A guerra limpa e sem erros de Israel

14 julho, 2009

“Abrimos fuego y no hacemos preguntas”. “Nos dijeron que debíamos arrasar la mayor parte posible de nuestra zona”. “Mi comandante me dijo, medio sonriendo, medio serio, que esas demoliciones podrían añadirse a su lista de crímenes de guerra”. “Si alguna vez nos hablaron de inocentes, fue para decirnos que no había inocentes”. Es el turno de los soldados israelíes. Dirigentes, académicos y analistas hebreos; políticos y civiles palestinos; organizaciones no gubernamentales internacionales y locales; Naciones Unidas. Todos han investigado y extraído conclusiones de la guerra que el Ejército israelí lanzó contra Gaza el invierno pasado. ¿Guerra? “¿Es realmente plausible denominar batallas al bombardeo con artillería y tanques, y al fuego lanzado desde helicópteros y aviones?”, se pregunta el abogado Michael Sfard, defensor ante los tribunales israelíes de muchas víctimas palestinas del Ejército. “Es el ataque más duro que ha infligido el Estado de Israel a una zona urbana densamente poblada por civiles”, añade Sfard.

Um grupo de soldados israelenses que participou da ofensiva na Faixa de Gaza, em janeiro, afirmou que abusos frequentes, alguns que poderiam ser classificados como “crimes de guerra”, foram cometidos contra civis durante o confronto com militantes do grupo palestino Hamas.

As declarações anônimas dos mais de 25 soldados foram feitas à organização Breaking the Silence(Quebrando o Silêncio), uma instituição de veteranos israelenses contra abusos no Exército.

Em um relatório divulgado pela organização a partir dos relatos, os soldados descrevem que as regras de conduta “permissivas” do Exército não distinguiam civis e combatentes e resultaram em um “golpe massivo e sem precedentes” contra os civis em Gaza.

Segundo os relatos, as mortes de israelenses deveriam ser prevenidas, mesmo que à custa de vidas palestinas.

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Assassinatos de crianças e vandalismo em Gaza. Resultados da guerra.

22 março, 2009

Como tenho dito, todo a solução da paz nesta região depende principalmente de Israel tomar uma posição, repor perdas irreparáveis e vencer seus preconceitos. Noticio a denuncia de que soldados de Israel mataram crianças e mulheres porque podiam e porque cultivavam o ódio pelos palestinos. As autoridades do exército eram omissão e coniventes com tudo isso. Vamos ler e esperar os resultados. ONU deve se pronunciar claramente e as cortes intenacionais também.

Antes vejam as camisetas que os soldados gostam de usar. Blog do Mello:

 

Camiseta de soldado israelense: 1 shot 2 kill

Esta é uma das camisetas usadas por jovens soldados da IDF (Israel Defense Forces). Há outros modelitos, que você pode conferir na reportagem Dead Palestinian babies and bombed mosques – IDF fashion 2009.

A denúncia não é de nenhuma publicação antissionista, antissemita ou anti-Israel. Está no Haaretz, principal jornal de Israel.

Agora as reportagens:

Os soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que mataram civis [ao menos 900, segundo números do ministério palestino] que não representavam ameaça às tropas e destruíram intencionalmente suas propriedades, “simplesmente porque podiam”. As declarações foram divulgadas em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal israelense “Haaretz”.

As confissões chocam pela franqueza. “A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados”, diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. “Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. […] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma”, completa.

O jornal publicou trechos de declarações de militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro deste ano e que deixou ao menos 1.300 mortos, entre eles ao menos 900 civis, além de destruir milhares de casas e a infraestrutura do território palestino.

(…)

Não há lógica

Segundo o jornal, o chefe do pelotão conta ainda que foi conversar com seu comandante sobre as regras da operação que permitiam que os militares “checassem” as casas à procura de militantes palestinos com armas na mão e atirando sem nem ao menos avisar os moradores com antecedência.

Depois que as regras foram mudadas, afirma o jornal, o líder do pelotão reclamou que eles “deveriam matar todo mundo em Gaza”. “Todo mundo é terrorista”, explicou.

