O vírus que destrói a política paraibana

17 agosto, 2010

A estrutura política paraibana é totalmente desgastada e antiquada aos novos tempos de democracia e cultura social. Neste post pretendo mostrar como um conjunto de famílias domina as estruturas de poder do Estado para obtenção de benefícios próprios.

Tem-se aqui um conjunto de famílias de sobrenome famoso como os Cunha Lima, Targino Maranhão, Morais, Paulino, Lucena, Maroja, Motta, Gadelha, Pessoa, Braga, Maia, Vital do Rego, Fernandes entre outras. Cada família tem enorme influência sobre pequenas regiões do Estado, suas influências não obedecem a limites municipais, até porque esses limites são artificiais e escondem a história de regiões e povos. Quando colocamos essas famílias no mapa vemos um Estado loteado, onde não há uma força hegemônica.

Em processos eleitorais majoritários, como para Governo de Estado, essas forças familiares se unem para eleger um candidato aparentemente de maior penetração estadual. Este candidato deve pertencer a alguma destas famílias e/ou deve querer fazer o jogo delas. Em troca do apoio familiar o candidato oferece um pedaço da estrutura de poder do Estado para um representante de cada família, caso venha a ganhar. Assim, eles loteiam o poder político e formal do Estado de direito, formam uma verdadeira associação, uma irmandade. Deste modo, eles continuam na política, obtêm visibilidade, um salário agradável e a possibilidade de inúmeros instrumentos de troca política para aliciar e comprar forças municipais, vereadores, lideres locais e “profissionais” que detêm espaços na mídia.

Assim se monta uma bela estrutura de campanha e de poder. Somando as várias forças elege-se um Governador ou Senador e estes fazem negociações com os candidatos à presidência para obter apoios e verbas.

Este esquema serve apenas para beneficiar seus participantes e para perpetuá-los na política impedindo renovações. Quando surgem forças novas, pois a realidade é incontrolável, elas têm que se aliar com algumas ou muitas famílias. E por muitas vezes se entregam ao esquema de troca de apoios, esquecendo o elemento que lhe dava o ar de renovação: a possibilidade de quebrar tais estruturas ou oferecer rachaduras.

Quando ocupando o poder, o Governador eleito com base nesse esquema de apoios não se relaciona com Prefeitos e sim com os comandantes (antigos coronéis) das famílias que ajudaram a elegê-lo ou com comandantes de famílias opositoras, que precisam se manter vivas na política.

E deste modo, os investimentos, a construção de hospitais, escolas e delegacias, a distribuição de equipamentos hospitalares, de segurança e educação, a melhoria de estradas, a extensão de redes de esgoto e abastecimento, entre outras políticas, não são definidas com base na necessidade de cada região e da população local, mas sim com base no interesse e necessidade de determinada família, que quer dar mais visibilidade a um filho (ou esposa, ou mãe ou tio) que está entrando na política, que deseja atender interesses comerciais da própria família, ou daqueles grandes financiadores da campanha; que deseja esconder algum esquema ilegal com a realização de uma obra ou ação do tipo “tapa buraco”.

Deste modo, o Estado vai se afundando econômica e politicamente. Não se tem uma efetiva distribuição de renda, pois apenas aqueles que podem entrar ou participar do esquema político possui os benefícios, formando a casta da elite paraibana. Os demais contaram(ão) com a sorte, a criatividade, os estudos ou os concursos públicos para vencer na vida.

O grande elemento sustentador deste processo está na forma como estas famílias ganham a simpatia e as cabeças dos eleitores. Como são comandantes locais, eles se relacionam diretamente com as pessoas de sua região, oferecem para eles soluções pontuais para problemas urgentes, como um transporte de ambulância, o pagamento de uma conta, um emprego temporário, a permissão de participar de perto das discussões políticas (do poder), o status de fazer parte do círculo de influência da região, uma viagem urgente para a capital, à resolução de uma briga local, a famosa compra de voto entre outros. Assim, as pessoas vão desenvolvendo um sentimento de ligação, de identificação, de empatia com estas pessoas. Além disto, é difícil questioná-los, pois há sempre o boato de que alguém já foi morto, alguém ficou sem emprego e hoje está na penúria para sustentar sua família. A famosa perseguição, que é difícil enfrentar/suportar.

