Paraíba: o 4º Estado que mais desvia verbas federais

8 março, 2010

Essa reportagem não deveria ser deixada de lado. Vale a penar registrar e sempre lembrar aos políticos sobre esse item e sobre o que eles fazem para combater tal quadro.

A Folha de São Paulo trouxe neste fim de semana uma reportagem em que o jornal traça um panorama sobre a quantidade de recursos federais desviados em obras públicas. O texto diz que de cada R$ 100 pagos pelo Governo Federal R$ 29 são desviados e que proporcionalmente a Paraíba é o quarto estado brasileiro que mais desvia verbas públicas.

Segundo o periódico, os dados são da Polícia Federal, mas a assessoria do órgão em Brasília diz que trata-se de “informações vazadas” e por isto eles não iriam comentar o caso. As obras investigadas também não foram divulgadas porque o caso estaria em segredo de justiça.

A Folha diz que 303 obras foram analisadas e que elas somam um gasto total de R$ 3,7 bilhões em dinheiro federal. Destes, nada menos do que R$ 700 milhões teriam sido desviados. Tanto em números absolutos e proporcionais o Rio de Janeiro seria o estado mais corrupto do Brasil, com o desvio de 38,57% de tudo o que foi investido pelo Governo Federal.

Em números absolutos a Paraíba não desponta entre os primeiros, mas quando se analisa proporcionalmente o estado fica em quarto lugar (segundo mais corrupto do Nordeste). Segundo a Folha, foram desviados pelos governos (estadual e municipais) paraibanos 25,13% do total de investimentos vindos de Brasília.

À Frente da Paraíba, estão Rio de Janeiro, Distrito Federal e Alagoas. E ela é seguida bem de perto por dois outros estados nordestinos, Maranhão e Pernambuco, que teriam desviado 22,86% e 22,78% respectivamente.

A lista dos dez estados mais corruptos divulgados pela Folha ainda tem São Paulo, Paraná, Tocantis e Goiás e teriam como base o Serviço de Perícias de Engenharia e Meio Ambiente da PF.

O trabalho da Polícia Federal incluiria inspeções em obras como edificações, vias pavimentadas, sistema de esgoto, rodovias, portos e aeroportos que contaram com verbas do Governo Federal entre 1994 e 2009.

Anúncios

A 1ª Secretaria do Senado. Há de começar por Efraim do DEM/PFL

13 julho, 2009

Um processo de oito volumes que tramita na 12ª Vara Federal de Brasília, em segredo de Justiça, revela um personagemchave que começa a jogar luz sobre a caixa-preta em que se transformou a primeira-secretaria do Senado Federal, controlada há uma década com mão de ferro pelo antigo Pfl, hoje DEM, responsável pela gestão de R$ 2,7 bilhões por ano. Trata-se de Aloysio de Brito Vieira, o “Matraca”, ex-presidente da Comissão de Licitação da Casa, que se tornou o operador de um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas que funciona com a conivência ou participação de alguns senadores do DEM. Na tarde da quinta-feira 9, ISTOÉ apresentou documentos a um dos cabeças da organização que revelou como funcionava o esquema. Para fazer parte do pool de fornecedores do Senado, empresas eram obrigadas a pagar uma propina que, dependendo do valor do contrato, poderia chegar a 30%. “Só a empresa Ipanema foi obrigada a pagar R$ 300 mil reais por mês para o primeirosecretário Efraim Morais”, contou. A Ipanema Empresas de Serviços Gerais de Transportes Ltda., que recebia cerca de R$ 30 milhões porano pela terceirização dos funcionários da agência, jornal, rádio e TV da Casa, atuou no Senado até o final de março. Outras empresas como a Delta Engenharia Indústria e Comércio Ltda. e a Brasília Informática também teriam pago comissões a Efraim, segundo o participante do esquema.

LEIA MAIS

E fica a pergunta: quem vazou dessa vez?


A que ponto chegamos! Satiagraha, corrupção, Estado e mercado..

