O que está ocorrendo com o PT-PB?

11 abril, 2010

Luiz Couto explica:

O que nós verificamos é que o segmento majoritário quer tratorar o minoritário. A ideia de que foi passada de que José Dirceu viria para “enquadrar” os dissidentes, não era real. Ele não veio em nome da executiva e nem do diretório nacional. Ele tem uma posição claríssima, com a qual não concordamos, mas estamos vendo que a maioria aqui presente quer entregar o PT ao governador José Maranhão. É muito triste que estejamos rastejando para indicar o vice, quando o governador diz claramente que não quer. O partido não faz nenhuma defesa do atual vice governador. Se eu fosse o vice, com a indicação do partido e tivesse recebido o carão do governador, eu romperia. Esse pessoal está cheio de cargos, de benesses, de compromissos para deputado federal e estadual. Cada um pensa no seu umbigo, no seu projeto pessoal. Eles não vão romper, não. Maranhão vai dizer que eles já têm mais do que pediram. A fatura já foi paga. Dizer que Maranhão vai apoiar Dilma é o óbvio ululante!


PT: um processo de humilhação

9 março, 2010

Esta análise de Aguinaldo Almeida merece replicação e reflexão. O comentarista mostra como o PT foi reduzido a mero partido , daqueles de aluguel que só servem para encher a chapa e dar mais tempo de TV. Trata-se de uma grande tapa na cara de Cartaxo e de outros petistas que resolveram apoiar Maranhão a qualquer custo, podemos dizer, se venderam para o “homem do palácio”.

Por outro lado, a análise é rica em mostrar indiretamente como Maranhão, que tanto acuso Ricardo de autoritário, dono de projetos pessoais, faz exatamente isso que imputa aos adversários. Imagine se Ricardo e o PSB estivesse com Maranhão, teria que se render a seus caprichos. E o PT estaria em pior posição. Essa revitalizante não submissão do PSB-Ricardo a Maranhão foi por outro lado amenizada pela aliança com o DEM-PSDB.

Por Agnaldo Almeida

O PT da Paraíba está passando por um processo de humilhação que decididamente não merecia. Paparicado em 2006 pelo então candidato ao governo José Maranhão, o partido fechou uma aliança, cabendo-lhe nas negociações o direito de indicar o candidato a vice.

Foi o que fez. Recaiu a escolha no nome de Luciano Cartaxo, que era vereador da Capital, líder do prefeito Ricardo Coutinho, e que na época tinha boas chances de concorrer à Assembleia Legislativa.

Maranhão e o PMDB nem discutiram a indicação porque sabiam o quanto precisavam do apoio petista. Lula estava – como ainda está – em alta, marchava para uma reeleição garantida e atuava muito nos estados como cabo eleitoral dos candidatos aliados do PT.

A coligação perdeu as eleições daquele ano, mas em 2009 conseguiu vencer a disputa no tapetão. Maranhão assumiu o governo e Luciano foi empossado como vice. Durante todo o tempo em que rolou o processo na justiça eleitoral, tanto o PT quanto Luciano foram peças importantíssimas para finalmente se chegar à decisão do TSE.

Petistas de alto coturno, como o ex-presidente Ricardo Berzoini, estiveram o tempo todo engajados na briga judicial para convencer os ministros da corte eleitoral de que a eleição na Paraíba havia sido fraudada.

Resolvida esta parte, no dia 18 de fevereiro do ano passado, instalou-se o novo governo. Desde o início já se percebia que Luciano Cartaxo era um vice sem muito prestígio. Bom cabrito, ele, porém, resolveu não berrar.

O partido também fez de conta que não via nada. Estava em curso uma disputa interna entre os grupos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Rodrigo Soares. Maranhão, pressentindo a ligação entre Couto e Ricardo Coutinho, tomou o partido de Rodrigo e passou a cooptar petistas para que o apoiassem na disputa pela presidência estadual do PT.

Luciano foi leal a Maranhão o tempo inteiro e trabalhou duro para eleger Rodrigo Soares. Tinha como certo que a indicação de seu nome para a reeleição seria pacífica. Se duvidasse de alguma coisa, poderia até ter iniciado um trabalho político com vistas a obter uma vaga na Assembleia Legislativa.