Em épocas passadas isso era mais cruel, pois os coronéis tinham as armas e a força para obrigar as pessoas a votarem em seus indicados, e ainda podiam conferir se eles votaram efetivamente no que foi pedido. Hoje é mais sutil.

Após se estabelecerem na estrutura política oficial eles vão dispor de maiores instrumentos para a realização de favores, só que desta vez, os favores serão pagos com dinheiro do contribuinte, com nosso dinheiro. Dentro da estrutura política podem-se obter concessões de rádios e direcionar verba publicitária, assim se instalam na imprensa verdadeiros soldados defensores destas famílias. Estando no poder (quer queira, quer não) eles vão construir e fazer algo pela cidade, mas sem nenhum planejamento, sem estratégia e sem colocar a população em primeiro lugar. Como já se disse, as políticas são direcionadas para atender interesses e necessidades da própria família que ocupa o poder.

Esse círculo negativo e nefasto tem que acabar. Isso depende de cada eleitor, que cada cidadão perceba o candidato que pode promover rachaduras ou mesmo modificar tal estrutura. Esquema no qual um conjunto pequeno de pessoas se beneficia do dinheiro de todos, do poder de todos, da inércia de todos, da falta de educação de todos.


O que está ocorrendo com o PT-PB?

11 abril, 2010

Luiz Couto explica:

O que nós verificamos é que o segmento majoritário quer tratorar o minoritário. A ideia de que foi passada de que José Dirceu viria para “enquadrar” os dissidentes, não era real. Ele não veio em nome da executiva e nem do diretório nacional. Ele tem uma posição claríssima, com a qual não concordamos, mas estamos vendo que a maioria aqui presente quer entregar o PT ao governador José Maranhão. É muito triste que estejamos rastejando para indicar o vice, quando o governador diz claramente que não quer. O partido não faz nenhuma defesa do atual vice governador. Se eu fosse o vice, com a indicação do partido e tivesse recebido o carão do governador, eu romperia. Esse pessoal está cheio de cargos, de benesses, de compromissos para deputado federal e estadual. Cada um pensa no seu umbigo, no seu projeto pessoal. Eles não vão romper, não. Maranhão vai dizer que eles já têm mais do que pediram. A fatura já foi paga. Dizer que Maranhão vai apoiar Dilma é o óbvio ululante!


E as pesquisas para Governador-PB, o que nos dizem?

21 março, 2010

Pois bem, vamos dar crédito aos números destas pesquisas e aliar a isto uma avaliação qualitativa do cenário que vivemos nestas últimos meses. Primeiro vejamos os dados das pesquisas:

Do IBOPE para CONSULT Cícero (-5,3) e Ricardo (-5,4) perdem votos. Enquanto que Maranhão (+4,1) e Indecisos (+7,05) sobem. Os brancos e nulos, aqueles que não votam em nenhum deles praticamente se mantêm.

Os seja, os votos de Cícero e Ricardo foram para Maranhão e indecisos. Partindo da observação de que de outubro de 2009 para fevereiro de 2010 a aliança de Ricardo se consolida com Efraim e Cássio, pode-se entender que parcela dos votos certos de Ricardo foi para indecisos.

Da parte de Cícero, seus votos certos, migraram para Maranhão e outros para indecisão. Visto que houve um processo de paquera ente Cícero e Maranhão nesse período, ao mesmo tempo em que a campanha de Cícero era bombardeada por Cássio, é de supor que tal migração tenha ocorrido. Entretanto, diante da acirrada disputa entre Cícero e Cássio nesse período, os votos cativos de Cícero eram para se afirmarem, e não para correrem da raia. É como se Cícero mantivesse a candidatura e quase metade de seu eleitorado falasse: “Desista. A gente já trocou de barco”.