“Você não tem a impressão dos comandantes de que há qualquer lógica nisso, mas eles não dizem nada. Nós escrevíamos “morte aos árabes” nas paredes, pegávamos as fotos de família deles e cuspíamos nelas, apenas porque podíamos”, conta o chefe do pelotão.

“Eu acho que este é o principal: Entender o quanto as Forças Armadas israelenses caíram no âmbito de ética. Isso é o que eu mais me lembrarei”, disse o soldado.

O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera “errôneos” e “inaceitáveis” para as Forças Armadas de Israel.

——

E a ONU?

Grupos israelenses de defesa dos direitos humanos pediram nesta sexta-feira uma “investigação independente sobre os crimes de guerra” do Exército de Israel na faixa de Gaza –denunciados por soldados que participaram da recente operação militar no território palestino.

Uma dezena de organizações afirmaram em um comunicado que a decisão do governo de investigar a morte de civis palestinos não garante a objetividade necessária.

“A rejeição do governo de estabelecer uma comissão de investigação independente é uma violação das responsabilidades de Israel frente ao direito internacional”, afirmam as organizações em carta dirigida ao procurador-geral do Estado de Israel, Menahem Mazouz.

Segundo o comunicado, a decisão de abrir uma investigação sobre o ocorrido três semanas depois que os fatos foram publicados pela imprensa, abre margem para questionamentos.

De acordo com depoimentos de soldados que participaram da ofensiva de 27 de dezembro a 18 de janeiro em Gaza, que foram divulgados nesta quinta-feira (19), soldados israelenses mataram civis palestinos indefesos.

Segundo um balanço das fontes médicas palestinas, a ofensiva israelense contra o Hamas na faixa de Gaza provocou a morte de 1.330 palestinos e feriu 5.000. Entre os mortos estão 437 crianças menores de 16 anos, 110 mulheres e 123 idosos, e 14 médicos e jornalistas.

A operação militar lançada por Israel tinha por objetivo reduzir o mínimo lançamento de foguetes contra seu território por parte dos grupos palestinos insurgentes, como o Hamas. Do lado dos israelenses, o balanço foi de dez militares e três civis mortos, segundo dados oficiais.

Indícios

O relator da ONU (Organização das Nações Unidas) para os territórios palestinos, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza. O relator pede que um grupo de analistas averigue sua denúncia e afirma que a ação militar israelense em Gaza não estava legalmente justificada e foi potencialmente um crime de guerra.

Reprodução
O relator da ONU, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza
O relator da ONU, Richard Falk, afirma que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra em sua recente ofensiva em Gaza

Na conclusão de seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que apresentará na segunda-feira (23), Falk propõe uma investigação por “três ou mais respeitados especialistas em leis internacionais de direitos humanos e lei criminal internacional”, acrescentando que devem ser examinados igualmente os lançamentos de foguetes pelo Hamas.

Segundo Falk, se não é possível distinguir entre os alvos militares e os civis, como define as condições de Gaza, “então lançar os ataques é inerentemente ilegal e poderia constituir um crime de guerra da maior magnitude sob a lei internacional”. Seu relatório afirma que “os ataques se dirigiram a áreas densamente povoadas, […] sendo previsível que hospitais, escolas e igrejas e sedes da ONU fossem atingidos pelos bombardeios israelenses, causando numerosas vítimas civis”.

Um segundo agravante para Falk é o fato de que todas as fronteiras da faixa de Gaza ficaram fechadas, de forma que “os civis não podiam escapar dos locais atacados”. “Em uma política beligerante sem precedentes, Israel rejeitou a permissão a toda a população civil de Gaza -com a exceção de 200 mulheres estrangeiras- de abandonar a área de guerra durante os 22 dias de ataques que começaram em 27 de dezembro”, acrescenta.


Israel-Palestina: Como entender as f@tos?

29 janeiro, 2009

Estas imagens foram colocadas no blog de Paulo Henrique. Chamaram-me muito a atenção. É notória e assustadora a similaridade das situações mostradas e descritas nas fotos. Se você subtrair o contexto geral, as justificativas para as ações mostradas e sem se importar com quem manda ou faz tais coisas você fica assustado de saber que algo assim pode estar acontecendo hoje em sua época. Depois de tanto falar que o Holocausto foi algo distante, feito por uma geração que não é a nosso, isso é assustador.

