A farra das verbas indenizatórias no Sanado

14 janeiro, 2010

Um levantamento publicado nesta quinta-feira (14) pelo portal Congresso em Foco mostra que a bancada paraibana no Senado Federal gastou em 2009 a quantia de R$ 401.152,96 apenas em verba indenizatória, que é o valor pago pela Casa para reembolsar os parlamentares por gastos em aluguel, locomoção, material, consultorias e divulgação. O campeão de gastos no país foi o senador alagoano Fernando Collor de Melo (PTB), que gastou R$ 180.468,08, enquanto que na Paraíba os maiores gastos ficaram por conta do senador Efraim Morais (DEM), que gastou R$ 179.998,67.

Clique aqui e veja o gasto discriminado de cada senador

De acordo com as normas do Senado Federal, cada parlamentar pode requerer até R$ 180 mil de verba indenizatória, um dinheiro recebido além do salário para pagar gastos extras da atividade parlamentar. Collor, portanto, foi o único dos 81 parlamentares a ultrapassar esta marca, enquanto que Efraim ficou a apenas R$ 1,33 do limite.

No lado oposto da tabela, dois senadores não requereram nenhum dinheiro extra do Senado Federal. Foram o gaúcho Pedro Simon (PMDB) e o pernambucano Marco Maciel, que não gastaram nem um único real em verba indenizatória.

Entre os demais paraibanos, o segundo que mais gastou foi o senador Cícero Lucena (PSDB), que requereu R$ 160.668,19 de verba extra. O hoje governador José Maranhão (PMDB) gastou R$ 14,383,20 em verba indenizatória, mas este valor é referente a apenas o mês de janeiro (já que em fevereiro ele foi empossado governador).

Se o peemedebista mantivesse esta promoção, portanto, ele estaria posicionado em segundo lugar, com um gasto anual de aproximadamente R$ 170 mil. Em pouco mais de 10 meses, o senador  Roberto Cavalcanti (PRB) requereu R$ 23,3 mil em verba indenizatória.

No total, um parlamentar ultrapassou o limite permitido, três atingiram exatamente o limite e outros quatro ficaram a menos de mil reais do limite (entre eles Efraim Morais). Os 81 senadores brasileiros gastaram no total R$ R$ 10.749.847,05 em verba indenizatória.

São informações para que possamos pensar e refletir para quem irá o nosso voto.

Anúncios

Situando a crise do PT: Ainda bem que alguém está em crise.

21 agosto, 2009

São verdadeiras bolhas de escândalos que estão ocorrendo e envolvendo o Senado e o Governo. Falo bolha porque muitos foram inflados ou soprados para longe. A crise do senado, a verdadeira crise, não esta em “Sarney fica ou não fica”, simplemente foi soprada para longe do noticiário e debatida tangencialmente, as demais crises são bolhas infladas, veja o caso da Petrobras, da Lina, do 3º mandato etc. Chega-se agora na crise do PT. O partido vive um momento de abalos, num dia juntou a saída de Marina Silva e o arquivamento da investigação de Sarney em troca de apoio umbilical do PMDB.

Agora qual é a crise que o PT passa? Antes é preciso entender bem todo o contexto. Não foi apenas o PT que arquivou o processo contra Sarney. Sua participação foi decisiva? Sim, foi. A participação dos demais partidos também. Não se arquivou apenas o processo do Sarney, a investigação do reú confesso Arthur Vírgilio foi junto e por UNANIMIDADE, é bom dizer. Todos os partidos de modo cínico souberam colocar o dedo na cara do adversário, com discursos eloquentes, acusações abstratas, sinais de moralismo. Junto a isso, os mesmos partidos estavam escondendo todos seus podres debaixo do tapedo, e com um toque de apoio da mídia, o caso de Virgílio é claro.

Veja o comentário do observatório da Imprensa: Se o leitor atento é do tipo que guarda jornais velhos, um exercício interessante de observação consiste em reler manchetes publicadas nas últimas semanas, quando a imprensa cobriu muito intensamente a crise no Senado. O leitor vai notar, por exemplo, que o senador Arthur Virgílio desapareceu do noticiário logo que se configurou a intenção de seus adversários políticos de julgá-lo no Conselho de Ética. Será que Virgílio, que era o campeão das declarações, simplesmente entrou na muda ou os editores é que decidiram poupá-lo?

