Eleições 2010 PB: análises

14 novembro, 2010

Apesar da diferença entre Ricardo e Maranhão ter se reduzido em João Pessoas e Campina Grande, isso não ocorreu devido à perda de votos de Ricardo, pelo contrário. Os dois conquistaram mais votos além daqueles do 1º turno. A diferença é que Maranhão conquistou mais votos que Ricardo nestas duas cidades. Provavelmente pelo aumento que deu nas vésperas da eleição para policiais, agentes e bombeiros (o que para duas cidades com grande peso do funcionalismo é importante), pela campanha do pacto com satanás, atingindo muitos evangélicos fervorosos e crescentes nos grandes centros, e pela maior atuação nos debates, guia e encontros com a comunidade, relevantes nestas cidades.

Ricardo passou de 213 mil para 215 mil em João Pessoa e de 130 mil para 135 mil em Campina.

Maranhão passou de 138 mil para 155 mil em João Pessoa e de 68 mil para 80 mil em Campina.

 

Cássio mostrou que apesar da cassação e de toda a campanha midiática contra sua imagem ainda é forte líder político na Paraíba e principalmente em Campina Grande, onde conseguiu a vitória para Ricardo, Efraim e José Serra. Por outro lado, ele também possui limites, pois não conseguiu eleger Efraim para o Senado. Mesmo ficando em todos os momentos da campanha pedindo voto para ele e afirmando: Cássio é Efraim, Efraim é Cássio.

Os eleitores de Cássio são pessoas a parte. São passionais em sua relação com Cássio, sendo um grande reduto que defende, divulga e conquistas votos. Principalmente os campinenses. Embora não seja suficiente para ganhar uma eleição, é suficiente para não deixá-la morrer.

A relação de Cássio com Ricardo deu uma renovada em sua imagem, garantindo para ele os elementos que podem juntar os cacos quebrados pela cassação. Isso será algo que Cássio terá que saber reconhecer e trabalhar. Assim, como fez Maranhão ao renovar sua imagem quando ficou vários anos ligados à Ricardo.

 

Aquela ideia de que campinense vota em campinense sofreu mais um revés. Embora Ricardo tenha sido adotado por Campina, porque foi adotado por um campinense. Com esta eleição, cada vez mais se pode notar que a relação dos campinenses em termos políticos, não é exatamente com a cidade, mas sim com os Cunha Lima. Não é apenas em um campinense que eles votam, é em Cássio, em um Cunha Lima. Há uma pessoalidade nesta relação.

 

As pesquisas saíram desmoralizadas na Paraíba, principalmente os grandes institutos. Estes mostram que não conhecem bem o comportamento do eleitor paraibano e não possuem metodologia adequada para segmentar o estado, gerando grandes distorções. Por outro lado, os institutos desconhecidos, além destes questionamentos também são tidos como mais passíveis de manipulação e comercialização. Terão longo caminho para acabar com esta imagem.

 

Muitos afirmavam que Ricardo foi apressado e deveria ter aguardado Maranhão governar mais quatro anos, pois depois cederia o lugar para ele. Esqueciam essas pessoas, que daqui a quatro anos, os Vital estariam mais fortes, pois Vitalzinho seria senador, sua Mãe deputada federal e Veneziano ex-prefeito. Além do nome da família, iriam impor a força dos mandatos dentro do próprio partido, sendo difícil abdicar disso para um candidato de outro partido.

Além disto, o que podemos ver agora é que Maranhão não sou soube o momento mais adequado de sair de cena e de ter a humildade de abrir caminho para a renovação política no Estado. Sua ânsia de permanecer no poder a qualquer preço impediu-o de ver o futuro e de saber se colocar nele. Hoje, cada vez mais vivemos um momento de renovações nos vários Estados e a nível federal. Dilma, Eduardo Campos, Aécio, Jacques Wagner apontam para uma transição em que os grandes líderes dessas últimas duas décadas serão conselheiros e políticos de honra.