 

 

Muitos não sabem explicar como os alemães chegaram a fazer aquilo, talvez aqueles das fotos não saibam explicar porque fazem aquilo com exatidão, podem até falarem algo, mas….

Os alemães fizeram aquilo que aparece no lado esquerdo do slid com certos civis do estado alemão (judeus, comunistas e outros diferentes). Os israelenses fazem aquilo que aparece no lado direito do slid com os palestinos e arabes, que são civis de outro “estado”, não são do estado israelense. Os alemães acreditavam que eram seres superiores aos que eles estavam prendendo e cerceando. Os israelenses acreditam que se defendem de pessoas que os odeiam e os atacam. A diferença de ser de outro ou do mesmo estado, pode ser um detalhe… que não justifica.

Sem querer condenar, sinceramente. Se abstrairmos das fotos os contextos gerais e analisarmos elas por elas mesmas, são inevitáveis as associações e as repulsas. Mas será que o contexto geral (história dos conflitos, partes envolvidas, objetivos, interesses e direitos em jogo) justificam e explicam as f@tos?….


Mapa mostra ocupação israelense na Palestina

17 janeiro, 2009

Arte da Folha de São Paulo mostra mapas para descrever as relações de guerras entre os judeus e seu Estado  (Israel) e os árabes e palestinos sem Estado. Mostra que o estado árabe previsto pela ONU (Resolução 181) nem chegou a existir de fato, nem decretou sua independência. Mostra como a área que seria do estado Palestino foi ocupada por Israel. Mostra também sua ocupação de áreas de outros países árabes, maior parte delas devolvidas, a não ser as colinas de Golã (que era da Síria).

 O Estado Palestino nunca chegou a existir de fato e de direito, deste modo as terras não pertenciam a um Estado, mas ao povo que lá moravam, sendo propriedade na maioria de árabes que foram expulsos. Estes povos tem direito a suas terras e a partir daí tem direito de constituir o Estado que prevê a resoluçõa e que lhe é legítimo. Já que os árabes são desde muito séculos a população mais numerosa desta área.

Se já está sendo difícil retirar Israel das pequanas áreas da Cisjordânia e Gaza (22% da Palestina prevista na resolução 181) imagine para devolver as demais terras ocupada em 1948? Se estas áreas estivessem sob mãos de países árabes talvez fosse mais fácil construir o Estado Palestino. Neste ponto tais países erraram ao não incentivar a criação do estado árabe previsto na resolução 181. 

Veja o mapa: 

http://media.folha.uol.com.br/mundo/2009/01/15/conflito_gaza.swf


A grande estratégia militar e midiatica de Israel

15 janeiro, 2009

Marcelo Ambrosio do JB mostra a pressão fiscal das relações públicas de Israel, indo até a violação de e-mails. Fala dos argumentos inconsistentes dos que afirmam que a mídia é pró-hamas e por isso, anti-semita. Mostra por fim as táticas ilegítimas do exército de Israel contra a Palestina:

Em ocasiões anteriores, o epíteto do anti-semitismo sempre apareceu. Agora, diante do enorme cogumelo da explosão que assisti ontem no noticiário sobre o massacre em Gaza, quando o horror internacional isola o governo israelense em um cerco de repulsa jamais visto – e o que é pior, deslegitima os argumentos contra o Hamas – voltou a aparecer. Mas é a velha manobra repetida: anti-semita é todo aquele que refuta a religião judaica. Chamar quem critica as ações do Estado de Israel de anti-semita é uma manobra sutil da direita israelense para vincular tais críticas a uma posição religiosa. Ao fazer isso, quem é contra as ações de um Estado (não a religião de seu povo) é associado a uma atividade moralmente questionável e passa a ter a sua opinião desqualificada. Como bem diz um escritor israelense – que é contra as brutalidades que vem sendo praticadas contra a população civil palestina – Israel não é um Estado que tem um exército, mas um exército que tem o SEU Estado. 

