As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.

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Aliança Ricardo Coutinho – Cássio Cunha Lima. Resultado da pesquisa e análises

16 novembro, 2009

Este blog colocou no ar sua primeira pesquisa. Durante dois meses (16 de setembro até 15 de novembro) os leitores puderam votar e expressar sua opinião sobre esta muito falada aliança entre Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho para montar uma chapa nas próximas eleições. O blog perguntou, Caso Ricardo Coutinho se alie a Cássio Cunha Lima você votaria nele para governador?.

Eram três opções: sim, não e estou em dúvida. Os resultados indicam que 65% dos votantes aprovam a aliança, enquanto 30% desaprovam, e não votaria em Ricardo. A pesquisa parte do pressuposto de que os votantes são eleitores de Ricardo. Deste modo, um terço destes não gostam da ideia de Ricardo se juntar com os Cunha Lima.

Esta pesquisa não possui validade científica, pois não trabalhou com amostras estratificadas da população do Estado, mas expressas tendências similares àqueles da pesquisa IBOPE, no qual 52% aprovam e 28% são contra, principalmente se consideramos seu pressuposto. Saindo do campo das dados quantitativos e entrando no campo das argumentações podemos inserir esta pesquisa em alguns análise macro da situação política do Estado para 2010.

Até agora a aliança vem sendo propagada e desejada com fervor por Cássio Cunha Lima e seus seguidores e aliados. Ricardo aceita por omissão, por não manifestar seu apoio ou recusa ao que está sendo dito. Ele sabe que está numa berlinda e que para vencer precisa de apoios e palanques no interior, mas a qual custo, fazendo aliança com que tipo de políticos e partidos?

O grupo dos Ricardistas não é maior que o grupo de Maranhistas e Cassistas, talvez seja similar aos Ciceristas. O grande diferencial de Ricardo é sua gestão em João Pessoa, suas novas ideias e resultados obtidos, e isso se dá num contexto de velhos nomes desgastados pela história e sua própria atuação. Isso lhe garante os eleitores desvinculados a políticos e partidos, o eleitor médio da Paraíba. Ou seja, é um momento único para o prefeito. Assim percebemos que essas pesquisas refletem mais a aceitação de  Ricardo entre os Cassistas, do que o contrário. E isso já se firmou, mesmo que Cássio fale que não quer, vai ficar registrado que um dia ele quis e lutou por tal aliança.

Neste momento temos o grande problema de Ricardo, abandonar sua base e até dar as costas para sua história e ideias para obter o apoio político e midiatico de Cássio. Se tal guinada for feita, ele não será mais Ricardo, mas sim, um dos fortes seguidores de Cássio Cunha Lima. Não terá mais sua base de apoio e será um alienígena na base de Cássio, um mero apêndice dos Cunha Lima, como já foi Cozete e agora é Cícero. Os dois vivem na pele os malefícios de sua fidelidade e apoio aos Cunha Limas. Ou seja, pode ser uma morte prevista do prefeito, com um leve suspiro se conseguir ocupar o poder.

As cartas estão na mesa, os próximos passos é que definirão como será as composições para 2010. Se Ricardo conseguir o apoio do PT e do PCdoB, como do PTB e PP ele terá muito musculatura que compense um possível apoio formal que ele pode vir a fazer para Cássio, o que será uma grande tristeza e um ponto negativo na renovação da política do Estado, haja vista que nestes últimos 30 anos a política paraibana se resumiu a uma briga entre Cunha Lima e Maranhão, seja no mesmo partido ou não.

Em breve o blog completará um ano de atuação e muitos leitores conquistados. E novas pesquisas estarão no ar.


Eleições 2010: o movimento político na Paraíba

17 outubro, 2009

As conversas, táticas, discursos e ações para formular alianças políticas com vistas a 2010 já estão a solta e algumas coisas já estão ficando claras. Vamos aqui para algumas curtas do blog sobre 2010!

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Ricardo Coutinho agora é o candidato sem mídia, isso ocorre desde que sua postura de candidato a governo está cada vez mais firme. Recebeu esta semana um prêmio institucional pela preservação do patrimônio histórico em Brasília, mas não teve a devida repercussão na mídia local, pelo contrário preferiram pinçar fatos negativos da cidade no noticiário.