Diante da paquera que manteve com Cícero, é provável que Maranhão tenha ganhado os votos dos ciceristas. De Fevereiro para outubro de 2009 Maranhão já tinha 8 meses de governo, já tinha explorado propagandas e a máquina do Correio já estava atuando a seu favor, fora isso, tinha inaugurado vários inícios de obras. Os mais cinco meses até fevereiro de 2010 não mudaram muita coisa, a não ser o aumento dos ataques e até apelações do sistema Correio em suas reportagens contra a prefeitura. Isso, entretanto pode ter contribuído para aumentar a indecisão de alguns que votam em Ricardo, do que para aumentar os votos de Maranhão.

Da pesquisa CONSULT para a VOX POPULI temos uma diferença de uma semana, na qual Maranhão ganha quase 3 pontos a mais (2,9%) e a pesquisa indica que estes votos viriam dos indecisos, pois os votos de Cícero e dos Nulos/Brancos mantêm-se no mesmo patamar, praticamente não mudaram. Nesta semana não houve nenhum fato gravíssimo que mudasse muito o cenário local, ou seja, que fizessem os indecisos, provavelmente vindos do bloco de Ricardo tomasse o partido de Maranhão. Mas com que argumentos?

Deste modo a grande pergunta é: será mesmo que os ciceristas abandonaram Cícero, seja pela por imaginar que Cássio consiga acabar com a candidatura de Cícero ou da paquera ente Cícero e Maranhão? Será mesmo que estes ciceristas, diante da insistência de Cícero em manter sua candidatura e peitar Cássio tenham abandonado seu líder? Ou pergunta, será mesmo que Maranhão conseguiu em uma semana acabar com a indecisão de quase 3% do eleitorado, que provavelmente vieram do bloco de Ricardo?

Supondo um “não” para todas essas perguntas, é provável que tenha ocorrido um inchaço artificial dos números de Maranhão. E uma desidratação artificial dos votos de Ricardo. Mesmo assim, se ficamos com a tendência e suprimindo tais inchaços e desidratações artificiais, é possível supor que ainda persista o empate técnico, mas desta vez, Maranhão pode estar na frente numericamente, mas sem tantas garantias de vitórias como mostram estas duas últimas pesquisas.

Qualquer aliança ou fatos social podem ser significativos para a vitória. E Cícero ainda tem muito peso na eleição seja para lá ou para cá. E Maranhão já percebeu isso, o Sistema Correio também, tanto é que já aliviam a barra para o ex-prefeito de João Pessoa. Ricardo que se cuide, pois Maranhão com a máquina do Estado e o Sistema Correio trabalhando para ele tem muita artilharia para soltar e Ricardo com sua espera excessiva para dar atenção às lideranças pode estar perdendo tempo. Armando Abílio que o diga.

Aqui mais uma vez é relevante ver: qual o índice de conhecimento e de rejeição dos candidatos? CONSULT e VOX POPULI não mostraram. Isso ajuda a incrementar as análises. Ficamos na mão.


Contraponto na política paraibana

13 março, 2010

Neste início de ano a política na Paraíba está pegando fogo. Há uma verdadeira guerra de torcidas e o bom senso passa longe. O processo está tão crítico que já há acusações de morte e até tentativas de assassinato com possíveis relações políticas. Será verdade?

Por isso, nesse post vamos tentar mostrar um balanço de alguns fatos críticos destes últimos dias.

O caso da Ponto do Boi Morte em Aparecida-PB

Maranhão vem com muita propaganda, mostrando o que fez e até o que não fez na Paraíba. Parece achar que o eleitor-ouvinte é burro. Mas vamos lá. Neste caso, dizem que essa ponte é obra para inglês ver e outros dizem que é pura realidade.

Maranhão garante: ponte do Boi Morto vai ser concluída até junho. Governador avalia projeto, conversa com o povo, concede entrevista e determina agilidade da obra. A ponte sobre o riacho Boi Morto, no município de Aparecida, será entregue em junho deste ano. A garantia foi dada pelo governador José Maranhão durante visita ao local realizada na manhã desta sexta-feira (8), onde concedeu entrevista e conheceu a obra orçada em R$ 1,8 milhão. Ele disse que determinou a aceleração dos serviços, inclusive um desvio para acesso das populações dos municípios de São Francisco e Santa Cruz, que utilizam uma passagem molhada construída após a queda da ponte.