Maranhão poderia ser o senador da Paraíba junto de Cássio, ficariam no senado, marcando a duas últimas décadas de rivalidade na política paraibana com a abertura e orientação dos novos políticos. Hoje, e se souber fazer, Cássio colherá esses dividendos. A família Vital dominará o PMDB da Paraíba e terá que se colocar como opção a Ricardo, para se viabilizar politicamente, porque não deseja, e a rivalidade não os deixa se unir aos Cunha Lima.

 

 

Ricardo Coutinho terá a oportunidade de pavimentar o seu reduto político no Estado, amplificando sua influência que hoje é forte em João Pessoa e cidades vizinhas. Trilhará o caminho que Cássio e Maranhão já fizeram e poderá se mostrar tão importante eleitoralmente para Cássio, quanto este é hoje para Ricardo.

Em nível nacional terá que construir junto com o PSB e as novas lideranças a renovação política nacional. Sendo nome com competência e histórico para isso, deve buscar desenvolver seu papel e ter seu lugar não apenas como liderança local, mas com projeção nacional. Desde a eleição de Lula, a política nacional passa por grandes transformações reflexos das mudanças sociais. Partidos somem, se fundem e renovam suas lideranças e estilos de gestão pública.

Um momento político do Brasil que começou com a democratização está se fechando, com a derrota de José Serra marcando o encerramento de estilo de governo para transição, e com Lula há um político que soube fechar a porta e mostrar o caminho para o futuro com brilhantismo. Agora é hora dos novos começarem a pensar o País olhando para o futuro e contando com as orientações de quem já governou. Agora não são mais palpiteiros, ou governantes de pequeno porte, o futuro está em suas mãos.

 

Entre as grandes cidades, Mamanguape se mostrou um reduto fortíssimo de Maranhão. Tanto no 1º quanto no 2º turnos obteve diferenças significativas. Quase 10 mil no primeiro e quase 5 mil no segundo turno. A cidade mereceria o agradecimento de Maranhão, que não fez muitos trabalhos por lá, mas que deve ser grato pelo carinho da população.

 

O PT da Paraíba mostra mais uma vez e a cada ano e eleição que simplesmente não tem capacidade de se pôr como partido forte e relevante na história das eleições majoritárias paraibanas. Se eles questionam Ricardo por sua incoerência ao fazer alianças, deveriam pelo menos aprender com Ricardo como não rifar suas bandeiras político-programáticas. Se apequenando diante de partido como PMDB, sofrendo um processo mais forte que aquele ocorrido a nível nacional. Precisam tomar um posicionamento forte com vistas ao futuro da legenda, esquecendo a busca a qualquer preço de mandatos políticos e pensando nas bandeiras, pelo menos nesse momento de transição interna e externa.

 

Ricardo Coutinho assim como muitos trabalhadores se fez “sozinho” sem o nome e a proteção de uma família tradicional. Nesse sentido, rompe com um forte aspecto do coronelismo e patriarcado político. Procurou seus próprios caminhos e se fez um político de grandes conquistas, como muitos profissionais que avança com seus esforços e competências. Assim, ele representa e é representado por esta nova classe média em ascensão que cresceu no rastro dos avanços do Governo Lula. Por isso é significativo a sua vitória nos grandes centros populacionais da Paraíba, principalmente João Pessoa e Campina Grande. Por isso, sua identificação suprapartidária com o governo Lula e do PT.

Assim como Lula, Ricardo representa um novo político que fixa raízes e colhe dividendos em novo eleitorado. Representa em consequência uma mudança de política, já que, governará para este novo público que lhe consagrou votos, a confiança e também as cobranças futuras. Algo que ele já experimentou em João Pessoa. Essa eleição é simbólica por representar essas mudanças políticas e sociais, mas pode ser um marco caso haja sucesso do novo governador em implementar tais políticas voltadas para esta nova e significativa parcela da população. Garantindo ainda um passaporte para sua ascensão a nível nacional.

