A difícil relação Agra, Cartaxo e Ricardo (PT/PSB) e a prefeitura de João Pessoa

13 julho, 2012

O processo de transformação por que passa a cidade de João Pessoa, seja na gestão ou nas políticas públicas de habitação, cultura e lazer, urbanização, transporte e saúde, é resultado da atuação de um conjunto de forças políticas e sociais advindas de um campo de centro-esquerda, que tiveram, e ainda tem, Ricardo Coutinho como maior representante. Entretanto, inúmeras pessoas e figuras públicas foram fundamentais para a elaboração e operacionalização destas idéias e ações, transformando-as em realidade. Sem estas pessoas vários projetos ficariam apenas no papel.

Esta transformação não possui um dono ou mentor, seja uma pessoa, um partido ou uma entidade. Pelo menos este é o ponto de partida e condição de existência. O projeto em curso tem a marca da construção coletiva, do aperfeiçoamento contínuo e do movimento. Por isso, falar de um representante maior, desta frente de vários partidos, políticos e organizações.

Assim, quando vemos pessoas que tiveram papel relevante, que doaram esforço, emoção, e desprendimento e que foram de significativa influência para a construção e implementação desta transformação serem negadas no seu papel de representante, partícipe e construtora deste processo, ficamos a se perguntar: quando e quem patenteou esta transformação? Quando e quem registrou esta idéia?

Apenas o conceito de propriedade explica porque verificamos pessoas serem “escanteadas”, desrespeitadas e “expulsas” de um processo que não tem dono, mas adeptos, membros e participes. Esse “projeto” não é apenas de Ricardo ou do PSB, é de várias pessoas e entidades. Assim, como João não é apenas filho de Maria, mas também de José.

Pessoas como Bira, Nonato Bandeira, Luciano Agra e mesmo o Luciano Cartaxo tem sim, identidade como esta transformação. Não se pode dizer que eles construíram um projeto de outrem, mas sim que eles construíram esse projeto COM outrem. Deste modo, eles se apresentam como uma opção para continuidade e aperfeiçoamento desta transformação, pois construíram e/ou sustentaram tudo isso. Eles foram formados na mesma escola política, na mesma tradição e fazem parte do mesmo campo político-partidário.

Por todos estes fatos, há alguns desvios de rota, desencontros e mal-entendidos que precisam ser trabalhados por todas as partes envolvidas.

A postura de oposição, e mais, oposição radical ao Governo do Estado por parte de Luciano Cartaxo e de carona, em relação à Prefeitura de João Pessoa, era e é uma opção perigosa, incoerente e desnecessária desde o princípio. Agravada pelo aceite de Agra e Nonato em sua campanha. Qual a razão de ser desta oposição? Principalmente quando ele passa a mão na cabeça de Zé Maranhão, por quem ele foi humilhado e escanteado. Talvez essa seja a oportunidade de reflexão.

A postura de Ricardo Coutinho de querer se apropriar deste processo de transformação como se fosse apenas de sua autoria e propriedade soa incoerente e preocupante. Agravado pela entrega do projeto a membros do DEM, PSD e PSDB. São estes que melhor representam essa transformação? Descobriram agora que Bira e companhia não constroem com qualidade esse projeto?

Essa postura é conseqüência da condução equivocada que o PSB fez da postulação de Agra. Os acontecimentos corroboram cada vez mais a noção de que o partido, com aval do presidente de honra, Ricardo, queria ver o prefeito pelas costas. E diante de sua carta-renúncia tratou logo de substituí-lo e esquecê-lo, pois era uma pedra no caminho. Nem um pedido de desistência da renúncia foi ao menos tentado. Esse processo está levando o partido e seus membros, alguns, a cultivar as noções: ou está comigo ou está contra mim; os fins justificam os meios.

Resumo do quadro: o atual prefeito da transformação apóia Cartaxo que se coloca como oposição ao ex-prefeito da transformação, que por sua vez, apóia Estela e acredita no DEM/PSD como melhores membros para continuidade do projeto.

Tudo ainda está muito confuso para o eleitor.