De outra parte, um padre que até pouco tempo andava muito pelos corredores do Sistema Correio vem denunciando a pouca seleridade da obra. Vejamos: O Padre Djaci Brasileiro, da Paróquia de Santa Cruz, denunciava a paralisação das obras da Ponte do Boi Morto, municipio de Aparecida, no programa radiofônico de Ademar Nonato, Em Sousa, indagorinha, quando um ouvinte de Santa Cruz ligou para avisar:

-Padre, o senhor não sabe o que aconteceu faz pouco. Parou um caminhão entupido de operários, todo mundo vestido de azul e usando capacete azul, desceram do caminhão, subiram na ponte, cada um pegou uma marreta e começou a bater. Aí parou uma van, dela desceram uns homens com máquinas de filmar, os homens ficaram filmando os operários baterem com as marretas e, depois de algum tempo, as filmagens pararam, os da Van entraram e foram embora e os das marretas guardaram as marretas, subiram no caminhão e ganharam a estrada”.

O caso da repórter agredida

A jornalista Pollyana Sorrentino, do Sistema Correio, foi agredida na manhã desta quinta-feira (11) por um vigilante do Posto de Saúde da Família (PSF) do bairro do Geisel, em João Pessoa, no momento em que tentava fotografar um imenso formigueiro que domina o terreno onde foi construído o prédio da unidade.

Repórter da Correio Sat, Pollyana acabara de fazer uma participação ao vivo no Programa Correio da Manhã (98 FM) quando foi surpreendida por um guarda, identificado até aqui apenas pelo prenome de Joel. Ele saiu do interior do PSF, agarrou a mão da jornalista e apertou até fazê-la soltar o celular com o qual fotografava o formigueiro.

O vigilante ‘confiscou’ o aparelho e somente o devolveu a Pollyana minutos depois, atendendo a pedidos de outros funcionários do PSF e de moradores do bairro que presenciaram a agressão. Dois desses moradores acompanhavam o trabalho de Pollyana quando ela foi abordada por Joel. Foram eles os autores do convite para a repórter constatar pessoalmente e narrar aos ouvintes do Correio da Manhã as deficiências do PSF do Geisel.

Chamada por populares, uma viatura da Polícia Militar foi até o local e deteve o vigilante, que não é dos quadros da PMJP. Também não é empregado de qualquer empresa regular de vigilância. Trata-se de um prestador de serviço, segundo apurou a produção de jornalismo da Correio Sat.

E aí e que resultou:

O laudo emitido nesta sexta-feira (12) pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba confirma que não houve agressão alguma à repórter do programa Correio da Manhã, do Sistema Correio de Comunicação no PSF do Geisel.

O exame de corpo de delito foi realizado ontem mesmo, em caráter de urgência e a pedido do delegado Paulo Martins, da 4ª Delegacia Distrital. Assinado pela perita Vilani Maia de Macedo Costa, o exame diz claramente que “constatou-se que a examinada não apresentou lesões no momento do exame”.

O delegado Paulo Martins, que preside o caso, disse, no termo circunstanciado, que a repórter “sem a devida permissão adentrou o imóvel, apesar de ser público, e tentava averiguar as condições de funcionamento do PSF. Mesmo sendo jornalista-radialista, teria que pelo menos respeitar o pedido de um simples funcionário que orientou em procurar a Direção ou com a Secretaria de saúde, para colher as informações necessárias ao esclarecimento da sua reportagem, muito embora a Imprensa tenha o seu espaço livre, deveria também respeitar o espaço dos outros”. Veja o arquivo em anexo.

O caso Efraim Morais

Saiu no Jornal Estado de São Paulo, que apesar de qualidades duvidosas tem grande circulação e aparição. Disputa das vagas de senador pela Paraíba é liderada por dois políticos considerados “ficha-suja”: o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e seu aliado, o senador Efraim Morais (DEM). Segundo pesquisa de intenção de voto contratada pelo jornal Correio da Paraíba ao Instituto Consult, do Rio Grande do Norte, Cunha Lima tem 38,7%, das intenções de voto para senador, seguido de Efraim Morais, com 17,45%. A pesquisa foi divulgada na última quinta-feira. Em terceiro lugar, está o prefeito de Campina Grande (a segunda maior cidade do Estado), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), com 11,80%.

