PT: um processo de humilhação

9 março, 2010

Esta análise de Aguinaldo Almeida merece replicação e reflexão. O comentarista mostra como o PT foi reduzido a mero partido , daqueles de aluguel que só servem para encher a chapa e dar mais tempo de TV. Trata-se de uma grande tapa na cara de Cartaxo e de outros petistas que resolveram apoiar Maranhão a qualquer custo, podemos dizer, se venderam para o “homem do palácio”.

Por outro lado, a análise é rica em mostrar indiretamente como Maranhão, que tanto acuso Ricardo de autoritário, dono de projetos pessoais, faz exatamente isso que imputa aos adversários. Imagine se Ricardo e o PSB estivesse com Maranhão, teria que se render a seus caprichos. E o PT estaria em pior posição. Essa revitalizante não submissão do PSB-Ricardo a Maranhão foi por outro lado amenizada pela aliança com o DEM-PSDB.

Por Agnaldo Almeida

O PT da Paraíba está passando por um processo de humilhação que decididamente não merecia. Paparicado em 2006 pelo então candidato ao governo José Maranhão, o partido fechou uma aliança, cabendo-lhe nas negociações o direito de indicar o candidato a vice.

Foi o que fez. Recaiu a escolha no nome de Luciano Cartaxo, que era vereador da Capital, líder do prefeito Ricardo Coutinho, e que na época tinha boas chances de concorrer à Assembleia Legislativa.

Maranhão e o PMDB nem discutiram a indicação porque sabiam o quanto precisavam do apoio petista. Lula estava – como ainda está – em alta, marchava para uma reeleição garantida e atuava muito nos estados como cabo eleitoral dos candidatos aliados do PT.

A coligação perdeu as eleições daquele ano, mas em 2009 conseguiu vencer a disputa no tapetão. Maranhão assumiu o governo e Luciano foi empossado como vice. Durante todo o tempo em que rolou o processo na justiça eleitoral, tanto o PT quanto Luciano foram peças importantíssimas para finalmente se chegar à decisão do TSE.

Petistas de alto coturno, como o ex-presidente Ricardo Berzoini, estiveram o tempo todo engajados na briga judicial para convencer os ministros da corte eleitoral de que a eleição na Paraíba havia sido fraudada.

Resolvida esta parte, no dia 18 de fevereiro do ano passado, instalou-se o novo governo. Desde o início já se percebia que Luciano Cartaxo era um vice sem muito prestígio. Bom cabrito, ele, porém, resolveu não berrar.

O partido também fez de conta que não via nada. Estava em curso uma disputa interna entre os grupos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Rodrigo Soares. Maranhão, pressentindo a ligação entre Couto e Ricardo Coutinho, tomou o partido de Rodrigo e passou a cooptar petistas para que o apoiassem na disputa pela presidência estadual do PT.

Luciano foi leal a Maranhão o tempo inteiro e trabalhou duro para eleger Rodrigo Soares. Tinha como certo que a indicação de seu nome para a reeleição seria pacífica. Se duvidasse de alguma coisa, poderia até ter iniciado um trabalho político com vistas a obter uma vaga na Assembleia Legislativa.

Bom, o tempo correu e agora Luciano e o PT estão chorando pelo leite derramado, já que não há a menor chance de que o atual vice-governador venha a figurar na chapa dos sonhos de Maranhão. Ele já disse e repetiu que o vice é de Campina Grande. Aliás, disse isto numa entrevista tendo ao lado o próprio Luciano. Depois, numa outra solenidade, omitiu na saudação o nome do petista, que não pôde esconder o constrangimento.

O processo de humilhação da sigla está na reta final. Os articuladores do Palácio pensam em oferecer a Luciano uma hipotética suplência de senador. Chega a ser um deboche. O mais curioso, porém, é que mesmo descartado, como coisa já usada e sem mais serventia, o PT continua mudo, cabisbaixo, com o rabo entre as pernas.

Um partido que tem Lula como presidente de honra e uma militância reconhecidamente forte não poderia estar sendo tratado desta forma. Em outros tempos… ah, em outros tempos e com outros dirigentes o PT já teria botado a boca no trombone. Não se conformaria com essa migalha de três ou quatro cargos que ocupa no atual governo.