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O errante PT/PB e seu novo papel no atual contexto

1 julho, 2012

 O PT da Paraíba mostra seguir um caminho errante sem um rumo certo e coerente com sua história. Suas ações tem mais atrapalhado que auxiliado o sucesso e consolidação da centro-esquerda na Paraíba e em João Pessoas.

O partido é cada vez mais dominado por intrigas pessoais em todas as linhas e tendências. Não há espaço para ver como ele, enquanto protagonista nacional, pode contribuir para seu campo aqui na PB. O PT está imerso em vaidades pessoais e partidárias, sem conseguir enxergar além do tempo imediato.

O PT preferiu abdicar de uma candidatura forte socialmente com Ricardo para depois viver politicamente a reboque do PMDB. Quando teve a oportunidade de recompor-se com seu ex-membro e fortalecer as novas idéias, perdeu-se com as possibilidades de poder quando Cássio saiu do governo e com os egos pessoais que não o fizeram enxergar além na história.

Ainda, assumiu recentemente um discurso de oposição ao PSB, contra a esquerda, baseada na desculpa da aliança com o PSDB e DEM. Em vez de optar pelo fortalecimento deste campo, optou por esvaziá-lo e tornar mais difícil a renovação política na Paraíba.

Hoje mais uma vez, é dada a oportunidade de se projetar como uma opção de centro-esquerda e parece preferir a oposição fechada ao PSB. Em vez de compor, quer dividir, em vez apresentar opções, que se opor.

Quando PT e PSB vão perceber que são aliados e não inimigos, mesmo quando momentaneamente são adversários. Eles que podem construir um núcleo forte no campo da centro-esquerda da Paraíba e do Brasil. Tem que aprender a conviver juntos e superar possíveis diferenças, principalmente agora com o crescimento do PSB. Por isso, o PT tem que estar proto para apoiar PSB no segundo turno em JP e o PSB tem que estar pronto para apoiar o PT caso isso ocorra. Mas antes de tudo, tem que haver uma unidade superior.

No atual momento de crescimento o PSB tem que saber ser uma opção ao PT, quando necessário e possível, sem se perder nas alianças perigosas que está empreendendo. Este é o momento para uma construção de longo prazo. PSB tem que observar bem seus passos para não ser um PMDB ou PSD. Tem que saber reconhecer a construção que o PT fez, sem se apequenar. 

 


Chegou a hora do PSB mostrar sua identidade política

1 julho, 2012

O crescimento do PSB a nível nacional era visível e um possível choque com o PT era previsível, apenas não se sabia a data. O choque viria devido às pretensões de Eduardo Campos ou mesmo Ciro Gomes de ser presidente aliado ao crescimento do partido no campo da centro-esquerda, ambiente em que o PT se mostra hegemônico atualmente.

Os primeiros atritos começam a aparecer com as eleições de prefeito em 2012.  Podendo antecipar um possível atrito maior em 2014 caso o PSB ache que possui musculatura suficiente para se lançar sozinho a presidência. Algo que ocorrerá sem dúvidas em 2016 e 2018, contando as tendências atuais. O que é uma previsão frágil num ambiente tão volátil quanto a política brasileira.

Mas vamos ao que interesse, o crescimento do PSB tem mostrado características peculiares em relação ao do PT, seu partido incentivador e de suporte. O PSB tem optado pelo aliancismo, que tem implicado em composição de chapas com o PSDB e DEM, partidos que estão sendo cada vez mais empurrados para a centro-direita, seja pelo movimento do PT seja pelo próprio discurso e comportamento daqueles que fazem estes partidos.

O PSB compõe chapa majoritária, não apenas alianças, com o PSDB/DEM sem grande pudor ideológico/histórico, ao mesmo tempo em que compõe com o PT e PCdoB por exemplo. É um partido dual. Com um comportamento cada vez mais parecido com o PMDB, um partido de centro por excelência, que se alia com qualquer outro, tendo como único critério a viabilidade de poder. Está também é a estratégia do novo PSD que nasceu já eclético e tem como identidade a aliança para o poder.