Efraim com ironia e cinismo afirmou seu contraponto: Diante das denúncias reavivadas, uma delas publicada no Jornal Estado de São Paulo deste sábado, o senador reafirmou um desafiou que já havia feito em outras épocas: “Além de mim, quem pode tirar Certidão Negativa na Justiça?” Vale destacar que a matéria do Estadão é assinada por jornalista que atua no Correio da Paraíba e é correspondente do matutino paulista.

Efraim, que se diz inocente de todas as acusações, diz que não há sequer processo formalizado . “Devo realmente ter apresentado um bom desempenho para que mirem em mim”, declarou.

O senador tem muito o que explicar para a justiça, agora é aguardar.

O caso Nivaldo Manoel

O deputado estadual Nivaldo Manoel (PMDB), que está perto de perder mandato para o PPS por infidelidade partidária, exagerou nesta sexta ao tentar explicar, em entrevista à101 FM, porque deixou a legenda sem comunicar as lideranças do partido. Ele disse claramente que tinha medo de que o atual presidente da legenda, José Bernadino, que é chefe da Guarda Municipal, pudesse lhe matar. “Bernadino é muito arrogante, temperamental, violento, e confesso que tinha medo, temor de que ele partisse para uma agressão maior e me matasse, desse um tiro em mim!”, disse o deputado.

O possível agressor respondeu, não à bala:

Um dia depois de ter sido acusado de tentativa de agressão física contra o deputado estadual Nivaldo Manoel (PMDB), o presidente do PPS, José Bernardino da Silva conversou com o Parlamentopb e negou que seja verdadeiro o relato do parlamentar: “Estou com minha consciência tranquila. Aos 49 anos de vida, nunca fui a uma delegacia e nem nunca fui acusado de agressão por ninguém. Desafio qualquer um a provar o contrário. Nivaldo quer jogar meu nome na lama por causa da ação do PPS que pede o mandato dele. Ele confunde meu papel como presidente do partido com uma motivação pessoal, que não existe”, disse o dirigente.

Mas, a principal queixa de Bernardino em relação à participação de Nivaldo Manoel, ontem, no programa Paraíba Agora, foi a insinuação de que poderia ter atentado contra a vida do deputado evangélico: “Eu estou pensando em processá-lo por calúnia, injúria e difamação. Ele quer me responsabilizar porque sabe que vai perder o mandato e eu temo que as pessoas ligadas a ele, como assessores e amigos, possam acreditar que o responsável pela perda do mandato sou eu. E o único responsável é o próprio Nivaldo, que conhecia a lei e mesmo assim deixou o PPS sem ter justa causa. Ele confundiu perseguição com desentendimentos pessoais. Ele nunca foi perseguido. Não existe advertência nem nenhuma sanção imposta pelo partido a ele. O castigo maior para isso tudo será dado na segunda-feira, no TRE, quando ele perder o mandato”, previu.


PT: um processo de humilhação

9 março, 2010

Esta análise de Aguinaldo Almeida merece replicação e reflexão. O comentarista mostra como o PT foi reduzido a mero partido , daqueles de aluguel que só servem para encher a chapa e dar mais tempo de TV. Trata-se de uma grande tapa na cara de Cartaxo e de outros petistas que resolveram apoiar Maranhão a qualquer custo, podemos dizer, se venderam para o “homem do palácio”.

Por outro lado, a análise é rica em mostrar indiretamente como Maranhão, que tanto acuso Ricardo de autoritário, dono de projetos pessoais, faz exatamente isso que imputa aos adversários. Imagine se Ricardo e o PSB estivesse com Maranhão, teria que se render a seus caprichos. E o PT estaria em pior posição. Essa revitalizante não submissão do PSB-Ricardo a Maranhão foi por outro lado amenizada pela aliança com o DEM-PSDB.

