Planejamento e Antecipação: as armas para uma boa Administração Pública

12 março, 2011

Cada vez mais estou convencido que governar um ente estatal é um ato de planejar e de se preparar para o futuro, para situações problemáticas que não nos parecem urgentes e que estão sendo, hoje, agora, gestadas na meio da sociedade. É um ato de projeção, de antecipação e de pró-atividade.

Dar respostas à situações imediatas, problemas que surgem diariamente pela própria movimentação de pessoas, organizações e grupos é um ação óbvia, própria das responsabilidade que são atribuídas a um administrador público. Em certos órgãos, quando temos um sistema bem estruturado para dar respostas satisfatórias, essas situações devem ser entendidas como corriqueiras, mas o administrador deve estar bem atento para as necessárias adaptações e correções de rumo.

Claro que aqui estamos falando de problemas de alta relevância, de largo alcance em termos de pessoas e de tempo e muitas vezes, de demandas não atendidas por escassez de recursos que fazem muitos órgãos não atenderem sua demanda prontamente.

Entretanto, os grandes problemas são aqueles futuros. São aqueles que afetarão um conjunto amplo de pessoas e que, se não forem atendidos com antecipação, colocação o gestor numa situação de apagar incêndios, de ter que fazer remendos, que terminam por piorar a situações problemática.

O mais interessante disso tudo é que os problemas do futuro, estão aí presentes. Sendo o grande desafios identificá-los com clareza e perceber suas ramificações e soluções. Vamos deixar isso mais claro?

Há hoje um boom na construção de edifícios e casas, de todos os tamanhos e preços. Mas isso não é bom? Só que o problema não está no teto de 130mil do programa minha casa, minha vida. O problema do administrador público é outro:

Será que a rede de esgoto está preparada para receber todos os resíduos de um maior número de habitantes por metro quadrado? Será que as empresas de telefonia estão aptas a suportar uma maior concentração de ligações sem perda da qualidade no sinal? Será que as vias de transporte serão suficientes para atender a maior demanda de pessoas se movimentando para estes bairros?

Aqui está o nosso foco: como resolver isso? Que medidas devem ser tomadas e projetadas HOJE para evitar a manifestação deste problema latente?

Outros problemas, dizem respeito por exemplo a geração e distribuição de energia elétrica. Como atender o crescimento da capacidade de fabricação das indústrias e o maior consumo de energia pelas pessoas que estão comprando TV’s, computadores, celulares, maquinas de lavar e outras utilidades domésticas?

Na segurança, por exemplo, como dar respostas a uma número cada vez maior de bandidos que saem de SP, RJ e PE para atuar em nosso estado e para propagar o vício em crack, droga da morte pelo rápido vício e baixo preço? Como cuidar de nossas fronteiras e das nossas comunidades carentes, redutos preferenciais destes marginais, pois há uma baixa atuação do estado?

Esses são os problemas do futuro que estão aí em nossa frente, se mostrando, se moldando, se disfarçando de normalidade. São para esses problemas que o administrador público deve estar preparado e deve preparar os órgãos para evitar que eles afetem a sociedade e num futuro próximo tornem o Brasil, a Paraíba, um lugar pior, sem desenvolvimento, com velhos problemas, para os quais estamos nos escondendo.


Cafuçu 2011 – O Bloco

5 março, 2011

O Bloco do Cafuçu, ainda membro do Folia de Rua João Pessoa, mostrou ontem, e na madrugada deste sábado porque é um dos melhores, se não, o melhor bloco da prévia carnavalesca da Capital. Carnaval no pé, no centro e no coração é representado muito bem por esse bloco.

Com muito humor, irreverência, alegria, animação e frevo no pé em pleno o centro histórico, o bloco levou uma multidão de cufuçus, e diga-se de passagem, de vários locais do Brasil. Entre seus dois palcos, um na praça Dom Adalto e outro no Ponto de Cem Réis,  viu-se uma multidão circular e encher a Visconde de Pelotas. E a nova Duque de Caxias não ficou para trás, lá pelas 11h da noite já estava completamente tomada. Para completar uma orquestra de frevo colocou para ferver a Praça Vidal de Negreiros, reformada, iluminada e bela, estava-se num dos melhores ambientes.