O movimento do PSB aos poucos abre espaço para que o PSDB se recomponha como partido de centro-esquerda, caso se desloque do DEM e melhor configure sua identidade partidária. Ou seja, enquanto o movimento do PT e do próprio PSDB/DEM leva estes últimos a estruturarem-se como centro-direita. O novo movimento do PSB abre possibilidades do PSDB se recompor com a centro-esquerda e deixar o DEM numa sinuca e assumir de vez a pecha de direita no Brasil. Isso não é nada impossível, haja vista a composição do PSB com o PSDB e DEM em Belo Horizonte, local de onde vem a nova força presidenciável do PSDB: Aécio Neves.

Cada vez mais o PSB será chamado a tomar uma opção com fortes implicações para seu futuro político. Será mais um aliancista para o poder, no qual as composições locais valem mais que uma identidade nacional, como o PMDB e o novíssimo PSD, ou será um PTB/PDT, médios partidos que ainda optam por se manter no campo da centro-esquerda, apesar dos pesares. Se o trabalhismo ainda se mostra influente na identidade destes partidos, será que o socialismo ficará na identidade do PSB, ou ocorrerá algo similar ao PSDB (social democrática apenas no nome)?

A opção do PSB por alianças com o DEM pode levá-lo ao mesmo destino do PSDB, que optou por se aliar preferencialmente ao antigo PFL para se viabilizar politicamente. E hoje colhe os frutos desta opção.


Planejamento e Antecipação: as armas para uma boa Administração Pública

12 março, 2011

Cada vez mais estou convencido que governar um ente estatal é um ato de planejar e de se preparar para o futuro, para situações problemáticas que não nos parecem urgentes e que estão sendo, hoje, agora, gestadas na meio da sociedade. É um ato de projeção, de antecipação e de pró-atividade.

Dar respostas à situações imediatas, problemas que surgem diariamente pela própria movimentação de pessoas, organizações e grupos é um ação óbvia, própria das responsabilidade que são atribuídas a um administrador público. Em certos órgãos, quando temos um sistema bem estruturado para dar respostas satisfatórias, essas situações devem ser entendidas como corriqueiras, mas o administrador deve estar bem atento para as necessárias adaptações e correções de rumo.

Claro que aqui estamos falando de problemas de alta relevância, de largo alcance em termos de pessoas e de tempo e muitas vezes, de demandas não atendidas por escassez de recursos que fazem muitos órgãos não atenderem sua demanda prontamente.

Entretanto, os grandes problemas são aqueles futuros. São aqueles que afetarão um conjunto amplo de pessoas e que, se não forem atendidos com antecipação, colocação o gestor numa situação de apagar incêndios, de ter que fazer remendos, que terminam por piorar a situações problemática.

O mais interessante disso tudo é que os problemas do futuro, estão aí presentes. Sendo o grande desafios identificá-los com clareza e perceber suas ramificações e soluções. Vamos deixar isso mais claro?

Há hoje um boom na construção de edifícios e casas, de todos os tamanhos e preços. Mas isso não é bom? Só que o problema não está no teto de 130mil do programa minha casa, minha vida. O problema do administrador público é outro:

Será que a rede de esgoto está preparada para receber todos os resíduos de um maior número de habitantes por metro quadrado? Será que as empresas de telefonia estão aptas a suportar uma maior concentração de ligações sem perda da qualidade no sinal? Será que as vias de transporte serão suficientes para atender a maior demanda de pessoas se movimentando para estes bairros?

Aqui está o nosso foco: como resolver isso? Que medidas devem ser tomadas e projetadas HOJE para evitar a manifestação deste problema latente?

Outros problemas, dizem respeito por exemplo a geração e distribuição de energia elétrica. Como atender o crescimento da capacidade de fabricação das indústrias e o maior consumo de energia pelas pessoas que estão comprando TV’s, computadores, celulares, maquinas de lavar e outras utilidades domésticas?

Na segurança, por exemplo, como dar respostas a uma número cada vez maior de bandidos que saem de SP, RJ e PE para atuar em nosso estado e para propagar o vício em crack, droga da morte pelo rápido vício e baixo preço? Como cuidar de nossas fronteiras e das nossas comunidades carentes, redutos preferenciais destes marginais, pois há uma baixa atuação do estado?

