Contraponto na política paraibana

13 março, 2010

Neste início de ano a política na Paraíba está pegando fogo. Há uma verdadeira guerra de torcidas e o bom senso passa longe. O processo está tão crítico que já há acusações de morte e até tentativas de assassinato com possíveis relações políticas. Será verdade?

Por isso, nesse post vamos tentar mostrar um balanço de alguns fatos críticos destes últimos dias.

O caso da Ponto do Boi Morte em Aparecida-PB

Maranhão vem com muita propaganda, mostrando o que fez e até o que não fez na Paraíba. Parece achar que o eleitor-ouvinte é burro. Mas vamos lá. Neste caso, dizem que essa ponte é obra para inglês ver e outros dizem que é pura realidade.

Maranhão garante: ponte do Boi Morto vai ser concluída até junho. Governador avalia projeto, conversa com o povo, concede entrevista e determina agilidade da obra. A ponte sobre o riacho Boi Morto, no município de Aparecida, será entregue em junho deste ano. A garantia foi dada pelo governador José Maranhão durante visita ao local realizada na manhã desta sexta-feira (8), onde concedeu entrevista e conheceu a obra orçada em R$ 1,8 milhão. Ele disse que determinou a aceleração dos serviços, inclusive um desvio para acesso das populações dos municípios de São Francisco e Santa Cruz, que utilizam uma passagem molhada construída após a queda da ponte.

De outra parte, um padre que até pouco tempo andava muito pelos corredores do Sistema Correio vem denunciando a pouca seleridade da obra. Vejamos: O Padre Djaci Brasileiro, da Paróquia de Santa Cruz, denunciava a paralisação das obras da Ponte do Boi Morto, municipio de Aparecida, no programa radiofônico de Ademar Nonato, Em Sousa, indagorinha, quando um ouvinte de Santa Cruz ligou para avisar:

-Padre, o senhor não sabe o que aconteceu faz pouco. Parou um caminhão entupido de operários, todo mundo vestido de azul e usando capacete azul, desceram do caminhão, subiram na ponte, cada um pegou uma marreta e começou a bater. Aí parou uma van, dela desceram uns homens com máquinas de filmar, os homens ficaram filmando os operários baterem com as marretas e, depois de algum tempo, as filmagens pararam, os da Van entraram e foram embora e os das marretas guardaram as marretas, subiram no caminhão e ganharam a estrada”.

O caso da repórter agredida

A jornalista Pollyana Sorrentino, do Sistema Correio, foi agredida na manhã desta quinta-feira (11) por um vigilante do Posto de Saúde da Família (PSF) do bairro do Geisel, em João Pessoa, no momento em que tentava fotografar um imenso formigueiro que domina o terreno onde foi construído o prédio da unidade.

Repórter da Correio Sat, Pollyana acabara de fazer uma participação ao vivo no Programa Correio da Manhã (98 FM) quando foi surpreendida por um guarda, identificado até aqui apenas pelo prenome de Joel. Ele saiu do interior do PSF, agarrou a mão da jornalista e apertou até fazê-la soltar o celular com o qual fotografava o formigueiro.

O vigilante ‘confiscou’ o aparelho e somente o devolveu a Pollyana minutos depois, atendendo a pedidos de outros funcionários do PSF e de moradores do bairro que presenciaram a agressão. Dois desses moradores acompanhavam o trabalho de Pollyana quando ela foi abordada por Joel. Foram eles os autores do convite para a repórter constatar pessoalmente e narrar aos ouvintes do Correio da Manhã as deficiências do PSF do Geisel.

Chamada por populares, uma viatura da Polícia Militar foi até o local e deteve o vigilante, que não é dos quadros da PMJP. Também não é empregado de qualquer empresa regular de vigilância. Trata-se de um prestador de serviço, segundo apurou a produção de jornalismo da Correio Sat.

E aí e que resultou:

O laudo emitido nesta sexta-feira (12) pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba confirma que não houve agressão alguma à repórter do programa Correio da Manhã, do Sistema Correio de Comunicação no PSF do Geisel.

O exame de corpo de delito foi realizado ontem mesmo, em caráter de urgência e a pedido do delegado Paulo Martins, da 4ª Delegacia Distrital. Assinado pela perita Vilani Maia de Macedo Costa, o exame diz claramente que “constatou-se que a examinada não apresentou lesões no momento do exame”.