Bom, o tempo correu e agora Luciano e o PT estão chorando pelo leite derramado, já que não há a menor chance de que o atual vice-governador venha a figurar na chapa dos sonhos de Maranhão. Ele já disse e repetiu que o vice é de Campina Grande. Aliás, disse isto numa entrevista tendo ao lado o próprio Luciano. Depois, numa outra solenidade, omitiu na saudação o nome do petista, que não pôde esconder o constrangimento.

O processo de humilhação da sigla está na reta final. Os articuladores do Palácio pensam em oferecer a Luciano uma hipotética suplência de senador. Chega a ser um deboche. O mais curioso, porém, é que mesmo descartado, como coisa já usada e sem mais serventia, o PT continua mudo, cabisbaixo, com o rabo entre as pernas.

Um partido que tem Lula como presidente de honra e uma militância reconhecidamente forte não poderia estar sendo tratado desta forma. Em outros tempos… ah, em outros tempos e com outros dirigentes o PT já teria botado a boca no trombone. Não se conformaria com essa migalha de três ou quatro cargos que ocupa no atual governo.

Está faltando coluna vertebral. O partido está agachado como nunca esteve.


As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.


PMDB rifa o PT em diversos Estados.

4 novembro, 2009

Quanto vai custar a candidatura do PT a presidência? A morte do partido, sua subserviência aos comandos de um outro partido? Pois bem, as coisas parecem que se encaminham para algo parecido. Será que o PT vai virar partido de cúpula e desconsiderar seus militantes?

Vamos a notícia:

A comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta nas eleições de 2010 faz sua primeira reunião hoje, na sede do PT em Brasília. Os dez petistas e dez peemedebistas que compõem a comissão fizeram reuniões prévias para levantar os problemas eleitorais no Brasil, tal como ficara acertado quando PT e PMDB fecharam a aliança nacional em torno da candidatura à Presidência da República da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em Minas Gerais, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não se conforma de liderar as pesquisas eleitorais com mais de 40% das intenções de voto em qualquer cenário e ainda ter de enfrentar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que não ultrapassa 12% na preferência. Ele disse que, deste jeito, perdem os dois. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também não aceita a candidatura de Lindberg Farias (PT), que já obteve o apoio do diretório fluminense para se apresentar como candidato no horário eleitoral do PT no rádio e na televisão. O programa vai ao ar no fim de novembro.

No Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli mandou avisar que está pronto para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff, mas que não o fará caso o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, entre na briga pelo governo estadual. Para demonstrar boa vontade, ele avisa que já se acertou com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e que não haverá dificuldade em fazer uma dobradinha com o petista.

Ceará

Também é grande a gritaria do PMDB contra o PT no Ceará – do deputado e ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB). O protesto é contra a candidatura ao Senado do ministro da Previdência Social, José Pimentel. Em jantar da cúpula peemedebista ontem à noite na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), Eunício se queixou de que Pimentel faz uma campanha agressiva com dinheiro da Previdência para competir com ele.

A preocupação dos governistas no Ceará é grande porque uma das duas vagas ao Senado deve ficar com a oposição, já que o senador Tasso Jereissati (PSDB) disputa a reeleição com o apoio do governador Cid Gomes (PSB) e do irmão Ciro, deputado e pré-candidato pelo PSB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A influência de Zé Dirceu. Mais forte que o PT?

7 outubro, 2009

Matéria bem relevante. Vejam:

O município paranaense de 20 mil habitantes administrado pelo filho do ex-ministro José Dirceu (PT) recebeu, proporcionalmente, o dobro de verbas da União do que a maior cidade do país nos últimos dois anos. Mais também do que outras importantes capitais do país, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, e do que municípios vizinhos do mesmo porte.

A cidade de Cruzeiro do Oeste, dirigida pelo prefeito José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu (PT), recebeu R$ 11,1 milhões da União entre 2008 e outubro deste ano. A conta exclui as transferências constitucionais obrigatórias, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo da Educação Básica (Fundeb).

Desde o início do ano passado, o governo federal destinou R$ 552,85 por habitante no município do prefeito Zeca Dirceu. Nesse mesmo período, os repasses federais para cada um dos quase 11 milhões de habitantes de São Paulo ficaram em R$ 244,92. A média de Cruzeiro do Oeste também supera a registrada no Rio, que é de R$ 353,83, a de Brasília, R$ 537,85, e a de Belo Horizonte, R$ 524,69. Os dados fazem parte de levantamento feito peloCongresso em Foco no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

Denúncia do MPF

Há quatro anos o Ministério Público Federal acusa José Dirceu, Zeca Dirceu e Waldomiro Diniz de usarem a estrutura do Palácio do Planalto para beneficiar prefeituras do noroeste do Paraná e patrocinarem um projeto político.