Por Agnaldo Almeida

O PT da Paraíba está passando por um processo de humilhação que decididamente não merecia. Paparicado em 2006 pelo então candidato ao governo José Maranhão, o partido fechou uma aliança, cabendo-lhe nas negociações o direito de indicar o candidato a vice.

Foi o que fez. Recaiu a escolha no nome de Luciano Cartaxo, que era vereador da Capital, líder do prefeito Ricardo Coutinho, e que na época tinha boas chances de concorrer à Assembleia Legislativa.

Maranhão e o PMDB nem discutiram a indicação porque sabiam o quanto precisavam do apoio petista. Lula estava – como ainda está – em alta, marchava para uma reeleição garantida e atuava muito nos estados como cabo eleitoral dos candidatos aliados do PT.

A coligação perdeu as eleições daquele ano, mas em 2009 conseguiu vencer a disputa no tapetão. Maranhão assumiu o governo e Luciano foi empossado como vice. Durante todo o tempo em que rolou o processo na justiça eleitoral, tanto o PT quanto Luciano foram peças importantíssimas para finalmente se chegar à decisão do TSE.

Petistas de alto coturno, como o ex-presidente Ricardo Berzoini, estiveram o tempo todo engajados na briga judicial para convencer os ministros da corte eleitoral de que a eleição na Paraíba havia sido fraudada.

Resolvida esta parte, no dia 18 de fevereiro do ano passado, instalou-se o novo governo. Desde o início já se percebia que Luciano Cartaxo era um vice sem muito prestígio. Bom cabrito, ele, porém, resolveu não berrar.

O partido também fez de conta que não via nada. Estava em curso uma disputa interna entre os grupos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Rodrigo Soares. Maranhão, pressentindo a ligação entre Couto e Ricardo Coutinho, tomou o partido de Rodrigo e passou a cooptar petistas para que o apoiassem na disputa pela presidência estadual do PT.

Luciano foi leal a Maranhão o tempo inteiro e trabalhou duro para eleger Rodrigo Soares. Tinha como certo que a indicação de seu nome para a reeleição seria pacífica. Se duvidasse de alguma coisa, poderia até ter iniciado um trabalho político com vistas a obter uma vaga na Assembleia Legislativa.

Bom, o tempo correu e agora Luciano e o PT estão chorando pelo leite derramado, já que não há a menor chance de que o atual vice-governador venha a figurar na chapa dos sonhos de Maranhão. Ele já disse e repetiu que o vice é de Campina Grande. Aliás, disse isto numa entrevista tendo ao lado o próprio Luciano. Depois, numa outra solenidade, omitiu na saudação o nome do petista, que não pôde esconder o constrangimento.

O processo de humilhação da sigla está na reta final. Os articuladores do Palácio pensam em oferecer a Luciano uma hipotética suplência de senador. Chega a ser um deboche. O mais curioso, porém, é que mesmo descartado, como coisa já usada e sem mais serventia, o PT continua mudo, cabisbaixo, com o rabo entre as pernas.

Um partido que tem Lula como presidente de honra e uma militância reconhecidamente forte não poderia estar sendo tratado desta forma. Em outros tempos… ah, em outros tempos e com outros dirigentes o PT já teria botado a boca no trombone. Não se conformaria com essa migalha de três ou quatro cargos que ocupa no atual governo.

Está faltando coluna vertebral. O partido está agachado como nunca esteve.


Paraíba: o 4º Estado que mais desvia verbas federais

8 março, 2010

Essa reportagem não deveria ser deixada de lado. Vale a penar registrar e sempre lembrar aos políticos sobre esse item e sobre o que eles fazem para combater tal quadro.

A Folha de São Paulo trouxe neste fim de semana uma reportagem em que o jornal traça um panorama sobre a quantidade de recursos federais desviados em obras públicas. O texto diz que de cada R$ 100 pagos pelo Governo Federal R$ 29 são desviados e que proporcionalmente a Paraíba é o quarto estado brasileiro que mais desvia verbas públicas.

