Ricos e conscientes. Eles querem pagar mais impostos.

23 outubro, 2009

Esta notícia, no mínimo, contraria o senso comum segundo o qual quanto mais rico mas pão duro, mais dinheiro quer e menos preocupado com as questões sociais que assolam outros grupos. A atitude é louvável, pois mostra preocupação, ainda, mostram confiança no governo e no Estado tão demonizado por muitos por aí.

Eles não só querem dar dinheiro como também fazem protesto por suas ideias. Mesmo que elas sejam destoantes do senso comum.

Vamos a notícia.

Um grupo de alemães ricos lançou uma petição sugerindo ao governo que cobre mais impostos dos cidadãos do país com mais dinheiro.

Eles dizem ter uma fortuna maior do que necessitam e que os recursos adicionais arrecadados poderiam financiar programas econômicos e sociais que ajudariam a Alemanha a se recuperar da crise financeira global.

O grupo calcula que o governo poderia arrecadar 100 bilhões de euros se os alemães mais ricos fossem taxados em 5% por dois anos.

A petição conta com 44 assinaturas e será apresentada à chanceler Angela Merkel.

Cédulas pelos ares

O grupo afirma que a crise mundial vem aumentando o desemprego e a desigualdade social e que simplesmente doar dinheiro não seria o bastante.

“O caminho para sair da crise deve ser pavimentado com enormes investimentos na ecologia, educação e justiça social”, dizem eles na petição.

O líder da iniciativa, Dieter Lehmkuhl, disse ao jornal Tagesspiegel de Berlim que cerca de 2,2 milhões de pessoas na Alemanha possuem patrimônio de mais de 500 mil euros.

O grupo realizou uma manifestação em Berlim na quarta-feira para atrair publicidade para a proposta. Na ocasião, eles jogaram no ar cédulas falsas.

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Raio X da violência na Paraíba. Assaltos, crimes, mortes e crack.

20 outubro, 2009

Crack

É cada vez mais notório o aumento significativo da violência na Grande João Pessoa (Capital, Santa Rita, Cabedelo, Bayeux, Lucena, Conde e demais) e também na Paraíba, aí temos Patos, Campina, Mamanguape e outros.

Cenas e fatos que você nunca tinha visto antes, ou que ocorriam uma vez perdida em anos começam a acontecer quase que a todo fim de semana. Invasão de casas, polícia recebida a bala, tortura, mortes por encomenda, sequestro relâmpago, assaltos a ônibus, artistas se envolvendo com crack etc.

Toda esta violência tem um centro nervoso, uma espinha dorsal que se chama CRACK. Trata-se de droga de baixa qualidade e preço, sendo aquela que possui os efeitos mais nocivos a saúde e a família. Ainda, é uma droga de fácil dependência, sendo seu vício extremo. Esta droga invadiu a Paraíba nos últimos anos, com o apoio de pessoas de outros estados. A PF aumentou significativamente a apreensão de crack no Estado. E isso é apenas um sintoma de algo bem maior.

Junto com o crack vem os assaltos, crime organizado, degeneração familiar etc. Esta droga invade todas as classes e cada uma responde de modo diferenciado. Para manter o vício as pessoas mais pobres partem para vender as coisas de casa e depois para assaltos pequenos e grandes. Os mais ricos começam vendendo seus pertences e endividando-se. Começam também a fazer assaltos, quando se veem encurraladas.

Como se pode ver, assaltos a ônibus, empresas de bairro, assaltos relâmpagos, roubo de carros para praticar assaltos viram formas de violência cotidianas a frenquentar jornais e indignar pessoas.

De outro lado, aqueles que não conseguem pagar pela droga, seja roubando ou vendendo o que tem, terminam ficando na mão dos bandidos traficantes e morrem. As mortes por encomenda, os acerto de contas começam a se tornar frequente. São crimes que possuem cada vez mais requintes de crueldade, provavelmente para mostrar e servir de lição para os demais futuros inadimplementos com o crime.

