB/PDT, médios partidos que ainda optam por se manter no campo da centro-esquerda, apesar dos pesares. Se o trabalhismo ainda se mostra influente na identidade destes partidos, será que o socialismo ficará na identidade do PSB, ou ocorrerá algo similar ao PSDB (social democrática apenas no nome)?

A opção do PSB por alianças com o DEM pode levá-lo ao mesmo destino do PSDB, que optou por se aliar preferencialmente ao antigo PFL para se viabilizar politicamente. E hoje colhe os frutos desta opção.