Na ofensiva de relações públicas que governo e aliados do Estado judeu lançam para contrabalançar a brutalidade de seu exército, várias armas estão sendo usadas. Uma delas é a internet: minha caixa de emails recebe, diariamente, pelo menos uma dezena de mensagens de releases oficiais, blogs e newsletters com “a versão que a imprensa internacional prefere não contar ou que os correspondentes escondem”. O curioso disso é a acusação de unilateralidade da informação: mas se a censura militar impediu, ou tentou impedir, que os olhos do mundo acompanhassem o que os soldados fazem no território ocupado, que distorção maior poderia haver do que poder contar apenas um lado da história? A sorte até hoje é que apesar de todas as tentativas, os palestinos sempre conseguem arrumar alguma forma de fazer com que seu grito chegue ao resto do mundo. Nenhuma dessas correspondências traz qualquer dado ou versão pela ótica palestina. Todos têm o mesmo destino: o lixo. 

Entre os elementos de pressão mais atuantes está, inclusive, um site encarregado de monitorar diariamente tudo o que a imprensa brasileira publica contra as ações do governo israelense. Já tive a honra de ser citado algumas vezes por esses rastreadores a serviço da intolerância, que além de reproduzirem as reportagens ou artigos dos jornais e sites, ainda incitam comentários raivosos e mais intolerantes ainda contra o direito de cada um expressar livremente sua opinião. Como fiquei no mailing desse pessoal, acompanho a sua atuação também. Assim, quem me vigia tambem é vigiado por mim. É a minha forma de denunciar a maneira arrogante de tentar impor o ponto de vista. 

Aliás, rastreamento é uma palavra comum nessa rede: em 2001, propus um projeto ao jornal, de publicar um caderno especial intitulado Diários da Palestina. A idéia era reunir depoimentos de pessoas que viviam nas cidades árabes sob o cerco israelense em Gaza e na Cisjordânia de forma a que contassem o que é o cotidiano da ocupação, descrevendo em poucas linhas sua rotina diária sem qualquer consideração política. Na época enviei vários emails a entidades e pessoas que localizei pela internet, algumas nos territórios, outras vinculadas, por exemplo, ao próprio comitê de refugiados da ONU. A idéia de reunir depoimentos apenas de palestinos não tinha conotação ideológica de dar uma “visão unilateral”, mas de retratar a forma de superar no dia a dia as restrições à liberdade impostas por uma força externa. Ingenuamente, achei que a menção à exigência de não-politização dos textos me deixaria fora do alcance das críticas. Por questões de custo industrial, o projeto acabou não indo adiante, embora eu tivesse recebido pelo menos cinco depoimentos muito interessantes já nos dias subsequentes. 

Meses depois, fui surpreendido por uma carta arrogante e ameaçadora, enviada com o timbre diplomático israelense. Na correspondência, o representante do governo questionava meu projeto “pela visão unilateral da questão do Oriente Médio”, embora eu não tivessse enviado qualquer correspondência a alguém de seu governo ou ligado a ele. Como teve acesso às informações do projeto se não as enviei? A carta era acompanhada pelo email padrão que despachara aos contatos palestinos. Além dela, acompanhavam a correspondência cópias dos emails que troquei com as entidades e pessoas na Cisjordânia, em Gaza e até em Amã, na Jordânia. Quem violou minha correspondência ou a de meus interlocutores? Quem deu e esse Estado o direito a interceptar mensagens que eu troquei com aquelas pessoas? O incidente irritou profundamente o então editor-chefe do jornal, a quem a carta do representante diplomático foi, covardemente, encaminhada. Depois de discutirmos o que fazer, redigimos uma resposta dura e devolvemos ao remetente, pedindo que nunca mais nos procurasse. 

Em outros blogs e newsletters, o tom é mais sutil. Em geral, repisam o argumento de que a responsabilidade pelo morticínio imposto a uma população civil é de quem se mistura em meio a ela como tática para evitar represálias pelos ataques de foguetes contra as cidades israelenses. No caso, do Hamas. Usam o argumento favorável à convivência pacífica com os palestinos verdadeiramente interessados na paz duradoura e sempre repetem que não consideram a todos os palestinos inimigos. Mas a questão é que não condenaram ou condenam a expansão continua dos assentamentos como uma estratégia para impedir a consecução de um Estado palestino com território contínuo, não recriminam a forma como o muro de concreto isolou cidades palestinas como Qalqylia ou Tulkarem, cercadas e blindadas por portões que, à noite são fechados e guardados por soldados de Israel. Quando estive lá, notei que a única forma de palestinos dos dois bantustões se comunicarem é por uma estrada de 5 km – cortada por um posto de controle e por um contingente militar de Israel. 