O delegado Paulo Martins, que preside o caso, disse, no termo circunstanciado, que a repórter “sem a devida permissão adentrou o imóvel, apesar de ser público, e tentava averiguar as condições de funcionamento do PSF. Mesmo sendo jornalista-radialista, teria que pelo menos respeitar o pedido de um simples funcionário que orientou em procurar a Direção ou com a Secretaria de saúde, para colher as informações necessárias ao esclarecimento da sua reportagem, muito embora a Imprensa tenha o seu espaço livre, deveria também respeitar o espaço dos outros”. Veja o arquivo em anexo.

O caso Efraim Morais

Saiu no Jornal Estado de São Paulo, que apesar de qualidades duvidosas tem grande circulação e aparição. Disputa das vagas de senador pela Paraíba é liderada por dois políticos considerados “ficha-suja”: o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e seu aliado, o senador Efraim Morais (DEM). Segundo pesquisa de intenção de voto contratada pelo jornal Correio da Paraíba ao Instituto Consult, do Rio Grande do Norte, Cunha Lima tem 38,7%, das intenções de voto para senador, seguido de Efraim Morais, com 17,45%. A pesquisa foi divulgada na última quinta-feira. Em terceiro lugar, está o prefeito de Campina Grande (a segunda maior cidade do Estado), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), com 11,80%.

Efraim com ironia e cinismo afirmou seu contraponto: Diante das denúncias reavivadas, uma delas publicada no Jornal Estado de São Paulo deste sábado, o senador reafirmou um desafiou que já havia feito em outras épocas: “Além de mim, quem pode tirar Certidão Negativa na Justiça?” Vale destacar que a matéria do Estadão é assinada por jornalista que atua no Correio da Paraíba e é correspondente do matutino paulista.

Efraim, que se diz inocente de todas as acusações, diz que não há sequer processo formalizado . “Devo realmente ter apresentado um bom desempenho para que mirem em mim”, declarou.

O senador tem muito o que explicar para a justiça, agora é aguardar.

O caso Nivaldo Manoel

O deputado estadual Nivaldo Manoel (PMDB), que está perto de perder mandato para o PPS por infidelidade partidária, exagerou nesta sexta ao tentar explicar, em entrevista à101 FM, porque deixou a legenda sem comunicar as lideranças do partido. Ele disse claramente que tinha medo de que o atual presidente da legenda, José Bernadino, que é chefe da Guarda Municipal, pudesse lhe matar. “Bernadino é muito arrogante, temperamental, violento, e confesso que tinha medo, temor de que ele partisse para uma agressão maior e me matasse, desse um tiro em mim!”, disse o deputado.

O possível agressor respondeu, não à bala:

Um dia depois de ter sido acusado de tentativa de agressão física contra o deputado estadual Nivaldo Manoel (PMDB), o presidente do PPS, José Bernardino da Silva conversou com o Parlamentopb e negou que seja verdadeiro o relato do parlamentar: “Estou com minha consciência tranquila. Aos 49 anos de vida, nunca fui a uma delegacia e nem nunca fui acusado de agressão por ninguém. Desafio qualquer um a provar o contrário. Nivaldo quer jogar meu nome na lama por causa da ação do PPS que pede o mandato dele. Ele confunde meu papel como presidente do partido com uma motivação pessoal, que não existe”, disse o dirigente.

Mas, a principal queixa de Bernardino em relação à participação de Nivaldo Manoel, ontem, no programa Paraíba Agora, foi a insinuação de que poderia ter atentado contra a vida do deputado evangélico: “Eu estou pensando em processá-lo por calúnia, injúria e difamação. Ele quer me responsabilizar porque sabe que vai perder o mandato e eu temo que as pessoas ligadas a ele, como assessores e amigos, possam acreditar que o responsável pela perda do mandato sou eu. E o único responsável é o próprio Nivaldo, que conhecia a lei e mesmo assim deixou o PPS sem ter justa causa. Ele confundiu perseguição com desentendimentos pessoais. Ele nunca foi perseguido. Não existe advertência nem nenhuma sanção imposta pelo partido a ele. O castigo maior para isso tudo será dado na segunda-feira, no TRE, quando ele perder o mandato”, previu.

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As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.


