Reduto moral e político do mundo? EUA divulgam documentos de tortura

17 abril, 2009

São procedimentos realizados em pleno início do século XXI por uma das maiores potências do mundo…. Todos sabiam, ninguém tinha corragem de noticiar com o devido destaque e apenas instituições de direitos humanos, muitas delas relegadas por serem “reclamonas” não eram devidamente ouvidas.

E a mídia, a mídia se calou diante disto…. que não é algo do passado mas sim do presente. Havia que vir uma novo presidente com capacidade de acabar com tudo isso e mostra para todos que isso não pode continuar. E como em compasso de espera todos AGORA elogiam e opoiam as novas iniciativas… quanta contradição.

E agora será que podemos falar em avanços continuos sem retrocessos? Pelo que se pode bem ver, vivemos um mundo de avanços e retrocessos, de rupturas e nostalgia… enfim é a realidade construída diariamente.

O que ocorre hoje que, a exemplo dessas torturas, podemos evitar e fazer a diferença? Sem apelar para argumentos vários e labirintos lógicos pensemos bem nisto! Alguns aspectos da questão palestina por exemplo… e no Brasil?

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Reportagem:

O governo americano divulgou nesta quinta-feira quatro documentos secretos – com partes censuradas – escritos por funcionarios do governo George W. Bush para justificar os métodos usados pela CIA para interrogar prisioneiros, considerados tortura por grupos de direitos humanos.

Os registros serviram de base jurídica para as práticas controvertidas da administração Bush em matéria de luta contra o terrorismo. Em comunicado divulgado pela Casa Branca, o presidente Barack Obama disse que os métodos do governo Bush depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 não fizeram bem aos Estados Unidos. “Debilitaram nossa autoridade moral e não nos tornaram mais seguros”, afirmou. Os quatro documentos foram redigidos por Jay Bybee e Steven Bradbury, advogados do departamento de Justiça durante o governo Bush – encarregados de dar um teor legal ao programa de interrogatórios dos detidos durante a “guerra contra o terrorismo”.

Tais interrogatórios incluíam técnicas amplamente consideradas como tortura, como o caso do “afogamento”. Os textos publicados incluem uma larga lista das técnicas praticadas nos prisioneiros. Mencionam, por exemplo, a obrigação de deixá-los nus, golpeá-los no rosto e no abdômen, impedi-los de dormir, submetê-los a “posições estressantes” e manipular sua alimentação, o que – segundo os funcionários que os redigiram – não podiam ser considerados tortura. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a publicação foi decidida com base em resolução tomada por um tribunal da Califórnia (oeste dos EUA).

Os memorandos podem mostrar, por exemplo, que a administração de George W. Bush previu uma argumentação jurídica para que os detentos de Guantánamo não se beneficiem das Convenções de Genebra, ou que alguns métodos de interrogatório não possam ser comparados à tortura. O presidente dos Estados Unidos garantiu, no entanto, nesta quinta-feira que os agentes da CIA que recorreram, por orientação da agência, a essas práticas de interrogatório não serão perseguidos judicialmente. Obama também anunciou que divulgava os documentos para evitar “um relato inexato do passado”, que “alimentaria suposições errôneas e exaltadas sobre ações tomadas pelos Estados Unidos”.

Obama ressaltou que, no entanto, os interrogadores não seriam processados. “Ao revelar estes documentos, é nossa intenção dar segurança àqueles que executaram as suas tarefas confiando de boa fé no conselho legal do Departamento de Justiça, que não estarão sujeitos a processos”, afirmou. “Os homens e mulheres de nossa comunidade de inteligência servem com coragem na primeira linha de nosso perigoso mundo”, ressaltou o presidente.

“Devemos proteger suas identidades de maneira atenta, assim como eles protegem nossa segurança, e devemos dar a eles a certeza de que podem fazer o seu trabalho”. Dois dias depois de sua posse, Barack Obama havia assinado dois decretos ordenando o fechamento da prisão de Guantánamo e o fim das técnicas de interrogatório controvertidas.

A Human Rights First, organização americana de defesa dos direitos humanos, afirmou num informe de março de 2008 que “a utilização de provas obtidas sob tortura e o tratamento desumano eram onipresentes e sistemáticos” na prisão americana de Guantánamo (Cuba). Em 2004, uma série de fotos nas quais se via prisioneiros submetidos a torturas – muitas delas de teor sexual – por parte de soldados americanos no Iraque gerou um escândalo mundial.

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Guantánamo “suuuper divertido”

1 março, 2009

Como um vê do seu jeito. A partir do seu ângulo, daquel que lhe convém.

Dayana Mendoza, atual Miss Universo, e Crystal Stewart, Miss Estados Unidos 2009, visitaram as tropas americanas na base militar da baía de Guantánamo, no último dia 20, segundo o jornal The New York Times. A viagem pela ilha durou cinco dias e a Miss Universo publicou em seu blog que Guantánamo é “suuuuper divertido”.