Os bregas clássicos e que fazem todos soltarem a voz estavam presentes na Praça Dom Adulto. Cheia, o público foi a loucura com Feiticeira, Sara, Doida de mais entre outras. No Ponto de Cem Réis, músicas mais novas e diversas, incluindo o Tiririca, corno e viado, mas meu amigo! O público como sempre esbanjou na criatividade, mostrou toda sua elegância e estilo com muitas cores vibrantes e adereços chamativos, deixando o SP Fashion Week no chinelo.

Quer carnaval melhor que esse?

Público fantasiado e bem humorado, cantanto em coro os clássicos do brega, as ruedeiras, só para aquecer! Isso tudo em pleno o centro histórico, um cenário sem igual, com prédios que nos remetem ao passado, nos levam a nossas raízes, que ali mesmo estavam expressas mesclada em cores, roupas, músicas e acessórios do presente, passado e futuro harmonicamente montados pela mente de cada um dos foliões.

E, como não poderia deixar de ser, o bloco desceu a General Osório e Rua da Areia até a Praça Antenor Navarro com muito FREVO NO PÉ. Levado por várias bandinhas tocando e pulsando no meio do público, sem trio, só no gogó o público acompanhou tudo de perto e pode sim, voltar para casa feliz depois de mais de 6 horas de alegria.

Que venha o ano de 2012!

Matéria Globo News

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Não se pode falar: faltou iluminar melhor a Duque de Caxias e uma melhor organização do trânsito nos arredores. Uma dica boa seria colocar ilhas de frevo pelos becos e praças entre os dois palcos principais. No futuro, bem próximo, a concentração vai tomar a rua General Osório e terá que ter muitas, mas muitas orquestras de frevo. Não deixem isso se acabar!


A PEC 300, a segurança pública e a crise na Paraíba: Reflexões.

10 fevereiro, 2011

A Paraíba é surreal. Na eleição de 2010, o governador em exercício pediu licença durante o 2º turno para fazer campanha, e antes disso encaminhou a PEC 300 (aumento, não apenas para policiais militares, mas também para civis, agentes penitenciários e bombeiros!) para a Assembléia, depois de ter o ano todo para fazer isso. Pelo contrário, durante as ações dos sindicatos de delegados e policiais, o Governador não quis receber ninguém, não deu nenhum aumento. Mas do dia para a noite, mudou de ideia. (Viu que iria perder a eleição e quis apelar).

Para pior a situação, na véspera da eleição, dia 30, saiu da licença, voltou ao poder e assinou a PEC 300 que sua bancada na Assembléia tinha aprovado (a maioria dos deputados estavam no meio de campanhas). Contrariou todos as normas legais e morais. No trocar das cortinas assinou uma lei que a Justiça anulou em janeiro do ano seguinte. Um ato que todos sabiam ilegal e que todos sabiam refletir apenas o desespero de um Governador que achava que ganharia no 1º turno, e perdeu.

Ele não estava criando apenas um problema jurídico, estava criando uma situação incontrolável, criando expectativas exageradas e irreais para um conjunto de categorias vital para o Estado, que já vinha lutando por melhorias a anos. Estava liberando um processo de insatisfação que iria ficar na mão do próximo governador e da SOCIEDADE.

Temos que fazer tal retrospectiva para mostrar que as reivindicações e insatisfação dos policiais estão baseadas em mentiras de um Governador que utilizou a categoria para benefícios pessoais e eleitoreiros, sem pensar nas conseqüências para os profissionais, a justiça e a sociedade. Quem acompanhou sabe que Zé Maranhão ignorou e desrespeitou os policiais até a eleição.