Desse modo, ossadas encontradas, mortes em frente de casa, invasão seguida de morte, assassinos da moto preta viram manchetes de jornais e incomodam a todos.

No meio de tudo isso estão as famílias e amigos. Nesse ponto, a família já está envolvida e começa a se desmanchar em brigas e discussões. Ninguém sabe mais o que pode ser feito. Em pontos extremos os filhos e filhas são presos em casa, são amarrados ou internados, para quem pode pagar pelo tratamento. Em outros casos, os filhos caem no mundo e ficam a mercê da própria sorte.

Comandando isso tudo estão organizações e bandos de criminosos que se alimentam da venda de crack e do consumo. Esses grupos vão ficando cada vez mais organizados e bem armados, aí começam a fazer frente a polícia. Começam a dominar regiões e em certos bairros e favelas o Estado que já erra ausente fica impedido de entrar. Quando entra é recebido a bala.

Dai nasce a passividade da polícia. Muitos policiais acham que deixar os bandidos se matarem e/ou as coisas correm solta é a melhor saída, mas pelo contrário, é deixar a sociedade refém desses grupos que ficam cada vez mais poderosos e concentrados. Nasce também a corrupção, que é um câncer para qualquer organização.

Isso é um circuito conhecido de muitos e muitos lugares. Vejam o caso do Rio, de São Paulo ou de Salvador. Isso tem um início. É o que estamos vendo aqui na Paraíba. Por isso, quando mais cedo o combate, a conscientização, melhores serão os resultados no futuro. Entretanto parece que estamos diante de um Estado, Governo e políticos inoperantes. A polícia entra em greve e ninguém está preocupado. Os jornais a cada dia só noticiam crimes bárbaros e o aumento da violência e ninguém acorda.

Trata-se, como se viu, de um problema complexos, não apenas de polícia, mas social. Depende da geração de emprego e renda, da melhoria da educação e estruturação familiar. Não é apenas combate, é conscientização.

A pergunta é: quando vamos começar a tratar esse tema com a devida seriedade? Quando uma figura de renome morrer ou falar que está viciada em crack? Quando a polícia for atacada pelos bandidos e ficar com cara no chão? Não se pode pecar nesse assunto, pois exemplos já temos, formas de combate também. Porque ficar parado?


Um show de governo ou um governo show?

16 outubro, 2009

José Maranhão ocupou a cadeira de Cássio Cunha Lima, pois este não cumpriu as regras do jogo eleitoral. Está lá há quase 10 meses, o que já dá um bom tempo para arrumar a casa e saber o que pode ou não fazer, colocando enfim a máquina para funcionar, dentro do rumo que o governo considera saudável para o Estado.

Neste momento, olhando para o passado e vendo o que temos até agora podemos pensar: trata-se de um show de governo ou um governo show. A pergunta é pertinente, pois o governo parece que oscila entre esses dois tipos de atuação de forma constante, levemente pendendo para um governo-show.

José Maranhão conseguiu destravar algumas obras que empacavam no Governo Cássio, o melhor exemplo é o Centro de Convenções. Tem-se ainda uma série de obras que começam a surgir a partir do empréstimo junto aos bancos de fomento.

Viu-se que após poucos meses, o governo colocou propagandas na TV mostrando suas realizações. Algo um pouco surrealista diante da pouco tempo e do discurso de Maranhão de que ainda estava arrumando a casa. A propaganda faz pensar: ele já está fazendo isso? Ou não, está apenas continuando o que já estava em andamento? A propagando pecou, pois deveria ser mais “conceitual”: como o governo está imprimindo uma nova forma de governar para o desenvolvimento do Estado.

Depois disso, estamos vendo um governador que não pára “em casa”, está sempre inaugurando o lançamento ou a pedra fundamental de alguma obra, ou seja, está sempre inaugurando uma promessa e não um resultado.  Festas de muita pompa, cobertura exaustiva da Correio. O governo parece que está funcionando, mas como estaria a gestão de fato?