Dirceu diz que a denúncia é frágil, pois não foi aceita pela Justiça. Zeca nega a interferência do pai e afirma que conta com bons profissionais que aumentam a eficiência administrativa da cidade. Procurada pelo Congresso em Foco, a Presidência da República afirma que não há qualquer favorecimento a Cruzeiro do Oeste nas transferências de dinheiro da União para o município.

O mapa dos recursos federais
(Quadro comparativo de verba repassada para Cruzeiro do Oeste, capitais e cidades vizinhas do município de Zeca Dirceu)

Cidade

Prefeito

Verba (R$)*

População

Verba por habitante

Maringá (PR) Sílvio Barros (PP)

229.479.959,49

325.968

704,00

Londrina (PR) Barbosa Neto (PDT)

278.075.790,46

497.833

558,57

Cruzeiro do Oeste (PR) Zeca Dirceu (PT)

11.157.519,89

20.182

552,85

Brasília (DF) José Roberto Arruda (DEM)

1.320.902.624,88

2.455.903

537,85

Belo Horizonte (MG) Márcio Lacerda (PSB)

1.266.048.700,68

2.412.937

524,69

Curitiba (PR) Beto Richa (PSDB)

871.363.913,96

1.797.408

484,79

Foz do Iguaçu (PR) Paulo Mac Donald Ghis (PDT)

107.743.714,71

311.336

346,07

Rio de Janeiro (RJ) Eduardo Paes (PMDB)

1.985.433.611,47

6.093.472

325,83

Altônia (PR) Pedro Nunes da Mata (PP)

4.957.904,66

19.904

249,09

São Paulo (SP) Gilberto Kassab (DEM)

2.666.336.389,03

10.886.518

244,92

Ubiratã (PR) Fábio D’Alécio (PPS)

4.884.962,69

21.214

230,27

Ponta Grossa (PR) Pedro Wosgrau Filho (PSDB)

42.347.528,23

306.351

138,23

Loanda (PR) Álvaro de Freitas Neto (PR)

2.069.524,48

19.464

106,33

Cascavel (PR) Edgar Bueno (PDT)

24.118.600,38

285.784

84,39

TOTAL

R$ 8.814.920.745,01

25.454.274

R$ 346,30

Veja as verbas recebidas em 2008 e 2009

*Repasses aos municípios em 2008 e 2009, exceto transferências constitucionais e outras compensações (como FPM, FPE, ICMS, ITR, Fundeb e Cide). Fonte: Congresso em Foco, com base em dados do Siga Brasil/Siafi, recolhidos em 2.outubro.2009.

Vizinho pródigo

Proporcionalmente, Cruzeiro do Oeste também obtém mais verbas que a capital do Paraná. Curitiba, dirigida pelo oposicionista Beto Richa (PSDB), só recebeu R$ 484,79 por habitante no mesmo período. Entre as seis maiores cidades do estado, o município comandado por Zeca Dirceu só perde em desempenho de verbas recebidas para Maringá e Londrina, também dirigidas por prefeitos da base aliada do governo Lula.

Localizada no noroeste do Paraná, Cruzeiro do Oeste bate todos os municípios de sua região com população semelhante. Altônia, a 100 quilômetros de distância da cidade de Zeca Dirceu, também tem cerca de 20 mil habitantes, mas obteve apenas R$ 2,6 milhões da União do ano passado para cá. Quase um quarto do valor obtido pela cidade de Zeca Dirceu.

Loanda, a 120 quilômetros, conseguiu R$ 1,4 milhão para beneficiar os 19 mil moradores da localidade. Ubiratã ficou com R$ 983 mil para repartir entre os 21 mil habitantes do município situado a 150 quilômetros de Cruzeiro do Oeste.

Asfalto e calçamento

Entre as principais verbas recebidas pela cidade comandada por Zeca estão R$ 3,5 milhões que o Ministério das Cidades destinou no ano passado para obras de urbanização, como asfalto e calçamento. Outros R$ 26 mil foram para planos de habitação de interesse social, como casas populares.