Segundo o periódico, os dados são da Polícia Federal, mas a assessoria do órgão em Brasília diz que trata-se de “informações vazadas” e por isto eles não iriam comentar o caso. As obras investigadas também não foram divulgadas porque o caso estaria em segredo de justiça.

A Folha diz que 303 obras foram analisadas e que elas somam um gasto total de R$ 3,7 bilhões em dinheiro federal. Destes, nada menos do que R$ 700 milhões teriam sido desviados. Tanto em números absolutos e proporcionais o Rio de Janeiro seria o estado mais corrupto do Brasil, com o desvio de 38,57% de tudo o que foi investido pelo Governo Federal.

Em números absolutos a Paraíba não desponta entre os primeiros, mas quando se analisa proporcionalmente o estado fica em quarto lugar (segundo mais corrupto do Nordeste). Segundo a Folha, foram desviados pelos governos (estadual e municipais) paraibanos 25,13% do total de investimentos vindos de Brasília.

À Frente da Paraíba, estão Rio de Janeiro, Distrito Federal e Alagoas. E ela é seguida bem de perto por dois outros estados nordestinos, Maranhão e Pernambuco, que teriam desviado 22,86% e 22,78% respectivamente.

A lista dos dez estados mais corruptos divulgados pela Folha ainda tem São Paulo, Paraná, Tocantis e Goiás e teriam como base o Serviço de Perícias de Engenharia e Meio Ambiente da PF.

O trabalho da Polícia Federal incluiria inspeções em obras como edificações, vias pavimentadas, sistema de esgoto, rodovias, portos e aeroportos que contaram com verbas do Governo Federal entre 1994 e 2009.


Graves problemas de segurança na Paraíba!!!

26 janeiro, 2010

Após a apresentação forma da existência de grupos de extermínio pelo Secretário de Segurança do Estado, confirmando denúncias e apurações antes realizadas por parlamentares como Luiz Couto e Frei Anastácio, o que estamos vendo é uma ação de ataque a soldados da polícia paraibana. Coincidência ou não em pouco tempo começam a aparecer casos de policiais que s]ao alvo de tiros. Primeiro foi em Camboinha, agora, algo muito grave, gravíssimo ocorreu. Veja notícia abaixo.

O povo da Paraíba não pode ficar refém de um conjunto de bandos armados que fazem suas próprias leis e impedem as pessoas de viveram com um mínimo de segurança capaz de lhe dar conforto para ir e vir, para trabalhar, divergir e exercer sua cidadania. Não estamos falando de assaltos e roubos avulsos, estamos falando de grupos pequenos e grandes, vários, que estão espalhados pelo estado cometendo crimes por encomenda a mando de traficantes, desafetos e agora buscam atingir a própria polícia.

Esse episódio que ocorreu nos Funcionários II é gravíssimo, não pode ser nota de roda pé de jornal. Se a própria polícia começa a ser o alvo, e se partes da própria também está envolvida nesses grupos, quem garantirá a segurança da sociedade.

Este tema é de suma relevância, é mais importante que ficar discutindo picuinhas políticas como faz diariamente nossa mídia, jornalistas e comentaristas. Estes não conseguem nem reconhecer a gravidade do ocorrido.

Que o Estado se manifeste.

Policial Militar é ferido gravemente após ser perseguido por bandidos no bairro dos Funcionários

O policial militar João Virgínio dos Santos, 27 anos, foi ferido na noite desta segunda-feira, dia 25, com dois tiros após ser perseguido no bairro dos Funcionários II, em João Pessoa. Ele está em estado grave no hospital de Emergência e Trauma.

João Virgínio dos Santos estava numa motocicleta quando percebeu que estava sendo seguido por dois homens em outra moto. Ele tentou fugir correndo após abandonar a moto. Contudo, o homem que estava na guarupa desceu e iniciou uma troca de tiros com o policial.

Na tentativa de fuga, João Virgínio dos Santos acabou alcançado pelos criminosos e atingido por dois tiros.

Durante o tiroteio, um disparo atingou Alex Arantes da Silva, 30 anos, que passava pelo local. Ele foi socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma e já recebeu alta.