Por outro lado, esse fato não anula a luta pelo aumento e melhoria para os policiais, bombeiros e agentes. Mas cobrar e se agarrar a um fato obscuro, imoral e ilegal não é um bom caminho. Acredito que os policiais devem continuar a luta pelas melhorias reivindicando aumento escalonado e investimento em condições de trabalho, sem se apegar a um fato que significou na verdade uma manipulação e uso vergonhoso dos profissionais por alguém que não tinha compromisso com eles. A luta continua, numa nova fase: Não cobrar do Governador cumprir uma ilegalidade, mas fazer uma valorização sobre outras bases e leis.

Se agarrar num pacote bonito, mas vazio e mal cheiroso, é fraqueza de uma criança que se agarra a um pacote, pensando que é o brinquedo que tanto sonhou. Até que os pais o convença que é apenas uma caixa vazio, lá vai tempo.

Ainda, a categoria não pode se deixar levar e mais uma vez ser usada por um Major, que está se mostrando mais “político” que policial. Um “político” que está esperneando e não reivindicando. Que está destilando ódio, e não lutando por uma bandeira. Que move mais uma luta pessoal, que coletiva. Que está atacando a pessoal do governador, e não suas ações de governo. Que se rebaixa com ameças, achando que isso é demonstração de força, mas que na verdade cria uma rejeição desnecessária entre governo e polícia.

Todo cachorro que sabe latir é um bom vigia, mas, mal treinado e sem capacidades pode ser uma grande dor de cabeça, um obstáculo. Quem trabalha com segurança sabe muito bem como um bom cachorro treinado salva vidas e conduz boas investigações.

Se o “Rei” Ricardo não marcou ainda a audiência com os policiais, porque o “Rei” Major se nega constantemente a receber um chefe do alto escalão apenas para satisfazer sua vontade pessoal de falar com o Governador. E provavelmente mostrar sua ira pessoalmente. Porque os Delegados querem falar com o secretário e o “Rei” Major se nega, como menino buchudo que só obedece após a mãe chegar.

Está na hora de entender a situação precária do Estado e dialogar com o Governador estabelecendo um cronograma e parâmetros de melhoria salarial e de condições de trabalho. Não se vai esquecer da PEC, mas conseguir os mesmos objetivos sob novas bases. Se os 3 poderes estão reduzindo custos na ordem de 4% por que a categoria não pode também entender a situação sem deixar de lado as reivindicações?

Criando rejeição, o futuro de uma relação que é inevitável será como de dois irmãos que não se respeitam. E quem paga o pato é a SOCIEDADE.

O caminho é diálogo sem chantagem, sem uso pessoal e incitação a raiva na categoria. A sociedade não que uma policia sem noção e cega quando na busca de seus objetivos.

 

 

 

 


CGU desmente a Veja. Tintim por tintim.

28 janeiro, 2011

1. A matéria publicada na última edição da revista Veja sobre a Controladoria-Geral da União é, obviamente, uma reação à carta-resposta (não divulgada pela revista) que o Ministro-Chefe da CGU, Jorge Hage, enviou-lhe nos últimos dias de 2010, diante da edição de “Retrospectiva” do final do ano passado

2. Isso não obstante e tendo em conta o respeito que a CGU deve aos profissionais que integram seus quadros e, ainda, à opinião publica que sempre acompanhou e reconheceu o seu trabalho sério e republicano, passamos a repor aqui (tendo em vista que a revista nos nega o espaço para resposta) a verdade sobre cada uma das afirmações contidas na matéria:

a) A revista afirma que a CGU produziu, recentemente e de última hora, um Relatório de Auditoria sobre a FUNASA com o intuito de ajudar o Partido dos Trabalhadores a afastar dali o PMDB.
A VERDADE: o repórter Bernardo Melo Franco, do jornal Folha de S. Paulo, pesquisou no site da CGU relatórios pré-existentes, que remontam a 2002, sobre diversos processos de Tomadas de Contas Especiais, envolvendo inúmeros órgãos do governo. O interesse do repórter pelos processos referentes à Funasa só pode ser explicado por ele próprio. Significativamente, no mesmo final de semana em que circulou o exemplar da revista com a matéria que aqui se contesta, também o jornal “O Estado de S. Paulo”, publicou, como manchete principal, a matéria intitulada “Alvos de disputa no segundo escalão somam R$ 1,3 bi em irregularidades”, utilizando a mesma fonte de dados: os relatórios disponíveis desde sempre no site da CGU. A reportagem do “Estadão”, porém, diferentemente da da “Folha”, direciona seu foco para vários órgãos controlados, segundo a matéria, por diferentes partidos, inclusive o PT, o que demonstra: 1) que tais publicações não se deveram a iniciativas da CGU, e sim dos jornais: 2) o caráter republicano das ações da CGU, que se realizam sem levar em conta o partido eventualmente interessado; e 3) a credibilidade que, por isso mesmo, têm os nossos trabalhos.

b) A revista sustenta que a CGU se omitiu de atuar em episódios como o chamado “mensalão”.
AVERDADE: não compete à CGU, um órgão do Executivo, fiscalizar a conduta de membros do Poder Legislativo. Todavia, todos os fatos denunciados à época envolvendo órgãos do Executivo como alvos de desvios (que serviriam para pagamento de propinas a parlamentares) foram objeto de amplas auditorias por parte da CGU. Só para dar um exemplo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos passou por auditorias amplas e minuciosas, acompanhadas, pari passu, pelo Ministério Publico, que resultaram em dezenas de relatórios, amplamente divulgados à época e disponíveis também, desde então, no site da CGU. Os caminhos para consultar todos esses relatórios no site foram mostrados ao repórter da Veja, que recebeu toda a assistência e atenção, durante cerca de duas horas, inclusive sendo recebido pelo próprio ministro, sendo-lhe entregue, ainda, uma relação completa das demissões, inclusive de diretores da ECT, ocorridas em conseqüência das irregularidades constatadas pela auditoria da CGU.

c) A revista afirma que a CGU se apressou em inocentar a ex-ministra Erenice Guerra, de irregularidades denunciadas na mídia, durante a última campanha eleitoral.
A VERDADE: as denúncias apuradas e descartadas pela CGU nesse caso foram aquelas desprovidas de quaisquer fundamentos. No caso do DNPM, por exemplo, a mídia indicou possível favorecimento à empresa do esposo da ex-ministra, cujas multas aplicadas pelo órgão teriam sido canceladas indevidamente. Logo se verificou que a própria área jurídica do DNPM havia reconhecido erro na aplicação das multas e recomendado à direção seu cancelamento para o necessário recálculo, o que foi feito. As multas foram, então, novamente impostas e vinham sendo pagas regularmente pela empresa em questão. Não havia, portanto, fundamento para que o caso fosse levado adiante. O mesmo se deu (ausência de fundamento) com as denúncias sobre a EPE e o BNDES. Outros casos, mais sérios e mais complexos, denunciados pela mídia na mesma ocasião, continuam sendo investigados, como o que envolve a empresa MTA e a ECT, cujos resultados serão divulgados em breves dias.

d) A Veja diz, quanto aos cartões de pagamento, que a ação da CGU se limitou a elaborar uma cartilha com orientações e passou a investigar gastos de “integrantes da administração tucana”.
A VERDADE: além de elaborar a cartilha, dirigida a todos os gestores que lidam com suprimento de fundos, todas as denúncias (inclusive as que envolveram ministros) sobre irregularidades com esse tipo de gasto foram apuradas e tiveram seus resultados amplamente divulgados na mídia. Três ministros devolveram gastos considerados impróprios para serem feitos com o cartão e uma ministra teve que deixar o governo, como amplamente divulgado à época. E tudo isso está também disponível a qualquer cidadão, no site da CGU. O que a revista não registra é que foi do Governo Lula, por proposta da CGU, a iniciativa de dar transparência a esse tipo de gasto, divulgando tudo na internet para fiscalização da sociedade, exatamente para corrigir possíveis desvios e distorções. E quem delimitou o escopo dos trabalhos, inclusive retroagindo ao segundo mandato do Governo FHC, não foi a CGU, mas a própria “CPMI dos Cartões Corporativos”, que, por meio da aprovação do Requerimento nº 131, de 12 de março de 2008, estabeleceu que o seu objetivo seria analisar a regularidade dos processos de prestações de contas de suprimento de fundos dos últimos 10 anos.