Policiais civis e delegados entram em greve na próxima semana e o maior jornal impresso do Estado, o Jornal Correio, não noticia na capa e ainda esconde a notícia dentro do jornal. Se fosse na época de Cássio….

José Maranhão tenta forçar os partidos do PT, PCdoB e PSB a aceitarem sua candidatura para 2010 (continuando com a aliança) atuando a partir da cúpula dos partidos. Esquece o governador que diferente dos outros partidos, estes tem consultas internas e não se submetem a decisões de “gabinete”. É a adaptação a nova política…

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Ações como essas são apenas uma das várias que o PMDB está fazendo por baixo dos panos para minar a candidatura de Ricardo. Há plano de prejudicar sua bancada na Câmara de Vereadores, há plano de reforçar críticas a prefeitura na mídia e há planos para esvaziar suas alianças.

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Desde de quando a aliança PT/PMDB/PSB já tinha seu candidato para 2010 definido? Desde quando Maranhão é o candidato da aliança? Essas perguntas são relevantes, pois quando se fala que o PSB rompeu com o PMDB pressupõe que Ricardo não aceita a candidatura de Maranhão ao governo em 2010. Os dois tem legitimidade para propor suas candidatura para o Governo.

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O Governo Maranhão está abandonando a segurança pública a sua própria sorte. Ele não deve repetir o erro de Cássio, é o que se espera. Policiais e delegados estão em greve e o governo mostra que está “nem aí” para o fato. Por outro lado, o número de assaltos a ônibus e a carros (muitos deles por usuários de crack, que fazem para pagar dívidas ou alimentar o vício) cresce e o número de mortes por encomenda também. Será que uma greve deve ser tratada assim, e logo nesse momento?

Manuel Júnior insiste em afirmar que saiu do PSB por causa da paquera de Cássio com Ricardo. Mas pelo visto, ele não queria mesmo era apoiar a candidatura de Ricardo para o Governo e ainda ter que deixar de lado o palanque de Maranhão.

Ruy Carneiro achar que quem critica o governo é oposição. Essa definição é tão vazia quanto autoritária. Quer dizer que quando Cássio critica Cícero, afirmando que ele não tem densidade política, ele passar a ser oposição. Essa visão visa afirmar que a Paraíba se resume a PMDB e PSDB, a Maranhão e Cássio.

O blog está há um mês com uma pesquisa no ar. Pergunta-se: Caso Ricardo Coutinho se alie a Cássio Cunha Lima você votaria nele para governador? O resultado está 69% sim e 24% não. Esse padrão se mantém desde de o início. Vote você também.

Hoje sai a primeira pesquisa da Tv Cabo branco para o Governo em 2010.

A pesquisa saiu. Empate técnico entre Ricardo e Maranhão (38% e 37% respectivamente), mas Ricardo ganha no segundo turno por 47% contra 41%. Pelo jeito a situação de Ricardo não se complicou como disse Ciro Gomes. A pesquisa foi realizada após os resultados da troca trocade partidos.


Os fantasmas que rondam a aliança Ricardo-Cássio

5 agosto, 2009

Embora não seja um fato, mas de tão falada, discutida, tomada como certa e esperada por alguns políticos, a aliança Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima passou a ser um fato-virtual ou pseudofato que guia e intervém fortemente nas ações e analises dos políticos e jornalistas. Isso mostra como um fato, por assim dizer, do mundo das hipóteses intervém no mundo real.

Todos os grupos e pessoas estão querendo tirar os seus ganhos em cima desta aliança. Veja o caso de Manoel Júnior e dos divergentes dentro do PSB que se utilizam da pretensa existência da aliança para fortificar uma justificativa de saída do partido e mesmo de não apoio a uma candidatura de Ricardo para governador 2010. Fizemos um desafio a Manoel Júnior propor e buscar apoio dentro do PMDB para a chapa 2010 encabeçada por Ricardo.