Está faltando coluna vertebral. O partido está agachado como nunca esteve.


As idas e vindas da política – O jogo de Ricardo Coutinho

10 janeiro, 2010

Não há como negar que Maranhão e Cássio vêm do mesmo berço e praticam a mesma política de aproveitamento político-pessoal da máquina estatal e políticas públicas superficiais para aparecer na mídia, sem atacar os problemas sociais de forma concreta.

Entretanto em um momento do passado eles racharam, pois afinal a vaga de governador era apenas uma e os dois queriam a cadeira e não flexibilizaram suas posições. Foi assim que surgiu o famoso episódio do campestre em Campina, onde os Cunha Lima se separam dos iniciantes Maranhistas e o PMDB, berço de todos, se divide. Maranhão não queria abandonar esta oportunidade (ser governador em 1998), pois ali ele se firmaria na política e não seria um apêndice dos Cunha Lima.

A esquerda na Paraíba não era ninguém, no perdão da palavra. Estava com seus 10 a 15% do eleitorado e não conseguia vencer os situacionistas. Mesmo quando estes se dividiram em 2002 entre Cássio (PSDB) e Maranhão (PMDB). A divisão só serviu para dividir a Paraíba e criar uma rivalidade como nunca vista, não para aumentar a capacidade política da esquerda.

Em algum momento, nas eleições de 2002 a política paraibana saiu de seu isolamento e teve que se adequar a uma mudança a nível nacional que atingia todo o Brasil. Lula surgir como força política, vindo da esquerda, mas com uma atuação flexibilizada de alianças. Nesse momento as forças da Paraíba tiveram que se posicionar diante do quadro nacional. Apoiar ou não apoiar Lula? Todos de algum modo apoiaram, mas alguns tiveram prejuízos por suas opções passadas. Veja o caso de Cássio.

Cássio em 2000 se aliou com o PT de Campina e se elegeu prefeito, Cozete do PT ficou como vice. Mas essa aproximação de Cássio ficou limitada devido a sua opção de sair do PMDB e ir para o PSDB. Com Lula no poder, a partir de 2003, foi se construindo um antagonismo entre PSDB e PT que terminou por acabar com qualquer opção de aproximação entre Cássio e a esquerda, representada pelo PT e outros. Para completar Cássio destrói politicamente Cozete. De outro lado, a esquerda liderada pelo PT se aproxima do PMDB, primeiro na Paraíba e depois a nível Nacional. Aqui uma nova história foi se construindo e identificações foram surgindo.

Nesse momento, o PMDB de Sarney e de Maranhão é da base de apoio a Lula e visto como sendo da esquerda ou centro-esquerda. Cássio é o oponente, e representa na Paraíba o PSDB, oponente nacional do PT e das esquerdas que fazem um governo a nível federal de sucesso.

Entretanto há que se dizer, o que houve nesse contexto foi a flexibilização das esquerdas em vista a um projeto de poder e não uma guinada de partidos como PMDB em direção a esquerda. Foi seguindo tal idéia que PT se alia a PL, PMDB, PP e outros. Na Paraíba, Ricardo, expoente maior da esquerda leva esta para uma aliança com o PMDB. O PT resiste inicialmente, mas cede e também se junta nesta aliança.

Mais uma vez, em 2009 surge um episódio como o do Campestre em Campina. Há apenas uma vaga e dois fortes candidatos de uma aliança deseja ocupá-la. Ricardo e Maranhão travam uma batalha velada. E a aliança se desmancha. Ricardo e Maranhão viram oponentes e a Paraíba teoricamente teria uma terceira via. Pois junto com esses dois há o candidato de Cássio. Entretanto numa jogada de alto risco Ricardo, representante da esquerda, que serviu de ponte para fortalecer a união das esquerdas com o PMDB, se junta com Cássio, Efraim, PSDB e DEM.

Veja bem, Ricardo deseja apagar sete anos de história, 2003-2009 e retomar um momento no qual a esquerda começava sua política de flexibilização de alianças. Deseja retomar uma aproximação de 10 anos atrás na qual Cássio tentou se relacionar com a esquerda e o PT. Aí está o problema de Ricardo, quer desconstruir uma identidade que foi se formando entre esquerdas e PMDB-Maranhão na Paraíba. Uma identidade construída na incoerência e entre diferentes. Quer retomar um caminho passado que não deu certo. Pior do que isso, o problema de Ricardo é não ter construído uma terceira via esquerdista junto com o PT, PCdoB e outros trabalhistas. Esse pecado é mortal, e a responsabilidade não é só dele, mas do PT também, do Luciano e do Rodrigo.

