As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.

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Onde está o autoritarismo? E o fim de uma aliança – PMDB-PSB

5 novembro, 2009

O prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho é acusado de ser autoritário e querer impor um projeto pessoal de poder para as eleições de 2010. Mas para que serve tais “argumentos”? São utilizados no jogo para impor uma imagem negativa a Ricardo e outra positiva a Maranhão com bases superficiais. Vamos entender autoritarismo num sentido de senso comum, como alguém que deseja impor sua vontade dentro do jogo político e afastar desse sentido o que seria golpes de estado e outros eventos similares.

José Maranhão que de vez em quando afirma que está aberto a conversas com Ricardo e que no PMDB não há desentendimento, que há diálogo etc e etc. Esconde por baixo das palavras-manta o próprio projeto de poder. Vejam bem, o atual governador ficou no poder praticamente 8 anos de 1994-2002. Afinal Mariz morreu muito cedo e nem conseguiu dar o tom de seu governo. Após isso tentou emplacar seu sucessor, o tal Roberto Paulino e tentou mais duas vezes voltar ao poder sem sucesso.

Voltou agora para cumprir quase dois anos de mandato e assim fechar 10 anos de poder. Insatisfeito, quer ser candidato para 2010 e ficar mais 4 anos. Ou seja, algo em torno de 15 anos no poder e mais 25 anos influenciando os rumos do poder na Paraíba. É quase certo que Maranhão será candidato como 2 mais 2 são 4. E ai de quem questionar. Isso, é claro, não aparece, afinal o PMDB é um partido de diálogo e sem divergências.

Democracia também implica alternância, principalmente quando novas forças políticas possuem possibilidades claras de colocar seu projeto de governo e poder em prática. Luciano Cartaxo alardeia que muitos brigam e qualquer um quer ser vice de Maranhão sem pensar no projeto e no que politicamente o governador representa, neste momento. Desdenha se aliar a Ricardo, que tem mais coerência com PT do que Maranhão. Deseja ser vice como se outras vias não existissem.

Além desse passado todo, outra fato que fica é que Maranhão só aceita Ricardo se este apoiar seu projeto político de voltar ou ficar no Palácio da Redenção, muito embora isso não seja dito. Ninguém fala que ele é o candidato do PMDB, mas todos sabem que ele o é. Ou seja, o PMDB e o próprio Maranhão esconde seu autoritarismo imputando-o aos outros, aos adversários.

Assim, quem é o paladino do autoritarismo?

Mas afinal, o que temos? Temos um bloco de partidos aliados no qual um figura nova desponta com forte capacidade de conseguir ganhar o governo, algo até reconhecido claramente pelo oposição. E como natural, tal figura deseja colocar seu nome na rua para ser eleito e governar o Estado. Por outro lado, tal figura, como é de praxe, enfrenta dissidências dentro do bloco aliado, pois há intenções de governo por parte de outro membro do bloco.

Todos com suas intenções legítimas colocam seu bloco na rua para obter apoio, mas não se falam e nem tentam resolver suas diferenças, aí encaminham-se para a separação muda. Essa falta de comunicação e separação muda é a marca do fim desta aliança, não se trata desse ou daquele ter abandonado a aliança. Afinal, a aliança não era Maranhão forever (para sempre). E nem poderia ser.

A aliança acabou porque os dois tem projetos que se chocam e não desejam reduzir suas posições. Até aí tudo bem, mas o que é problemático, é não querer ou se evitar conversar, talvez por saber que esse papo vai chegar a canto nenhum e talvez gere apenas mais desgaste. Vamos deixar isso para as eleições de 2010, devem pensar o antigos aliados.

Como se vê falar em autoritarismo é apenas falácia no jogo político, não muito elevado que ocorre na Paraíba.


PSB se lança para eleições majoritárias 2010 na Paraíba

29 agosto, 2009

Após encontro da executiva estadual do PSB em João Pessoa foram feitas algumas deliberações, entre elas a indicação que o partido terá um projeto político para disputar as eleições majoritárias de 2010, sem indicar o nome de Ricardo Coutinho. Entretanto, sabe-se que ele é hoje a maior liderança política e social do partido. De modo que seu nome será consequente neste projeto, muito embora a porta para outros foi deixada aberta.

Ainda, o partido informa que está aberto para receber novos quadros, o que pode incluir Ney, e está aberto para fazer aliança, esse é o ponto de divergência entre aqueles que desejam ver o PSB no projeto politico do PMDB e que não lance projeto próprio. Ainda, é ponto de divergência, pois da forma como foi posta ainda deixa dúvidas sobre a possível aliança Ricardo-Cássio, na qual Ricardo tem mais a perder.

