A inabilidade hábil que fomenta a luta PT-PSDB

12 setembro, 2009

Uma boa análise sobre a situação política do País é feita por Nassif em sua coluna.

As brigas entre PT e PSDB pelo poderio estatal ultrapassa os limites do aceitável em alguns momento e terminam por atrapalhar a criações de convergências necessárias ao desenvolvimento do País.

É incrível como se criam imagens sobre os fatos para que a discussão seja levada para o seu lado, impedindo o diálogo produtivo. É esta “habilidade” que bem utilizada principalmente pelo psdb que termina por criar um padrão não util para o País. Trata-se de uma inabilidade que é hábil para si mesma.

Por outo lado, o artigo mostra os recuos do PSDB assim como do PT em 2002.

Ontem, o PSDB mudou sua posição em relação ao pré-sal. Decidiu não mais fazer oposição sistemática ao projeto do governo. Antes, havia desistido da oposição sistemática ao Bolsa Família. Nos dois momentos, a radicalização foi pautada pelo noticiário, ainda bastante  apegado a slogans do período fernandista. O ajuste de rumos foi motivado pelo reconhecimento de que esses dois temas se incorporaram definitivamente na agenda política brasileira.

***

Antes disso, o PT havia aberto mão de bandeiras históricas para abraçar temas como responsabilidade fiscal, mercado de capitais, respeito aos contratos, manutenção da privatização. Essas duas posturas ajudam a entender um pouco o panorama político brasileiro. O primeiro ponto é que não existem partidos programáticos, e sim pragmáticos (no plano político), que vão se amoldando aos ventos políticos. O segundo ponto é a extrema dificuldade do discurso político racional, não ideológico. Nos anos 70, o surgimento de grandes estatais foi importante para completar o ciclo de industrialização brasileiro. Com a estatização ganhando vida própria, seguiu-se um período de exageros que paralisou a economia. No começo dos anos 90, foi necessário um furacão para romper um conjunto de dogmas que vicejavam na economia.

Segue-se um período inicial de guerra ideológica, enaltecendo o novo modelo, da prevalência do mercado. Em um primeiro momento, provoca um arejamento no modelo econômico. Depois, interesses se estratificam e a ideologia passa a se sobrepor à busca das melhores práticas para o país. Em vez de ferramenta de modernização, o livre mercado torna-se um mantra que paralisa qualquer pro atividade das políticas públicas. Foi uma dura luta a introdução, pelo governo Lula, de novos elementos na discussão econômica. Primeiro, consolidaram-se os conceitos de políticas sociais (com o Bolsa-Família e o salário mínimo). Mas só com a crise global o modelo anterior recebeu seu golpe de misericórdia, com a comprovação, na prática, da importância dos grandes bancos públicos como fator de regulação do mercado e da Petrobras como elemento central da política industrial a ser implementada em torno do pré-sal.

O risco, agora, será a radicalização na volta do pêndulo. Por exemplo, atribuem-se todos problemas da telefonia ao modelo de privatização de FHC. Embora a privatização pudesse ter sido bem melhor estruturada, os problemas atuais decorrem da falta de fiscalização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E ai a razão não são falhas do modelo mas da falta de pressão social e política sobre o órgão – que está há oito anos na órbita do governo Lula. Em algumas áreas, haverá a necessidade de estatais fortes; não em todas. Será necessário aumentar a estrutura de serviços do Estado, mas sem preconceitos contra os métodos de gestão. Será necessário fortalecer tanto a Petrobras quanto o mercado de capitais para a nova etapa de desenvolvimento. Infelizmente, não existe um partido programático que possa passar ao largo da ideologização barata.


O caso Mineiro das ligações entre imprensa e governo

24 agosto, 2009

Apartir do Blog Anais Político pode ver um vídeo que me levou a conhecer um caso que vem se arrastando desde de 2006 no internet, que as vezes trabalha em ondas de repercussão. Creio que esta seja a 3ª onda dos vídeos. Pois bem os casos mostram as ligações e pressões do governo de Minas sobre  editores e jornalista da mídia local. Indiretamente há uma sugestão de que profissionais são demitidos pelos chefes como resultado das pressões, os profissionais negam isso, mas deixam claro como são as relaçõe sentre governo e imprensa.

