Dados sobre desemprego mostram alarmismo da mídia

22 janeiro, 2009

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Nestes últimos dias a mídia divulgou em manchetes alarmistas que o saldo entre contratação e demissão do mês  de Dezembro de 2008 foi o pior em dez anos. Muitas mídias estampavam o número de 654.946 demitidos em dezembro. Divulgavam alarmando para os efeitos da crise que atinge o Brasil. Como tinhamos observados antes, a crise chegou ao país de modo mais tarde do que tinha chegado ao outros países emergentes: Rússia, China e India. 

A mídia estava na expectativa de obter dados que comprovassem o quanto será grande o impacto da crise no país e quando chegou os dados do Ministério do Trabalho, foi um prato cheio. Agora o IBGE mostra que o desemprego em dezembro está no menor nível dos seis anos da pesquisa. De quebra mostrou que o desemprego do ano também sofreu redução. Estes dados inclusive foram contrários as expectativas de analistas de mercado. Para quem acha que o governo está sempre fora da realidade, até que um bom revés.

Mais uma vez afirmamos que as previsões são previsões e não acerto pré-agendados. Por hoje, sabe-se que o Brasil será afetado pela crise na forma de desaceleração, mas a grande questão é o quando será afetado? Não podemos fazer análises superficiais dos dados como a mídia tem feito para fazer com que eles falem o que alguns querem. É necessário ver as questões de modo concreto com vistas a resolver o problema ou minimizá-lo e não ficar criando clima de alarmismo e medo, por fim, criando desconfiança e retração desnecessária e artifical do consumo.

Não é de hoje que a mídia jogo com a crise que assola o mundo e que tem como centro os países ricos. Azenha já havia destacado isso. O comportamento da mídia indica algo, mas o que: será que a mídia quer ver o Brasil sofrendo os mesmos efeitos que hoje se vê nos países ricos? Será que ela crê que o governo está fora da realidade e não se preocupa com a crise? Será que ela está jogando no campo eleitoral com vistas a 2010? Será que a mídia está traumatizada com as sucessivas crises que o país viveu há décadas e tem medo que isso volte? Será que ela quer precionar por reforma trabalhista e por redução de gastos de custeio no governo? O país não pode ficar a mercê disto.

Vejam nota do Blog acerto de contas: 

E o IBGE divulgou, agora pela manhã, a taxa média de desemprego no país em 2008. Vocês devem estar lembrados que, não faz nem uma semana, as manchetes davam conta da perda de 650 mil postos de trabalho em dezembro. Parecia o sinal de que a crise financeira se instalara de vez no país. Mas os dados consolidados de todo o ano de 2008 parecem demonstrar que a situação ainda não é desesperadora.

O Brasil fechou o ano com 7,9% na taxa média de desemprego. Inferior aos 9,3% de 2007 e a menor desde 2002. Em dezembro (quando houve o alarde midiático), o desemprego ficou abaixo da média do ano, 6,8%.

Apesar dos números aparentemente positivos, é bom lembrar que cada ponto percentual desses significam centenas de milhares de pessoas sem qualquer ocupação. A população desocupada hoje no país é de R$ 1,6 milhão de brasileiros. Uma situação que não desejo a ninguém.

E notícia do Estadão sobre as diferenças nas metodologia de medição de emprego:

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mede apenas os trabalhadores com carteira assinada, ao receber as informações das empresas sobre trabalhadores demitidos e contratados. Enquanto isso, o IBGE apura emprego formal e informal e pesquisa também as pessoas que, embora desempregadas, não estão procurado trabalho.

Outra diferença é que o Caged mede os dados do País todo, enquanto o IBGE concentra-se nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Em 2008, como um todo, a taxa média de desemprego ficou em 7,9%, ante 9,3% em 2007

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As previsões sobre a crise para o Brasil

17 janeiro, 2009

De 0,5% a 4% são as previsões de crescimento do PIB brasileiro feita pelas mais diversas instituições mundiais. Entre os mais otimistas, a contar de hoje, estão não só o governo federal, mas a agência Moody’s. A ONU possui a previsão mais pessimista. De qualquer forma todas estas previsões apontam um crescimento menor do que aquele que o país vinham tendo nos últimos anos. Por outro lado, são previsões melhores do que aquelas para as grandes potenciais mundiais. Isso mostra que a crise chega ao país na forma de desaceleração, mostra que a economia brasileira possui maior robustes para enfrentar a crise.

ONU – 0,5% / FMI – 3,5% / BM – 2,8% / FOCUS – 2% / MOODY’S – 4% / CNI – 2,?% / CEPAL – 2,?% / GOVERNO – 4% / BC – 3,2%

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Quando se coloca as previsões do governo no meio das demais, percebe-se que não se trata de uma coisa sureal os 4%. O governo está atento e é um dos maiores interessados para que o país passe da melhor forma este período, nesse sentido, as notícias, muitas alarmantes sobre a crise no país, não é uma forma séria e responsável de tratar o assunto. É necessário ver que todos estão no mesmo barco e que no meio da tempestade as previsões ficam no lugar dela, como previsões. Alguém vai acertar, mas quem? É necessário tratar dos mecanismos para combater a crise e não ficar alardeando a “chegada” da desaceleração, ela já tá aí e todos sabem. Este não é o momento de sabotagem, mas de discussão e trabalho em conjunto ou com a mesmo visão.

Veja: https://olhosdonorte.wordpress.com/2008/12/11/as-apostas-sobre-o-futuro-economico-do-brasil/


Brasil, crise econômica e mídia

27 dezembro, 2008

 

Saiu no Jornal do Brasil

O Brasil vai sofrer um processo de desaceleração em seu ritmo de crescimento no próximo ano, principalmente pela onda de incertezas que leva investidores e consumidores a reverem seus projetos, adiando gastos e decisões de expansão da capacidade produtiva.