Detalhes a parte, veja como foi as manchetes dos principais portais da Paraíba sobre o encontro. É nitida a investida política do PortalCorreio. Ele abre voz para os dissidentes dentro do PSB, pois estes desejam se aliar com o PMDB e insinua que Ricardo domina o partido, encampando as críticas dos dissidentes. Será que o mesmo portal publicará notícia deste modo quando o PMDB priorizar José Maranhão para 2010? Será que ele dará voz aos dissidentes do PMDB com a mesma força?

Sem título

Vejam a resolução do Partido e tirem suas conclusões:

A Executiva Estadual do Partido Socialista Brasileiro da Paraíba reunida na tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, na sede do partido em João Pessoa, depois de analisar a conjuntura política estadual, resolve:

1.O PSB/PB realizará encontros regionais e seminários temáticos para qualificar o debate político, construindo de forma participativa um novo projeto para o Estado da Paraíba;

2.Entendendo que a ampliação da atividade do PSB na Paraíba passa pelo fortalecimento de suas lideranças e dos mandatos parlamentares, a direção estadual deverá fortalecer sua chapa proporcional, atraindo novos quadros para o PSB, reafirmando a garantia de legenda para as eleições de 2010 aos atuais detentores de mandato, como vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais e deputados federais, que já estão compondo os quadros partidários;

3.Tendo a plena convicção do desafio que está posto para 2010, o PSB trabalha para estar à altura da estratégia colocada pela direção nacional do partido, construindo e efetivando um projeto administrativo, político, democrático e popular para o Estado da Paraíba;

4.Com relação à política de alianças para 2010, esta Executiva aprova por 13 (treze) votos favoráveis e 03 (três) votos contrários, a abertura de discussão com todos os partidos políticos que encampem o projeto do PSB para 2010.


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Os fantasmas que rondam a aliança Ricardo-Cássio

5 agosto, 2009

Embora não seja um fato, mas de tão falada, discutida, tomada como certa e esperada por alguns políticos, a aliança Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima passou a ser um fato-virtual ou pseudofato que guia e intervém fortemente nas ações e analises dos políticos e jornalistas. Isso mostra como um fato, por assim dizer, do mundo das hipóteses intervém no mundo real.

Todos os grupos e pessoas estão querendo tirar os seus ganhos em cima desta aliança. Veja o caso de Manoel Júnior e dos divergentes dentro do PSB que se utilizam da pretensa existência da aliança para fortificar uma justificativa de saída do partido e mesmo de não apoio a uma candidatura de Ricardo para governador 2010. Fizemos um desafio a Manoel Júnior propor e buscar apoio dentro do PMDB para a chapa 2010 encabeçada por Ricardo.

Armando Abílio e outros ligados a base de Cássio, principalmente do PP e PTB desejam ver a aliança formalizada e falam pelas quatro cantos a força desta junção. Tratam como se fosse algo imbatível por somar a fora política e apelo popular de Cássio com a força social e administrativa de Ricardo Coutinho. Algo tão natural na cabeça deles, pois se esquecem do aliado Cícero Lucena, de problemas irreconciliáveis com Ricardo, e dos entraves que o próprio prefeito tem, junto a sua base, em compor tal aliança. Este blog já tentou mostrar alguns.

O próprio Cássio por sua vez não desmente a aliança e indiretamente mantém viva a possibilidade. O mesmo acontece pelo lado de Ricardo Coutinho. Sabemos muito bem que há quatro forças políticas na Paraíba, muito embora elas se apresentem como duas. Temos a peso de hoje, Maranhão e Cássio como água e óleo e Ricardo e Cícero como cão e gato. Nesse quatrilho Cícero e Maranhão não começaram paquera, pelo contrário, Cícero mantém a certeza de que receberá o apoio de Cássio. Fala até de coerência, gratidão e traição. Assim, a grande questão que fica é: o que Cássio e Ricardo têm a ganhar com a solidificação virtual desta aliança?

Cássio tem a ganhar um rompimento seguido de um enfraquecimento por separação de forças no bloco de seus opositores PMDB/PT/PSB. Ganha em efeitos simbólicos por ter sua imagem associada, sem muitos arranca-rabos a um dos políticos de maior crescimento, respeito e força na Paraíba de hoje. É uma verdadeira recauchutada na sua imagem abalada pela cassação. Cássio já fez uma paquera e aliança com diferentes quando se juntou com Cozete e o PT em Campina Grande. Que por fim acabou mal para a petista, que hoje sofre e muito após se abandonada e ter todos os males jogados em suas costas. No final das contas ele tem muito pouco a perder. Poderia ter o ressentimento de Cícero e até um rompimento, mas pela certeza deste que Cássio é fiel, essa aliança soa como um grande golpe de mestre!

