A falta de ética política lá fora!

12 outubro, 2009

Estas notícias que vieram em dose dupla, não serve para amenizar e como incentivo a não punição dos política brasileiros, mas para mostrar que devemos sair desse complexo de inferioridade e que devemos buscar novas formas de punição dos políticos sem apelar para discurso barato de esquerda-direita e mau amigo-meu inimigo que invade a mídia e as casas legislativas.

Veja esse caso em Londres, gostou dinheiro público pra fins privados e o caso de Paris, de um nepotismo de presidência.

A BBC5 está discutindo agora um caso de gastos ilícitos em que um político gastou dinheiro público com pay-per-view e declarou como segunda casa um local onde na verdade vivia a maior parte do tempo, infringindo as regras legais da Inglaterra.

O que chamou a atenção foi a recomendação para que pedisse perdão às “House of Commons”. Não se trata de cassar mandato, prender, pendurar em praça pública, mas de fazer com que a pessoa vá à autoridade eleita e assuma o que fez de errado.

É uma tremenda diferença em relação ao nosso atual sistema punitivo, belicoso e ineficaz, cujo ícone maior é o Maluf.

Sou a favor da punição plena, mas para casos gravíssimos como o da Tapioca uma medida como esta parece ter mais eficácia, inclusive para preservar a dignidade de Justiça brasileira, que invariavelmente sai com a pecha de ineficaz, por não punir em tempo hábil, ou simplesmente por não evitar que essas práticas aconteçam.

No caso inglês a notícia está sendo veiculada pela mídia do país, sem qualquer sensacionalismo, e a pena social de ter de se dirigir à população parece estar surtindo um efeito muito mais interessante do que a entrega das cabeças dos bagrinhos de terceiro escalão.

Jacqui Smith will not have to pay money back after breaching expenses rules. Victoria discusses the situation with Smith’s constituency chairman Albert Wharrad and Juliet Samuel, who’s hoping to bring a private prosecution against the MP.

http://www.bbc.co.uk/5live/

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Um dos filhos do presidente francês Nicolas Sarkozy, Jean, de 23 anos, pode se tornar presidente do EPAD, organismo público que administra o La Defense, um dos maiores distritos de negócios da Europa nas cercanias de Paris. A nomeação gerou polêmica no país e acusações de nepotismo contra o governante.

Se Jean Sarkozy “não tivesse o sobrenome que tem, ocuparia o lugar em que está hoje em dia?”, indagou neste domingo a dirigente socialista Segolene Royal, que em 2007 disputou a presidência com Sarkozy.

Jean Sarkozy, nascido em setembro de 1986 e filho mais novo do primeiro casamento do presidente francês, está cursando o segundo ano da faculdade de Direito. Desde junho de 2008, trabalha como vereador por Neuilly sur Seine, rico distrito do oeste de Paris onde cresceu, no departamento de Hauts de Seine.

Além disso, coordena o grupo regional da União para um Movimento Popular (UMP), formação que levou seu pai à presidência.

Na quinta-feira passada, a UMP anunciou a candidatura de Jean Sarkozy para o Estabelecimento Público de Urbanismo de La Defense (EPAD).

O deputado socialista Arnaud Montebourg afirmou:

– O setor imobiliário da região parisiense é ouro negro. Há dinheiro por trás e interesses por trás.

Deputados e ministros da direita defenderam o jovem Sarkozy, cuja “legitimidade”, afirmam, está no fato de ter sido eleito. O deputado Patrick Balkany elogiou:

– Aos 22 anos, Jean Sarkozy tinha muito talento. E posso dizer que, aos 23, talvez tenha mais do que seu pai quando tinha a sua idade.

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Mais uma…

O premier Silvio Berlusconi não atravessa bons momentos.

Na semana que passou, a Corte Constitucional cassou a lei ordinária que beneficiava Berlusconi com a suspensão de rumoroso processo criminal por corrupção.

Perante o tribunal de Milão, o feito vai voltar a tramitar nesta semana. A condenação de Berlusconi é mais do que certa.  O co-réu, David Mills, já foi condenado por falso testemunho ao omitir, para favorecer Berlusconi, fatos sobre corrupção perpetrada pelo atual premier.

Quinta feira, Masimo Ciancimino, –filho do falecido capo mafioso Vito Ciancimino, que foi prefeito de Palermo e passou sete anos preso por associação mafiosa–, compareceu ao programa televisivo Anno Zero da Raí 2. Na entrevista, ele deixou claro que Marcello Dell´Utri, braço direito de Berlusconi e senador pela Sicília, era o elo entre a Máfia e política. Foi Dell´Utri quem indicou um mafioso para cavalariço e agricultor numa fazenda de Berlusconi, apesar dele nunca ter tratado de cavalos e nunca atuado como lavrador. Para Ciancimino, a Máfia exigia alguém próxima de alguns negócios do premier.

