E as pesquisas para Governador-PB, o que nos dizem?

21 março, 2010

Pois bem, vamos dar crédito aos números destas pesquisas e aliar a isto uma avaliação qualitativa do cenário que vivemos nestas últimos meses. Primeiro vejamos os dados das pesquisas:

Do IBOPE para CONSULT Cícero (-5,3) e Ricardo (-5,4) perdem votos. Enquanto que Maranhão (+4,1) e Indecisos (+7,05) sobem. Os brancos e nulos, aqueles que não votam em nenhum deles praticamente se mantêm.

Os seja, os votos de Cícero e Ricardo foram para Maranhão e indecisos. Partindo da observação de que de outubro de 2009 para fevereiro de 2010 a aliança de Ricardo se consolida com Efraim e Cássio, pode-se entender que parcela dos votos certos de Ricardo foi para indecisos.

Da parte de Cícero, seus votos certos, migraram para Maranhão e outros para indecisão. Visto que houve um processo de paquera ente Cícero e Maranhão nesse período, ao mesmo tempo em que a campanha de Cícero era bombardeada por Cássio, é de supor que tal migração tenha ocorrido. Entretanto, diante da acirrada disputa entre Cícero e Cássio nesse período, os votos cativos de Cícero eram para se afirmarem, e não para correrem da raia. É como se Cícero mantivesse a candidatura e quase metade de seu eleitorado falasse: “Desista. A gente já trocou de barco”.

Diante da paquera que manteve com Cícero, é provável que Maranhão tenha ganhado os votos dos ciceristas. De Fevereiro para outubro de 2009 Maranhão já tinha 8 meses de governo, já tinha explorado propagandas e a máquina do Correio já estava atuando a seu favor, fora isso, tinha inaugurado vários inícios de obras. Os mais cinco meses até fevereiro de 2010 não mudaram muita coisa, a não ser o aumento dos ataques e até apelações do sistema Correio em suas reportagens contra a prefeitura. Isso, entretanto pode ter contribuído para aumentar a indecisão de alguns que votam em Ricardo, do que para aumentar os votos de Maranhão.

Da pesquisa CONSULT para a VOX POPULI temos uma diferença de uma semana, na qual Maranhão ganha quase 3 pontos a mais (2,9%) e a pesquisa indica que estes votos viriam dos indecisos, pois os votos de Cícero e dos Nulos/Brancos mantêm-se no mesmo patamar, praticamente não mudaram. Nesta semana não houve nenhum fato gravíssimo que mudasse muito o cenário local, ou seja, que fizessem os indecisos, provavelmente vindos do bloco de Ricardo tomasse o partido de Maranhão. Mas com que argumentos?

Deste modo a grande pergunta é: será mesmo que os ciceristas abandonaram Cícero, seja pela por imaginar que Cássio consiga acabar com a candidatura de Cícero ou da paquera ente Cícero e Maranhão? Será mesmo que estes ciceristas, diante da insistência de Cícero em manter sua candidatura e peitar Cássio tenham abandonado seu líder? Ou pergunta, será mesmo que Maranhão conseguiu em uma semana acabar com a indecisão de quase 3% do eleitorado, que provavelmente vieram do bloco de Ricardo?

Supondo um “não” para todas essas perguntas, é provável que tenha ocorrido um inchaço artificial dos números de Maranhão. E uma desidratação artificial dos votos de Ricardo. Mesmo assim, se ficamos com a tendência e suprimindo tais inchaços e desidratações artificiais, é possível supor que ainda persista o empate técnico, mas desta vez, Maranhão pode estar na frente numericamente, mas sem tantas garantias de vitórias como mostram estas duas últimas pesquisas.

Qualquer aliança ou fatos social podem ser significativos para a vitória. E Cícero ainda tem muito peso na eleição seja para lá ou para cá. E Maranhão já percebeu isso, o Sistema Correio também, tanto é que já aliviam a barra para o ex-prefeito de João Pessoa. Ricardo que se cuide, pois Maranhão com a máquina do Estado e o Sistema Correio trabalhando para ele tem muita artilharia para soltar e Ricardo com sua espera excessiva para dar atenção às lideranças pode estar perdendo tempo. Armando Abílio que o diga.

Aqui mais uma vez é relevante ver: qual o índice de conhecimento e de rejeição dos candidatos? CONSULT e VOX POPULI não mostraram. Isso ajuda a incrementar as análises. Ficamos na mão.