Ligações similares são também sugeridas na internet em relação ao governo de São Paulo e Rio Grande do Sul, todos do PSDB. O mais negativo disto tudo é que ligações são negadas com base no argumento da imparcialidade e isenção que haveria nas empresas de mídia. O que é muito fraco.

O Primeiro vídeo é um documentário de fim de curso que foi feito iniciado em novembro de 2004 e finalisado, lançado, em junho de 2006, vespera das eleições para o Governo de Estado.  O nome do vídeo chamasse “Liberdade, essa palavra” e foi feito por Marcelo Baêta.

Vejam a parte Dois ….. e Final.

O vídeo caiu como uma bomba na eleição e foi utilizado pela oposição a Aécio. Gerou então uma reação do governo que foi feita por vídeo.

Veja vídeo um ….. e dois.

Outro vídeo foi feito entre 2007 e 2008, quando foi lançado no site Current. O autor (Daniel Florêncio) também não possui ligações partidária e utilizou basicamente o vídeo anterior para fazer o seu, claro que acrescenta algumas coisas novas. Este segundo teve uma maior repercussão fora de Minas que o primeiro e despertou o interesse por este.

Veja o vídeo com tradução.

Este vídeo foi a gota d’água, gerando maior rebate por parte do Governo de Minas, principalmente por ter dado a entender que as demissões de jornalistas foi feitas a manda de Aécio. O PSDB, fez dois vídeos para tentar rebater as acusações.

Veja vídeo um … e vídeo dois.

O governo acusou os autores de ligação partidária, o que não foi provado, mas sim negado pelos autores. Entretanto, os vídeos foram utilizados pela oposição, assim como as notícias de jornais também são utilizadas nas disputas. Veja um debate entre Daniel e o Governo, agora é sem vídeo, só por escrito.

Mídia & Governo: Angu-de-caroço em Minas Gerais

Mídia & Governo 2: Uma câmera na mão, irresponsabilidade na cabeça


Os fantasmas que rondam a aliança Ricardo-Cássio

5 agosto, 2009

Embora não seja um fato, mas de tão falada, discutida, tomada como certa e esperada por alguns políticos, a aliança Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima passou a ser um fato-virtual ou pseudofato que guia e intervém fortemente nas ações e analises dos políticos e jornalistas. Isso mostra como um fato, por assim dizer, do mundo das hipóteses intervém no mundo real.

Todos os grupos e pessoas estão querendo tirar os seus ganhos em cima desta aliança. Veja o caso de Manoel Júnior e dos divergentes dentro do PSB que se utilizam da pretensa existência da aliança para fortificar uma justificativa de saída do partido e mesmo de não apoio a uma candidatura de Ricardo para governador 2010. Fizemos um desafio a Manoel Júnior propor e buscar apoio dentro do PMDB para a chapa 2010 encabeçada por Ricardo.

Armando Abílio e outros ligados a base de Cássio, principalmente do PP e PTB desejam ver a aliança formalizada e falam pelas quatro cantos a força desta junção. Tratam como se fosse algo imbatível por somar a fora política e apelo popular de Cássio com a força social e administrativa de Ricardo Coutinho. Algo tão natural na cabeça deles, pois se esquecem do aliado Cícero Lucena, de problemas irreconciliáveis com Ricardo, e dos entraves que o próprio prefeito tem, junto a sua base, em compor tal aliança. Este blog já tentou mostrar alguns.