Ricardo por sua vez, sabe que o PMDB não vai abrir mão de uma candidatura própria, principalmente se esse candidato vier de outro partido, mesmo sendo da base aliada. É um direito dele querer isso assim como é direito de Ricardo pleitear ser governador. Ricardo sabe que tem o apoio de muitos partidos da base de Cássio e não deseja perder esse apoio. Com certeza o PMDB não deixaria de lado. E para não jogar terra no sonho deles, finge que não escutou a ventilação desta aliança. Além do mais, pode estar a vislumbrar um apoio de alguns cassistas, não todos, num pretenso 2º turno em 2010. Mas enquanto Cássio aparenta não ter nada a perder com essa aliança, Ricardo pode perder sua base social de sustentação além de arcar com uma forte descaracterização de sua imagem social e política. Ele passa a ser como os outros.

Ricardo é o que tem mais a perder nessa bagunça todo. Quando a chuva chegar cada qual vai para o guarda-chuva que lhe é mais familiar e receptivo. E Ricardo pode perder uma chance de ganhar o poder pelo apoio social sem apelar para aliança sem legitimação. Ainda, a Paraíba pode perder uma chance histórica de implementar uma renovação política que seja uma alternativa aos velhos grupos e oligarquias e as velhas práticas. Sendo um marco no quadro político dos últimos 30 anos.

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PMDB X PSB: intenções legítimas e atribuições de culpa. Onde chegaremos?

25 julho, 2009

pmdb psb

Briga política entre aliados, pode ser uma das coisas mais feias de se ver. É como briga de família, uma grande confusão. Pouca clareza, muito ressentimento e atribuição de culpas. Pois bem. As divergêncais entre PMDB e PSB estão cada vez mais profundas e as farpas começam a sair e sobrar para quem passar pela frente. As diferenças chegam a níveis pessoais e as feridas são difíceis de sanar.

Enfim, é triste de ver. Mas acontece. Por isso quanto mais sensibilidade e tato em tratar destas questões melhor. Por outro lado, não se pode deixar sentimentos aprisionados, mas não se pode deixar de tratá-los com reflexão e paciência.

Nesta sexta, dia 24/07, após José Maranhão ter dito que sente pena de Ricardo Coutinho e aliados do prefeito ter afirmado que isso é uma convoção para distancimaneto. Chegou a vez dos Vital atacar os ricardistas e suas pretensões políticas para 2010.

Veneziano disse que:

“Fica ao nosso ver pouco provável este realinhamento (entre PSB e PMDB). Não por ter faltado o interesse do PMDB, do PT e de outras legendas aliadas em dialogar, mas pelo PSB ter se apresentado de forma taxativa como cabeça de chapa”

“O PMDB sempre quis conversar sobre as convergências políticas. Mas quando um partido como o PSB se posiciona de forma tão irrevogável e intransigente, não adianta nem propor um realinhamento”

“Temos ouvido de maneira muito categórica que aliados de Ricardo Coutinho tem dito que a candidatura do prefeito da Capital já esta sacramentada. Com isso passamos a ver com maiores dificuldades o realimento”.

Enfim, segundo portais, o prefeito campinense destacou ainda que se a reaproximação com o prefeito Ricardo Coutinho não for possível, não foi por ter faltado por parte do PMDB e de outros aliados o interesse de dar continuidade a aliança que vem vencendo várias eleições em João Pessoa e no Estado. Veneziano lembra que o PMDB é o maior partido da Paraíba e que em nível nacional é o que tem o maior número de parlamentares nas duas casas congressuais, e que por isto surgia como candidato natural ao Palácio da Redenção.

Pelo andar das coisas um rompimento formal está próximo e quase certo. Isso teria que chegar em algum momento haja vista que tanto o PMDB quanto o PSB têm a pretensão de ser cabeça de chapa da aliança. E pelo que se tinha visto ninguém queria abrir mão. Não é apenas o PSB, como afirma Veneziano, mas o PMDB também.

As pretensões de diálogo do PMDB para com o PSB provavelmente seria para afirmar sua superioridade como fez Veneziano agora. O que seria uma boa tática, pois iria atrasar a consolidação de campanha de Ricardo. O PSB por sua vez fingiu que não viu o que estava ocorrendo e foi lançando sua candidatura, colocando o bloco na rua para ver como estava a receptividade.

