Fotógrafa é agredida por agente penitenciário

18 julho, 2009

Já não bastasse o vídeo mostrando as cenas de tortura que agentes penitenciários fizeram com o autor da chacina da família Santos no Rangel, agora eles são acusados de agredir fotógrafa e impedi-la de fazer seu trabalho.

Segundo Fabyana, ela tentou tirar fotografias do acusado, Carlos José dos Santos, quando ele estava saindo da sala onde estava prestando depoimento. Quando pegou o equipamento para fazer as imagens, um dos agentes penitenciários que estava acompanhando Carlos José, a segurou e empurrou a câmera machucando o nariz da repórter fotográfica.

“Ele disse que não podia fazer imagens, me segurou e empurrou a câmera contra meu rosto. Isto revela o despreparo do agente penitenciário. É inadmissível um agente do Estado agredir uma pessoa da imprensa. Fui agredida porque ele não queria que eu tirasse fotos do acusado”, disse a Fabyana.

Carlos José dos Santos, autor da chacina que provocou a morte de cinco pessoas da mesma família, prestou depoimento no presídio PB1 nesta sexta-feira para a Comissão de Sindicância que apura denúncias de tortura praticada por supostos agentes penitenciários contra o acusado.

— Em tempo um

Veja o que afirmou em depoimento o assassino da família Santos:

No início da tarde, ele foi interrogado pela Comissão de Sindicância criada para investigar denúncias de tortura nos presídios paraibanos, mas acabou não reconhecendo as supostas pessoas que o teriam agredido dentro do Roger.

Ele alegou que teria tomado um remédio analgésico para conter uma dor que tinha no pé e este medicamento teria provocado amnésia nele. Segundo o capitão Sérvio Túlio, presidente da Comissão de Sindicância e responsável pelo depoimento, Carlos José disse que não lembrava nem das fisionomias dos suspeitos, nem mesmo que tinha sido agredido.

Sérvio Túlio disse que não tem como dizer se Carlos José está mentido por medo de alguma represália dos agentes penitenciários, mas prometeu seguir nas investigações. “Nem mesmo depois de ver o vídeo (das agressões, que vazou para a internet) ele disse lembrar o que tinha acontecido”, declarou o capitão da Polícia Militar.

—-Em tempo dois:
Veja reviravolta no caso:

Em depoimento ao delegado Deusdedit Leitão, da 9ª Delegacia Distrital em Mangabeira, Antônio Lima dos Santos, tio dos meninos sobreviventes, afirmou que o garoto mais velho, Priciano, de 11 anos, lhe contou em uma conversa informal que foi Edileuza, e não Carlos, quem matou os irmãos dele. A criança, que ficou escondida debaixo da cama durante a chacina, narrou que escutou a esposa de Carlos amolando o facão do lado de fora da casa e, depois que o marido matou primeiramente o pai da família, entrou para executar as crianças.

Outro depoimento ratifica a versão que contada pela criança ao tio. Segundo o delegado, o primeiro policial militar que entrou na casa encontrou a mãe da família, Divanise, agonizando. Ela teria lhe dito que Carlos matou o marido e Edileuza se encarregou dos filhos dela. No entanto, ainda não está claro qual dos dois golpeou Divanise.

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Barbaridade em série: assassino da família Santos é torturado pela polícia

13 julho, 2009

Hoje aquilo que apenas era senso comum ou suspeitas que rolavam boca a boca pela cidade foi confirmada com um vídeo. A polícia bateu e torturou o assassino que matou sete pessoas da família Santos.

Imagens de um cinegrafista amador, exibidas com exclusividade no telejornal “O Norte Agora”, nesta segunda-feira, dia 13, mostram cenas de tortura contra Carlos José dos Santos, acusado de matar sete pessoas da mesma família (incluindo dois bebês que ainda estavam no ventre da mãe assassinada) na chacina do Rangel, na madrugada última quinta-feira, dia 9.

VEJA VÍDEO AQUI

As imagens mostram supostos agentes penitenciários agredindo o acusado a socos e pontapés. O local onde a agressão aconteceu ainda não foi identificado, mas o caso possivelmente ocorreu em um presídio da Capital.