O próprio Cássio por sua vez não desmente a aliança e indiretamente mantém viva a possibilidade. O mesmo acontece pelo lado de Ricardo Coutinho. Sabemos muito bem que há quatro forças políticas na Paraíba, muito embora elas se apresentem como duas. Temos a peso de hoje, Maranhão e Cássio como água e óleo e Ricardo e Cícero como cão e gato. Nesse quatrilho Cícero e Maranhão não começaram paquera, pelo contrário, Cícero mantém a certeza de que receberá o apoio de Cássio. Fala até de coerência, gratidão e traição. Assim, a grande questão que fica é: o que Cássio e Ricardo têm a ganhar com a solidificação virtual desta aliança?

Cássio tem a ganhar um rompimento seguido de um enfraquecimento por separação de forças no bloco de seus opositores PMDB/PT/PSB. Ganha em efeitos simbólicos por ter sua imagem associada, sem muitos arranca-rabos a um dos políticos de maior crescimento, respeito e força na Paraíba de hoje. É uma verdadeira recauchutada na sua imagem abalada pela cassação. Cássio já fez uma paquera e aliança com diferentes quando se juntou com Cozete e o PT em Campina Grande. Que por fim acabou mal para a petista, que hoje sofre e muito após se abandonada e ter todos os males jogados em suas costas. No final das contas ele tem muito pouco a perder. Poderia ter o ressentimento de Cícero e até um rompimento, mas pela certeza deste que Cássio é fiel, essa aliança soa como um grande golpe de mestre!

Ricardo por sua vez, sabe que o PMDB não vai abrir mão de uma candidatura própria, principalmente se esse candidato vier de outro partido, mesmo sendo da base aliada. É um direito dele querer isso assim como é direito de Ricardo pleitear ser governador. Ricardo sabe que tem o apoio de muitos partidos da base de Cássio e não deseja perder esse apoio. Com certeza o PMDB não deixaria de lado. E para não jogar terra no sonho deles, finge que não escutou a ventilação desta aliança. Além do mais, pode estar a vislumbrar um apoio de alguns cassistas, não todos, num pretenso 2º turno em 2010. Mas enquanto Cássio aparenta não ter nada a perder com essa aliança, Ricardo pode perder sua base social de sustentação além de arcar com uma forte descaracterização de sua imagem social e política. Ele passa a ser como os outros.

Ricardo é o que tem mais a perder nessa bagunça todo. Quando a chuva chegar cada qual vai para o guarda-chuva que lhe é mais familiar e receptivo. E Ricardo pode perder uma chance de ganhar o poder pelo apoio social sem apelar para aliança sem legitimação. Ainda, a Paraíba pode perder uma chance histórica de implementar uma renovação política que seja uma alternativa aos velhos grupos e oligarquias e as velhas práticas. Sendo um marco no quadro político dos últimos 30 anos.

Vote em nossa pesquisa! Você apoio a união Cássio-Ricardo?

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PSDB e PMDB em guerra no senado

29 julho, 2009

PSDB e PMDB, o primeiro é filho desgarrado do segundo, entraram em pé de guerra declarada. Agora é ver se esse levantamento de armas vai para frente ou se vão baixar as armas e deixar tuuuuudo passar ou se vão eleger por negociação uma cabeça para ser cortada para o grande público! A conta de hoje Sarney está na frente da lista, mas faltaria a cabeça de alguém do PSDB.

Outra: vejam só como funcionam as coisas no meio político brasiliano. Todos sabem quem são os senadores que fizeram coisas erradas, mas ninguém quer punição para eles. Mas parece que chega um momento que esse acerto tácito é quebrado, como agora. Temos que viver a mercê disso? E com a conivência da grande mídia? Até quando? Como venho dizendo, se é para cair Sarney, tem que cair os outros que se beneficiaram das atos secretos e coisas mais…

Vejam reportagem da guerra declaração, é bom dizer.

A decisão do PSDB de entrar com três representações no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (AP), levou o PMDB a declarar guerra aos tucanos.

Líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL) informou ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), que o PMDB decidiu responder na “mesma moeda” e também irá entrar com representações contra senadores tucanos.