Não bastasse, ninguém mais acredita na sua história de ter Berlusconi conquistado Patrizia D´Addario e feito sexo com ela de graça. Na sua primeira aparição em  programa televisivo, Patrizia recordou um diálogo com Berlusconi, que gravou e está na posse do Ministério Público de Bari.

Berlusconi disse-lhe o seguinte: “Alessia, me conte o seu nome verdadeiro, não o de prostituta e coloque num papel o número do seu telefone, para que possa chamar-te para outros encontros”.

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O Brasil precisa tomar posição mundialmente

19 maio, 2009

O mundo vive um momento único. A crise que estourou em 2008 pode marcar uma reviravolta nas referências e estruturas institucionais que estabelecem os parametros de ação e decisão de muitas pessoas, organizações e países neste último século.

Um dos indices destas modificações está no quadro abaixo:

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Como se vê, o domínio anglo-saxão esta caindo, justamente num campo fundamental para o atual estágio de capitalismo financeiro. Em contrapartida, orgnaizações de países como China e Brasil surgem e despontam neste indice. 

As relações entre Brasil e China mudam rapidamente e tem impactos e significados globais. Em Abril de 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil, essa posição era de Portugal, Inglaterra e Estados Unidos (potencias mundiais, cada uma em sua época) nesta sequência. 

Isso seria, pois um sinal de consolidação da China como a nova potência hegemonica mundial?

Por outro lado, esta relação tem preocupado os EUA seriamente. A reunião entre os presidentes do Brasil e da China em Pequim, nesta terça-feira, “reúne duas forças poderosas entre as nações em desenvolvimento do mundo”, e preocupa Washington.

No mês passado, abril, o G-20 de uma reunião para muitos tida como histórica. A construção de novos marcos para a economia e política mundial foram discutidas e intenções foram postas. A própria reuniao já é um marco, pois retira do G-8 poderes e os dilui entre mais países. Em todos estes acontecimentos o Brasil tem marcado presença e além do mais, tem sido cada vez mais valorizado e visto como peça fundamental no novo jogo global.

Este é o grande ponto. Como o Brasil vai se comportar e se colocar diante destas mudanças mundiais? A hora está chegando e cada passo é relevantíssimo para o futuro de longo prazo do País. É preciso ter “olhos grandes” e ambição para se ter um país que efetivamente seja respeitado em suas ações e decisões. Essa atitude pró-ativa e autonoma a governo Lula tem conseguido imprimir nas relações exteriores, mas é preciso ir além. É necessário planejamento estratégico de longo prazo para o País e criatividade para criar novos rumos e alternativas.

O País, em seus maiores componentes, aí está o congresso, o executivo, a mídia, os internautas, as universidades, partidos e a sociedade precisa entrar neste debate de como queremos que o País se posicione mundialmente. O congresso precisa deixar suas picuinhas infantis de lado, a mídia precisa deixar seus preconceitos contra o governo de lado. Os partidos presicam pensar em projetos grande e de longo prazo. O executivo precisa ter coragem para empreender suas ações e isso só virá por meio de visão estratégica. Todos tem que incorporar os “olhos grandes”.


Guantánamo “suuuper divertido”

1 março, 2009

Como um vê do seu jeito. A partir do seu ângulo, daquel que lhe convém.

Dayana Mendoza, atual Miss Universo, e Crystal Stewart, Miss Estados Unidos 2009, visitaram as tropas americanas na base militar da baía de Guantánamo, no último dia 20, segundo o jornal The New York Times. A viagem pela ilha durou cinco dias e a Miss Universo publicou em seu blog que Guantánamo é “suuuuper divertido”.

“Esta semana, Guantánamo!!! Foi uma experiência incrível… Todos os rapazes do Exército foram surpreendentes com a gente. Visitamos os acampamentos dos detidos e vimos os presídios, o lugar onde eles tomam banho, como eles se divertem vendo filmes, tendo aulas de arte, livros. Foi muito interessante. Pegamos uma carona com os Mariners para conhecer a divisa com Cuba, onde eles nos contaram um pouco da história do lugar”, escreveu.

“Eu não queria sair, era um lugar relaxante, tão calmo e bonito”, falou sobre uma das praias que conheceu.