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PT: um processo de humilhação

9 março, 2010

Esta análise de Aguinaldo Almeida merece replicação e reflexão. O comentarista mostra como o PT foi reduzido a mero partido , daqueles de aluguel que só servem para encher a chapa e dar mais tempo de TV. Trata-se de uma grande tapa na cara de Cartaxo e de outros petistas que resolveram apoiar Maranhão a qualquer custo, podemos dizer, se venderam para o “homem do palácio”.

Por outro lado, a análise é rica em mostrar indiretamente como Maranhão, que tanto acuso Ricardo de autoritário, dono de projetos pessoais, faz exatamente isso que imputa aos adversários. Imagine se Ricardo e o PSB estivesse com Maranhão, teria que se render a seus caprichos. E o PT estaria em pior posição. Essa revitalizante não submissão do PSB-Ricardo a Maranhão foi por outro lado amenizada pela aliança com o DEM-PSDB.

Por Agnaldo Almeida

O PT da Paraíba está passando por um processo de humilhação que decididamente não merecia. Paparicado em 2006 pelo então candidato ao governo José Maranhão, o partido fechou uma aliança, cabendo-lhe nas negociações o direito de indicar o candidato a vice.

Foi o que fez. Recaiu a escolha no nome de Luciano Cartaxo, que era vereador da Capital, líder do prefeito Ricardo Coutinho, e que na época tinha boas chances de concorrer à Assembleia Legislativa.

Maranhão e o PMDB nem discutiram a indicação porque sabiam o quanto precisavam do apoio petista. Lula estava – como ainda está – em alta, marchava para uma reeleição garantida e atuava muito nos estados como cabo eleitoral dos candidatos aliados do PT.

A coligação perdeu as eleições daquele ano, mas em 2009 conseguiu vencer a disputa no tapetão. Maranhão assumiu o governo e Luciano foi empossado como vice. Durante todo o tempo em que rolou o processo na justiça eleitoral, tanto o PT quanto Luciano foram peças importantíssimas para finalmente se chegar à decisão do TSE.

Petistas de alto coturno, como o ex-presidente Ricardo Berzoini, estiveram o tempo todo engajados na briga judicial para convencer os ministros da corte eleitoral de que a eleição na Paraíba havia sido fraudada.

Resolvida esta parte, no dia 18 de fevereiro do ano passado, instalou-se o novo governo. Desde o início já se percebia que Luciano Cartaxo era um vice sem muito prestígio. Bom cabrito, ele, porém, resolveu não berrar.

O partido também fez de conta que não via nada. Estava em curso uma disputa interna entre os grupos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Rodrigo Soares. Maranhão, pressentindo a ligação entre Couto e Ricardo Coutinho, tomou o partido de Rodrigo e passou a cooptar petistas para que o apoiassem na disputa pela presidência estadual do PT.

Luciano foi leal a Maranhão o tempo inteiro e trabalhou duro para eleger Rodrigo Soares. Tinha como certo que a indicação de seu nome para a reeleição seria pacífica. Se duvidasse de alguma coisa, poderia até ter iniciado um trabalho político com vistas a obter uma vaga na Assembleia Legislativa.

Bom, o tempo correu e agora Luciano e o PT estão chorando pelo leite derramado, já que não há a menor chance de que o atual vice-governador venha a figurar na chapa dos sonhos de Maranhão. Ele já disse e repetiu que o vice é de Campina Grande. Aliás, disse isto numa entrevista tendo ao lado o próprio Luciano. Depois, numa outra solenidade, omitiu na saudação o nome do petista, que não pôde esconder o constrangimento.

O processo de humilhação da sigla está na reta final. Os articuladores do Palácio pensam em oferecer a Luciano uma hipotética suplência de senador. Chega a ser um deboche. O mais curioso, porém, é que mesmo descartado, como coisa já usada e sem mais serventia, o PT continua mudo, cabisbaixo, com o rabo entre as pernas.

Um partido que tem Lula como presidente de honra e uma militância reconhecidamente forte não poderia estar sendo tratado desta forma. Em outros tempos… ah, em outros tempos e com outros dirigentes o PT já teria botado a boca no trombone. Não se conformaria com essa migalha de três ou quatro cargos que ocupa no atual governo.

Está faltando coluna vertebral. O partido está agachado como nunca esteve.


O duplo reveillon e a farra do poder

1 janeiro, 2010

Um dia ele acordou e viu que não tinha palco nem palanque para subir quando da maior festa dos povos da humanidade. Aí se deu conta que tinha o poder lhe dado pelas regras democráticas e percebeu que: se eu não tenho reveillon para ir, posso montar um para mim. Faço uma grande festa, terei meu palanque e ganharei a mídia.