e) A revista afirma que o caso “Sanguessugas” surgiu de denúncias na imprensa.
A VERDADE: a Polícia Federal, o Ministério Público e toda a imprensa, sabem que a “Operação Sanguessuga”, assim como tantos outros casos que desaguaram em operações especiais para desmantelar esquemas criminosos, foi iniciada a partir de fiscalizações da CGU nos municípios. Aliás, a mesma matéria do jornal “O Estado de S. Paulo” citada no item “a” desta nota enumera muitos desses casos, em retranca de apoio à matéria principal, intitulada “Ações da CGU norteiam as megaoperações da PF”.

f) A revista atribui ao Ministro-Chefe da CGU, afirmação de que este órgão dá “prioridade ao combate da corrupção no varejo”.
A VERDADE: O que foi dito ao repórter foi que nos pequenos municípios o cidadão comum sente mais diretamente os desvios de merenda escolar e medicamentos do que os efeitos dos grandes escândalos ocorridos nos grandes centros (o que é aliás fácil de entender). Não se disse que a CGU prioriza isso ou aquilo, pois ela combate a corrupção com a mesma prioridade, independentemente do tamanho de cada caso.

g) A reportagem da Veja tece considerações absurdas sobre relatório referente a auditoria em projeto de cooperação técnica internacional celebrado entre o Ministério da Integração Nacional e a FAO, no exercício de 2002.
A VERDADE: a eventual ocorrência de divergências entre as equipes de auditoria e as chefias de cada Coordenação, embora não sejam freqüentes, são naturais no processo de homologação dos relatórios. O processo usual é que por meio do debate se tente alcançar o consenso. Quando o consenso não é possível, o importante é que o processo se dê de forma transparente. Ora, a própria reportagem se encarrega de esclarecer que a direção da Secretaria Federal de Controle Interno (unidade da CGU) expressou seu entendimento divergente por escrito e fundamentadamente, tendo ficado também registrado nos autos a opinião dos demais servidores. Neste caso, como em tudo o mais, as coisas se fazem na CGU com plena observância do princípio da transparência.

h) A revista afirma ter havido atrito entre a CGU e a Polícia Federal durante a Operação Navalha, e que a CGU estaria “contribuindo para atrasar o desfecho do trabalho”.
A VERDADE: Isso nunca ocorreu. Prova disso, é que a Subprocuradora-Geral da República encarregada do caso afirmou, por mais de uma vez, que sem os relatórios de CGU não teria sido possível oferecer denúncia contra os acusados. E outra prova é que as punições foram rapidamente aplicadas no caso pela CGU, inclusive a declaração de inidoneidade da principal construtora envolvida.

Como se vê, a realidade é muito diferente do que se lê na revista.
Estes esclarecimentos que fazemos agora não serão encaminhados à Revista, pela simples razão de que ela se recusa a publicar nossas respostas. Contudo, a CGU se sentiu na obrigação de prestá-los, como já dito no início, em respeito aos seus servidores e à opinião pública em geral.

 

Assessoria de Comunicação Social

Ainda dá para creditar ao de positivo para esta “revista”?

 


Assassinato de Rufino “Morceguinho”. BASTA!

26 janeiro, 2011

Neste terça dia 25 de janeiro, o professor e lutador de jiu-jitsu, entre outras coisas pai, trabalhador e homem respeitado pelo amigos e conhecidos, foi assassinado a sangue frio, sem piedade, sem medo, sem temor a Deus por um provável serial killer de aluguel.

O povo paraibano e pessoense, em particular, exige das Polícias Civil e Militar, e também do Governo do Estado uma resposta rápida, eficaz e dura contra esse assassino (mandante e executor) e principalmente uma política efetiva de combate aos grupos de extermínio e gangs de traficantes que estão transformando a vida social em João Pessoa e na região metropolitana num inferno para seus cidadãos.