Aí nesse ponto parece que temos dois Governo, um que gere e outro que faz as relações públicas. Maranhão está muito concentrado no segundo governo e até esquecendo de fazer o devido diálogo entre gestão e relações públicas.

Assim aparecem os problemas, de festa em festa, o governo esqueceu dos problemas de gestão da CEHAP, do política cívil, dos delegados (diga-se de passagem importantíssimo, haja vista o aumento sensível da criminalidade na região de João Pessoa), as falta de água e excesso de buracos da CAGEPA.

Obras são importantes, mas o governo deve se ater para a gestão em si, anova forma de governar. As diferenças vem daí. Todos fazem as obras, uns mais que os outros, entretanto, sua relevância está no que ela significa: melhorar a saúde, educação, abastecimento? O que é prioridade? É uma obra integrada a outras para gerar desenvolvimento ou é um conjunto de obras isoladas? Esta é a forma de gestão que o governo deve mostrar, para deixar de ser um pouco “governo show” e ser um “show de governo”.


Desafio para Manoel Júnior: PSB para o governo com vice do PMDB!

20 julho, 2009

Já faz bastante tempo que o deputado federal Armando Abílio do PTB lançou a aliança entre Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima para as eleições de 2010. É verdade e legítimo que ele tem a liberdade de propor a chapa que lhe convém, são pretensões. O deputado esta semana colocou Luiz Couto, do PT, em sua chapa.

Uma perguntinha: será que ao colocar Luiz Couto na chapa Abílio esteja afirmando que o deputado e o PT agora terão uma aliança com Cássio? A aliança entre Ricardo e Cássio não tem nada de formal, muito embora haja muitas especulações, que foram bastante alimentadas pelo encontro entre Ricardo e Ronaldo Cunha Lima. Mas como todos da aliança entre PMDB/PSB/PT dizem, formalmente, eles estão juntos para 2010 e querem isso. Ainda, deve-se considerar o crescimento político, não eleitoral, da campanha de Cícero Lucena para 2010, o candidato mais forte da aliança PSDB/DEM.

Apesar disto devemos ver, por hipótese, que pessoas do PSB e até o próprio Ricado Coutinho entendam como uma boa ação a aliança entre Ricardo e Cássio (PSB-PSDB), haja vista que pessoas do PMDB/PSB/PT não querem Ricardo como cabeça de chapa da aliança em 2010. Assim, os ricardistas podem querer abrir alternativas e vias de conseguir suas pretensões. Mas é bom dizer que há muita incompatibilidade nesta aliança, se não, vejam os comentários dese blog. CLIQUE AQUI.

Nesta confusão política toda devemos se ater a um detalhe. Até agora nenhum político do PMDB/PSB/PT, fora Luiz Couto e os mais ligados ao prefeito, lançaram ou apoiaram a candidatura de Ricardo para 2010. Pelo contrário, quando se fala nisso, muitos a exemplo de Manoel Júnior e Rodrigo Soares, tratam de minimizar e frear tais  intenções. Este fato é no mínimo estranho, principamente quanto todos afirmam querer a união PMDB/PSB/PT. O mais estranho ainda é Manoel Júnior do PSB não apoiar a candidatura de Ricardo. Ele diz que não aceita a aliança Ricardo e Cássio. Mas é bom dizer que esta união não ocorreu.

Nesse sentido propomos um desafio a Manoel Júnior: deputado, lançe a chapa Ricardo Coutinho para o governo em 2010 com o vice do PMDB e senador do PT! Seria seu remédio ideal. Colocaria mais uma pá de cal em cima das especulações Ricardo-Cássio e ainda levantaria a bandeira de um candidato do próprio partido para ser governador mantendo a aliança PMDB/PSB/PT. Não é ideal? Você não precisaria esquentar mais a sua cabeça. Pois como você tem boa circulação no meio do PMDB poderia até conseguir apoios lá dentro.