Assim acordou num dia destes nosso rei (ops) governador José Maranhão. E João Pessoa teve duas festas de fim de ano. Algo inigualável. Só faltou Lula fazer uma festa aqui também. Seria ótimo para divulgar a sua candidata sucessora. Não acham? E o paraibano teria três festas, muitas opções para ir.

E assim foi feito. Como previsto, a festa de Maranhão teve muito mais pessoas que a da Prefeitura. Se fosse para disputar público, o prefeito teria contratado qualquer outra banda de apelo popular. Mas a questão não é por aí. Foram festas diferentes, para públicos, estilos e gostos diferentes. O problema está no que foi colocado acima, a festa de Maranhão, da pessoa, e a festa da prefeitura, da instituição. Foi isso que vimos na virada de 2009-2010 em João Pessoa.

Todos na cidade aproveitaram bem as festas, do seu modo e com seu gosto, mas todos também sabem que Maranhão fez a festa apenas como uma forma de afrontar e mostra que é melhor (só porque traz mais público para uma FESTA) que o prefeito. Quem esteve na cidade nesse último mês sabe que foi assim e sabe que uma gestão pública não se pode guiar por tais referências. Ninguém vota em quem faz a festa mais bonita, isso é picuinha e das grandes com dinheiro público. Como toda ação pode ter vários sentidos e objetivos, pelo menos o público que foi teve a oportunidade de curtir sua banda preferida do jeito que quis. Agora vamos para a festa do próximo rei, o rei momo.


Governo está “nem aí” para verba Federal

28 outubro, 2009

O Governo do Estado parece que está com o cofre muito cheio, pois as verbas federais para o sistema penitenciário são desprezíveis. Para um cofre apertado, qualquer dinheiro é bem vindo, mas segundo Vita alguns podem dar o desfrute de virar às costas. Se tais verbas são desprezíveis o governo poderia direcionar uma quantia igual para o aumento dos delegados e policiais ou para alguma organização social, que saberia dar o devido valor a este dinheiro.

Para ele o Ministério Público deveria esquecer o sistema prisional, assim como o Governo faz. Deveria priorizar educação e saúde, assim como o Governo não faz. Ele reclama do pau de arara que alunos usam par ir à escola, mas esquece que esse problema é do governo dele. Aliás Maranhão criticou muito Cássio por isso.

Foi uma frase infeliz é claro, mas mostra como o Gestão está “nem aí” para o que os outros órgãos falam e sugerem. E sente-se ofendido por que outro órgão está cumprindo sua missão. Se o MP foi inoperante em relação a outros assuntos, pelo menos nesse ele não foi. Se ele queria insinuar alguma atitude política por trás da ação, não fez diretamente e terminou se perdendo…

Se diante dos problemas, busca-se culpar os outros e/ou desqualificar os demais órgãos, é porque não se tem interesse em resolvê-los, quer apenas gerir o caos, ou deixar a máquina funcionando como sempre, afinal não somos uma suíça (e nem se quer ser?!). O resto é esperar que o dinheiro caia do céu… por que não se vai “correr atrás”.

Vejam a reportagem do Paraíba 1 que traz a fala do secretário.

“As verbas federais enviadas para a administração de presídios na Paraíba são desprezíveis”. A frase é do secretário Roosevelt Vita, da pasta de Cidadania e Administração Penitenciária da Paraíba, que minimizou o pedido de suspensão das verbas federais feito pelo Ministério Público Federal na Paraíba. Ele disse ainda que “aqui não é a Suiça, temos prisões, escolas e favelas caóticas”.

Segundo ele, somando toda a verba de um ano daria para pagar o almoço da população carcerária na Paraíba por 14 dias. Ele ainda insinuou que o Ministério Público deveria se preocupar com a qualidade das escolas e da Saúde. “Falta merenda escolar e crianças são carregadas em paus-de-arara. E os hospitais são roletas russas”, revelou.

Vita disse que tragédias podem acontecer em qualquer lugar e que as condições dos presídios paraibanos são precárias, mas que está entra as melhores do Brasil. “O défcite no sistema prisional da Paraíba é pequeno quando comparado ao do resto do país”, disse. No entanto, independente da colocação neste ranking, o presídio do Roger deveria abrigar pouco mais de 300 detentos, mas tem quase 900.

Ele aproveitou a entrevista ao Paraíba1 para contar como tudo aconteceu no dia em que os presos atearam fogo nos colchões e cerca de 50 pessoas ficaram feridas e seis morreram. “Corredores apertados e o vento soprando contra não permitiram que as celas fossem abertas. Os agentes precisaram quebrar as paredes pelo lado de fora para salvar os detentos”.