Processos de transformações econômicas como o petróleo no sertão, o turismo vinculado a eventos como a copa e a reorganização da agricultura e indústria paraibana, em ocorrendo, irão fortalecer esta classe social e política e seu político representante e simbolicamente a ela identificada. Por isso é significativo a afirmativa de Ricardo quando diz que deseja fortalecer o setor privado e consequentemente reduzir o peso do setor público da Paraíba, sem reduzir a qualidade e capilaridade dos serviços públicos.

 

Nesta eleição mais uma vez Zé Maranhão não conseguiu passar o patamar dos 1 milhão de votos. Nem alcançou a sua melhor marca de votos, conquistada no segundo turno de 2006 com 950.269. Na eleição de 1998, com a melhor votação de um governador na Paraíba, em percentual, Maranhão alcançou: 877.852. De lá para cá ele não conseguiu sair de uma média que gira em torno de 900 mil votos. Ou seja, não consegue agregar novos eleitores e conquistar as mentes novas que começam a votar ou a ter consciência do poder de seu voto.

Pode revelar assim, a defasagem de seu discurso em relação aos anseios da população. Mais um indício da necessidade de ter aberto caminho para renovação política.

Outro detalhe, assim como Wilson Braga, que ganhou em 1982 e perdeu três eleições seguidas (1986/1990/1994), Maranhão após ganhar a eleição de 1998 perde três seguidas (2002/2006/2010).

Maranhão e Cunha Lima que emergiram como forças políticas para suplantar o domínio dos Braga, que representam elementos de atrasos da política paraibana na década de 1980 e 1990, se perdem em brigas internas pelo poder, e em paralelo fortalecem seus familiares na política: Maranhão com Benjamin e Olenka e Ronaldo com Cássio e Arthur. Mostrando assim alguns dos resquícios de atrasos políticos. Outro, que Ronaldo nunca se livrará, é a responsabilidade do tiro que deu contra o ex-governador Burity e que usou de todos os artifícios para fugir do julgamento judicial.

Por outro lado, não se pode deixar de registrar como Cunha Lima sabe o momento de entrar numa batalha política, recuar, sair e dar a vez. Desta forma, Ronaldo foi governador em 1990, e apesar da derrota para Maranhão nas eleições internas do PMDB em 1998, Cássio voltou em 2002/2006. E agora abre espaço para Ricardo. O futuro é que mostrar os próximo capítulos desta história.

 

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Eleições 2010 PB: Ricardo vence Maranhão

14 novembro, 2010

A eleição para Governador na Paraíba foi uma página a parte. Para quem tinha a eleição quase ganha, segundo entendimento unânime das pesquisas (VOX POPULI; IBOPE; CONSULT e outras), inclusive a boca-de-urna do IBOPE, José Maranhão amargou uma derrota no 1º turno, para muitos, improvável, mas desejada e trabalhada pela militância e comando de campanha de Ricardo Coutinho.

A primeira parcial da apuração oficial indicava Maranhão a frente, confirmando os números das pesquisas e deixando a eleição com aquele clima de “eu já sabia”, enfim, era o esperado. Mas, a cada nova parcial, Ricardo elevava seu percentual de votos e reduzia a diferença em relação a Maranhão até a parcial em que tomou à dianteira e continuou a subir. Neste momento, já era grande a alegria entre os ricardistas, que puderam enfim ver os seus desejos e projeções confirmadas nas urnas, algo bem melhor e mais confiável que as pesquisas, em que seu candidato sempre estava atrás.

Em vários momentos, Ricardo já contava com percentual para ganhar a eleição no 1º turno. E por algumas parciais isso foi ratificado. Algo que colocava de vez as pesquisas em situação dificílima, sob o manto das suspeitas de manipulação, comercialização e erros graves de execução.  Por fim, Ricardo levou o 1º turno, deixando Maranhistas atordoados, sem entender o que ocorria, e ricacrdistas eufóricos, mas com um gostinho de “poderia ter sido no 1º turno, imagina!”.