Como afirmamos antes, na aliança PMDB/PSB/PT os nomes mais fortes a peso de hoje e provavelmente de 2010 é Maranhão e Ricardo. Os demais estão em segunda ordem, embora possam subir na intenção da população. O problema é que tanto PMDB quanto PSB querem lançar o seu candidato. Intenção legítima, claro. Mas, nenhum dos dois abre mão desta intenção. Se exigem de Ricardo que mantenha a aliança em torno do nome de Maranhão. É plausível e honesto também exigir que se mantenha a aliança em torno do nome de Ricardo.

Assim, vamos deixar as coisas claras e fazer uma disputa interna mais tranquila como faz o PSDB e DEM. Uma última coisa, Manoel, se você não quiser lançar tal chapa, explique pelo menos o porque.


A ausência de senso moral na política paraibana

8 julho, 2009

Reiteradamente ouve-se dos políticos e comentarista da área aqui na Paraíba que “em política tudo é possível”. Frase dogmática, quase religiosa que teria seu complemento em “tudo é possível ao que crê” (sem ofensas). Tal dito em vez de expressar um sentido normativo, de como deveria ser a política ou como devem agir os políticos, parece ter mais um senso descritivo e efeito reforçador, ou até legitimador de práticas que fogem ao interesse público e que não engrandecem nossa política.

Em termos teóricos, realmente, tudo é possível, até a impossibilidade prática daquilo que afirma esta frase. Mas o que se deseja relatar aqui é a falta de senso normativo e moral que reina entre comentaristas e políticos paraibanos. Pegam-se, por exemplo, as discussões e debates em torno do empréstimo que o Governo Federal liberou para o Estado; o vai e vem sobre a criação ou não do TCM; o tal sumiço dos elevadores do Espaço Cultural; a cassação do ex-governador Cássio Cunha Lima; a pretensa união entre Ricardo e Cássio. Enfim, o que não falta é casos que são tratados do modo mais superficial ou puramente fisiológico.

Na linha do “tudo é possível”, os comentaristas, a cobertura jornalística, as falas e argumentos dos políticos vão com vistas a criar e engendrar justificativas do injustificável ou desculpas difíceis de engolir. Todos, num processo cíclico, fazem tal artimanha pressupondo provavelmente que a população não está nem aí para política ou é uma analfabeta no assunto.

E todos surfam na onda de justificar porque entrou na contramão, porque ultrapassou sinal vermelho ou xingou o vizinho de graça. Não se constrói, nem nos comentários uma linha normativa sobre a prática política paraibana. Não se espera, nem se exige dos políticos correção, coerência, legalidade, moralidade etc etc. Apenas replicasse sem filtro as desculpas.

Outro dia tinha um grupo de deputados com uma faixa bem grande na frente da Assembléia, na qual se via escrito que eles queriam trabalhar. E não era para aumentar o número de sessões para quatro ou cinco, mas para votar coisas do interesse político deles. Muitos políticos aqui adoram a frase de que “tudo foi dentro da legalidade”. Esquecem a moralidade e a ética e mais, esquecem que quem conhece bem as regras pode burlá-las com engenho.

Pois bem, a briga sobre o empréstimo é outra. Sobram ressentimentos, alfinetadas de parta a parte, desculpa para começar rinha, vontade de passar a perna no outro e até construção de “argumentos”. O que falta é INTERESSE PÚBLICO. Falta alguém dizer que eles não estão sozinhos no mundo, que há um Estado para ser bem gerido. O que falta para começar é PRESSÃO popular e da mídia. Mesmo que se apóie esse, aquele ou aquele grupo político há que se pensar no interesse da maioria e no bem estar coletivo, antes de tudo.