Renan e Guerra trocaram telefonemas nos últimos dias. O líder do PMDB considerou que a questão virou partidária e que o caminho é adotar a mesma estratégia. Renan disse ao tucano que vai ao Conselho de Ética contra o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), considerado pelos peemedebistas como “réu confesso” por admitir ter recebido empréstimo do ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia e contratado um funcionário-fantasma.

“O PSDB acaba de arranjar um jeito de se livrar do Arthur porque ele vai ser processado no conselho. As acusações são mais graves do que as que existem contra Sarney. O PMDB não é partido de frouxo”, disse Wellington Salgado (PMDB-MG), senador da tropa de choque de Renan Calheiros.

O comentário no PMDB era que estava “oficializada a guerra política com os tucanos”. Segundo peemedebistas, a cúpula do PSDB foi avisada de que, numa guerra, não há “corpos apenas de um lado, mas dos dois”, uma referência indireta de que, se Sarney perder o mandato, senadores tucanos também terão o mesmo destino.

Renan e Guerra concordaram que a situação é “muito grave”. O tucano disse a Renan que não vê condições de Sarney continuar à frente da presidência, pois já não tem condições de controlar a crise e as acusações contra ele e a família.

Esse foi também o tom que senadores usaram em telefonemas para o próprio Sarney, que consideraram “muito cansado”. Na cúpula do PMDB, contudo, a ordem é resistir. Sarney afirmou aos peemedebistas que não planeja renunciar.

O PMDB cogita entrar com representação contra outros tucanos, como Tasso Jereissati (CE), que usou verba de passagens aéreas para fazer manutenção de avião particular.

Apesar da ameaça peemedebista, o PSDB -sigla que foi fundada por dissidentes do PMDB nos anos 80- entrou ontem com três representações no Conselho de Ética contra Sarney por quebra de decoro que podem resultar na cassação do mandato dele.

A primeira trata do uso irregular de recursos da Petrobras na Fundação Sarney, e a segunda, dos atos secretos. A terceira é sobre o fato de um neto de Sarney ter atuado no mercado de crédito consignado da Casa.

As representações foram apresentadas quase um mês após denúncias feitas formalmente por Arthur Virgílio.

A diferença entre denúncia e representação é que a segunda, se aceita pelo relator, já dá abertura imediata a um processo por quebra de decoro parlamentar contra o congressista.

Apesar das críticas feitas por Virgílio, o PSDB hesitou em processar Sarney porque não havia consenso na bancada. Além disso, temia-se contra-ataque contra o líder tucano.

Virgílio disse ontem que começou a devolver o dinheiro que um funcionário seu recebeu do Senado enquanto estudava no exterior, um total de R$ 210 mil que serão pagos em quatro prestações.

No Conselho de Ética, o PMDB é o partido com mais integrantes: quatro. Para fazer maioria, depende de integrantes da base aliada, que têm seis membros. Juntos, os governistas detêm dez cadeiras. O conselho tem 15 integrantes. Para aprovar um relatório recomendando a perda do mandato, é preciso metade dos votos mais um. O pedido de cassação segue para ser votado em plenário.

Uma coisa sobre Arthur Vírgilio, o novo paladino da ética: sua contradição é própria. Veja um exemplo>


A república palaciana do Brasil está alvoroçada

26 março, 2009

pizza

Para muitos que pensaram que a PF acabaria de vez com as operações de combate a corrupção (entre eles este blog – embora fosse muito mais uma alerta e denúncia) e similares, deu de cara com mais uma operaçao que colocou a república de cabeça para baixo. Trata-se de Castelo de Areia. Nesta a PF prendeu doleiros e diretores da construtura Camargo Corrêa (Veja no site no link grupos> perfil> estrutura societária) por crimes financeiros. 

Ou a empresa não comtabilizava uma soma substancial (na casa dos milhões) de dinheiro ou a empresa estava lavando dinheiro ilegal obtido de licitações fraudadas ou os dois. Estas são as suspeitas. Por ela teria usa tal verba para financiar campanhas de partidos políticos, via intermediação de pessoas da FIESP. Pode? Pode!!!