17 março, 2009

Não poderia hoje deixar de postar algo sobre a declaração, e que declaração de FHC sobre o que ele acha das três pessoas mais em voga na mídia neste momento: Vejam o que ele falou na integra:

O ex-presidente, quando indagado sobre o que achava destas três pessoas, veio com esta pérola sobre Daniel Dantas. 

Kennedy – Gilmar Mendes?
FHC – Tem coragem, tem competência.

Kennedy – Protógenes
FHC – Não sei bem quem é, mas me parece um amalucado

Kennedy – Daniel Dantas
FHC – Conheço pouco, mas dizem que é brilhante.

Apesar de tudo, não esperaria isso de FHC. “Dizem que ele é brilhante”. Sobre Protogenes o ex-presidente dar uma avaliação pessoal, mesmo que superficial. Sobre Dantas, ele se esconde atrás dos julgamentos dos outros, mas endossa tais julgamentos, pois o afirma e esconde todas as acusações e até condenação que pesa sobre o mesmo. Realmente ele é brilhante, mas em que?

Essa declaração de FHC soa como uma grande ducha de água fria para a maioria das pessoas, que não acompanham a fundo os enredos deste caso. É triste porque todos os ataques contra a operação deixavam que muitos se escondessem sobre o manto da dúvida suas avaliações sobre o pólo oposto da questão: Daniel Dantas. FHC sai desse manto e mostra o que é Dantas para o círculo que FHC freqüenta, não é só ele que aprova, mas aqueles com quem ele convive, boa parte da elite política e econômica do país.

Luis Nassif mostra bem a face nefasta desta declaração: Um dos fatores que leva à inibição do crime é a condenação social do criminoso, a não aceitação de sua presença nos círculos sociais. Por aqui, Daniel Dantas continuou a ser aceito por praticamente todas as lideranças políticas. O ato comprovado de tentar subornar um delegado não mereceu a condenação explícita de ninguém. Pelo contrário, é elogiado pelo mentor máximo da oposição, FHC, e defendido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal. 

Goffman um renomado cientista social nos revela que a vergonha, vexames e embaraços são coerções sociais que fazem com que a pessoa saiba o que é adequado ou não numa situação, faz com que a pessoa passe a se comportar de modo adequado e faz com que a pessoa entenda que interpretação dar a uma situação. Como se vê implícita e explicitamente, agora, Dantas é aprovado pela mídia, por aquela instituição que seria a porta voz da nação. Muito diferente do que ocorre, por exemplo, nos EUA onde um político indicado por Obama foi negado pelo congresso porque sonegou uma vez o imposto de renda. È muito triste….

O debate em torno da Satiagraha está revelando muitas faces daqueles que formam a elite polícia, econômica, intelectual e midiática do País. Esta revelando uma face triste, que se escondia por traz de uma mascara da ética, moralidade e probidade. Uma grande celeuma de formou em torno da operação, mas porque, como disse em outro post:

Vale lembrar que Dantas participou da privatização das teles e justamente naquelas compras em que mais há suspeitas de ilegalidade. Vale lembrar que Dantas grampeou pessoas íntimas do governo e até membros do planalto. Vale lembrar que Dantas e suas empresas participaram do mensalão, afinal a satiagraha é um afluente do mensalão. Vale lembrar que Dantas possuem empresas que fazem operações financeiras ilegais para seus clientes, estas clientes devem ser pessoas com muito dinheiro, pessoas da elite econômica, provavelmente, empresários e políticos. As pessoas ligadas a estas operações suspeitas de Dantas não querem ver seus nomes na mídia e não querem ser punidos pela justiça, se forem. Essas pessoas se juntam a aquelas que têm medo da PF bater em sua porta e que desejam que suas operações acabem, antes de ser o próximo alvo.