Governador exigimos do senhor uma resposta efetiva para este tipo de ação e situação cada vez mais comum em nossa cidade. Venha a público e mostre que isso lhe preocupa, mostre uma política de combate e monte um grupo de homens sérios para cuidar deste assunto.

Uma pessoa que não possuía envolvimento com drogas e tinha relcionamento amigável com alunos e conhecidos foi o alvo desta vez. Na próxima pode ser qualquer um de nós! Qualquer um pode morrer por encomenda, porque irritou alguém ao atendê-lo num órgão público de saúde, educação ou burocrático, numa discussão de trânsito ou em sala de aula, numa fila de banco ou de mercado.

Só grupos e pessoas sem Deus, sem humanidade e senso de solidariedade e respeito humano podem pegar numa arma e intencionalmente seguir uma pessoa para matá-la  sem palavras, sem medo, sem querer saber sua história e de seus familiares. São matadores e exterminadores, serial killer de aluguel que mata pelo dinheiro.

De outro lado, pessoas que contratam tais assassinos são equivalentes, sem medo, sem piedade e sem Deus, devem estar travestidos de “bons moços” na sociedade. Andando pelas ruas, mercados e trabalhando como se nada tivesse ocorrido. Estes possuem mentes doentes que incapazes de fazer a ação de atirar, são capazes de projetar, desejar e objetivar a morte alheia para saciar suas necessidades.

Todas são pessoas sem escrúpulos que devem estar se vangloriando da impunidade que reina em nosso Brasil. Uma pessoa dessa não merece o respeito social, deve ficar presa em sala solitária por resto de sua vida.

A polícia da Paraíba precisa se equipar com instrumentos capazes de lhe garantir uma investigação digna, equipar-se com procedimentos modernos para não deixar nenhuma pista ser desconsiderada ou alterada. Equipar-se com a cultura de combate a impunidade e, se preciso, cortar na própria carne os corruptos e bandidos que permeiam e até vivem na coorporação.

Não queremos escutar o óbvio de que foi acerto de contas ou morte pelo tráfico, queremos dados mais concretos e objetivos. A primeira impressão engana. E o investigador não deve se satisfazer com ela. Tem que ir a fundo e mostrar resultados.

Não vamos deixar esse assunto morrer, se tornar comum. Vamos exigir providências. Vamos colocá-lo nas rádios, nos programas de TV’s locais, nas praças, nos ônibus, nos blogs da Paraíba e no Twitter, nos mercados e nas filas, nas salas de aula e nas cobranças aos deputados, vereadores, prefeitos e governador. Tem que ser o primeiro assunto, tem que sempre estar lá. Vamos deixar essa passividade.

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Amigos do Rufino Gomes, o Morceguinho, estão planejando uma Caminhada Pela Paz para o próximo sábado (29), às 8h, próximo a Empadinha Barnabé, no final da avenida Beira Rio, na Praia de Cabo Branco O “morceguinho” tinha 27 anos e foi assassinado a tiros na noite desta terça-feira (25), no bairro do Bessa, em João Pessoa.

“O objetivo é realizar uma manifestação pacífica para homenagear e protestar pelo assassinato de Rufino Morceguinho, reivindicando mais segurança e ao mesmo tempo mais fraternidade e tolerância entre as pessoas, pois não podemos nos acostumar com as manchetes que mostram diariamente crimes cada vez mais bárbaros”, disse Marco Pimentel ao postar um comentário no Portal Paraiba.com.

Segundo Pimentel, essa é uma mobilização social “que clama por justiça, por paz, por amor e mais fraternidade entre as pessoas. É uma bandeira para todos levantarem, independe de classe social, religião e afinidade”.

 


O caso da sujeira no Mercado Central

16 janeiro, 2011

Importante reflexão e análise de Cristovam Tadeu.