Essa política de flexibilização vive seu momento decisivo. Ricardo, não se torna pior que Maranhão ou Cássio, simplesmente se iguala a estes em termos de alianças políticas. Maranhão não pode criticá-lo porque é o mesmo que criticar a si mesmo, não pode criticá-lo porque fazer isso é querer se apropriar de uma vestimenta de esquerda, o que não é e nem foi sua. Apenas apoiar Lula não lhe garante tal vestimenta. Afinal, ele fala com orgulho para os quatro cantos que recebeu apoio de prefeitos do DEM e do PSDB de Cássio!

Ricardo é incoerente para a esquerda, assim como foi quando se uniu com o PMDB, assim como Lula com suas alianças. Agora, Ricardo não é incoerente com Maranhão nem com Cássio, porque é esta a política deles. Avenzoar tem a legitimidade e liberdade de criticar Ricardo nesse ponto, Maranhão, só tem a liberdade, não tem legitimidade nenhuma.


O combate à violência na PB

18 dezembro, 2009

É verdade que estamos sem postar faz algum tempo. Inclusive não deu tempo para colocar o post de passagem de 1 ano do Blog. Mas, hoje, não poderíamos deixar essa notícia passar em branco. Haja vista que este blog vem falando desde o início sobre o avanço do Crack e da violência associada em João Pessoa e Paraíba. Deste modo é com louvor que recebemos a notícia de que um órgão integrado vai trabalhar a questão da violência em JP e PB.

Mais uma vez o prefeito da Capital sai na frente, porque está de olha no futuro.

Durante solenidade no auditório do Paço Municipal nesta quinta-feira (17), a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) oficializou a implantação do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), órgão que terá como objetivo agregar os diversos setores da segurança pública no Estado e Município, com a finalidade de adotar estratégias para o combate à violência e à criminalidade.

O professor Rubens Pinto Lyra foi empossado como secretário executivo do Gabinete. A solenidade teve a presença do vice-prefeito Luciano Agra e representantes das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária, além da Guarda Municipal e associações.

As corporações com a responsabilidade de capitanear as questões referentes à segurança do Estado vão, a partir de agora, trabalhar de forma conjunta, segundo Rubens Pinto Lyra. Ele adiantou que a corporação sistemática entre os órgãos que trabalhavam separadamente ou coordenados em determinadas ocasiões é uma necessidade atual no combate ao crescimento da violência.

“A institucionalização de órgãos que atuam na área da segurança pública é algo fundamental. Na atualidade, o Governo Federal, através do Ministério da Justiça, está convocando os municípios para que tomem parte deste dever e assim estamos fazendo”, comentou.

Com o GGIM será possível a implantação e execução de estratégias comuns de prevenção à violência e à criminalidade entre município e estado. De acordo com o vice-prefeito Luciano Agra, o papel do município é fundamental na construção da segurança.

“Junto ao GGIM, a sociedade também vai ser conclamada a participar destas ações. O novo órgão atende ao contexto de uma nova política de segurança pública, adotada com pleno respaldo do Governo Federal, que torna, pela primeira vez, através do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), o município protagonista de destaque nessa área”, conclui.

Será através de reuniões constantes entre os representantes da Segurança Pública da Paraíba, corporações, Ministério Público, Defensoria Pública e representantes da sociedade civil organizada, que o GGIM deve trabalhar. O órgão vai dispor de um Observatório de Segurança Pública, ao qual caberá organizar e analisar os dados sobre violência a criminalidade local a partir das fontes públicas de informação, bem como monitorar a efetividade das ações de segurança pública no município.


Aliança Ricardo Coutinho – Cássio Cunha Lima. Resultado da pesquisa e análises

16 novembro, 2009

Este blog colocou no ar sua primeira pesquisa. Durante dois meses (16 de setembro até 15 de novembro) os leitores puderam votar e expressar sua opinião sobre esta muito falada aliança entre Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho para montar uma chapa nas próximas eleições. O blog perguntou, Caso Ricardo Coutinho se alie a Cássio Cunha Lima você votaria nele para governador?.