Comentários a crise mundial: medidas, impactos, mídia e pauta

25 janeiro, 2009

decisao

O Jornal do Brasil traz hoje um importante artigo/notícia que faz uma análise dos pacotes econômicos tanto dos países desenvolvidos quanto dos emergentes para tentar responder aos problemas gerados pela crise. Este artigo traz elementos importantes que devem ser destacados:

1. afirma a diferença entre as estruturas e dinâmica das econômias dos desenvolvidos e daqueles em desenvolvimento como o Brasil, ponto às vezes esquecidos pelos análistas e mídia. Este elemento é relevante, pois se alia a outro, aquele segundo o qual o impacto da crise se dará de modo e força diferente a depender do país. Deste modo, as medidas para responder a crise será também diferentes, ou seja, devem ser contextualizadas. Os pacotes e análises dos países ricos são exemplos e inspiração, nunca a fórmula de combate a crise;

2. As medidas hoje adotadas, independente dos países, irão ter repercussão nos orçamentos financeiro e fiscal dos governos no futuro, de modo que estas medidas devem ser pensadas tento este futuro impacto à vista. Ou seja, algumas medidas serão descartadas devido ao possível efeito negativo para o futuro;

3. As medidas que forem adotadas também terão futuros impactos, mas estes serão menos desgastantes e resolvidos com as políticas econômicas tradicionais. Aí mora um perigo para países como o Brasil, pois no futuro o país poderá ter escassez de crédito, já que os países ricos aumentarão as taxas de juros para cobrir os deficits que possivelmente terão. E se a política de hoje do Brasil for confiar numa retomada do crédito no futuro, isso pode ser uma aposta errado ou ariscada;

4. As medidas adotadas pelo Brasil, além de serem contextualizadas devem pensar nos seus impactos futuro para o País e como estarão a economia mundial e dos países ricos no futuro, pois o Brasil pode criar hoje o problema de amanhã;

5. Artigos e notícias que abordem instrumentos e mecanismos de resposta a crise, como também analisem os mecanismos adotadas e seus riscos são muito bem vindas e deveriam aparecer mais nos jornais e grande mídia. Pois se vemos na Europa e EUA a mídia discutindo a crise principalmente com foco em conceber mecanismos de combate a crise, isso não é visto no Brasil;

6. As medidas tomadas e apresentadas não devem estar baseadas em intenções e ideologias políticas com vistas a vê-las em prática. Tanto o governo não deve quer salvar o país hoje criando uma crise amanhã, o que não parece provável, pois ele possui interesses na eleição. Como a oposição e setores políticos-ideológicos (tanto de esquerda como de direita) não deveriam aproveitar as medidas de combate a crise para pôr em pauta suas idéias que estavam na surdina. Todas estas intenções tentem a criar uma enorme nuvem de fumaça que complica as medidas de resposta a crise.

Como se vê, trata-se de um contexto difícil que demanda as mentes pensantes do país. Estas mesmas mentes podem posteriormente nas eleições capitanear a paternidade das idéias de combate a crise, mostrando suas capacidade de resolver tais problemas, aí sim é um bom dividendo eleitoral. A mídia possui papel importantíssimo em criar uma massa e meio crítico para discussão destas ideias. Estes momentos serem não só para conhecermos melhor o Brasil como para concebê-lo. É hoje de grande decisões.

Vejam a matéria do JB:

 

Natalia Pacheco e Gabriel Costa, Jornal do Brasil

 

RIO – A crise financeira internacional traz um dilema para líderes de economias afetadas por todo o planeta: manter os mercados em funcionamento a qualquer custo e pagar o preço no futuro, na forma de déficits públicos e orçamentários; ou poupar gastos e enfrentar os reflexos da turbulência de maneira pontual, sob a sombra da recessão. Os pacotes de socorro bilionários anunciados desde o ano passado pelos governos evidenciam a escolha dos chefes de Estado ao redor do mundo. O fantasma do desequilíbrio ocasionado por gastos maciços, no entanto, permanece no horizonte.