Lembro-me quando moleque, minha mãe nos obrigava a ir fazer a feira no Mercado Central. Íamos eu e meu irmão, duas pequenas mulas humanas carregar feira pra ela. Eu não gostava de ir, primeiro por ter que virar mula e segundo pela sujeira enorme que tinha lá. Isso no inicio dos anos 70. Mesmo criança, pensava comigo: “como pode um lugar que vende a comida da gente ser tão sujo?”. Aquilo me causava indignação!

Há quase dez anos moro no Edf. Caricé, no centro de João Pessoa e claro, perto do Mercado. Quando cheguei aqui, o Mercado Central ainda era uma favela-feira-à-céu-aberto. Eu entrava na maquina do tempo. O Mercado continuava sujo, imundo, tal qual minha mãe obrigava a ir. Mas agora não sei por que, pior. A sujeira estava estampada na aura das pessoas, na alma delas, como se impregnado. Depois descobri que aquela sujeira na alma do povo do Mercado não era à toa: Ali, além de frutas e comida, vendia-se sexo, cachaça e drogas. Ao invés de sair, aquela sujeira que vi na infância tinha penetrado nas pessoas de formas várias.

Na gestão do ex-prefeito Ricardo Coutinho conseguiu-se fazer o milagre da reforma do Mercado Central, inspirado nos resultados bem sucedidos dos mercados públicos de Belo Horizonte e de São Paulo. Depois de quase meio século o nosso Mercado foi reformado, mas…Quem reforma a cabeça do feirante?

De fato, é comum ver ainda hoje os pequenos focos de sujeira, aparecendo mais rápido do que as vassouras da EMLUR. De onde vem isso? Ora, o feirante que sempre esteve no meio da sujeira ainda não se desgarrou dela. Caminhando pelas novas alamedas, agora cobertas, protegendo da chuva e do sol a gente vê restos de comida no chão, palhas de feijão verde, alimentos estragados, gatos e cachorros disputando restos de comida, mas tudo causado pelos feirantes. Claro, não são todos. Há aqueles que entenderam a mensagem da prefeitura e sabem do beneficio que lhes foi dado. Mas muitos não. Muitos não se acostumaram com aquilo e em um condicionamento “pavloviano” tornam a sujar o mercado pelas próprias mãos. Ora, a gente vê “novos ricos” e seus carrões importados nas ruas jogando lixo pelas janelas, imagine um pobre coitado e sua geração que cresceu na sujeira? Fisicamente a reforma do Mercado Central é um dos maiores pontos positivos da administração centrada e correta que a gestão de Ricardo Coutinho fez, mas, quem vai mudar o comportamento do feirante? Será que ele se toca disso? Será que ele vai entender que quando faz os seus “puxadinhos” de engradados na frente do seu novo box, ele diminui o tamanho do corredor? Será que ele vai esperar sempre pelas vassouras da EMLUR?

Mas isso é dessa humanidade moderna. Não reciclamos o nosso lixo, jogamos sujeiras nas praias, cortamos árvores indiscriminadamente, emitimos gases poluentes…enfim!

Demorou uns 50 anos pra o Mercado Central ter sido reformado. Mas, na minha vã esperança, vai demorar mais um bom tempo pra o feirante ter consciência de que trabalhar com comida e limpeza é fundamental.

 

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Importante lembrar que não apenas de fiscalização se pode mudar isso. Tem que conscientizar. Formar grupos que passem informações, levá-los para conhecer outros mercados limpos que tem pelo Brasil. Vamos o exemplo e trabalhar formas de despejo, que sejam mais acessíveis e aceitáveis num primeiro momento.

Para o Mercado Central tem que se fazer mais que limpeza, tem que preservar.


Por que a mídia não se autoavalia? – Balanço 2010

28 dezembro, 2010

 

Por Venício A. de Lima em 28/12/2010
Final de ano é tempo de balanços e previsões. Pessoais e institucionais. É momento de parar e refletir sobre o que se fez, identificar erros e acertos, corrigir o que pode ser melhorado, reavaliar caminhos e objetivos, planejar o futuro.