Dantas conseguiu envolver muitas pessoas em suas operações, de modo direto e indireto, intencional e não-não intencional. Assim como até os empregados e uma cidade pode lutar para evitar a falência de uma grande empresa da qual eles dependem, muitas pessoas fazem isso em torno desta grande “organização” que Dantas foi construindo.

Luis Nassif em seu post acima citado ofereceu um bom argumento para mostrar como os crimes ligados ao sistema financeiro puderam se estruturar facilmente no Brasil. Associada a uma idéia corrente de liberalidade para o mercado, principalmente o financeiro, foi possível fazer muitas coisas não tão legais assim. Agora o Sistema Brasileiro de Inteligência que ofereceu as bases para a política de combate a corrupção pela PF pode estar sendo desmantelado por um grande conjunto de interesses diversos que por acaso se amealhou em torno de Dantas. Embora não se possa dizer que FHC fez uma parceria com o crime do colarinho branco, ele bem que adubou a terra para isso, fez vista grosso, afinal era a liberalidade do mercado, e quem sabe pode ter até tirado uma casquinha…

Todos, mídia, políticos, autoridades judiciais, intelectuais, a população, enfim, o Brasil fala do mal que é a corrupção. Mas todos devem ficar muito bem cientes de suas responsabilidades pelo fim do que poderia ser o início de uma grande estrutura de combate a corrupção no país. O combate a corrupção é uma questão de estado e da nação, pode-se arregimentar todos os argumentos, mas é necessário ter em mente que antes de acabar em suas bases a estrutura montada é necessário aperfeiçoá-la, aumentá-la, corrigi-la em pontos específicos.  

Uma grande tragédia parece se aproximar. É com este sentimento que escrevo tal post. Todos devem ficar cientes de suas responsabilidades. 


O fim do combate a corrupção no Brasil

16 março, 2009

Muitas pessoas com influência e poder no estado brasileiro têm interesse que as operações de combate a corrupção acabem ou míngüem. São empresários, políticos, juristas, pessoas com muito dinheiro e que são alvos constantes da polícia, afinal quem corrompe neste tipo de ação são pessoas da elite econômica do País, que geralmente são da elite da política e da opinião pública. Deste modo, vários interesses convergem para que a polícia diminua sua atuação no combate a corrupção, cada qual aproveita um momento para dar uma alfinetada dura na PF.

Será que a policia federal só começou a cometer irregularidades a partir das suas operações de combate a corrupção? Antes ela atuava na legalidade, agora não? O estado policial não existia antes, agora sim? Talvez a PF continue a mesma, mas os alvos é que são outros, estes, agora são poderosos.

Diversas pessoas se levantam contra a forma de atuação da polícia federal a partir do momento em que ela passa a combater a corrupção, a mexer com gente grande. Esses levantes revelam um implícito privilégio em relação às pessoas da elite econômica.

A CPI do Grampo de Itagiba começou em outubro de 2007. Chega-se hoje em 2009, buscando ar para sobreviver e encontrou isso na operação satiagraha, um verdadeiro bode expiatório. Inclusive para políticos com medo de ser investigado ou de ter o nome aparecendo na HD de Dantas.

Gilmar Mendes acusa sem provas a PF de grampear o STF deste 2007. Porque acusar a PF e não aqueles que a PF prendeu e investigou? Será que estes não têm grande interesse nas suas questões que o STF julga? Afinal quem grampeou o mundo e fundo foi a Kroll a mando de Daniel Dantas. As escutas da PF quem faz são as operadoras telefônicas a mando de Juiz e já foi provado que a ABIN não possui equipamentos para fazer tais grampos. Com certeza os policiais devem se sentir tristes depois de fazer um grande trabalho e ver o judiciário soltar muitos dos presos, mas sair da tristeza para o grampo, e mais do STF, não seria demais?