Maranhão ganhou na maioria absoluta das cidades, mas perdeu nos grandes centros, aqueles com 20 mil eleitores ou mais. Estas cidades são: Mamanguape, Cabedelo, Bayeux, Santa Rita, Sousa, Cajazeiras, Pombal, São Bento, Patos, Sapé, Guarabira, Queimadas; João Pessoa e Campina Grande. Estas cidades representaram no 1º turno 40,74% dos votos entre aqueles que compareceram as urnas. No 2º turno representaram 43,61% dos votos entre quem compareceu.

Nos grandes centros, Ricardo ganhou com 129.562 votos a mais. A maioria dessa vantagem conquistada com os votos de João Pessoa e Campina Grande, que juntas deram para ele 136.408 votos de vantagem. Caso as votações nessas cidades tivessem sido equilibradas, ou a vitória em Campina anulasse aquela de João Pessoa, Maranhão teria ganhado nas grandes cidades e quem sabe até o 1º turno, pois a diferença final foi de 8.367 pró-ricardo.

No 2º turno, isso se repetiu e Ricardo ganhou com 127.781 votos a mais nos grandes centros. Mas João Pessoas e Campina deram 116.262 votos de vantagem para Ricardo. Ou seja, desta vez ele ganhou no conjunto das cidades grandes, mesmo sem os votos da Capital e Campina. Como?

Esse resultado refletiu o impacto da vitória de Ricardo no 1º turno e o trabalho durante a campanha do 2º turno. A vitória inesperada rendeu adesão de vários prefeitos, incluindo muitos que eram de partidos aliados a Ricardo, mas tinham aderido a Maranhão por promessas de obras, equipamentos e devido às rivalidades internas nas cidades. E diferente de Maranhão, Ricardo trabalhou no 2º turno sem parar, não deixou a militância e a coordenação entrar no clima de já ganhou e a campanha ficou acirrada.

Maranhão que no 1º turno praticamente não aparecia falando no guia e nem participou dos debates (a exceção do primeiro), preservando sua imagem, tinha uma campanha com líderes markteiros e coordenadores fazendo uma grande cortina para preservar o candidato-governador. No 2º turno o candidato resolveu “colocar o rosto para bater”.

Ainda, Maranhão que ganhou as eleições em Pombal, São Bento, Sapé e Queimadas no 1º turno, viu o adversário virar o jogo nessas cidades. Eleitores de Maranhão destas cidades, somados a outros de Sousa e Mamanguape, deixaram de votar em seu candidato. Provavelmente optando pelo voto em Ricardo.

Ao todo foram 7.489 eleitores que deixaram de votar em Maranhão. O que pode ter ocorrido devido à campanha agressiva e até caluniosa do candidato quando colocou a questão do pacto com satanás, afugentando seus próprios eleitores. Ou porque não voltou a comprar os votos desses eleitores, ou porque o candidato opositor comprou esses votos (embora tenha inserido comercial dizendo para eleitores não venderem seus votos, mesmo que os compradores estivessem de laranja e se dizendo da campanha).

Esses 7.489 eleitores representam 0,34% daqueles que comparecem as urnas no 2º turno. Sendo algum insignificante, que desmancha essa ideia de que eleitor na Paraíba é vira casaca, muda de candidato como quem muda de roupa. Pelo contrário, isso parece ser algo mais constante entre os políticos do que entre os eleitores. Esses, quando indecisos preferem votar nulo ou branco. Isso é fato, pois 130.691 eleitores deixaram de votar nulo ou branco para optar por um candidato no 2º turno.

E grande parte do crescimento de Ricardo no 2º turno se deve a conquista dos votos nulos e brancos e daqueles que não compareceram as urnas no 1º turno.