“Esta semana, Guantánamo!!! Foi uma experiência incrível… Todos os rapazes do Exército foram surpreendentes com a gente. Visitamos os acampamentos dos detidos e vimos os presídios, o lugar onde eles tomam banho, como eles se divertem vendo filmes, tendo aulas de arte, livros. Foi muito interessante. Pegamos uma carona com os Mariners para conhecer a divisa com Cuba, onde eles nos contaram um pouco da história do lugar”, escreveu.

“Eu não queria sair, era um lugar relaxante, tão calmo e bonito”, falou sobre uma das praias que conheceu.

A base de Guantánamo é o local onde tropas americanas mantêm presos acusados de terrorismo. Há várias acusações de tortura contra os prisioneiros do local.

Dayana foi eleita Miss Universo em 13 de julho de 2008, e recebeu a coroa no Vietnã. Ela tem 22 anos e foi Miss Venezuela em 2007.


Governo americano começa a admitir tortura em Guantánamo

14 janeiro, 2009

Triste e vergonhoso para os americanos. Cada qual que se responsabilize por seus atos, vamos estar atentos e cobrar. Divulguem. Basta apenas ler:

Um oficial de cúpula do governo do presidente americano, George W. Bush, admitiu em uma entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal “Washington Post” que o saudita Mohammed al Qahtani, acusado de envolvimento nos ataques de 11 de Setembro, foi torturado na prisão da base de Guantánamo, em Cuba –onde continua preso. “O tratamento dado a ele encaixa nas definições legais de tortura”, afirmou Susan J. Crawford.

Conforme o jornal, Crawford, 61, é uma juíza aposentada que serviu como conselheira geral do Exército no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e como uma inspetora do Pentágono quando o atual vice-presidente, Dick Cheney, era secretário de Defesa de Bush (1989-1993). Em fevereiro do ano passado, Crawford foi designada por Cheney para decidir quais presos de Guantánamo devem ser julgados.

Michael Reynolds/Efe

Manifestantes vestidos como detentos de Guantánamo protestam, na cidade de Washington, contra a existência da prisão americana

Manifestantes vestidos como detentos de Guantánamo protestam, na cidade de Washington, contra a existência da prisão americana

Com a entrevista, Crawford torna-se a primeira oficial de cúpula da administração Bush –que termina em menos de uma semana, no próximo dia 20– responsável por revisar práticas de Guantánamo a admitir publicamente a ocorrência de tortura. “As técnicas usadas eram todas autorizadas, mas a maneira como elas foram aplicadas foi muito agressiva e persistente.”

Bush e Cheney negam que suas “técnicas” possam ser classificadas como torturas.

“Quando você pensa em tortura, pensa em atos físicos terríveis praticados contra alguém. Mas não houve um ato específico. Foi uma combinação de coisas que tiveram um impacto médico sobre ele, que prejudicaram sua saúde. Foi abusivo e desnecessário. E coercitivo. Claramente coercitivo.”

Qahtani teve sua entrada nos EUA negada um mês antes do 11 de Setembro. Mais tarde, ele foi preso no Afeganistão e, em janeiro de 2002, enviado a Guantánamo. Os interrogatórios de Qahtani duraram mais de 50 dias, entre novembro de 2002 e janeiro de 2003. Depois disso, o saudita ficou isolado até abril de 2003. “Por 160 dias, o único contato foi em interrogatórios.”

“Em 54 dias, ele foi interrogado em 48 dias consecutivos, durante 18 horas a 20 horas. Ele foi colocado nu diante de uma agente feminina. Foi submetido a revistas íntimas. Teve a mãe e a irmã insultadas”, ressalta a agente do governo americano. Crawford conta ainda que Qahtani foi “obrigado a usar sutiã e a colocar uma calcinha na cabeça, nos interrogatórios”.

Com uma coleira presa às correntes, o prisioneiro foi arrastado pela sala de interrogatórios e forçado a “imitar truques de cachorros“.

“Os interrogatórios foram tão intensos que Qahtani precisou ser hospitalizado duas vezes em Guantánamo com braquicardia, uma situação na qual a frequência cardíaca fica abaixo de 60 por minuto e que, em casos extremos, pode levar à falência cardíaca e à morte“, diz o “WP”.

Crawford, embora admita a tortura, diz acreditar que o saudita participaria dos atentados, se não tivesse tido o visto para os EUA recusado. “Ele é um homem perigoso. E o que faremos, senão acusá-lo e julgá-lo? Eu hesitaria em dizer ‘soltem-no’.” Essa decisão sobre o futuro do saudita caberá, a partir do próximo dia 20, ao presidente eleito, Barack Obama. Obama já afirmou que, uma vez empossado, seu primeiro ato será ordenar o fechamento de Guantánamo.

Em maio do ano passado, Crawford ordenou que as acusações de crimes de guerra feitas a Qahtani fossem retiradas.

“Eu estava chocada. Estava triste. Estava envergonhada. Se tolerarmos e permitirmos isso, então como poderemos reclamar quando nossos homens e mulheres, e outros no exterior, foram capturados e submetidos às mesmas técnicas? Onde estará nossa autoridade moral para reclamar? Bom, talvez a tenhamos perdido.”