Mas vamos lá. Após o fato, a maioria dos partidos voltaram tranquilos para casa, pois conseguiram livrar o seu lado e deixar o negativo da crise de Sarney no colo do PT, o desejo mais profundo da grande mídia e da oposição. Todos saíram caladinhos, sem vergonha. Ninguém sentiu nada. Veja bem, apenas o PT sentiu que devia algo, apenas o PT se sentiu envergonhado, se sentido atingido por tudo que aconteceu. E todos cobram isso dela, cobram coerência, cobram postura. Se cobram é porque ele tem algo para oferecer nesse sentido.

A crise do PT expressa muitos os dilemas e as crises em que vive a política brasileira, o sistema político nacional. É claro que a crise expressa também problemas internos, como a falta de uma plataforma consistente de políticas para a eleição de 2010 e a excessiva força que a figura de Lula tem hoje.

É bom que o PT se sinta atingido, pois podemos ver que ele ainda está atento e conectado com as cobranças políticas de vários grupos da sociedade. E pior será quando todos esses fatos se tornem comuns, não consigam nem mais gerar indignação interna. Isso falta aos demais partidos e por isso eles não estão na crise, e por isso a crise do PT expressa também os problemas da política brasileira e a busca por saídas.

As reações parecem bem sinceras e expressam as contradições do momento. O partido, vale dizer Lula, apostou no apoio do PMDB, ou seja, optou estar refem ou do lado do fisiologismo puro e vive sob o dilema do quanto vale ceder para obter o apoio pragmático e a governabilidade de que precisa? O custo está muito alto, principalmente quando Lula parece cego pelo vontade de colocar um sucessor.

O partido não soube lidar com a crise Sarney. Pois numa atitude emocional e ocasional queriam a cabeça de Sarney para os Leões e livrar a de Virgilio. Fizeram uma caça a Sarney como se a crise do Senado derivasse da presença dele alí. Um reducionismo barato para vender jornal, e a midia entrou ou criou isso. O PT e principalmente Lula não soube lidar com a situação e ficou num beco sem saída, mas uma vez queimou credibilidade por projetos políticos de curto prazo. E aí está o partido em crise.

Com certeza essa crise atinge em cheio o PT, mas também a política brasileira. O sistema com um todo parde mais uma leva de credibilidade e entra em rebaixamento. Com certeza essa perda do PT não será um ganho para o oposição, mas sim para projetos que buscam novas alternativas e posturas para 2010 e para a construção da política brasileira. Deve reforçar as linhas de centro-esquerda, não se sabe se na figura de Marina, de Ciro, de Heloisa e de outro. O PT continua sendo um bussula forte na política, mas está perdendo o posto, o que falta é alguem com capacidade e capilaridade para ocupar o posto forte.

Aí entra a possibilidade Marina e as incertezas… agora é esperar para ver e agir para si.


E, sujou! A ética secreta do senado vem à tona

14 agosto, 2009

senado

O nosso senado é realmente uma caixinnha de surpresas. Melhor que futebol! Agora vem à tona uma nova manada de atos secretos, os quais não foram devidamente publicados, mas seus efeitos foram práticos: construiu-se prédios, aumentou verba indenizatória, aumentou salários com pagamento de retroativos (na maioria) enfim… é uma verdadeira papelada esquecida debaixo do pó.

Os novos 468 atos são dos anos de 1998 e 1999, da gestão do Sarney de FHC, o nosso “queridissímo” ACM. E todos ocorreram numa época muito suspeita, naquela em que se montou e ocorreu o projeto de reeleição de FHC…

Com estes novos fatos fica cada vez mais difícil jogar a bomba no colo de Sarney. Como era lógico, a culpa é, primeiro da mesa e depois de todos os senadores que anos após anos vem governando aquela casa sem olhos para ver o que nela ocorria. Aquela piada de que Lula não sabia nada do mensalão cabe bem agora também… nenhum senador sabia…

Até que ponto vamos chegar. Não dá mais para abafar, fazer joguinho de cena, transformar esta crise numa disputa entre governo e oposição. Enfim, é necessário tratar o assunto com seriedade, firmeza e vontade de reformar a esrtrutura e práticas administrativas da casa, é um assunto de estado, institucional. De complemento há que se fazer uma reforma política. Todos sabem o caminho, mas ninguém quer tocar no assunto, nem os senadores nem os jornalistas! Pelo amor de Deus, ponham as mãos na consciência.