A grande mídia faz avaliações públicas e previsões de e para tudo: de todos os setores do governo, da iniciativa privada, das ONGs, da política, de todas as artes, esportes, religiões, do clima, das tendências… Por óbvio, a grande mídia faz avaliações e previsões internas, como em todas as empresas privadas comerciais que precisam dar conta a acionistas de metas e resultados.

O que a grande mídia não faz são avaliações públicas de si mesma, de seu próprio desempenho, de sua parcialidade, de seus preconceitos, de suas tendências, de suas omissões, de suas escolhas, de seu papel na democracia. O que a grande mídia omite é a avaliação de si mesma como um serviço que, apesar de explorado pela iniciativa privada, não perde sua natureza de serviço público.

Por que será que a mídia, apesar da indiscutível posição de centralidade que ocupa nas sociedades contemporâneas, não pauta o debate sobre seu papel como faz permanentemente em relação a todas as outras instituições na sociedade?

Adaptação do panem et circenses

A explicação da grande mídia será sempre aquela que atribui ao mercado o papel de seu único e supremo avaliador. A grande mídia dirá que é permanentemente avaliada por seus consumidores/leitores/ouvintes/telespectadores e que seu sucesso ou fracasso comercial significa o cumprimento ou não de sua missão e o atendimento ou não das necessidades de seu “público”. Se o jornal é comprado por X consumidores é porque satisfaz a eles. E essa é a melhor avaliação que pode existir. Essa é uma das versões da conhecida “teoria do controle remoto”: se o consumidor não gosta do que vê, ele pode trocar de canal ou desligar o aparelho de TV.

Como já argumentei em outra oportunidade [ver “Donos da mídia – A falácia dos argumentos“], a “teoria do controle remoto” ignora como se formam, se desenvolvem e se consolidam os hábitos culturais, incluindo aqui o hábito de assistir determinados canais e/ou programas de TV ou de ler determinadas revistas e/ou jornais. Este é um fascinante campo da complexa “sociologia do gosto”. Quando se atribui, sem mais, ao mercado o papel de supremo avaliador, reduz-se toda a problemática da comunicação de massa a uma única dimensão – do “consumo” individual – e ignora-se a complexa questão da formação social do gosto e do papel determinante que a própria mídia nela desempenha.

Além disso, o argumento pressupõe um mercado de mídia democratizado, onde estariam representadas a pluralidade e a diversidade da sociedade, o que, por óbvio, não existe. Ignora ainda o fato elementar de que não se pode gostar ou deixar de gostar daquilo que não se conhece ou cujas chances de se conhecer são extremamente reduzidas.

No fundo, trata-se de uma adaptação contemporânea [sem as problematizações levantadas por historiadores como Renata Garraffoni] do panem et circenses romano. Naturalmente, o sacrifício de cristãos, entregues às feras em espetáculos públicos, não torna a prática dos imperadores romanos correta. Dito de outra forma, nem tudo que agrada a parcela importante da população é automaticamente ético e correto.

Omissão grave

A transparência que a grande mídia corretamente cobra de outras instituições – públicas e privadas –, ela não pratica em relação a si mesma. Permanecemos em 2010 sendo um país democrático onde sequer existe um cadastro geral com acesso público dos concessionários do serviço de radiodifusão.

A transparência pública aplicada aos grupos dominantes da grande mídia certamente revelaria redes de interesses e compromissos – nem sempre legítimos – dos mais variados tipos, locais e globais. No que se refere à radiodifusão, por exemplo, revelaria os absurdos do “coronelismo eletrônico” enraizado em diferentes esferas do poder público; a propriedade cruzada como prática garantidora de oligopólios e monopólios; a exclusão de muitos e a liberdade de poucos apresentada e defendida em nome dos valores universais da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.

Ainda não será ao final deste ano de 2010 que a grande mídia fará uma avaliação pública de si mesma. Mas, com certeza, esta omissão grave já não passa despercebida para um número cada vez maior de brasileiros.