Eram três opções: sim, não e estou em dúvida. Os resultados indicam que 65% dos votantes aprovam a aliança, enquanto 30% desaprovam, e não votaria em Ricardo. A pesquisa parte do pressuposto de que os votantes são eleitores de Ricardo. Deste modo, um terço destes não gostam da ideia de Ricardo se juntar com os Cunha Lima.

Esta pesquisa não possui validade científica, pois não trabalhou com amostras estratificadas da população do Estado, mas expressas tendências similares àqueles da pesquisa IBOPE, no qual 52% aprovam e 28% são contra, principalmente se consideramos seu pressuposto. Saindo do campo das dados quantitativos e entrando no campo das argumentações podemos inserir esta pesquisa em alguns análise macro da situação política do Estado para 2010.

Até agora a aliança vem sendo propagada e desejada com fervor por Cássio Cunha Lima e seus seguidores e aliados. Ricardo aceita por omissão, por não manifestar seu apoio ou recusa ao que está sendo dito. Ele sabe que está numa berlinda e que para vencer precisa de apoios e palanques no interior, mas a qual custo, fazendo aliança com que tipo de políticos e partidos?

O grupo dos Ricardistas não é maior que o grupo de Maranhistas e Cassistas, talvez seja similar aos Ciceristas. O grande diferencial de Ricardo é sua gestão em João Pessoa, suas novas ideias e resultados obtidos, e isso se dá num contexto de velhos nomes desgastados pela história e sua própria atuação. Isso lhe garante os eleitores desvinculados a políticos e partidos, o eleitor médio da Paraíba. Ou seja, é um momento único para o prefeito. Assim percebemos que essas pesquisas refletem mais a aceitação de  Ricardo entre os Cassistas, do que o contrário. E isso já se firmou, mesmo que Cássio fale que não quer, vai ficar registrado que um dia ele quis e lutou por tal aliança.

Neste momento temos o grande problema de Ricardo, abandonar sua base e até dar as costas para sua história e ideias para obter o apoio político e midiatico de Cássio. Se tal guinada for feita, ele não será mais Ricardo, mas sim, um dos fortes seguidores de Cássio Cunha Lima. Não terá mais sua base de apoio e será um alienígena na base de Cássio, um mero apêndice dos Cunha Lima, como já foi Cozete e agora é Cícero. Os dois vivem na pele os malefícios de sua fidelidade e apoio aos Cunha Limas. Ou seja, pode ser uma morte prevista do prefeito, com um leve suspiro se conseguir ocupar o poder.

As cartas estão na mesa, os próximos passos é que definirão como será as composições para 2010. Se Ricardo conseguir o apoio do PT e do PCdoB, como do PTB e PP ele terá muito musculatura que compense um possível apoio formal que ele pode vir a fazer para Cássio, o que será uma grande tristeza e um ponto negativo na renovação da política do Estado, haja vista que nestes últimos 30 anos a política paraibana se resumiu a uma briga entre Cunha Lima e Maranhão, seja no mesmo partido ou não.

Em breve o blog completará um ano de atuação e muitos leitores conquistados. E novas pesquisas estarão no ar.


Onde está o autoritarismo? E o fim de uma aliança – PMDB-PSB

5 novembro, 2009

O prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho é acusado de ser autoritário e querer impor um projeto pessoal de poder para as eleições de 2010. Mas para que serve tais “argumentos”? São utilizados no jogo para impor uma imagem negativa a Ricardo e outra positiva a Maranhão com bases superficiais. Vamos entender autoritarismo num sentido de senso comum, como alguém que deseja impor sua vontade dentro do jogo político e afastar desse sentido o que seria golpes de estado e outros eventos similares.

José Maranhão que de vez em quando afirma que está aberto a conversas com Ricardo e que no PMDB não há desentendimento, que há diálogo etc e etc. Esconde por baixo das palavras-manta o próprio projeto de poder. Vejam bem, o atual governador ficou no poder praticamente 8 anos de 1994-2002. Afinal Mariz morreu muito cedo e nem conseguiu dar o tom de seu governo. Após isso tentou emplacar seu sucessor, o tal Roberto Paulino e tentou mais duas vezes voltar ao poder sem sucesso.