Pois bem, foi só divulgar os nomes dos partidos, quais sejam PSDB, PPS, PDT, DEM, PP e o PMDB do Pará que um bando de políticos sairam correndo para desmentir, descaracterizar a operação, acusar o governo de uso político da PF etc etc etc… As pessoas esquecem que nesse meio tem partidos ligados ao governo, como o PSB e partidos da linha trabalhista, como o PDT. Esquecem que foi a mesma PF que numa operação tinha colocado o PT em apuros, inclusive com uma foto vazada (o delegado que vazou não sofre processo, que coisa hein?!). Como se diz, a melhor defesa é o ataque. Aí o ministro teve que se manifestar.

Os partidos é claro começaram a soltar notas e discursos avisando que as doações que receberam na empresa foram legais. Nada de mais obvio. O que entra pelo caixa dois, se entrou, ninguém conta, nem legaliza, nem presta conta. As investigações referem-se a doações ILEGAIS. É bom repetir ILEGAIS. 

Outra linha de acusação é dizer que a empresa também deu dinheiro para partidos que não estão nesta lista, como o PT. A Folha de São Paulo, quem mais poderia ser, soltou logo a “notícia”, nada descarada: PT será investigado também. É desejo? Se aquela ilegalidade do Castelo de Areia for provada é claro que aqueles que não apareceram na invetigação se beneficiaram da sorte, do destino, do grampo ter pego um telefone e outros não. Enfim… Se for mais a fundo não sobra pedra sobre pedra. Essa é a aposta do blog acerto de contas

Vale lembrar que querem a cabeça do Juiz De Sanctis, que também está nesta investigação. Já, já pedem a cabeça do delegado. Como se ver, essa estratégia de desqualificar as investigações é forte. Como se vê, estamos em estada de espera e a PF, o MP e a justiça tem que avançar na investigação, o resto são defesas, acusações e a maioria até aqui sem nada de substantivo.

A grande mídia já começou a atirar para todos os cantos, para compensar as denuncias que pesam sobre seus aliados. Veja o que diz o blog Anais Políticos sobre O Globo. E veja o que mostra Azenha. Veja mancjete de Claudio Humberto: Empresa da Camargo bancou o PT-SP.

A república palaciana do Brasil está estremecida. Acho que muita gente não durmiu de ontem para hoje. A PF não pode parar. Vamos ver se acabam com a cultura da pizza. Porque ela está cada vez maior. Do tamanho do Brasil.


O futuro político de Ricardo Coutinho do PSB/PB

15 março, 2009

 

ricardo_coutinho2Há hoje na Paraíba, alimentada principalmente pela mídia local, uma imensa discussão e especulação sobre a eleição de 2010 para o governo do Estado. A peça fundamental e o eixo desta discussão estão na figura do prefeito da Capital Ricardo Coutinho. Se este não tivesse a força política que tem hoje graças em grande medida a sua capacidade gerencial frente à administração publica, é provável que esta disputa não estivesse ocorrendo As posições já estariam marcadas, ou seja, o grupo Maranhão, do PMDB, enfrentaria o grupo Cunha Lima, do PSDB.

O prefeito Ricardo se constitui numa força para a disputa do governo do estado? Essa é a grande questão. Especulam-se as brigas que estariam ocorrendo entre Maranhão/PMDB e Ricardo/PSB, como também a aproximação entre Cássio/PSDB e Ricardo/PSB. Fala-se de acordos, aproximações, brigas, rachas, mágoas e do passado. Entretanto para se analisar tais questões, deve-se pensar em alguns pontos:

Há a cláusula da verticalização, ou seja, os acordos entre os partidos a nível nacional devem ser mantidos a nível estadual. O que isso implica: em nível nacional há uma clara e forte aliança entre DEM-PSDB-PPS. De outro lado, há o PT e seus tradicionais aliados PCdoB, PCB, PL etc. O PMDB é uma incógnita a nível nacional. Este pode apoiar, a contragosto de Maranhão, o PT de Lula ou o PSDB de Aécio/Serra. O PSB pode lançar Ciro para presidente, se não, apoiará o PT. E agora? Como se vê no pior dos cenários o partido de Ricardo estará sozinho ou com o PT, nunca com o DEM-PSDB, ou seja, com Cássio. Eles podem estabelecer uma aliança branca no segundo turno, ou antes.