Nesse contexto, a apuração do 2º turno ratificou a vitória de Ricardo, em todas as parciais ele esteve na frente, mantendo o mesmo patamar de vantagem. Maranhão seguiu a mesma trajetória, sempre em segundo e nunca ameaçando a vantagem de Ricardo. Assim, a eleição seguiu o clima do “eu já sabia”, não aquele das pesquisas, mas aquele das ruas e da campanha, em que era nítido a crescimento da empolgação e da participação nas ações de Ricardo. Muitos ricardistas saíram do esconderijo e se expressaram abundantemente no decorrer do 2º turno.

 


E as pesquisas para Governador-PB, o que nos dizem?

21 março, 2010

Pois bem, vamos dar crédito aos números destas pesquisas e aliar a isto uma avaliação qualitativa do cenário que vivemos nestas últimos meses. Primeiro vejamos os dados das pesquisas:

Do IBOPE para CONSULT Cícero (-5,3) e Ricardo (-5,4) perdem votos. Enquanto que Maranhão (+4,1) e Indecisos (+7,05) sobem. Os brancos e nulos, aqueles que não votam em nenhum deles praticamente se mantêm.

Os seja, os votos de Cícero e Ricardo foram para Maranhão e indecisos. Partindo da observação de que de outubro de 2009 para fevereiro de 2010 a aliança de Ricardo se consolida com Efraim e Cássio, pode-se entender que parcela dos votos certos de Ricardo foi para indecisos.

Da parte de Cícero, seus votos certos, migraram para Maranhão e outros para indecisão. Visto que houve um processo de paquera ente Cícero e Maranhão nesse período, ao mesmo tempo em que a campanha de Cícero era bombardeada por Cássio, é de supor que tal migração tenha ocorrido. Entretanto, diante da acirrada disputa entre Cícero e Cássio nesse período, os votos cativos de Cícero eram para se afirmarem, e não para correrem da raia. É como se Cícero mantivesse a candidatura e quase metade de seu eleitorado falasse: “Desista. A gente já trocou de barco”.

Diante da paquera que manteve com Cícero, é provável que Maranhão tenha ganhado os votos dos ciceristas. De Fevereiro para outubro de 2009 Maranhão já tinha 8 meses de governo, já tinha explorado propagandas e a máquina do Correio já estava atuando a seu favor, fora isso, tinha inaugurado vários inícios de obras. Os mais cinco meses até fevereiro de 2010 não mudaram muita coisa, a não ser o aumento dos ataques e até apelações do sistema Correio em suas reportagens contra a prefeitura. Isso, entretanto pode ter contribuído para aumentar a indecisão de alguns que votam em Ricardo, do que para aumentar os votos de Maranhão.

Da pesquisa CONSULT para a VOX POPULI temos uma diferença de uma semana, na qual Maranhão ganha quase 3 pontos a mais (2,9%) e a pesquisa indica que estes votos viriam dos indecisos, pois os votos de Cícero e dos Nulos/Brancos mantêm-se no mesmo patamar, praticamente não mudaram. Nesta semana não houve nenhum fato gravíssimo que mudasse muito o cenário local, ou seja, que fizessem os indecisos, provavelmente vindos do bloco de Ricardo tomasse o partido de Maranhão. Mas com que argumentos?

Deste modo a grande pergunta é: será mesmo que os ciceristas abandonaram Cícero, seja pela por imaginar que Cássio consiga acabar com a candidatura de Cícero ou da paquera ente Cícero e Maranhão? Será mesmo que estes ciceristas, diante da insistência de Cícero em manter sua candidatura e peitar Cássio tenham abandonado seu líder? Ou pergunta, será mesmo que Maranhão conseguiu em uma semana acabar com a indecisão de quase 3% do eleitorado, que provavelmente vieram do bloco de Ricardo?