Em 2008 e 2009, o Ministério do Turismo enviou R$ 568 mil para projetos de infra-estrutura turística. Ações para melhorar o saneamento básico receberam R$ 1 milhão do Ministério da Saúde do ano passado para cá. O programa Saúde da Família em Cruzeiro do Oeste foi agraciado com R$ 1,1 milhão desde 2008.


A inabilidade hábil que fomenta a luta PT-PSDB

12 setembro, 2009

Uma boa análise sobre a situação política do País é feita por Nassif em sua coluna.

As brigas entre PT e PSDB pelo poderio estatal ultrapassa os limites do aceitável em alguns momento e terminam por atrapalhar a criações de convergências necessárias ao desenvolvimento do País.

É incrível como se criam imagens sobre os fatos para que a discussão seja levada para o seu lado, impedindo o diálogo produtivo. É esta “habilidade” que bem utilizada principalmente pelo psdb que termina por criar um padrão não util para o País. Trata-se de uma inabilidade que é hábil para si mesma.

Por outo lado, o artigo mostra os recuos do PSDB assim como do PT em 2002.

Ontem, o PSDB mudou sua posição em relação ao pré-sal. Decidiu não mais fazer oposição sistemática ao projeto do governo. Antes, havia desistido da oposição sistemática ao Bolsa Família. Nos dois momentos, a radicalização foi pautada pelo noticiário, ainda bastante  apegado a slogans do período fernandista. O ajuste de rumos foi motivado pelo reconhecimento de que esses dois temas se incorporaram definitivamente na agenda política brasileira.

***

Antes disso, o PT havia aberto mão de bandeiras históricas para abraçar temas como responsabilidade fiscal, mercado de capitais, respeito aos contratos, manutenção da privatização. Essas duas posturas ajudam a entender um pouco o panorama político brasileiro. O primeiro ponto é que não existem partidos programáticos, e sim pragmáticos (no plano político), que vão se amoldando aos ventos políticos. O segundo ponto é a extrema dificuldade do discurso político racional, não ideológico. Nos anos 70, o surgimento de grandes estatais foi importante para completar o ciclo de industrialização brasileiro. Com a estatização ganhando vida própria, seguiu-se um período de exageros que paralisou a economia. No começo dos anos 90, foi necessário um furacão para romper um conjunto de dogmas que vicejavam na economia.

Segue-se um período inicial de guerra ideológica, enaltecendo o novo modelo, da prevalência do mercado. Em um primeiro momento, provoca um arejamento no modelo econômico. Depois, interesses se estratificam e a ideologia passa a se sobrepor à busca das melhores práticas para o país. Em vez de ferramenta de modernização, o livre mercado torna-se um mantra que paralisa qualquer pro atividade das políticas públicas. Foi uma dura luta a introdução, pelo governo Lula, de novos elementos na discussão econômica. Primeiro, consolidaram-se os conceitos de políticas sociais (com o Bolsa-Família e o salário mínimo). Mas só com a crise global o modelo anterior recebeu seu golpe de misericórdia, com a comprovação, na prática, da importância dos grandes bancos públicos como fator de regulação do mercado e da Petrobras como elemento central da política industrial a ser implementada em torno do pré-sal.

O risco, agora, será a radicalização na volta do pêndulo. Por exemplo, atribuem-se todos problemas da telefonia ao modelo de privatização de FHC. Embora a privatização pudesse ter sido bem melhor estruturada, os problemas atuais decorrem da falta de fiscalização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E ai a razão não são falhas do modelo mas da falta de pressão social e política sobre o órgão – que está há oito anos na órbita do governo Lula. Em algumas áreas, haverá a necessidade de estatais fortes; não em todas. Será necessário aumentar a estrutura de serviços do Estado, mas sem preconceitos contra os métodos de gestão. Será necessário fortalecer tanto a Petrobras quanto o mercado de capitais para a nova etapa de desenvolvimento. Infelizmente, não existe um partido programático que possa passar ao largo da ideologização barata.


Situando a crise do PT: Ainda bem que alguém está em crise.

21 agosto, 2009

São verdadeiras bolhas de escândalos que estão ocorrendo e envolvendo o Senado e o Governo. Falo bolha porque muitos foram inflados ou soprados para longe. A crise do senado, a verdadeira crise, não esta em “Sarney fica ou não fica”, simplemente foi soprada para longe do noticiário e debatida tangencialmente, as demais crises são bolhas infladas, veja o caso da Petrobras, da Lina, do 3º mandato etc. Chega-se agora na crise do PT. O partido vive um momento de abalos, num dia juntou a saída de Marina Silva e o arquivamento da investigação de Sarney em troca de apoio umbilical do PMDB.