Esses são os problemas do futuro que estão aí em nossa frente, se mostrando, se moldando, se disfarçando de normalidade. São para esses problemas que o administrador público deve estar preparado e deve preparar os órgãos para evitar que eles afetem a sociedade e num futuro próximo tornem o Brasil, a Paraíba, um lugar pior, sem desenvolvimento, com velhos problemas, para os quais estamos nos escondendo.


Cafuçu 2011 – O Bloco

5 março, 2011

O Bloco do Cafuçu, ainda membro do Folia de Rua João Pessoa, mostrou ontem, e na madrugada deste sábado porque é um dos melhores, se não, o melhor bloco da prévia carnavalesca da Capital. Carnaval no pé, no centro e no coração é representado muito bem por esse bloco.

Com muito humor, irreverência, alegria, animação e frevo no pé em pleno o centro histórico, o bloco levou uma multidão de cufuçus, e diga-se de passagem, de vários locais do Brasil. Entre seus dois palcos, um na praça Dom Adalto e outro no Ponto de Cem Réis,  viu-se uma multidão circular e encher a Visconde de Pelotas. E a nova Duque de Caxias não ficou para trás, lá pelas 11h da noite já estava completamente tomada. Para completar uma orquestra de frevo colocou para ferver a Praça Vidal de Negreiros, reformada, iluminada e bela, estava-se num dos melhores ambientes.

Os bregas clássicos e que fazem todos soltarem a voz estavam presentes na Praça Dom Adulto. Cheia, o público foi a loucura com Feiticeira, Sara, Doida de mais entre outras. No Ponto de Cem Réis, músicas mais novas e diversas, incluindo o Tiririca, corno e viado, mas meu amigo! O público como sempre esbanjou na criatividade, mostrou toda sua elegância e estilo com muitas cores vibrantes e adereços chamativos, deixando o SP Fashion Week no chinelo.

Quer carnaval melhor que esse?

Público fantasiado e bem humorado, cantanto em coro os clássicos do brega, as ruedeiras, só para aquecer! Isso tudo em pleno o centro histórico, um cenário sem igual, com prédios que nos remetem ao passado, nos levam a nossas raízes, que ali mesmo estavam expressas mesclada em cores, roupas, músicas e acessórios do presente, passado e futuro harmonicamente montados pela mente de cada um dos foliões.

E, como não poderia deixar de ser, o bloco desceu a General Osório e Rua da Areia até a Praça Antenor Navarro com muito FREVO NO PÉ. Levado por várias bandinhas tocando e pulsando no meio do público, sem trio, só no gogó o público acompanhou tudo de perto e pode sim, voltar para casa feliz depois de mais de 6 horas de alegria.

Que venha o ano de 2012!

Matéria Globo News

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Não se pode falar: faltou iluminar melhor a Duque de Caxias e uma melhor organização do trânsito nos arredores. Uma dica boa seria colocar ilhas de frevo pelos becos e praças entre os dois palcos principais. No futuro, bem próximo, a concentração vai tomar a rua General Osório e terá que ter muitas, mas muitas orquestras de frevo. Não deixem isso se acabar!


A PEC 300, a segurança pública e a crise na Paraíba: Reflexões.

10 fevereiro, 2011

A Paraíba é surreal. Na eleição de 2010, o governador em exercício pediu licença durante o 2º turno para fazer campanha, e antes disso encaminhou a PEC 300 (aumento, não apenas para policiais militares, mas também para civis, agentes penitenciários e bombeiros!) para a Assembléia, depois de ter o ano todo para fazer isso. Pelo contrário, durante as ações dos sindicatos de delegados e policiais, o Governador não quis receber ninguém, não deu nenhum aumento. Mas do dia para a noite, mudou de ideia. (Viu que iria perder a eleição e quis apelar).

Para pior a situação, na véspera da eleição, dia 30, saiu da licença, voltou ao poder e assinou a PEC 300 que sua bancada na Assembléia tinha aprovado (a maioria dos deputados estavam no meio de campanhas). Contrariou todos as normas legais e morais. No trocar das cortinas assinou uma lei que a Justiça anulou em janeiro do ano seguinte. Um ato que todos sabiam ilegal e que todos sabiam refletir apenas o desespero de um Governador que achava que ganharia no 1º turno, e perdeu.