Voltou agora para cumprir quase dois anos de mandato e assim fechar 10 anos de poder. Insatisfeito, quer ser candidato para 2010 e ficar mais 4 anos. Ou seja, algo em torno de 15 anos no poder e mais 25 anos influenciando os rumos do poder na Paraíba. É quase certo que Maranhão será candidato como 2 mais 2 são 4. E ai de quem questionar. Isso, é claro, não aparece, afinal o PMDB é um partido de diálogo e sem divergências.

Democracia também implica alternância, principalmente quando novas forças políticas possuem possibilidades claras de colocar seu projeto de governo e poder em prática. Luciano Cartaxo alardeia que muitos brigam e qualquer um quer ser vice de Maranhão sem pensar no projeto e no que politicamente o governador representa, neste momento. Desdenha se aliar a Ricardo, que tem mais coerência com PT do que Maranhão. Deseja ser vice como se outras vias não existissem.

Além desse passado todo, outra fato que fica é que Maranhão só aceita Ricardo se este apoiar seu projeto político de voltar ou ficar no Palácio da Redenção, muito embora isso não seja dito. Ninguém fala que ele é o candidato do PMDB, mas todos sabem que ele o é. Ou seja, o PMDB e o próprio Maranhão esconde seu autoritarismo imputando-o aos outros, aos adversários.

Assim, quem é o paladino do autoritarismo?

Mas afinal, o que temos? Temos um bloco de partidos aliados no qual um figura nova desponta com forte capacidade de conseguir ganhar o governo, algo até reconhecido claramente pelo oposição. E como natural, tal figura deseja colocar seu nome na rua para ser eleito e governar o Estado. Por outro lado, tal figura, como é de praxe, enfrenta dissidências dentro do bloco aliado, pois há intenções de governo por parte de outro membro do bloco.

Todos com suas intenções legítimas colocam seu bloco na rua para obter apoio, mas não se falam e nem tentam resolver suas diferenças, aí encaminham-se para a separação muda. Essa falta de comunicação e separação muda é a marca do fim desta aliança, não se trata desse ou daquele ter abandonado a aliança. Afinal, a aliança não era Maranhão forever (para sempre). E nem poderia ser.

A aliança acabou porque os dois tem projetos que se chocam e não desejam reduzir suas posições. Até aí tudo bem, mas o que é problemático, é não querer ou se evitar conversar, talvez por saber que esse papo vai chegar a canto nenhum e talvez gere apenas mais desgaste. Vamos deixar isso para as eleições de 2010, devem pensar o antigos aliados.

Como se vê falar em autoritarismo é apenas falácia no jogo político, não muito elevado que ocorre na Paraíba.


Refletindo sobre 2010 – Rubens Nóbrega

4 novembro, 2009

O jornalista Rubens Nóbrega do Sistema Correio publicou na coluna diário sua, podemos dizer, indecisão sobre o peito de 2010. Ele se diz sem opção. O que merece destaque desta análise pessoal do jornalista além da sinceridade é a falta de subterfúgios e argumentos ocultos, o que está cada vez mais raro.

Essas palavras capacita o leitor a fazer suas análises e tomar sua posição, que pode similar ao do jornalista ou mesmo contrário. O que vale é a autonomia.

Por isso merece destaque essa reflexão.