Armando Abílio e outros ligados a base de Cássio, principalmente do PP e PTB desejam ver a aliança formalizada e falam pelas quatro cantos a força desta junção. Tratam como se fosse algo imbatível por somar a fora política e apelo popular de Cássio com a força social e administrativa de Ricardo Coutinho. Algo tão natural na cabeça deles, pois se esquecem do aliado Cícero Lucena, de problemas irreconciliáveis com Ricardo, e dos entraves que o próprio prefeito tem, junto a sua base, em compor tal aliança. Este blog já tentou mostrar alguns.

O próprio Cássio por sua vez não desmente a aliança e indiretamente mantém viva a possibilidade. O mesmo acontece pelo lado de Ricardo Coutinho. Sabemos muito bem que há quatro forças políticas na Paraíba, muito embora elas se apresentem como duas. Temos a peso de hoje, Maranhão e Cássio como água e óleo e Ricardo e Cícero como cão e gato. Nesse quatrilho Cícero e Maranhão não começaram paquera, pelo contrário, Cícero mantém a certeza de que receberá o apoio de Cássio. Fala até de coerência, gratidão e traição. Assim, a grande questão que fica é: o que Cássio e Ricardo têm a ganhar com a solidificação virtual desta aliança?

Cássio tem a ganhar um rompimento seguido de um enfraquecimento por separação de forças no bloco de seus opositores PMDB/PT/PSB. Ganha em efeitos simbólicos por ter sua imagem associada, sem muitos arranca-rabos a um dos políticos de maior crescimento, respeito e força na Paraíba de hoje. É uma verdadeira recauchutada na sua imagem abalada pela cassação. Cássio já fez uma paquera e aliança com diferentes quando se juntou com Cozete e o PT em Campina Grande. Que por fim acabou mal para a petista, que hoje sofre e muito após se abandonada e ter todos os males jogados em suas costas. No final das contas ele tem muito pouco a perder. Poderia ter o ressentimento de Cícero e até um rompimento, mas pela certeza deste que Cássio é fiel, essa aliança soa como um grande golpe de mestre!

Ricardo por sua vez, sabe que o PMDB não vai abrir mão de uma candidatura própria, principalmente se esse candidato vier de outro partido, mesmo sendo da base aliada. É um direito dele querer isso assim como é direito de Ricardo pleitear ser governador. Ricardo sabe que tem o apoio de muitos partidos da base de Cássio e não deseja perder esse apoio. Com certeza o PMDB não deixaria de lado. E para não jogar terra no sonho deles, finge que não escutou a ventilação desta aliança. Além do mais, pode estar a vislumbrar um apoio de alguns cassistas, não todos, num pretenso 2º turno em 2010. Mas enquanto Cássio aparenta não ter nada a perder com essa aliança, Ricardo pode perder sua base social de sustentação além de arcar com uma forte descaracterização de sua imagem social e política. Ele passa a ser como os outros.

Ricardo é o que tem mais a perder nessa bagunça todo. Quando a chuva chegar cada qual vai para o guarda-chuva que lhe é mais familiar e receptivo. E Ricardo pode perder uma chance de ganhar o poder pelo apoio social sem apelar para aliança sem legitimação. Ainda, a Paraíba pode perder uma chance histórica de implementar uma renovação política que seja uma alternativa aos velhos grupos e oligarquias e as velhas práticas. Sendo um marco no quadro político dos últimos 30 anos.

Vote em nossa pesquisa! Você apoio a união Cássio-Ricardo?

CLIQUE AQUI.


A velha e a “nova” política paraibana… até quando.

3 abril, 2009

Duas notícias me causaram estranheza nesses dias. Pois bem, o ex-governador Cássio parece que vai ter um programa de Rádio e um blog e os prefeitos Jota Júnior e Marcos Odion vão fazer dobradinha, um sai de Bayeux para se candidatar em Santa Rita e o outro faz o cominho inverso.

Não é novo que políticos tenham espaço na mídia como apresentadores e mesmo com blog, talvez o inverso seja mais comum apresentadores que viram políticos. Mas Cássio inova para manter sua visibilidade social e angariar votos com sua capacidade comunicativa. Agora é esperar como será esse programa? Será recheados de críticas ao governo atual? Será um programa político onde o governador pode propagar suas teses, inclusive aquela do maior erro da justiça brasileira da história? 