Este é o primeiro ponto que torna improvável a aliança Cássio-Ricardo, o segundo diz respeito à aliança Cássio-Cícero. Cícero não apoiaria de jeito nenhum esse tipo de situação, o que resultaria numa divisão-racha literal dentro do partido, o que seria ruim para todos. Outro ponto indica que se Ricardo não tem capacidade de colocar sua candidatura para o governo dentro do bloco com o qual vem trabalhando junto a tempos, o PMDB, porque ele teria mais chance de obter o mesmo objetivo dentro o PSDB-DEM, onde há nomes como Cássio, Cícero, Efraim, Rômulo Gouveia e Ruy Carneiro? Esta aliança em termo oficial é quase improvável. Outro indicativo está no próprio Ricardo, de tradição esquerdista junto ao PT e depois PSB, não comporia aliança com o seu exato oposto político, esta percepção é verdade para os políticos do PSB e para seu eleitorado que talvez não aceite tal aliança. Isso em termos práticos implicaria Ricardo trocar parte substancial de seu eleitorado fiel por outro eleitorado não tanto fiel e mais ligado a Cássio do que a ele. Isso tudo por uma vontade pessoal?

Por outro lado, Ricardo necessita conquista apoio político junto a partidos e pessoas que não são cassistas, mas estão com Cássio, de modo que ele possa ter uma aliança e apoio mais substancial para sua pretensa candidatura ao governo em 2010. Como faça isso? É uma verdadeira sinuca de bico. Pois ele pode sair perdendo dos dois lados. A aliança Ricardo-Cássio beneficia Cássio a custa de Cícero e Ricardo a custa de seu passado e história.

 Visto os tamanhos obstáculos que abrange tal aliança, ate certo ponto espúria. Percebe-se também que Ricardo não tem força para sair governador a partir do bloco no qual está, ou seja, o bloco do PMDB de Maranhão. Este partido lançará candidato de qualquer forma, pois é o maior partido do estado, em número e com fortes candidatos, a exemplo, de José Maranhão, Veneziano, Vitalzinho, Wilson Santiago. Além disso, Maranhão vem tentando cooptar as bases não tão ricardista do PSB e de aliados do prefeito. Neste bloco Ricardo pode ficar no mínimo com uma vice-governadoria ou com uma vaga no senado e até com uma promessa de candidatura para 2014, o que pode ser um blefe, principalmente se Maranhão for o candidato em 2010. Veneziano não irá se segurar.

Em termos de alianças políticas Ricardo tem força, mas ainda não tem robustez. Para se lançar como uma terceira via de fato (já que força ele tem e toda esta situação mostra bem isso) o PSB deve compor uma estratégica aliança com o PT e quem sabe contar com uma aliança improvável, a nível nacional, entre PMDB e o bloco PSDB-DEM-PPS. Deste modo, como se vê, a estratégia de paquerar com políticos que estão com Cássio ou Efraim, mas que não cassistas de fato é bastante ariscada e se isso for uma força de se mostrar desejo fora do bloco PMDB é um erro certo.

Apesar deste cenário obscuro, ruim e difícil para Ricardo e seu eleitorado mais fiel, o prefeito ainda conta com uma força que ninguém fala diretamente: sua imagem de gestor competente e político forte na palavra e no discurso.