Começo a entrar em pânico pela primeira vez na minha vida de eleitor. Juro que nunca me aconteceu antes o que está acontecendo agora: faltando um ano para a próxima eleição, ainda não sei em quem votar para governador do meu Estado.
A causa da aflição tem a ver com a minha opção pessoal, irrenunciável e intransferível em matéria de escolhas políticas dentro da democracia possível que temos: sou visceralmente contra o voto nulo ou o voto em branco.
Com todo respeito a quem defende o contrário, considero que anular o voto é nulificar a própria participação no processo – esse sim, efetivamente democrático – de cobrança, protesto, crítica, sugestão ou denúncia contra o eleito ou ao eleito.
Votar em branco, então, é negar princípio basilar da existência humana: reconhecer, entre muitos, pelo menos um que tenha alguma qualidade, um mínimo de valor para merecer voto que lhe permita representar minimamente o eleitor.
Resumindo, o voto tem que valer, tem que ser política e eleitoralmente válido, para o bem ou para o mal. Se for para o mal, na falta do recall temos a alternativa de não apenas negar o voto como lutar de alguma forma para derrotar quem não correspondeu.
É assim que funciona em nossa claudicante democracia, que não melhora um tico se os cidadãos começarem a adotar posturas e a fundamentar decisões num absenteísmo que no final das contas reverte contra todos.
É bem verdade que nesse meu ativismo – e de muita gente mais, creio – está embutido um risco muito sério: o de se votar no menos ruim, de se escolher alguém por exclusão. Acontece. Principalmente quando dá segundo turno.
De qualquer sorte, como já disse uma vez o filósofo Paulo Soares sobre a candidatura do próprio irmão, Soares Madruga, “dos males, o menor”. O problema é que para 2010 não estou vendo até agora sequer um mal menor.
E aí me bate aquela aflição medonha…

Votar em Maranhão?
Como, se até agora, oito meses após tomar de volta o poder, o seu governo se comporta como quem entende que governar se resume a tocar obras sem tocar, no sentido de resolver, os problemas mais cruciantes da Paraíba?
Chego a pensar que o governador e seus auxiliares realmente acreditam que resolver a saúde, por exemplo, significa construir ou concluir hospitais e botar pra funcionar, sem que exista no Estado uma política pública de saúde digna desse título.
E o que dizer da Educação? Alguém aí poderia me apontar algum programa educacional conseqüente e de resultados mensuráveis, palpáveis, concebido e posto em prática por este governo para acabar ou pelo menos atacar repetência ou evasão escolar?
Dá pra falar em educação pública com um mínimo de qualidade quando o Estado paga tão mal aos seus professores e não dispõe deles em quantidade minimamente suficiente – concursados, qualificados – em centenas de escolas?
Segurança? Dá pra falar em segurança pública com mais de uma centena de cidades sem delegado ou com duas centenas policiadas por no máximo cinco policiais militares, sem contar greve dos policiais e o pior salário do Brasil que dizem receber?
E o que o governo faz para resolver ou, pelo menos, ensaia resolver? Sinceramente, não vejo nada. E temo que o próprio governo se ache o máximo porque toma de conta. E nisso, reconheço, é mil vezes melhor do que o antecessor.

Votar em Ricardo?
Até o início deste ano, o dilema que confesso agora não existia. Estava certo de votar em Ricardo Coutinho para governador. Afinal, o Mago dera provas em seu primeiro mandato de prefeito da Capital que poderia fazer diferente.
Mas aí o alcaide e suas circunstâncias levaram-no para um lado que faz do discurso da diferença mero exercício de retórica e sua prática política muito parecida ou igual à daqueles que ele combatia ontem (Cássio Cunha Lima) e hoje (José Maranhão).
Quer ver uma coisa: tem coisa mais cassista – ou maranhista, para quem assim preferir – que se aliar (ou tentar aliar-se) a alguém como Cássio Cunha Lima, ícone do mais desbragado patrimonialismo que já se adonou do poder na Paraíba?
Desse jeito, onde vai parar aquela belíssima palavra de ordem (repetida ad nausean por Ricardo na campanha de 2004) de ‘resgatar o caráter público da administração pública’ que a Prefeitura da Capital perdera sob Cícero Lucena?
Desde quando ou a partir de quando Cássio se tornou melhor do que Cícero aos olhos, corações e mentes do ricardismo? Ou será que vale qualquer coisa para se chegar a um poder que pode mais ou pode quase tudo, em se tratando da Paraíba?
Não é só a aproximação ou a tentativa de fazer dobradinha com Cássio (e o que ele representa) que me fez repensar e, por enquanto, desistir de votar em Ricardo Coutinho para governador do meu Estado.
A proximidade com o cassismo parece ter contaminado irremediavelmente o nosso prefeito, a julgar pelo esforço de cooptação – em curso no atual mandato – movido a dinheiro público.
Digo isso pelo que li e vi comprovado ontem na última edição do Contraponto, que exibe a relação de membros de um partido que teve o professor Chico Barreto como candidato a prefeito em 2008 e esse mesmo time joga hoje no time do prefeito Ricardo.
Não apenas joga como foi responsável por denúncias que deixaram Barreto muito mal na fita perante o eleitorado naquela disputa, acusado de ter recebido dinheiro de duvidosa procedência para espinafrar o alcaide.
E o que tem isso? Tem que o Contraponto prova reproduzindo atos publicados no Semanário Municipal (órgão oficial da PMJP) e tudo o mais que os mesmos denunciantes hoje são bem aquinhoados prestadores de serviço ao governo do PSB.
Aí eu pergunto: tem coisa mais cassista – ou maranhista – do que isso? Ou já posso perguntar assim: tem coisa mais ricardista do que isso?