O argumento da segurança, de barrar a passagem de homens-bomba, não é mais forte que a percepção de imposição de um sacrifício coletivo como um subterfúgio para tornar a vida ali inviável, forçando a desocupação e o abandono da terra. Da mesma forma, jamais li nesses blogs ou newsletters condenações às táticas militares de tomar terras sob argumento da propriedade irregular, quando a presença palestina no local é anterior à ocupação israelense, portanto é uma imposição dela. Uma das táticas aplicadas nessas ocasiões é a de cortar rapidamente as oliveiras ou outras árvores que as famílias árabes plantam como parte de sua agregação e simbologia social. Até ler sobre essa simbologia em livros de autores também árabes não entendia porque as fotos que recebia nessas ocasiões mostravam tanta exaltação e revolta entre as pessoas atingidas. No subconsciente coletivo, a perda era a decretação de sua expulsão daquela terra. E de sua desintegração como família. Da mesma forma nunca encontrei críticas à ação de tanques do exército em operações militares que via retratadas, nas quais encanamentos de água e redes de esgoto eram consideradas alvos prioritários. Sem ambos, a vida também deveria ser inviável nas cidades palestinas.


Todos os fatos omitidos pela mídia/governos para benefício de Israel

14 janeiro, 2009

Em Artigo traduzido pelo blog Vi o Mundo traz diversos fatos que mídia e governos, esquecem, omitem e negligenciam. São pressupostos que devem estar na mesa, na opinião pública, e deve formar uma pauta de entendimentos sobre esta questão, a qual muito superficialmente é colocada neste blog pelo post: Comentários a Guerra de Gaza. Veja artigo de Norman Finkelstein:

Os registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel “o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército” e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem… Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.


O passado dos governantes de Israel denuncia suas ações de hoje

13 janeiro, 2009

Com base em informações do Wikipédia e instigado pela artigo de TÁLIB MOYSÉS MOUSSALLEM publicado na Folha é possível observar qual o passado daqueles que hoje governam Israel e lideram suas forças militares. Estes parecem que abandonaram o terrorismo civil pelo terrorismo de estado.

Irgun (em hebraico, ארגון‎, “organização”, forma abreviada de הארגון הצבאי הלאומי בארץ ישראל, translit. HaIrgun HaTzva’i HaLe’umi BeEretz Yisra’el; em português, “Organização Militar Nacional na Terra de Israel”, também chamada ארגון צבאי לאומי, transliterado como Irgun Tsvai Leumi; em português, “Organização Militar Nacional”) foi uma organização paramilitar sionista que operou durante o Mandato Britânico da Palestina (19311948). Em Israel, é comumente referida pelo acrônimo lexicalizado Etzel (אצ”ל), a partir da contração das iniciais hebraicas I.Z.L..

Foi criada em 1931, como resultado de uma cisão da Haganá, e, a partir de 1943, foi dirigida por Menahem Begin.

A Irgoun organizou a imigração clandestina de judeus na Palestina, assim como operações de represália e atentados contra civis árabes. Também lutou contra a presença britânica na região. Foi classificada pelas autoridades britânicas com organização terrorista.[1]

Após a proclamação do Estado de Israel, em 1948, a maior parte dos integrantes da Irgoun foi integrada ao exército regular. Antigos membros da organização também eram maioria entre os fundadores do partido Herut (“Liberdade”), criado no fim do mesmo ano. O Herout foi a matriz do atual Likud, partido de direita israelense.

O Haganá (em hebraico: ההגנה, “defesa”, também conhecida pela grafia inglesa Haganah) foi uma organização paramilitar judaica de cárater sionista, que se iniciou ainda na década de 1920 e lutava contra os pogroms árabes e a ocupação britânica na Palestina.

Foi com base no Haganá que as Forças de Defesa de Israel foram formadas, não só pelo treino militar dos seus membros, como pela sua proximidade com a Agência Judaica, de Ben-Gurion.