Esses movimentos táticos dos aliados são parte do jogo político de quem tem interesses divergentes e estão na mesma aliança. Todos os dois tem a legitimidade de lançar suas candidaturas e angariar os aliados e visibilidade necessária. Daí não há problemas nas declarações dos Vital, o problema está em começar a atribuir culpa há essa ou aquela pessoa pelo naufrágio da aliança. Trata-se de algo temerário.

Será que a culpa é mesmo de Ricardo? Não será do PMDB? Quem está mais intransigente nesta disputa? É difícil dizer. Só em afirmar que o PMDB, por ser o maior partido, surgia como candidato natural já coloca suas pretensões como irreversíveis, para usar um termo de Veneziano.

Começar o jogo de atribuição de culpas é perigoso, pois não tem fim, só vai gerar ressentimentos. Transformará os dessentendimentos em racha e poderá acabar como Ronaldo e Maranhão terminaram, grandes rivais, quase inimigos. Além disso, num sentido pragmático, todos sairão perdendo paras as conjugações de 2012 em João Pessoa e Campina Grande. Nesse jogo o futuro é solitário.


Desafio para Manoel Júnior: PSB para o governo com vice do PMDB!

20 julho, 2009

Já faz bastante tempo que o deputado federal Armando Abílio do PTB lançou a aliança entre Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima para as eleições de 2010. É verdade e legítimo que ele tem a liberdade de propor a chapa que lhe convém, são pretensões. O deputado esta semana colocou Luiz Couto, do PT, em sua chapa.

Uma perguntinha: será que ao colocar Luiz Couto na chapa Abílio esteja afirmando que o deputado e o PT agora terão uma aliança com Cássio? A aliança entre Ricardo e Cássio não tem nada de formal, muito embora haja muitas especulações, que foram bastante alimentadas pelo encontro entre Ricardo e Ronaldo Cunha Lima. Mas como todos da aliança entre PMDB/PSB/PT dizem, formalmente, eles estão juntos para 2010 e querem isso. Ainda, deve-se considerar o crescimento político, não eleitoral, da campanha de Cícero Lucena para 2010, o candidato mais forte da aliança PSDB/DEM.

Apesar disto devemos ver, por hipótese, que pessoas do PSB e até o próprio Ricado Coutinho entendam como uma boa ação a aliança entre Ricardo e Cássio (PSB-PSDB), haja vista que pessoas do PMDB/PSB/PT não querem Ricardo como cabeça de chapa da aliança em 2010. Assim, os ricardistas podem querer abrir alternativas e vias de conseguir suas pretensões. Mas é bom dizer que há muita incompatibilidade nesta aliança, se não, vejam os comentários dese blog. CLIQUE AQUI.

Nesta confusão política toda devemos se ater a um detalhe. Até agora nenhum político do PMDB/PSB/PT, fora Luiz Couto e os mais ligados ao prefeito, lançaram ou apoiaram a candidatura de Ricardo para 2010. Pelo contrário, quando se fala nisso, muitos a exemplo de Manoel Júnior e Rodrigo Soares, tratam de minimizar e frear tais  intenções. Este fato é no mínimo estranho, principamente quanto todos afirmam querer a união PMDB/PSB/PT. O mais estranho ainda é Manoel Júnior do PSB não apoiar a candidatura de Ricardo. Ele diz que não aceita a aliança Ricardo e Cássio. Mas é bom dizer que esta união não ocorreu.

Nesse sentido propomos um desafio a Manoel Júnior: deputado, lançe a chapa Ricardo Coutinho para o governo em 2010 com o vice do PMDB e senador do PT! Seria seu remédio ideal. Colocaria mais uma pá de cal em cima das especulações Ricardo-Cássio e ainda levantaria a bandeira de um candidato do próprio partido para ser governador mantendo a aliança PMDB/PSB/PT. Não é ideal? Você não precisaria esquentar mais a sua cabeça. Pois como você tem boa circulação no meio do PMDB poderia até conseguir apoios lá dentro.

Como afirmamos antes, na aliança PMDB/PSB/PT os nomes mais fortes a peso de hoje e provavelmente de 2010 é Maranhão e Ricardo. Os demais estão em segunda ordem, embora possam subir na intenção da população. O problema é que tanto PMDB quanto PSB querem lançar o seu candidato. Intenção legítima, claro. Mas, nenhum dos dois abre mão desta intenção. Se exigem de Ricardo que mantenha a aliança em torno do nome de Maranhão. É plausível e honesto também exigir que se mantenha a aliança em torno do nome de Ricardo.

