Chegou a hora do PSB mostrar sua identidade política

O crescimento do PSB a nível nacional era visível e um possível choque com o PT era previsível, apenas não se sabia a data. O choque viria devido às pretensões de Eduardo Campos ou mesmo Ciro Gomes de ser presidente aliado ao crescimento do partido no campo da centro-esquerda, ambiente em que o PT se mostra hegemônico atualmente.

Os primeiros atritos começam a aparecer com as eleições de prefeito em 2012.  Podendo antecipar um possível atrito maior em 2014 caso o PSB ache que possui musculatura suficiente para se lançar sozinho a presidência. Algo que ocorrerá sem dúvidas em 2016 e 2018, contando as tendências atuais. O que é uma previsão frágil num ambiente tão volátil quanto a política brasileira.

Mas vamos ao que interesse, o crescimento do PSB tem mostrado características peculiares em relação ao do PT, seu partido incentivador e de suporte. O PSB tem optado pelo aliancismo, que tem implicado em composição de chapas com o PSDB e DEM, partidos que estão sendo cada vez mais empurrados para a centro-direita, seja pelo movimento do PT seja pelo próprio discurso e comportamento daqueles que fazem estes partidos.

O PSB compõe chapa majoritária, não apenas alianças, com o PSDB/DEM sem grande pudor ideológico/histórico, ao mesmo tempo em que compõe com o PT e PCdoB por exemplo. É um partido dual. Com um comportamento cada vez mais parecido com o PMDB, um partido de centro por excelência, que se alia com qualquer outro, tendo como único critério a viabilidade de poder. Está também é a estratégia do novo PSD que nasceu já eclético e tem como identidade a aliança para o poder.

O movimento do PSB aos poucos abre espaço para que o PSDB se recomponha como partido de centro-esquerda, caso se desloque do DEM e melhor configure sua identidade partidária. Ou seja, enquanto o movimento do PT e do próprio PSDB/DEM leva estes últimos a estruturarem-se como centro-direita. O novo movimento do PSB abre possibilidades do PSDB se recompor com a centro-esquerda e deixar o DEM numa sinuca e assumir de vez a pecha de direita no Brasil. Isso não é nada impossível, haja vista a composição do PSB com o PSDB e DEM em Belo Horizonte, local de onde vem a nova força presidenciável do PSDB: Aécio Neves.

Cada vez mais o PSB será chamado a tomar uma opção com fortes implicações para seu futuro político. Será mais um aliancista para o poder, no qual as composições locais valem mais que uma identidade nacional, como o PMDB e o novíssimo PSD, ou será um PTB/PDT, médios partidos que ainda optam por se manter no campo da centro-esquerda, apesar dos pesares. Se o trabalhismo ainda se mostra influente na identidade destes partidos, será que o socialismo ficará na identidade do PSB, ou ocorrerá algo similar ao PSDB (social democrática apenas no nome)?

A opção do PSB por alianças com o DEM pode levá-lo ao mesmo destino do PSDB, que optou por se aliar preferencialmente ao antigo PFL para se viabilizar politicamente. E hoje colhe os frutos desta opção.

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