Supondo um “não” para todas essas perguntas, é provável que tenha ocorrido um inchaço artificial dos números de Maranhão. E uma desidratação artificial dos votos de Ricardo. Mesmo assim, se ficamos com a tendência e suprimindo tais inchaços e desidratações artificiais, é possível supor que ainda persista o empate técnico, mas desta vez, Maranhão pode estar na frente numericamente, mas sem tantas garantias de vitórias como mostram estas duas últimas pesquisas.

Qualquer aliança ou fatos social podem ser significativos para a vitória. E Cícero ainda tem muito peso na eleição seja para lá ou para cá. E Maranhão já percebeu isso, o Sistema Correio também, tanto é que já aliviam a barra para o ex-prefeito de João Pessoa. Ricardo que se cuide, pois Maranhão com a máquina do Estado e o Sistema Correio trabalhando para ele tem muita artilharia para soltar e Ricardo com sua espera excessiva para dar atenção às lideranças pode estar perdendo tempo. Armando Abílio que o diga.

Aqui mais uma vez é relevante ver: qual o índice de conhecimento e de rejeição dos candidatos? CONSULT e VOX POPULI não mostraram. Isso ajuda a incrementar as análises. Ficamos na mão.


PT: um processo de humilhação

9 março, 2010

Esta análise de Aguinaldo Almeida merece replicação e reflexão. O comentarista mostra como o PT foi reduzido a mero partido , daqueles de aluguel que só servem para encher a chapa e dar mais tempo de TV. Trata-se de uma grande tapa na cara de Cartaxo e de outros petistas que resolveram apoiar Maranhão a qualquer custo, podemos dizer, se venderam para o “homem do palácio”.

Por outro lado, a análise é rica em mostrar indiretamente como Maranhão, que tanto acuso Ricardo de autoritário, dono de projetos pessoais, faz exatamente isso que imputa aos adversários. Imagine se Ricardo e o PSB estivesse com Maranhão, teria que se render a seus caprichos. E o PT estaria em pior posição. Essa revitalizante não submissão do PSB-Ricardo a Maranhão foi por outro lado amenizada pela aliança com o DEM-PSDB.

Por Agnaldo Almeida

O PT da Paraíba está passando por um processo de humilhação que decididamente não merecia. Paparicado em 2006 pelo então candidato ao governo José Maranhão, o partido fechou uma aliança, cabendo-lhe nas negociações o direito de indicar o candidato a vice.

Foi o que fez. Recaiu a escolha no nome de Luciano Cartaxo, que era vereador da Capital, líder do prefeito Ricardo Coutinho, e que na época tinha boas chances de concorrer à Assembleia Legislativa.

Maranhão e o PMDB nem discutiram a indicação porque sabiam o quanto precisavam do apoio petista. Lula estava – como ainda está – em alta, marchava para uma reeleição garantida e atuava muito nos estados como cabo eleitoral dos candidatos aliados do PT.

A coligação perdeu as eleições daquele ano, mas em 2009 conseguiu vencer a disputa no tapetão. Maranhão assumiu o governo e Luciano foi empossado como vice. Durante todo o tempo em que rolou o processo na justiça eleitoral, tanto o PT quanto Luciano foram peças importantíssimas para finalmente se chegar à decisão do TSE.

Petistas de alto coturno, como o ex-presidente Ricardo Berzoini, estiveram o tempo todo engajados na briga judicial para convencer os ministros da corte eleitoral de que a eleição na Paraíba havia sido fraudada.

Resolvida esta parte, no dia 18 de fevereiro do ano passado, instalou-se o novo governo. Desde o início já se percebia que Luciano Cartaxo era um vice sem muito prestígio. Bom cabrito, ele, porém, resolveu não berrar.

O partido também fez de conta que não via nada. Estava em curso uma disputa interna entre os grupos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Rodrigo Soares. Maranhão, pressentindo a ligação entre Couto e Ricardo Coutinho, tomou o partido de Rodrigo e passou a cooptar petistas para que o apoiassem na disputa pela presidência estadual do PT.