São estes dois últimos elementos que tornam Ricardo forte, não apenas até o Rio Sanhauá como afirmam analistas políticos, mas até o Rio Paraíba e Mamanguape, for contado é possível ver o tamanho da confusão de hoje. Vale afirmar que o prefeito venceu a primeira eleição em João Pessoa com os eleitores indo de azul para as urnas e votando no laranja. E que em Mamanguape Eduardo virou a eleição literalmente, vencendo os irmãos Fernandes que dominam a cidade há décadas, após o forte apoio de Ricardo. O elemento aliança política é ponto fraco de Ricardo e pode ser o seu fim, se continuar sendo feito atabalhoadamente como ocorre. Creio que resistir aos ataques do PMDB e conseguir a aliança do PT são seus melhores caminhos. Fora este capítulo chamado Ricardo Coutinho – PSB a Paraíba continuará politicamente a mesma, num racha entre Cunha Lima e Maranhão.


O cadáver de Yeda Crusius

5 março, 2009

Esse vale replicar. O Caso de Yeda no Rio Grande do Sul é algo escandaloso por vários sentidos. Um deles, pela atuação, ou melhor, não atuação da mídia…

Uma das intenções deste escriba é mostrar que a imprensa brasileira tem lado. Ela é parcial. E o lado dela, não é necessariamente o seu lado, como cidadão.
Lembramos todos do carnaval que foi instalado sobre a morte do Prefeito Celso Daniel, de Santo André. A mídia brasileira colocou no colo do PT o cadáver, insinuando que ele era arquivo e teria sido queimado. 
Aliás, foram mais do que insinuações. De toda forma, não deu o resultado esperado. Lula foi eleito e reeleito e hoje se sabe que tudo não passou de encenação de uma imprensa corrupta e comprometida.
Como sabemos que para ela, tudo tem dois pesos e duas medidas e está tudo bem assim, trazemos aqui o breve artigo do jornalista Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa e reproduzido noVermelho.
Ele fala justamente do cadável sobre a mesa da “governadora” Yeda Crusius. Cadáver este, que a mídia finge que não vê.
vejamos:
“A imprensa gaúcha de maior visibilidade aceitou sem qualquer reserva a tese do suicídio, embora o personagem merecesse uma atenção maior.
Marcelo Cavalcante era uma das testemunhas cruciais no processo resultante da chamada ”Operação Rodin”, que investigou fraudes e um amplo esquema de arrecadação ilegal de fundos no Detran gaúcho. Ele estava convocado para prestar depoimento ao Ministério Público Federal após o carnaval.
Seu cadáver foi encontrado no dia 17 de fevereiro, a terça-feira anterior ao carnaval. O enterro foi realizado rapidamente. Talvez com pressa demais para as circunstâncias que envolveram sua morte.
Falta de apetite
O governo gaúcho e a imprensa local anunciaram em uníssono que Marcelo Cavalcante foi induzido ao suicídio por conta de perseguições políticas.
O discurso é tão canhestro que não escapa até ao observador mais distraído a tentativa de jogar o cadáver no colo dos deputados do PSOL, que tentam estimular os jornalistas a prestarem mais atenção ao que pode ser um grande escândalo na administração Yeda Crusius.
O caso guarda algumas semelhanças com o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, de Santo André, região metropolitana de São Paulo.
Pouco antes de morrer, Cavalcante teria manifestado interesse em entrar para o programa de proteção de testemunhas do Ministério da Justiça. Mas nem de longe isso mereceu da imprensa qualquer menção. A não ser a Folha de S.Paulo, que dedicou alguma atenção ao acontecimento, o assunto parece incapaz de mexer com a curiosidade natural dos jornalistas.
Apenas alguns blogs acompanham o caso. Ninguém foi checar a autópsia, ninguém se interessou em saber se as câmeras da Ponte Juscelino Kubitschek gravaram o suposto suicídio, ninguém tratou de reconstituir os últimos passos do morto.
Estranho. Muito estranho.
 
Fonte: Observatório da Imprensa
*Jornalista e escritor. Comentário para o programa radiofônico do OI, 2/3/2009″
Por muito menos do que isso, se fosse um cadáver do Governo Federal, já haveria outra gritaria de impeachment.