Em seu relatório anual, divulgado na semana passada, o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) afirmou que os vultosos volumes de recursos destinados para ajudar instituições financeiras ameaçam as “já precárias situações fiscais de países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Austrália”.  >>>> Click para ver a íntegra.


Dados sobre desemprego mostram alarmismo da mídia

22 janeiro, 2009

indices

Nestes últimos dias a mídia divulgou em manchetes alarmistas que o saldo entre contratação e demissão do mês  de Dezembro de 2008 foi o pior em dez anos. Muitas mídias estampavam o número de 654.946 demitidos em dezembro. Divulgavam alarmando para os efeitos da crise que atinge o Brasil. Como tinhamos observados antes, a crise chegou ao país de modo mais tarde do que tinha chegado ao outros países emergentes: Rússia, China e India. 

A mídia estava na expectativa de obter dados que comprovassem o quanto será grande o impacto da crise no país e quando chegou os dados do Ministério do Trabalho, foi um prato cheio. Agora o IBGE mostra que o desemprego em dezembro está no menor nível dos seis anos da pesquisa. De quebra mostrou que o desemprego do ano também sofreu redução. Estes dados inclusive foram contrários as expectativas de analistas de mercado. Para quem acha que o governo está sempre fora da realidade, até que um bom revés.

Mais uma vez afirmamos que as previsões são previsões e não acerto pré-agendados. Por hoje, sabe-se que o Brasil será afetado pela crise na forma de desaceleração, mas a grande questão é o quando será afetado? Não podemos fazer análises superficiais dos dados como a mídia tem feito para fazer com que eles falem o que alguns querem. É necessário ver as questões de modo concreto com vistas a resolver o problema ou minimizá-lo e não ficar criando clima de alarmismo e medo, por fim, criando desconfiança e retração desnecessária e artifical do consumo.

Não é de hoje que a mídia jogo com a crise que assola o mundo e que tem como centro os países ricos. Azenha já havia destacado isso. O comportamento da mídia indica algo, mas o que: será que a mídia quer ver o Brasil sofrendo os mesmos efeitos que hoje se vê nos países ricos? Será que ela crê que o governo está fora da realidade e não se preocupa com a crise? Será que ela está jogando no campo eleitoral com vistas a 2010? Será que a mídia está traumatizada com as sucessivas crises que o país viveu há décadas e tem medo que isso volte? Será que ela quer precionar por reforma trabalhista e por redução de gastos de custeio no governo? O país não pode ficar a mercê disto.

Vejam nota do Blog acerto de contas: 

E o IBGE divulgou, agora pela manhã, a taxa média de desemprego no país em 2008. Vocês devem estar lembrados que, não faz nem uma semana, as manchetes davam conta da perda de 650 mil postos de trabalho em dezembro. Parecia o sinal de que a crise financeira se instalara de vez no país. Mas os dados consolidados de todo o ano de 2008 parecem demonstrar que a situação ainda não é desesperadora.

O Brasil fechou o ano com 7,9% na taxa média de desemprego. Inferior aos 9,3% de 2007 e a menor desde 2002. Em dezembro (quando houve o alarde midiático), o desemprego ficou abaixo da média do ano, 6,8%.

Apesar dos números aparentemente positivos, é bom lembrar que cada ponto percentual desses significam centenas de milhares de pessoas sem qualquer ocupação. A população desocupada hoje no país é de R$ 1,6 milhão de brasileiros. Uma situação que não desejo a ninguém.

E notícia do Estadão sobre as diferenças nas metodologia de medição de emprego:

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mede apenas os trabalhadores com carteira assinada, ao receber as informações das empresas sobre trabalhadores demitidos e contratados. Enquanto isso, o IBGE apura emprego formal e informal e pesquisa também as pessoas que, embora desempregadas, não estão procurado trabalho.

Outra diferença é que o Caged mede os dados do País todo, enquanto o IBGE concentra-se nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Em 2008, como um todo, a taxa média de desemprego ficou em 7,9%, ante 9,3% em 2007