Realmente, trata-se de uma inovação em termos de atuação política na Paraíba. Isso mostra como a mídia Paraíba está cada vez mais loteada politicamente e revestida da noção de isenção. A mascara será sustentada até quando? Esse loteamento mostra mais uma vez como o poder econômico ainda domina a política, onde é o dinheiro que rege as coisas, agora com base em novas estruturas. Só a educação de qualidade pode tirar o povo de possíveis manobras de qualquer parte.

Para completar, dois prefeitos fazem dobradinha para dominar duas das mais cidades em termos econômicos do estado. Pode até ser válido e legalmente aceito, mas trata-se de um desrespeito ao eleitor. Alias essas atitudes de que políticos possuem lotes eleitorais espalhados pelo Estado sempre me causa mal. Eles imaginam que podem chegar aqui e aculá que terão eleitores zumbis votando neles. Se eu fosse de Santa Rita diria: “Jota, quem disse que você tem voto aqui? Porque não vais ser deputado? Pois que venham, se vocês acham que mandam aqui….” 

Creio que esse tipo de “dobradinha” não renova a política local e perpetuar certas figuras. É um mecanismo de burlar a regra da reeleição e desrespeito aos eleitores. Creio que era melhor ser deputado e representar a região e não ficar encontrando mecanismos não-louváveis para perpetuar poder. 

Eleitores: a Paraíba não é um conjunto de gado loteado para políticos de qualquer bandeira, não. Para conseguir nosso voto eles têm que suar, tem que argumentar, mostrar projetos bons e passado de trabalho. Nosso voto não é certo de antemão, não. Somos independentes e votamos em quem nós queremos. Não pensem que é só chegar e pronto. Abrir a porteira e largar seus votos. Não faço parte de loteamento político.


O futuro político de Ricardo Coutinho do PSB/PB

15 março, 2009

 

ricardo_coutinho2Há hoje na Paraíba, alimentada principalmente pela mídia local, uma imensa discussão e especulação sobre a eleição de 2010 para o governo do Estado. A peça fundamental e o eixo desta discussão estão na figura do prefeito da Capital Ricardo Coutinho. Se este não tivesse a força política que tem hoje graças em grande medida a sua capacidade gerencial frente à administração publica, é provável que esta disputa não estivesse ocorrendo As posições já estariam marcadas, ou seja, o grupo Maranhão, do PMDB, enfrentaria o grupo Cunha Lima, do PSDB.

O prefeito Ricardo se constitui numa força para a disputa do governo do estado? Essa é a grande questão. Especulam-se as brigas que estariam ocorrendo entre Maranhão/PMDB e Ricardo/PSB, como também a aproximação entre Cássio/PSDB e Ricardo/PSB. Fala-se de acordos, aproximações, brigas, rachas, mágoas e do passado. Entretanto para se analisar tais questões, deve-se pensar em alguns pontos:

Há a cláusula da verticalização, ou seja, os acordos entre os partidos a nível nacional devem ser mantidos a nível estadual. O que isso implica: em nível nacional há uma clara e forte aliança entre DEM-PSDB-PPS. De outro lado, há o PT e seus tradicionais aliados PCdoB, PCB, PL etc. O PMDB é uma incógnita a nível nacional. Este pode apoiar, a contragosto de Maranhão, o PT de Lula ou o PSDB de Aécio/Serra. O PSB pode lançar Ciro para presidente, se não, apoiará o PT. E agora? Como se vê no pior dos cenários o partido de Ricardo estará sozinho ou com o PT, nunca com o DEM-PSDB, ou seja, com Cássio. Eles podem estabelecer uma aliança branca no segundo turno, ou antes.

Este é o primeiro ponto que torna improvável a aliança Cássio-Ricardo, o segundo diz respeito à aliança Cássio-Cícero. Cícero não apoiaria de jeito nenhum esse tipo de situação, o que resultaria numa divisão-racha literal dentro do partido, o que seria ruim para todos. Outro ponto indica que se Ricardo não tem capacidade de colocar sua candidatura para o governo dentro do bloco com o qual vem trabalhando junto a tempos, o PMDB, porque ele teria mais chance de obter o mesmo objetivo dentro o PSDB-DEM, onde há nomes como Cássio, Cícero, Efraim, Rômulo Gouveia e Ruy Carneiro? Esta aliança em termo oficial é quase improvável. Outro indicativo está no próprio Ricardo, de tradição esquerdista junto ao PT e depois PSB, não comporia aliança com o seu exato oposto político, esta percepção é verdade para os políticos do PSB e para seu eleitorado que talvez não aceite tal aliança. Isso em termos práticos implicaria Ricardo trocar parte substancial de seu eleitorado fiel por outro eleitorado não tanto fiel e mais ligado a Cássio do que a ele. Isso tudo por uma vontade pessoal?