Vários israelitas conhecidos e que ocuparam postos importantes na vida de Israel fizeram parte do Haganá, como Yitzhak Rabin, Ariel Sharon, Rehavam Zeevi, Dov Hoz, Moshe Dayan, Yigal Allon e Ruth Westheimer.

Palmach: Foi fundado por Yitzhak Sade em 1941, com o objectivo de defender a Terra de Israel de qualquer ataque vindo das Forças do Eixo. Eram as forças regulares de combate da Haganá, o exército não oficial do Yishuv (comunidade judaica), durante o Mandato Britânico da Palestina. Foi constituída em 15 de maio de 1941 e pela guerra de 1948 já contava com três brigadas e auxiliares combates aéreos, navais e serviços de informação. Em novembro de 1947, o Palmach chegou a ter 5000 membros e foi de importância fundamental para o estabelecimento do Estado de Israel. Unidades de comando do Palmach integraram a Haganá e acabaram por se tornar o núcleo das Forças Armadas de Israel a partir de 1948.

Estas forças foram responsáveis pela seguinte ação militar:

Deir Yassin (em árabe دير ياسين), era uma vila palestina situada a cinco quilometros a oeste de Jerusalém. Deir Yassin ficou conhecida pelo massacre nela ocorrida por forças sionistas durante a guerra árabe-israelense de 1948.

Na vila com este nome, haviam casas de teto plano que enfileiravam-se num morro. Seus habitantes cultivavam damascos, azeitonas e vinhas em terraços na encosta da montanha. Como a vila encontrava-se próxima a diversos assentamentos judaicos e poderia facilmente ser cercada pelas forças sionistas, o muctar ou prefeito havia feito um acordo de não-agressão com os judeus dos assentamentos vizinhos-e, apoiado nesse acordo, havia negado permissão para que forças árabes usassem a cidade como base.

Em abril, comandantes locais dos grupos terroristas Irgun e Stern procuraram o comandante da Haganá em Jerusalém, David Shaltiel, desejando tomar parte na operação destinada a abrir um corredor entre Jerusalém e Tel-Aviv. Embora receoso, Shaltiel acabou por autorizar o ataque, embora argumentasse que haveria outros motivos mais valiosos do ponto de vista militar. A operação foi chamada de Unidade, por reunir numa só ação os três setores das forças judaicas—Haganá, Stern, Irgun—, embora a primeira entrasse, a princípio, apenas com apoio “logístico” e armamentos, além de enviar um “observador”, o jovem oficial Meir Pa’il. Nos dias seguintes, os líderes dos dois grupos terroristas reuniram-se para planejar o ataque, que visava “quebrar” o moral árabe e criar pânico entre os árabes palestinos. Segundo um comandante da Irgun, a maioria dos comandantes presentes às reuniões “decidiu pela liquidação de todos os homens da aldeia e quaisquer outros que se opuséssem a nós, mesmo que fossem velhos, mulheres ou crianças”.

Na madrugada o dia 9 de abril de 1948, a força de assalto sionista, com 120 homens, aproximou-se da aldeia. Os sentinelas, armados com velhos rifles turcos, alertaram a população, que rapidamente começou a fugir para as aldeias vizinhas, enquanto alguns homens faziam frente aos invasores. No começo, os sionistas fizeram pouco progresso; segundo o observador da Haganá, Meir Pa’il: “Eles conseguiram ocupar apenas a metade oriental da aldeia, não conseguindo ocupar a parte ocidental. Dez ou doze árabes atiravam contra eles usando apenas rifles, não tinham armas automáticas, e seguraram-nos do lado oriental”. Percebendo a dificuldade dos invasores sionistas, o próprio Pa’il enviou um mensageiro a uma base próxima da Haganá, solicitando reforços. Logo, um pelotão da Palmach (a força principal da Haganá) chegou aldeia, ocupando-a em poucos minutos e sem nenhuma baixa. Com a vitória, o pelotão da Palmach retirou-se, deixando as ações sob responsabilidade dos comandantes terroristas.