A base de Guantánamo é o local onde tropas americanas mantêm presos acusados de terrorismo. Há várias acusações de tortura contra os prisioneiros do local.

Dayana foi eleita Miss Universo em 13 de julho de 2008, e recebeu a coroa no Vietnã. Ela tem 22 anos e foi Miss Venezuela em 2007.


Comentários a crise mundial: medidas, impactos, mídia e pauta

25 janeiro, 2009

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O Jornal do Brasil traz hoje um importante artigo/notícia que faz uma análise dos pacotes econômicos tanto dos países desenvolvidos quanto dos emergentes para tentar responder aos problemas gerados pela crise. Este artigo traz elementos importantes que devem ser destacados:

1. afirma a diferença entre as estruturas e dinâmica das econômias dos desenvolvidos e daqueles em desenvolvimento como o Brasil, ponto às vezes esquecidos pelos análistas e mídia. Este elemento é relevante, pois se alia a outro, aquele segundo o qual o impacto da crise se dará de modo e força diferente a depender do país. Deste modo, as medidas para responder a crise será também diferentes, ou seja, devem ser contextualizadas. Os pacotes e análises dos países ricos são exemplos e inspiração, nunca a fórmula de combate a crise;

2. As medidas hoje adotadas, independente dos países, irão ter repercussão nos orçamentos financeiro e fiscal dos governos no futuro, de modo que estas medidas devem ser pensadas tento este futuro impacto à vista. Ou seja, algumas medidas serão descartadas devido ao possível efeito negativo para o futuro;

3. As medidas que forem adotadas também terão futuros impactos, mas estes serão menos desgastantes e resolvidos com as políticas econômicas tradicionais. Aí mora um perigo para países como o Brasil, pois no futuro o país poderá ter escassez de crédito, já que os países ricos aumentarão as taxas de juros para cobrir os deficits que possivelmente terão. E se a política de hoje do Brasil for confiar numa retomada do crédito no futuro, isso pode ser uma aposta errado ou ariscada;

4. As medidas adotadas pelo Brasil, além de serem contextualizadas devem pensar nos seus impactos futuro para o País e como estarão a economia mundial e dos países ricos no futuro, pois o Brasil pode criar hoje o problema de amanhã;

5. Artigos e notícias que abordem instrumentos e mecanismos de resposta a crise, como também analisem os mecanismos adotadas e seus riscos são muito bem vindas e deveriam aparecer mais nos jornais e grande mídia. Pois se vemos na Europa e EUA a mídia discutindo a crise principalmente com foco em conceber mecanismos de combate a crise, isso não é visto no Brasil;

6. As medidas tomadas e apresentadas não devem estar baseadas em intenções e ideologias políticas com vistas a vê-las em prática. Tanto o governo não deve quer salvar o país hoje criando uma crise amanhã, o que não parece provável, pois ele possui interesses na eleição. Como a oposição e setores políticos-ideológicos (tanto de esquerda como de direita) não deveriam aproveitar as medidas de combate a crise para pôr em pauta suas idéias que estavam na surdina. Todas estas intenções tentem a criar uma enorme nuvem de fumaça que complica as medidas de resposta a crise.

Como se vê, trata-se de um contexto difícil que demanda as mentes pensantes do país. Estas mesmas mentes podem posteriormente nas eleições capitanear a paternidade das idéias de combate a crise, mostrando suas capacidade de resolver tais problemas, aí sim é um bom dividendo eleitoral. A mídia possui papel importantíssimo em criar uma massa e meio crítico para discussão destas ideias. Estes momentos serem não só para conhecermos melhor o Brasil como para concebê-lo. É hoje de grande decisões.

Vejam a matéria do JB:

 

Natalia Pacheco e Gabriel Costa, Jornal do Brasil

 

RIO – A crise financeira internacional traz um dilema para líderes de economias afetadas por todo o planeta: manter os mercados em funcionamento a qualquer custo e pagar o preço no futuro, na forma de déficits públicos e orçamentários; ou poupar gastos e enfrentar os reflexos da turbulência de maneira pontual, sob a sombra da recessão. Os pacotes de socorro bilionários anunciados desde o ano passado pelos governos evidenciam a escolha dos chefes de Estado ao redor do mundo. O fantasma do desequilíbrio ocasionado por gastos maciços, no entanto, permanece no horizonte.

Em seu relatório anual, divulgado na semana passada, o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) afirmou que os vultosos volumes de recursos destinados para ajudar instituições financeiras ameaçam as “já precárias situações fiscais de países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Austrália”.  >>>> Click para ver a íntegra.