Por outro lado, Ricardo necessita conquista apoio político junto a partidos e pessoas que não são cassistas, mas estão com Cássio, de modo que ele possa ter uma aliança e apoio mais substancial para sua pretensa candidatura ao governo em 2010. Como faça isso? É uma verdadeira sinuca de bico. Pois ele pode sair perdendo dos dois lados. A aliança Ricardo-Cássio beneficia Cássio a custa de Cícero e Ricardo a custa de seu passado e história.

 Visto os tamanhos obstáculos que abrange tal aliança, ate certo ponto espúria. Percebe-se também que Ricardo não tem força para sair governador a partir do bloco no qual está, ou seja, o bloco do PMDB de Maranhão. Este partido lançará candidato de qualquer forma, pois é o maior partido do estado, em número e com fortes candidatos, a exemplo, de José Maranhão, Veneziano, Vitalzinho, Wilson Santiago. Além disso, Maranhão vem tentando cooptar as bases não tão ricardista do PSB e de aliados do prefeito. Neste bloco Ricardo pode ficar no mínimo com uma vice-governadoria ou com uma vaga no senado e até com uma promessa de candidatura para 2014, o que pode ser um blefe, principalmente se Maranhão for o candidato em 2010. Veneziano não irá se segurar.

Em termos de alianças políticas Ricardo tem força, mas ainda não tem robustez. Para se lançar como uma terceira via de fato (já que força ele tem e toda esta situação mostra bem isso) o PSB deve compor uma estratégica aliança com o PT e quem sabe contar com uma aliança improvável, a nível nacional, entre PMDB e o bloco PSDB-DEM-PPS. Deste modo, como se vê, a estratégia de paquerar com políticos que estão com Cássio ou Efraim, mas que não cassistas de fato é bastante ariscada e se isso for uma força de se mostrar desejo fora do bloco PMDB é um erro certo.

Apesar deste cenário obscuro, ruim e difícil para Ricardo e seu eleitorado mais fiel, o prefeito ainda conta com uma força que ninguém fala diretamente: sua imagem de gestor competente e político forte na palavra e no discurso.

São estes dois últimos elementos que tornam Ricardo forte, não apenas até o Rio Sanhauá como afirmam analistas políticos, mas até o Rio Paraíba e Mamanguape, for contado é possível ver o tamanho da confusão de hoje. Vale afirmar que o prefeito venceu a primeira eleição em João Pessoa com os eleitores indo de azul para as urnas e votando no laranja. E que em Mamanguape Eduardo virou a eleição literalmente, vencendo os irmãos Fernandes que dominam a cidade há décadas, após o forte apoio de Ricardo. O elemento aliança política é ponto fraco de Ricardo e pode ser o seu fim, se continuar sendo feito atabalhoadamente como ocorre. Creio que resistir aos ataques do PMDB e conseguir a aliança do PT são seus melhores caminhos. Fora este capítulo chamado Ricardo Coutinho – PSB a Paraíba continuará politicamente a mesma, num racha entre Cunha Lima e Maranhão.


A tumultuada posse de José Maranhão no governo da PB

19 fevereiro, 2009

Está descrição está no portal paraiba.com. Uma surpresa….

A posse do senador José Maranhão (PMDB) ocorrida ontem como novo governador do estado devido ao afastamento de Cássio Cunha Lima (PSDB) do governo foi marcada por um clima tenso, sabotagem e desorganização.

Pela manhã, na Assembléia Legislativa, deputados ligados ao grupo Cunha Lima tomavam a decisão de só empossar o novo governante nesta quinta-feira, 19, ao mesmo tempo em que impetravam uma medida cautelar junto ao Supremo Tribunal Federal, pedindo a realização de eleições indiretas.