Ele não estava criando apenas um problema jurídico, estava criando uma situação incontrolável, criando expectativas exageradas e irreais para um conjunto de categorias vital para o Estado, que já vinha lutando por melhorias a anos. Estava liberando um processo de insatisfação que iria ficar na mão do próximo governador e da SOCIEDADE.

Temos que fazer tal retrospectiva para mostrar que as reivindicações e insatisfação dos policiais estão baseadas em mentiras de um Governador que utilizou a categoria para benefícios pessoais e eleitoreiros, sem pensar nas conseqüências para os profissionais, a justiça e a sociedade. Quem acompanhou sabe que Zé Maranhão ignorou e desrespeitou os policiais até a eleição.

Por outro lado, esse fato não anula a luta pelo aumento e melhoria para os policiais, bombeiros e agentes. Mas cobrar e se agarrar a um fato obscuro, imoral e ilegal não é um bom caminho. Acredito que os policiais devem continuar a luta pelas melhorias reivindicando aumento escalonado e investimento em condições de trabalho, sem se apegar a um fato que significou na verdade uma manipulação e uso vergonhoso dos profissionais por alguém que não tinha compromisso com eles. A luta continua, numa nova fase: Não cobrar do Governador cumprir uma ilegalidade, mas fazer uma valorização sobre outras bases e leis.

Se agarrar num pacote bonito, mas vazio e mal cheiroso, é fraqueza de uma criança que se agarra a um pacote, pensando que é o brinquedo que tanto sonhou. Até que os pais o convença que é apenas uma caixa vazio, lá vai tempo.

Ainda, a categoria não pode se deixar levar e mais uma vez ser usada por um Major, que está se mostrando mais “político” que policial. Um “político” que está esperneando e não reivindicando. Que está destilando ódio, e não lutando por uma bandeira. Que move mais uma luta pessoal, que coletiva. Que está atacando a pessoal do governador, e não suas ações de governo. Que se rebaixa com ameças, achando que isso é demonstração de força, mas que na verdade cria uma rejeição desnecessária entre governo e polícia.

Todo cachorro que sabe latir é um bom vigia, mas, mal treinado e sem capacidades pode ser uma grande dor de cabeça, um obstáculo. Quem trabalha com segurança sabe muito bem como um bom cachorro treinado salva vidas e conduz boas investigações.

Se o “Rei” Ricardo não marcou ainda a audiência com os policiais, porque o “Rei” Major se nega constantemente a receber um chefe do alto escalão apenas para satisfazer sua vontade pessoal de falar com o Governador. E provavelmente mostrar sua ira pessoalmente. Porque os Delegados querem falar com o secretário e o “Rei” Major se nega, como menino buchudo que só obedece após a mãe chegar.

Está na hora de entender a situação precária do Estado e dialogar com o Governador estabelecendo um cronograma e parâmetros de melhoria salarial e de condições de trabalho. Não se vai esquecer da PEC, mas conseguir os mesmos objetivos sob novas bases. Se os 3 poderes estão reduzindo custos na ordem de 4% por que a categoria não pode também entender a situação sem deixar de lado as reivindicações?

Criando rejeição, o futuro de uma relação que é inevitável será como de dois irmãos que não se respeitam. E quem paga o pato é a SOCIEDADE.

O caminho é diálogo sem chantagem, sem uso pessoal e incitação a raiva na categoria. A sociedade não que uma policia sem noção e cega quando na busca de seus objetivos.

 

 

 

 


CGU desmente a Veja. Tintim por tintim.