A 1ª Secretaria do Senado. Há de começar por Efraim do DEM/PFL

13 julho, 2009

Um processo de oito volumes que tramita na 12ª Vara Federal de Brasília, em segredo de Justiça, revela um personagemchave que começa a jogar luz sobre a caixa-preta em que se transformou a primeira-secretaria do Senado Federal, controlada há uma década com mão de ferro pelo antigo Pfl, hoje DEM, responsável pela gestão de R$ 2,7 bilhões por ano. Trata-se de Aloysio de Brito Vieira, o “Matraca”, ex-presidente da Comissão de Licitação da Casa, que se tornou o operador de um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas que funciona com a conivência ou participação de alguns senadores do DEM. Na tarde da quinta-feira 9, ISTOÉ apresentou documentos a um dos cabeças da organização que revelou como funcionava o esquema. Para fazer parte do pool de fornecedores do Senado, empresas eram obrigadas a pagar uma propina que, dependendo do valor do contrato, poderia chegar a 30%. “Só a empresa Ipanema foi obrigada a pagar R$ 300 mil reais por mês para o primeirosecretário Efraim Morais”, contou. A Ipanema Empresas de Serviços Gerais de Transportes Ltda., que recebia cerca de R$ 30 milhões porano pela terceirização dos funcionários da agência, jornal, rádio e TV da Casa, atuou no Senado até o final de março. Outras empresas como a Delta Engenharia Indústria e Comércio Ltda. e a Brasília Informática também teriam pago comissões a Efraim, segundo o participante do esquema.

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E fica a pergunta: quem vazou dessa vez?


Meu carro oficial: símbolo de quase tudo de podre

21 maio, 2009

imorais

Nos últimos dias o senador Paraibano Efraim Moraes (DEM) vem sendo alvo de inúmeras denuncias de práticas irregulares das mais diversas. Em recente matéria o correio braziliense fotografou familiares do senador utilizando o carro oficial para fazer atividade partculares. É a clássico confunsão entre o público e o privado. Sem querer entrar nas denúncias contra o senador vamos a questão dos carros oficiais.

Inúmeros políticos e servidores de alto escalão do estado possuem estes carros. Eles devem ser utilizados pelos próprios e apenas para atividades de trabalho. Este é o BOM SENSO. Mas o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou  “O critério de uso do carro é do senador. Cada um usa do jeito que bem entender. Quem manda é o bom senso”. 

Dando a entender que isso que acontece em casos como esse do senador Efraim é bom senso. Mas pelo jeito o critério é o hábito. Sempre foi assim, todos fazem isso também. Eu sigo a regra – informal e aproveito a brecha legal. Enfim, esse é o bom senso a que Fortes faz referência implicitamente.

O uso desses carros oficiais é uma verdadeira farra. E isso não é apenas no legislativo, não. No judiciário creio que seja do mesmo modo. E vale dizer, no judiciário e legislativo de todos os estados e de Brasília. Quanta grana desviada de finalidade!!!! Família e amigos muito se beneficiam desta boquinha. E não adianta controlar taxando cotas não. Pois fazer cotas com base em histórico dos gastos passados é formalizar os abusos dentro da média. 

O engraçado é que a farra das passagens, as verbas de gabinete e de mesa, os carros, entre outras verbas apresentam os mesmos problemas. Um bom senso que reza pelo uso privado de verbas públicas em situações de dificil controle e onde há falhas na lei. O que há de interessante nestes fatos é:

– Todos já sabem a tempos que isso existe. A imprensa principalmente, mas todos fazem vista grossa e depois fazem enxame como se fosse algo novo. Um absurdo que ninguém sabia.

– Após os escandalos faz-se arremedos de controles com base em históricos de gastos totalmente enviesados pelos abusos passados.

– Políticos e servidores se defendem afirmando que é praxe da casa e que a lei não especifica como deve ser o uso! Aí meu Deus. Será que a lei tem que ser tão específica para dizer quando é possível ou não disponibilizar um carro, uma cargo, uma verba (que é para uso em serviço) para atividades particulares, sejam quais forem? A lei não proíbe minha mulher de ir ao salão…. mas proíbe de levá-la ao aeroporto. È esdruxulo, mas só sendo assim para entenderem… ou quer que desenhe.

– Essas brechas legais, que são na verdade desculpas imorais, serem para políticos saírem por aí dizendo que “Agi dentro da lei”. Peraí…