A mídia política paraibana. Um verdadeiro partido político

17 outubro, 2009

É notória as ligações políticas entre rádios, tvs e jornais com partidos e grupos políticos. Cada vez mais a atuação da mídia está se distanciando de padrão de qualidade e jornalismo ético para se aproximar de uma atuação restrita e subordinada a interesses ocultos, muitos vezes difíceis de ocultar.

O pior disso é que tais mídias se escondem por traz do fumaça da pretensa imparcialidade e neutralidade para manipular a população e seus leitores. Abusam assim da liberdade de expressão. Esse problema não é só do Brasil, ou da Paraíba, mas ocorre no mundo todo. Veja o caso da atuação de Israel junto as mídias digitais ou não, que este blog já mostrou.

Interessante ler também o artigo sobre o processo que está ocorrendo no EUA entre Obama e a FOX. Veja este comentários do Observatório da Imprensa:

O jornalista Luiz Carlos Azenha transcreve em seu blog Vi o Mundo matéria publicadano The Nation no domingo (11/10) [ver aqui] repercutindo entrevista que a diretora de Comunicações da Casa Branca, Annita Dunn, concedeu à rede de televisão CNN e também declarações feitas a repórteres do The New York Times, nas quais ela afirma:

“A rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano” (…) “não precisamos fingir que [a Fox] seria empresa comercial de comunicações do mesmo tipo que a CNN.”

“A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

E disse mais:

“Quando o presidente [Barack Obama] fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição.”

Já não seria, todavia, a hora de se questionar – séria e responsavelmente – o discurso de que a grande mídia privada seria a mediadora neutra, desinteressada, imparcial e objetiva do interesse público nas sociedades democráticas? Como sustentar esse discurso diante de todas as evidencias em contrário, inclusive de partidarização, aqui e alhures?

Não avançaríamos no debate democrático se a grande mídia assumisse publicamente suas posições e reconhecesse que, sim, além dos editoriais, dos artigos e das colunas, a cobertura que faz – ou a ausência dela – é também opinativa e, às vezes, partidária?

Como afirmei a mídia paraibana não fica de fora. Todos sabem das ligações do senador José Maranhão com o Sistema Correio, inclusive seu suplente de senador, que agora é senador, é o dono do sistema. Deste modo é cada vez mais de esperar a atuação político do Correio para ajudar Maranhão nessa “nova” fase política. E por consequencia prejudicar seu principal rival, neste momento Ricardo Coutinho.

A atuação começou cedo. Não se deu cobertura do Prêmio que o Prefeito, ou melhor a prefeitura ganhou em Brasília por preservar o patrimônio histórico. Pelo contrário, falou-se de problemas pontuais da cidade. Claro para iludir o eleitor-leitor-ouvinte.

A atuação política do sistema continuou neste sábado. Após a primeira pesquisa realizada para 2010 por instituto de renome nacional. Apesar de pesquisas não teres significados de previsão, e sem, sentido de situação. Todos os maiores portais do estado divulgaram em manchete a pesquisa que estava disponível desde as 15h.  Mas o correio não deu nem uma nota, omitiu-se e não informou (o mínimo a se esperar).

Os três maiores portais da internet paraibana são o Paraíba 1, Wscom e Portal Correio. Apenas o correio não falou do resultado e os demais portais médios e menores repercutiram, veja o quadro abaixo:

Pesquisa IBOPE

Será que chegaremos a algo parecido como nos EUA?

É bom lembrar que os dados foram amplamente favoráveis a Ricardo e mostrou que ele tem envergadura para enfrentar Maranhão.