28 janeiro, 2011

1. A matéria publicada na última edição da revista Veja sobre a Controladoria-Geral da União é, obviamente, uma reação à carta-resposta (não divulgada pela revista) que o Ministro-Chefe da CGU, Jorge Hage, enviou-lhe nos últimos dias de 2010, diante da edição de “Retrospectiva” do final do ano passado

2. Isso não obstante e tendo em conta o respeito que a CGU deve aos profissionais que integram seus quadros e, ainda, à opinião publica que sempre acompanhou e reconheceu o seu trabalho sério e republicano, passamos a repor aqui (tendo em vista que a revista nos nega o espaço para resposta) a verdade sobre cada uma das afirmações contidas na matéria:

a) A revista afirma que a CGU produziu, recentemente e de última hora, um Relatório de Auditoria sobre a FUNASA com o intuito de ajudar o Partido dos Trabalhadores a afastar dali o PMDB.
A VERDADE: o repórter Bernardo Melo Franco, do jornal Folha de S. Paulo, pesquisou no site da CGU relatórios pré-existentes, que remontam a 2002, sobre diversos processos de Tomadas de Contas Especiais, envolvendo inúmeros órgãos do governo. O interesse do repórter pelos processos referentes à Funasa só pode ser explicado por ele próprio. Significativamente, no mesmo final de semana em que circulou o exemplar da revista com a matéria que aqui se contesta, também o jornal “O Estado de S. Paulo”, publicou, como manchete principal, a matéria intitulada “Alvos de disputa no segundo escalão somam R$ 1,3 bi em irregularidades”, utilizando a mesma fonte de dados: os relatórios disponíveis desde sempre no site da CGU. A reportagem do “Estadão”, porém, diferentemente da da “Folha”, direciona seu foco para vários órgãos controlados, segundo a matéria, por diferentes partidos, inclusive o PT, o que demonstra: 1) que tais publicações não se deveram a iniciativas da CGU, e sim dos jornais: 2) o caráter republicano das ações da CGU, que se realizam sem levar em conta o partido eventualmente interessado; e 3) a credibilidade que, por isso mesmo, têm os nossos trabalhos.

b) A revista sustenta que a CGU se omitiu de atuar em episódios como o chamado “mensalão”.
AVERDADE: não compete à CGU, um órgão do Executivo, fiscalizar a conduta de membros do Poder Legislativo. Todavia, todos os fatos denunciados à época envolvendo órgãos do Executivo como alvos de desvios (que serviriam para pagamento de propinas a parlamentares) foram objeto de amplas auditorias por parte da CGU. Só para dar um exemplo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos passou por auditorias amplas e minuciosas, acompanhadas, pari passu, pelo Ministério Publico, que resultaram em dezenas de relatórios, amplamente divulgados à época e disponíveis também, desde então, no site da CGU. Os caminhos para consultar todos esses relatórios no site foram mostrados ao repórter da Veja, que recebeu toda a assistência e atenção, durante cerca de duas horas, inclusive sendo recebido pelo próprio ministro, sendo-lhe entregue, ainda, uma relação completa das demissões, inclusive de diretores da ECT, ocorridas em conseqüência das irregularidades constatadas pela auditoria da CGU.

c) A revista afirma que a CGU se apressou em inocentar a ex-ministra Erenice Guerra, de irregularidades denunciadas na mídia, durante a última campanha eleitoral.
A VERDADE: as denúncias apuradas e descartadas pela CGU nesse caso foram aquelas desprovidas de quaisquer fundamentos. No caso do DNPM, por exemplo, a mídia indicou possível favorecimento à empresa do esposo da ex-ministra, cujas multas aplicadas pelo órgão teriam sido canceladas indevidamente. Logo se verificou que a própria área jurídica do DNPM havia reconhecido erro na aplicação das multas e recomendado à direção seu cancelamento para o necessário recálculo, o que foi feito. As multas foram, então, novamente impostas e vinham sendo pagas regularmente pela empresa em questão. Não havia, portanto, fundamento para que o caso fosse levado adiante. O mesmo se deu (ausência de fundamento) com as denúncias sobre a EPE e o BNDES. Outros casos, mais sérios e mais complexos, denunciados pela mídia na mesma ocasião, continuam sendo investigados, como o que envolve a empresa MTA e a ECT, cujos resultados serão divulgados em breves dias.