Agora qual é a crise que o PT passa? Antes é preciso entender bem todo o contexto. Não foi apenas o PT que arquivou o processo contra Sarney. Sua participação foi decisiva? Sim, foi. A participação dos demais partidos também. Não se arquivou apenas o processo do Sarney, a investigação do reú confesso Arthur Vírgilio foi junto e por UNANIMIDADE, é bom dizer. Todos os partidos de modo cínico souberam colocar o dedo na cara do adversário, com discursos eloquentes, acusações abstratas, sinais de moralismo. Junto a isso, os mesmos partidos estavam escondendo todos seus podres debaixo do tapedo, e com um toque de apoio da mídia, o caso de Virgílio é claro.

Veja o comentário do observatório da Imprensa: Se o leitor atento é do tipo que guarda jornais velhos, um exercício interessante de observação consiste em reler manchetes publicadas nas últimas semanas, quando a imprensa cobriu muito intensamente a crise no Senado. O leitor vai notar, por exemplo, que o senador Arthur Virgílio desapareceu do noticiário logo que se configurou a intenção de seus adversários políticos de julgá-lo no Conselho de Ética. Será que Virgílio, que era o campeão das declarações, simplesmente entrou na muda ou os editores é que decidiram poupá-lo?

Mas vamos lá. Após o fato, a maioria dos partidos voltaram tranquilos para casa, pois conseguiram livrar o seu lado e deixar o negativo da crise de Sarney no colo do PT, o desejo mais profundo da grande mídia e da oposição. Todos saíram caladinhos, sem vergonha. Ninguém sentiu nada. Veja bem, apenas o PT sentiu que devia algo, apenas o PT se sentiu envergonhado, se sentido atingido por tudo que aconteceu. E todos cobram isso dela, cobram coerência, cobram postura. Se cobram é porque ele tem algo para oferecer nesse sentido.

A crise do PT expressa muitos os dilemas e as crises em que vive a política brasileira, o sistema político nacional. É claro que a crise expressa também problemas internos, como a falta de uma plataforma consistente de políticas para a eleição de 2010 e a excessiva força que a figura de Lula tem hoje.

É bom que o PT se sinta atingido, pois podemos ver que ele ainda está atento e conectado com as cobranças políticas de vários grupos da sociedade. E pior será quando todos esses fatos se tornem comuns, não consigam nem mais gerar indignação interna. Isso falta aos demais partidos e por isso eles não estão na crise, e por isso a crise do PT expressa também os problemas da política brasileira e a busca por saídas.

As reações parecem bem sinceras e expressam as contradições do momento. O partido, vale dizer Lula, apostou no apoio do PMDB, ou seja, optou estar refem ou do lado do fisiologismo puro e vive sob o dilema do quanto vale ceder para obter o apoio pragmático e a governabilidade de que precisa? O custo está muito alto, principalmente quando Lula parece cego pelo vontade de colocar um sucessor.

O partido não soube lidar com a crise Sarney. Pois numa atitude emocional e ocasional queriam a cabeça de Sarney para os Leões e livrar a de Virgilio. Fizeram uma caça a Sarney como se a crise do Senado derivasse da presença dele alí. Um reducionismo barato para vender jornal, e a midia entrou ou criou isso. O PT e principalmente Lula não soube lidar com a situação e ficou num beco sem saída, mas uma vez queimou credibilidade por projetos políticos de curto prazo. E aí está o partido em crise.

Com certeza essa crise atinge em cheio o PT, mas também a política brasileira. O sistema com um todo parde mais uma leva de credibilidade e entra em rebaixamento. Com certeza essa perda do PT não será um ganho para o oposição, mas sim para projetos que buscam novas alternativas e posturas para 2010 e para a construção da política brasileira. Deve reforçar as linhas de centro-esquerda, não se sabe se na figura de Marina, de Ciro, de Heloisa e de outro. O PT continua sendo um bussula forte na política, mas está perdendo o posto, o que falta é alguem com capacidade e capilaridade para ocupar o posto forte.

Aí entra a possibilidade Marina e as incertezas… agora é esperar para ver e agir para si.