A Assembléia realizou uma sessão ordinária, aparentemente marcada por declarações civilizadas entre maranhistas e cassistas, mas com o deputado Ricardo Barbosa(PSDB) a todo momento cobrando o ato de renúncia de Maranhão do Senado Federal. Condicionava a legalidade da posse mediante a apresentação de um documento que comprovasse a renúncia. Documento desnecessário, pois bastou a apresentação do diploma do TRE para que o senador tomasse posse.

A sessão solene, realizada logo após a sessão extraordinária, foi de marcada por pressão dos deputados peemedebistas, Trócolli Júnior, Gervásio Filho e Iraê Lucena sobre o vice-presidente da AL, Ricardo Marcelo(PSDB) para que iniciasse a sessão. Um detalhe: o funcionário encarregado da sonorização do plenário havia desaparecido com a chave da cabine.

A demora em começar a sessão provocou impaciência no público que ocupava as galerias e o plenário. José Maranhão e Luciano Cartaxo  já estavam em plenário aguardando a posse, enquanto deputados leais ao grupo Cunha Lima, que ainda permaneciam no recinto se retiravam.

– Comece a sessão assim mesmo, pressionava Trócolli a todo instante.

– Tenham calma, do contrário, eu vou embora agora mesmo, respondeu Ricardo Marcelo. Os assessores da mesa  diretora tinham dificuldade em chegar ao presidente da sessão devido a aglomeração de pessoas no plenário.

– A cabine de som está fechada e o funcionário ninguém sabe onde está, informou uma funcionária ao presidente.
 
– Então arrombem a porta a agora mesmo e liguem esse negócio! Ordenou Marcelo.

Ato contínuo se ouviu do plenário o barulho de arrombamento de porta, e som ligado. Marcelo iniciou a sessão anunciando as presenças das autoridades. Do plenário, várias pessoas gritavam:

– Cadê o arcebispo Dom Aldo Pagotto?

O arcebispo não fora para a posse, mas alguns padres se encontravam em plenário. O monsenhor Ednaldo Araújo se apresentou como representante da Igreja Católica, não como o enviado do arcebispo. Ao anunciar as presenças das autoridades, o clima político para 2010 tomou conta. Quando Ricardo Marcelo citou o nome do prefeito Ricardo Coutinho, que é do PSB, aplausos demorados. Depois,  quando citou o nome do prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital, que é do PMDB, os militantes do partido reagiram com mais aplausos e gritos de Governador!

O presidente Ricardo Marcelo foi pragmático e rápido no cumprimento do regimento interno, convocando os novos governantes para o juramento de praxe.

Após o juramento, Maranhão fez um discurso intercalado por aplausos, em que eleogiava o TRE, o Ministério Público Eleitoral e apontava o “descalabro do estado” e responsbailizando o grupo Cunha Lima. O discurso foi interoipido por uma ligação do presidente Lula para parabenizar Maranhão. Ao desligar o telefone, aplausos demorados para o governo e Lula.

Maranhão deixou a Assembléia e seguiu para o Palácio, que estava fechado, sem seguranças nas proximidades, pouca iluminação e com uma multidão impaciente que tentou invadir o Palácio. O novo governador entrou no Palácio embalado num rolo compressor  de pessoas que queriam também ingressar no local. Uma senhora foi pisoteada, o vidro do portão principal  quebrado, sem que os poucos policiais que estavam no local nada pudessem fazer.

Maranhão recebeu a faixa de governador da sua esposa, a desembargadora Fátima Bezerra, que também representava o TJ no momento no salão nobre do palácio, que estava sem cadeiras, pouca iluminação e lotado de seguidores. Dali mesmo, da janela do Palácio, Maranhão fez um discurso para a multidão que ocupava a praça, utilizando o microfone de um carro de som requisitado no final da tarde para o local. Aos poucos, a rotina do palácio foi retomada, policiais fardados apareceram, os funcionários começaram a servir água e o ar condicionado foi ligado. Maranhão se retirou para o gabinete com assessores próximos, enquanto a multidão se dispersava. Foi fim do caso FAC e início do terceiro governo de José Maranhão, que pela legislação atual, tem direito à reeleição.