O secretário Executivo de Administração Penitenciária, coronel Maurício, afirmou que não vai se adiantar sobre o conteúdo do vídeo que mostra o acusado de chacina uma família sendo torturado por supostos agentes penitenciários. Ele afirmou, porém, que determinou a abertura de uma investigação e determinou que fosse feito um exame de corpo de delito no preso.

Já o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, o procurador Duciran Farena, após assistir ao vídeo em que Carlos José dos Santos é torturado, solicitou ao secretário de Segurança Pública, Gustavo Gominho, a instauração imediata, dentro de 72 horas, de uma investigação e a adoção de medidas para “assegurar a incolumidade física do acusado”.

O advogado Alexandre Guedes, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), afirmou que o caso é grave e que será levado à pauta da reunião do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

“Este é um crime grave porque se trata de um crime praticado dentro da estrutura do Estado. Sempre recebemos denúncias, mas ainda não tínhamos provas visuais. É um absurdo porque pessoas pagas pelo Estado estão praticando um ato de ilegalidade que pode causar prejuízos ao próprio Estado”, afirmou explicando que toda pessoa que sofre atos contra a sua integridade física pode exigir indenização do Estado. “Não se trata de a vítima de tortura ser culpado ou inocente. Mas o agente do Estado não pode praticar vingança pessoal contra o preso”, completou.

Entre as vítimas mortas na chacina estão os irmãos Raíssa Soares dos Santos, de apenas 2 anos, Rair Soares dos Santos, de 4 anos, e Raquel Soares dos Santos, 10 anos. Também foram assassinados o pai, Moisés Soares dos Santos, de 33 anos, e a mãe, Evanize dos Santos, de 27 anos, que estava grávida de gêmeos e perdeu os bebês antes de morrer.

Das vítimas do atentado praticado na última quinta-feira apenas dois garotos sobreviveram. Rian, de sete anos, que ainda está internado no Hospital de Emergência e Trauma, e o irmão dele, Tirciano, de 11 anos, que conseguiu escapar sem ferimentos por ter se escondido embaixo de uma cama quando percebeu que a casa estava sendo invadida.

Além de Carlos, a esposa dele, Edileuza Oliveira, também é acusada de ter participado do crime. Carlos está preso no presídio do Róger e Edileuza está no presídio do “Bom Pastor”.

CNJ faz inspeção no presídio

Uma comissão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está neste momento no presido do Roger, fazendo uma inspeção das condições carcerárias e apurando denúncias de tortura contra os detentos.

Informações repassadas com exclusividade ao WSCOM Online dão conta de que o gesseiro José Carlos dos Santos, que ficou conhecido como “O Monstro do Rangel”, por ter realizado uma chacina no bairro que matou cinco pessoas e dois fetos, será ouvido pelos membros da comissão.

Nesta segunda-feira 13 foi veiculado um vídeo em várias emissoras de televisão do Estado mostrando o gesseiro sendo espancado por homens fardados, provavelmente agentes do presídio.

Além de ouvir o “Monstro do Rangel”, a comissão vai verificar as condições carcerárias dos demais apenados, como está fazendo em outros presídios da Paraíba e de todo o país.

O juiz daVara das Execuções Penais, Carlos Beltrão, está acompanhando a Comissão.

IML confir agressões:

O laudo entregue à Secretaria de Cidadania e Administração Penitenciária do Estado demonstra que o réu sofreu lesões nas costas e no tórax.

O resultado definitivo só sai nesta quarta (15). O réu confesso foi analisado por dois médicos legistas no Instituto de Polícia Científica, em João Pessoa, e depois retornou à cela isolada no presídio do Roger.

Após analisar as primeiras evidências e um vídeo que foi divulgado na segunda-feira mostrando o preso sendo espancado, a secretaria já adiantou uma certeza: as imagens foram mesmo feitas dentro do Roger. A informação contraria a defesa do ex-diretor da unidade, Dinamérico Cardim, que falou em entrevista à rádio 101 FM que o vídeo seria uma montagem e não teria sido gravado na instituição.