Luciano foi leal a Maranhão o tempo inteiro e trabalhou duro para eleger Rodrigo Soares. Tinha como certo que a indicação de seu nome para a reeleição seria pacífica. Se duvidasse de alguma coisa, poderia até ter iniciado um trabalho político com vistas a obter uma vaga na Assembleia Legislativa.

Bom, o tempo correu e agora Luciano e o PT estão chorando pelo leite derramado, já que não há a menor chance de que o atual vice-governador venha a figurar na chapa dos sonhos de Maranhão. Ele já disse e repetiu que o vice é de Campina Grande. Aliás, disse isto numa entrevista tendo ao lado o próprio Luciano. Depois, numa outra solenidade, omitiu na saudação o nome do petista, que não pôde esconder o constrangimento.

O processo de humilhação da sigla está na reta final. Os articuladores do Palácio pensam em oferecer a Luciano uma hipotética suplência de senador. Chega a ser um deboche. O mais curioso, porém, é que mesmo descartado, como coisa já usada e sem mais serventia, o PT continua mudo, cabisbaixo, com o rabo entre as pernas.

Um partido que tem Lula como presidente de honra e uma militância reconhecidamente forte não poderia estar sendo tratado desta forma. Em outros tempos… ah, em outros tempos e com outros dirigentes o PT já teria botado a boca no trombone. Não se conformaria com essa migalha de três ou quatro cargos que ocupa no atual governo.

Está faltando coluna vertebral. O partido está agachado como nunca esteve.


As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.


ASPOL virá objeto descartável na mão do Governo

10 novembro, 2009

A ASPOL está sentindo na pele e de forma muito clara, como é ser um objeto descartável, um objeto de conveniências. Será que eles lembram que o Sistema Correio também os abandonou?! O correio só fala na quantidade de processos acumulados e notinhas escondidas no jornal. Pois é… Só o tempo para mostrar com as coisas políticas funcionam na Paraíba.

Aliás isso não ocorre apenas em relação a polícia. As propagandas que o Governo está soltando no ar transformaram as obras de Cássio em obras que estão trazendo a reconstrução da Paraíba. Sei que Maranhão tem que fazer seu jogo político, mas está ultrapassando alguns limites do aceitável, chega a ser cinismo. Dizem que estão tocando a obra do Clementino… faz tempo que esta obra está sendo tocada, eles só estão continuando e se apropriando como se ela tivesse começado agora.

Pois bem, os policiais que antes tinham todo o direito e estavam certos em suas reivindicações viraram agora aquele grupo de pessoas inflexíveis que querem tornar a segurança um caos. Vejam as declarações de Flávio Moreira da ASPOL.

“Ano passado os deputados estavam conosco em nosso movimento, subindo em carros de som e dizendo que o governo era um caos. Mas após mudança de governo, ninguém mais fala nada”, reclamou o presidente da Associação dos Policiais Civis da Paraíba (Aspol), Flávio Moreira, em participação no programa Paraíba Agora, da 101 FM.

Segundo ele, os deputados Trócolli Jr. e Gervázio Filho (ambos do PMDB), a quem chamou de amigos, participavam ativamente dos protestos feitos pelos policiais até o fim do ano passado. No entanto, com a cassação do cargo de Cássio Cunha Lima (PSDB) e o encaminhamento de José Maranhão (PMDB) ao governo do Estado, os deputados, antes de oposição, desistiram de apoiar o movimento grevista.

“Antes, eles acreditavam que a segurança no Estado estava um caos e cobravam do então governador uma solução. Mas será que só porque mudou o governo a segurança deixou de precisar de ajuda?”, questionou.

Flávio disse ainda que o movimento já “flexibilizou” demais. “Estamos esperando há 8 meses, pediram que esperássemos até 2009, depois disseram que resolveriam em 2010. Agora estão querendo lançar as modificações para 2011. Nós aceitamos, mas a proposta deve suprir nossas necessidades”.