O que se seguiu na aldeia foi a mais brutal selvageria, e embora até hoje a literatura sionista e israelense divida-se quanto aos seus motivos e consequências, há unanimidade entre historiadores árabes e ocidentais, e entre observadores de organizações humanitárias. de que o que houve em Deir Yassin foi uma matança deliberada e cruel da população civil com o objetivo de atemorizar os habitantes de toda a região e provocar sua fuga. Anos depois, o jornal judaico-americano Jewish Newsletter relatou:

” Depois que os homens da Haganá se retiraram, membros da Irgun e do Grupo Stern perpetraram as mais revoltantes atrocidades: 254 homens, mulheres e crianças árabes foram massacrados a sangue frio e seus corpos mutilados foram atirados em um poço; mulheres e moças árabes capturadas e trazidas para Jerusalém em caminhões e conduzidas em parada pelas ruas, onde eram humilhadas e cuspidas. No mesmo dia, os irgunistas deram uma entrevista à imprensa na qual disseram que a matança coletiva era uma “vitória” na guerra de conquista da Palestina e da Transjordânia”.

Para completar a ocupação, os terroristas jogavam granadas pelas portas das casas e metralhavam indiscriminadamente a todos os que viessem pela frente. mulheres tiveram suas barrigas rasgadas por baionetas, e crianças foram mortas em frente a suas mães. Uma comissão inglesa que entrevistou sobreviventes alguns dias depois, conclui que “muitas atrocidades sexuais foram cometidas pelos atacantes judeus. muitas mulheres foram estupradas e depois trucidadas. Mulheres idosas também foram molestadas”. Alguns corpos foram encontrados com mais de 60 tiros, ou com membros amutados. Quinze casas foram dinamitadas, incluindo a casa do muktar, enquanto as demais foram saqueadas.

De acordo com o médico da Cruz Vermelha, Dr. Jacques de Reynier: “A limpeza foi feita com metralhadoras e depois granadas de mão. Foi terminada com facas, qualquer um podia ver isso”. O médico suíço ficou particularmente chocado por uma das terroristas que segurava uma faca. “Uma bonita jovem israelense com olhos criminosos, mostrou-me uma faca com sangue ainda pingando, ela me mostrava aquilo como se fosse um troféu”. O comportamento dos terroristas sionistas lembrou o médico da Cruz Vermelha de seu serviço durante a segunda guerra mundial, quando lhe veio a mente uma cena em que viu “uma jovem nazista apunhalar um casal de velhos sentados em frente de sua cabana”.

O saldo do massacre foi de 254 civis palestinos mortos, grande parte constituída por crianças, mulheres e idosos. Os sobreviventes fugiram aterrorizados, abandonando a aldeia e disseminando o pânico entre a população palestina. Entre os invasores, o número total de mortos foi de QUATRO.

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Trata-se de um passado similar ao do Hamas, talvez pior pela crueldade. São estes que hoje governam Israel possuem as estruturas de estado, mídia, diplomacia e exército para conseguir seus planos. Quais são as reais intenções destes governantes. Um artigo do Blog Anais Políticos pode ajudar. Realmente, Israel conseguiu ser um Estado forte como é hoje pelo apoio dos EUA e por usa de ações terroristas. Veja:

FOI PREMEDITADO?

Em verdade, o que desejava (o vegetal) Ariel Sharon ao ordenar a retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza, cumprir a determinação de George Bush que queria amenizar as resistências árabes às suas incursões no Iraque? Ou limpar o campo para o bombardeio de hoje?

Foi premeditado?

Ou foi um “desabafo” cumprido por Olmert? “Se não podemos ter Gaza, ninguém terá! Matemos a todos, então!”?

Não sei qual das duas situações demonstra mais sangue frio destes senhores da guerra, que determinam a amputação de braços, pernas e o cadavério de centenas de milhares de pessoas no planeta.

Eis que me lembro das palavras de Ehud Olmert, logo após o coma de Sharon. Palavras estas que parecem estar se referindo a um ser iluminado, alguém bom, e não a um assassino:

“Sinto saudades das horas que passávamos juntos, do som de sua voz e de seu bom humor. Espero de todo coração que chegue o dia em que ele abra de novo os olhos e volte” (veja aqui na Folha)

Que mensagem estes senhores querem deixar ao mundo? Que imagem querem que tenhamos do povo judeu?