A tentativa de desqualificação do trabalho da PF de combate a corrupção deságua na imprensa, com suas acusações de que a PF fez escutas ilegais, grampeou jornalistas, privilegiou certas empresas jornalísticas (quanta inveja). A imprensa ficou chateada com as acusações da PF de que seus jornalistas estariam corrompidos por empresários e políticos, participariam de um sistema Dantas de comunicação; já não bastava o dossiê de Nassif contra a Veja e o constante relembrar de Paulo Henrique sobre o PIG. A imprensa passa a mostrar que quem é questionável é justamente a PF, que acusa os jornalistas de prática ilegal.

Vale lembrar que Dantas participou da privatização das teles e justamente naquelas compras em que mais há suspeitas de ilegalidade. Vale lembrar que Dantas grampeou pessoas íntimas do governo e até membros do planalto. Vale lembrar que Dantas e suas empresas participaram do mensalão, afinal a satiagraha é um afluente do mensalão. Vale lembrar que Dantas possuem empresas que fazem operações financeiras ilegais para seus clientes, estas clientes devem ser pessoas com muito dinheiro, pessoas da elite econômica, provavelmente, empresários e políticos. As pessoas ligadas a estas operações suspeitas de Dantas não querem ver seus nomes na mídia e não querem ser punidos pela justiça, se forem. Essas pessoas se juntam a aquelas que têm medo da PF bater em sua porta e que desejam que suas operações acabem, antes de ser o próximo alvo.

abc

É muita gente com poder e influência querendo que a PF acabe com suas operações de combate a corrupção. É muito medo, e o medo move as pessoas…. O Brasil é refém dos corruptos. Esse tema atravessa o governo Collor, FHC e Lula sem uma resolução. Os problemas econômicos são minimizados, pessoas aumentam de renda, mas a corrupção perpassa todos os governos. Agora que a coisa estava começando a ser combatida de frente, querem melar o jogo… não o deles, o da polícia.

Vajam esse vídeo muito interessante que vi no Nassif. Vejam principalmente a parte final a partir dos 15 minutos.


Saiba por onde anda Marcos Valério.

11 março, 2009

Jornal de Minas Gerais, Hoje Em Dia fez matéria exclusiva que mostra como Marcos Valério sofreu na cadeia, espancado, perdou os dentes e ficou com marcas de estiletes. Veja o texto:

De fato, mais magro e mais arredio, mas sem proteção especial ou segurança, pelo menos ostensiva, o empresário Marcos Valério já não teme a morte, depois de vê-la passar quatro vezes pela cela especial em que estava preso como “ad” – à disposição – na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo. Embora circulando de forma discreta, mas normalmente, por Belo Horizonte, a bordo de um carro nacional preto, um Vectra, de vidros escuros, Marcos Valério treme quando lembra os 98 dias em que ficou na cela 101 do presídio paulista e é capaz de dizer para si mesmo : – não tenho mais medo da morte. O que não o impede de recorrer regularmente a uma psiquiatra, a dra. Adriana Vieira, em Belo Horizonte, onde busca apoio para superar o inferno que viveu no presídio, a tensão dos dias atuais e a tentativa de superar traumas que o impedem de retomar uma vida normal, até mesmo em casa. 
Marcos Valério já não tem o sorriso fácil da época em que frequentava quase diariamente um restaurante de comida italiana na Rua Sergipe, no coração da Savassi (Zona Sul de BH). Nem poderia. Seus dentes da frente foram quebrados durante uma das surras que tomou de presidiários do Tremembé, recuperados – os dentes – por próteses provisórias que não o livrarão, contudo, de um implante ósseo para recomposição de parte do alvéolo superior.  Lei Mais.

Será que Daniel Dantas tem medo do que vai lhe acontecer se for preso?

Estas pessoas sabem muito sobre os podres da política e dos negócios do País. São verdadeiras caixas pretas.

Outra face deste momento que vive o nosso País é que ninguém acretida em ninguém, pois há sempre a desconfiança de que alguém está usando politicamente depoimentos, batidas policiais, reportagens e decisões judiciais. As revistas, os jornais, os reporteres, os juizes, os ministros, os empresários porecem que são usados politicamente.

Somos reféns das meias mentiras.