Onde está o autoritarismo? E o fim de uma aliança – PMDB-PSB

5 novembro, 2009

O prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho é acusado de ser autoritário e querer impor um projeto pessoal de poder para as eleições de 2010. Mas para que serve tais “argumentos”? São utilizados no jogo para impor uma imagem negativa a Ricardo e outra positiva a Maranhão com bases superficiais. Vamos entender autoritarismo num sentido de senso comum, como alguém que deseja impor sua vontade dentro do jogo político e afastar desse sentido o que seria golpes de estado e outros eventos similares.

José Maranhão que de vez em quando afirma que está aberto a conversas com Ricardo e que no PMDB não há desentendimento, que há diálogo etc e etc. Esconde por baixo das palavras-manta o próprio projeto de poder. Vejam bem, o atual governador ficou no poder praticamente 8 anos de 1994-2002. Afinal Mariz morreu muito cedo e nem conseguiu dar o tom de seu governo. Após isso tentou emplacar seu sucessor, o tal Roberto Paulino e tentou mais duas vezes voltar ao poder sem sucesso.

Voltou agora para cumprir quase dois anos de mandato e assim fechar 10 anos de poder. Insatisfeito, quer ser candidato para 2010 e ficar mais 4 anos. Ou seja, algo em torno de 15 anos no poder e mais 25 anos influenciando os rumos do poder na Paraíba. É quase certo que Maranhão será candidato como 2 mais 2 são 4. E ai de quem questionar. Isso, é claro, não aparece, afinal o PMDB é um partido de diálogo e sem divergências.

Democracia também implica alternância, principalmente quando novas forças políticas possuem possibilidades claras de colocar seu projeto de governo e poder em prática. Luciano Cartaxo alardeia que muitos brigam e qualquer um quer ser vice de Maranhão sem pensar no projeto e no que politicamente o governador representa, neste momento. Desdenha se aliar a Ricardo, que tem mais coerência com PT do que Maranhão. Deseja ser vice como se outras vias não existissem.

Além desse passado todo, outra fato que fica é que Maranhão só aceita Ricardo se este apoiar seu projeto político de voltar ou ficar no Palácio da Redenção, muito embora isso não seja dito. Ninguém fala que ele é o candidato do PMDB, mas todos sabem que ele o é. Ou seja, o PMDB e o próprio Maranhão esconde seu autoritarismo imputando-o aos outros, aos adversários.

Assim, quem é o paladino do autoritarismo?

Mas afinal, o que temos? Temos um bloco de partidos aliados no qual um figura nova desponta com forte capacidade de conseguir ganhar o governo, algo até reconhecido claramente pelo oposição. E como natural, tal figura deseja colocar seu nome na rua para ser eleito e governar o Estado. Por outro lado, tal figura, como é de praxe, enfrenta dissidências dentro do bloco aliado, pois há intenções de governo por parte de outro membro do bloco.

Todos com suas intenções legítimas colocam seu bloco na rua para obter apoio, mas não se falam e nem tentam resolver suas diferenças, aí encaminham-se para a separação muda. Essa falta de comunicação e separação muda é a marca do fim desta aliança, não se trata desse ou daquele ter abandonado a aliança. Afinal, a aliança não era Maranhão forever (para sempre). E nem poderia ser.

A aliança acabou porque os dois tem projetos que se chocam e não desejam reduzir suas posições. Até aí tudo bem, mas o que é problemático, é não querer ou se evitar conversar, talvez por saber que esse papo vai chegar a canto nenhum e talvez gere apenas mais desgaste. Vamos deixar isso para as eleições de 2010, devem pensar o antigos aliados.

Como se vê falar em autoritarismo é apenas falácia no jogo político, não muito elevado que ocorre na Paraíba.