d) A Veja diz, quanto aos cartões de pagamento, que a ação da CGU se limitou a elaborar uma cartilha com orientações e passou a investigar gastos de “integrantes da administração tucana”.
A VERDADE: além de elaborar a cartilha, dirigida a todos os gestores que lidam com suprimento de fundos, todas as denúncias (inclusive as que envolveram ministros) sobre irregularidades com esse tipo de gasto foram apuradas e tiveram seus resultados amplamente divulgados na mídia. Três ministros devolveram gastos considerados impróprios para serem feitos com o cartão e uma ministra teve que deixar o governo, como amplamente divulgado à época. E tudo isso está também disponível a qualquer cidadão, no site da CGU. O que a revista não registra é que foi do Governo Lula, por proposta da CGU, a iniciativa de dar transparência a esse tipo de gasto, divulgando tudo na internet para fiscalização da sociedade, exatamente para corrigir possíveis desvios e distorções. E quem delimitou o escopo dos trabalhos, inclusive retroagindo ao segundo mandato do Governo FHC, não foi a CGU, mas a própria “CPMI dos Cartões Corporativos”, que, por meio da aprovação do Requerimento nº 131, de 12 de março de 2008, estabeleceu que o seu objetivo seria analisar a regularidade dos processos de prestações de contas de suprimento de fundos dos últimos 10 anos.

e) A revista afirma que o caso “Sanguessugas” surgiu de denúncias na imprensa.
A VERDADE: a Polícia Federal, o Ministério Público e toda a imprensa, sabem que a “Operação Sanguessuga”, assim como tantos outros casos que desaguaram em operações especiais para desmantelar esquemas criminosos, foi iniciada a partir de fiscalizações da CGU nos municípios. Aliás, a mesma matéria do jornal “O Estado de S. Paulo” citada no item “a” desta nota enumera muitos desses casos, em retranca de apoio à matéria principal, intitulada “Ações da CGU norteiam as megaoperações da PF”.

f) A revista atribui ao Ministro-Chefe da CGU, afirmação de que este órgão dá “prioridade ao combate da corrupção no varejo”.
A VERDADE: O que foi dito ao repórter foi que nos pequenos municípios o cidadão comum sente mais diretamente os desvios de merenda escolar e medicamentos do que os efeitos dos grandes escândalos ocorridos nos grandes centros (o que é aliás fácil de entender). Não se disse que a CGU prioriza isso ou aquilo, pois ela combate a corrupção com a mesma prioridade, independentemente do tamanho de cada caso.

g) A reportagem da Veja tece considerações absurdas sobre relatório referente a auditoria em projeto de cooperação técnica internacional celebrado entre o Ministério da Integração Nacional e a FAO, no exercício de 2002.
A VERDADE: a eventual ocorrência de divergências entre as equipes de auditoria e as chefias de cada Coordenação, embora não sejam freqüentes, são naturais no processo de homologação dos relatórios. O processo usual é que por meio do debate se tente alcançar o consenso. Quando o consenso não é possível, o importante é que o processo se dê de forma transparente. Ora, a própria reportagem se encarrega de esclarecer que a direção da Secretaria Federal de Controle Interno (unidade da CGU) expressou seu entendimento divergente por escrito e fundamentadamente, tendo ficado também registrado nos autos a opinião dos demais servidores. Neste caso, como em tudo o mais, as coisas se fazem na CGU com plena observância do princípio da transparência.

h) A revista afirma ter havido atrito entre a CGU e a Polícia Federal durante a Operação Navalha, e que a CGU estaria “contribuindo para atrasar o desfecho do trabalho”.
A VERDADE: Isso nunca ocorreu. Prova disso, é que a Subprocuradora-Geral da República encarregada do caso afirmou, por mais de uma vez, que sem os relatórios de CGU não teria sido possível oferecer denúncia contra os acusados. E outra prova é que as punições foram rapidamente aplicadas no caso pela CGU, inclusive a declaração de inidoneidade da principal construtora envolvida.

Como se vê, a realidade é muito diferente do que se lê na revista.
Estes esclarecimentos que fazemos agora não serão encaminhados à Revista, pela simples razão de que ela se recusa a publicar nossas respostas. Contudo, a CGU se sentiu na obrigação de prestá-los, como já dito no início, em respeito aos seus servidores e à opinião pública em geral.

 

Assessoria de Comunicação Social

Ainda dá para creditar ao de positivo para esta “revista”?