A avaliação foi feita à Agência Brasil pelo diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carlos Langoni.

– Vai ser uma desaceleração forte. Mas, eu diria que, em termos relativos, o Brasil ainda vai estar bem na fotografia, porque vamos crescer provavelmente acima da média da maioria dos países da América Latina, que vão sofrer forte contração, como o México, a Venezuela e a própria Argentina. Vamos ficar acima da média de crescimento mundial, que deve ser em torno de 2%. E, o que é mais importante, não vamos mergulhar no abismo recessivo.

A desaceleração será provocada também pelo contágio das restrições de crédito, que “está mais escasso e caro”, e pela queda do preço das ‘commodities’ (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional), que já está afetando setores importantes da economia, como o de mineração, e alguns setores exportadores, disse Langoni.

Ele acredita que o país vai cair de um pico de quase 7% no terceiro trimestre de 2008 para algo em torno de 3% em 2009. O grande desafio, na sua opinião, é o Brasil se preparar para sair o mais rápido possível da crise.

– Ou seja, voltar a crescer acima da economia mundial e mostrar sinais de recuperação.

 

Comentário bem pertinente do Blog do Azenha:

A narrativa da mídia corporativa é de que o Brasil afundará com a crise. Mistura de incompetência com torcida e provincianismo.

Provincianismo porque os editores estão acostumados a repetir, sem visão crítica, o padrão do noticiário que vem de fora. E como lá fora só se fala em crise o assunto vai parar nas manchetes brasileiras sem que os editores se preocupem em contextualizar.

Agora que o dito Primeiro Mundo vai afundar eles estão loucos para o Brasil afundar junto. Vamos perder logo essa chance de ser do Primeiro Mundo?

Já a “torcida” tem relação com um projeto político: o do governador paulista José Serra. Uma “carnificina” no Brasil, causada pela crise econômica, prepararia o eleitorado para eleger Serra em 2010.

E outro tanto debito à incompetência pura e simples de nossos editores. Conheço um que saliva com todas as notícias de que o mundo vai acabar. O contentamento dele em testemunhar algo parecido com a crise de 1929 é inacreditavel. Por lidar com Economia, o editor a que me refiro está se sentindo útil como nunca, traduzindo para os colegas o economês.

O problema de juntar mentes colonizadas e incompetentes em um só ambiente é esse: elas são incapazes de fazer uma leitura independente da crise, discernindo entre o Brasil e outros países do mundo.

O fato concreto é que a economia brasileira mudou muito nos últimos anos. O Brasil diversificou os seus mercados, fortaleceu as suas reservas e desenvolveu um mercado interno. Tornou-se, portanto, mais resistente às crises internacionais.

Difícil saber se o Brasil vai de fato crescer em 2009. O presidente Lula fala em 4%. Já li previsões de todo tipo: de 0,5% a 3% de crescimento. Nos outros BRICs a situação está se deteriorando rapidamente. A situação mais complicada é a da Rússia, extremamente dependente das exportações de petróleo. China e Índia também revisaram para baixo as projeções de expansão econômica.

Seja como for, num quadro de crise mundial o fato de o Brasil crescer, se de fato acontecer, será extraordinário. Ainda que o Brasil cresça apenas 2% o governo Lula poderá cantar vitória. Meu ponto é esse: se a mídia corporativa acredita que está ajudando o projeto político de José Serra ao anunciar a implosão econômica do Brasil, pode se dar muito mal. Se a implosão não acontecer, o governo Lula terá a faca e o queijo na mão para dizer: graças à habilidade de nossa política econômica, sobrevivemos num quadro de hecatombe mundial. Não é hora de mudar. Votem na Dilma.


As apostas sobre o futuro econômico do Brasil

11 dezembro, 2008

Segundo notícia do Estadão: Brasil é o único dos Brics que mostra aceleração no 3º trimestre. Taxa de crescimento da economia brasileira saltou de 6,2% entre abril e junho para 6,8% de julho a setembro

 

 “O Brasil foi o único dos Brics – grupo de países emergentes formado também por Índia, China e Rússia – cujo Produto Interno Bruto (PIB) acelerou do segundo para o terceiro trimestre de 2008, comparando com o mesmo período do ano anterior. A taxa de crescimento da economia brasileira, em 12 meses, saltou de 6,2% entre abril e junho para 6,8% de julho a setembro. A China viu seu PIB recuar de 10,1% para 9%, no primeiro resultado abaixo de dois dígitos em cinco anos. A Índia desacelerou de 7,9% para 7,6%, e a Rússia saiu de 7,5% para 6,2%.”

 

 Enquanto países ditos emergentes como China, Índia e Rússia mostravam tendência de queda em seus PIB’s trimestrais o Brasil mostrava tendência de alta. Enquanto a crise já atingia silenciosamente países centrais com repercussão em países emergentes, o Brasil ainda não tinha sido “atingido”. O PIB do último semestre deste ano dará mais pistas sobre projeções futuras. A tendência segundo comentários e noticiários é que a crise ao sair do silêncio e estourar em outubro vá atingir a economia brasileira, mas a pergunta é: o quanto?

 

 Será que o Brasil ao sentir retardatariamente a crise também irá senti-la com menor intensidade que os demais emergentes? Não se está falando que o país está crescendo mais que Rússia, China ou Índia, mas sim, que está sendo menos abalando. As cartas estão a mesa…. O que dirá nossos economistas.