Assim, vamos deixar as coisas claras e fazer uma disputa interna mais tranquila como faz o PSDB e DEM. Uma última coisa, Manoel, se você não quiser lançar tal chapa, explique pelo menos o porque.


Eleições 2010: José Maranhão tem pena de Ricardo Coutinho

16 julho, 2009

José Maranhão, governador da Paraíba pelo PMDB conseguiu expressar seu mais profundo sentimento em relação ao prefeito da capital Ricardo Coutinho do PSB. Ontem no pragrama Correio Debate da Tv Correio, o Governador, imaginando que NÃO estava no ar e diante de um companheiro para o qual nutre grande estima afirmou que tinha pena de Ricardo. O apresentador perguntou:

  • Você tem alguma mágoa do Prefeito Ricardo diante das criticas que ele lhe tem feito?

Maranhão deu uma risada desinibida, como se aquilo não lhe atingisse. E então afirmou:

  • Eu tenho pena dele. Com essas criticas dele…

Depois perguntou se estava no ar, para se certificar que suas intimidades não tinham sido expostas.

Como afirmou o secretário municipal Antônio Barbosa Filho (PT): a declaração do governador “convoca a um distanciamento” entre ele e Ricardo, e, acima de tudo, Maranhão “subestima o potencial eleitoral do prefeito da Capital”. Ou ainda com diz Edvaldo Rosas, presidente municipal do PSB: “Essa fala demonstra arrogância, demonstra prepotência, demonstra um ser todo-poderoso. E o povo pode derrubar essas arrogâncias (no voto). Você viu o que aconteceu com Lula. Fernando Henrique Cardoso era muito arrogante com Lula”.

No sentido formal da palavra o Governador disse que as críticas de Ricardo é um mal e que isso causa triteza nele, e que em vez de sentir raiva ou algo parecido ele sente dó, compaixão e piedade. Enfim, é como se Ricardo fosse um coitado.

Com certeza o uso político desse fato será negativo para Maranhão. Foi uma frase infeliz, principalmente quando se trata de um aliado, mesmo que (apenas) formal. A risada completou o significado da frase e a pressuposição de que não estava no ar mostra algum nível significativo de sinceridade na sua fala. Por isso tudo, chega a atingir a lado pessoal e não apenas político da relação entre os dois.

Maranhão parece duvidar da capacidade política de Ricardo e parace crer que ele não é um adversário a altura para as eleições de 2010. Por outro lado, pode ser que ele creia que as críticas são realmente infundadas  ou mesmo seja uma tentativa insignificante de Ricardo para se lançar ao governo.  Enfim, as interpretações são várias, mas o sentido é sempre negativo para Maranhão. Ele simplesmente está se achando muito forte. Com se diz por aí, “por cima da carne seca”.

Talvez o problema seja o PMDB

Há de se afirmar ainda que na aliança PMDB/PSB/PT os nomes mais fortes a peso de hoje e provavelmente de 2010 é Maranhão e Ricardo. Os demais estão em segunda ordem, embora possam subir na intenção da população. O problema é que tanto PMDB quanto PSB querem lançar o seu candidato. Intenção legítima, claro. Mas, nenhum dos dois abre mão desta intenção.

Se exigem de Ricardo que mantenha a aliança em torno do nome de Maranhão. É plausível e honesto também exigir que se mantenha a aliança em torno do nome de Ricardo. Mas, nos círculos políticos a maioria acha que o PMDB, por ser o maior partido do Estado e ter maior capilaridade de aliança política (o que não é o mesmo que capilaridade entre os eleitores) deve se impor ao PSB.

Se olharmos bem o PMDB foi relevante para eleger Ricardo na primeira eleição. Em 2008 Ricardo com chapa pura mostrou que tem força política e capacidade de alavancagem. Por sua vez, Ricardo foi relevante para conseguir muitos votos para Maranhão quando da competição com Cássio.

Ainda, Maranhão governou a Paraíba duas vezes e agora tem mais quase dois anos de governo. A lei pode até garantir que ele se candidate, mas a lógica nos diz que ele já teve seu tempo. É preciso renovar, mas o PMDB só quer renovação se for vinda de seus próprios quadros. Ou seja, talvez o problema não esteja tanto no PSB, mas sim, no PMDB.

Já o problema de Ricardo é justamente sua aproximação e pretensa aliança com Cassio. Veja aqui o que o blog já afirmou sobre isso.

Leia também: Blog do Fábio Rodrigues.

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