Como se pode constatar com mais clareza e força trata-se de uma crise sem precedentes que não pode ser reduzida a pendengas eleitorais de 2010. Por favor, acordem! Trata-se de crise que mostra com mais vivacidade a prática corrente e a ética dos nossos “queridos” senadores. Ou muda ou acaba no total descretido. Vamos esperar para ver a criatividade dos senadores em abafar e fazer pizza, desta fez uma pizza institucional! Até que limite temos que chegar?

Cade vez mais se torna pausível a proposta do Presidente da OAB de demissão sumária e total dos senadores, um recall de emergência. Ou muda ou muda! Chega de acusações, vamos para as reformas, depois a gente cuida dos feridos.

Detalhe. Assim como nos primeiros atos secretos havia um envolvimento de um politico paraibano, o Efraim Morais (PFL-DEM), agora nessa segunda leva temos o nome de Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PSDB). Os dois eram da secretaria, eram os donos do caixa. Pois bem, a Paraíba está de cara no chão, envergonahda.


Senadores com vergonha? Agora? Por favor…

7 agosto, 2009

Alguns senadores se mostram envergonhados. Como se vê abaixo. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) classificou nesta sexta-feira (7) como “terrível, constrangedor e humilhante” o momento que vive o Senado. Para o tucano, o bate-boca entre Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL) na quinta-feira (6) foi uma “vergonha” e “destrói a imagem do Senado”.

“É claro que é uma vergonha. O constrangimento deste momento é o maior de todos os tempos. Isso destrói a imagem do Senado. O momento é terrível, constrangedor e humilhante. Tem momento em que tenho vontade de ir embora daqui”, disse o tucano.

O constrangimento entre os senadores não se resume a Dias. O senador Paulo Paim (PT-RS) discursou em plenário lamentando o momento da Casa. “Eu tenho, de Congresso quatro mandatos de deputado federal. Estou no Senado no sétimo ano e nunca vi uma crise como esta. Nunca vi uma crise nem semelhante a esta, a forma dos ataques pessoais, dossiê para cá, dossiê para lá. Nós temos que dar um basta nisso”.

Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro secretário da Casa, foi outro a pedir que os ânimos se acalmem. “Tivemos uma semana completamente atípica. Não quero entrar no detalhe, nem no mérito. Não quero fazer juízo de valores, nem tirar, nem botar a razão em ninguém. Eu só quero é que os companheiros senadores aproveitem o final de semana para uma meditação e voltem, na segunda-feira, imbuídos de que esta é uma Casa de debates e que esses debates têm de ser acalorados e acirrados, mas que não podem, de maneira nenhuma, descer a níveis do que vimos esse final de semana”.

—-

Só agora eles estão com vergonha? Que tipo de limites são esses? Nós já estamos com vergonha faz muito tempo. Eles parecem que desejam manter uma linha muito tenue entre a vergonha e falta de vergonha. A forma de fazer política destes senadores só poderia levar a isso, eles que não querem ver. Pelo menos agora vemos as verdadeiras faces e intenções, coisas que antes queriam enconder por efeitos especiais e contorcionismos argumentativos.

Vamos mudar o que tem que mudar, as práticas, e não voltar ao cinismo de antes. Eles querem manter o equilibrio de antes, que beira a total falta de vergonha. Esse tipo de coisa agora é só xilique… me desculpe.

Leiam um interessante post sobre isso:

Muita gente acha constrangedor e de mau gosto os bate-bocas exaltados no Congresso Nacional durante momentos de crise como este. Eu particularmente não. Adoro. Não é novidade para ninguém, que nessas horas, e apenas nessas horas, durante o calor da discussão, afloram fatos e verdades jogadas para baixo do tapete pelo jogo político. Ontem, o bafafá entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi escatológico, mas divertidíssimo. Não coloquei todo o diálogo, apenas algumas frases: CLIQUE AQUI para continuar.


Para a grande mídia: a pergunta que não quer calar.

1 agosto, 2009

Agora que a pressão da grande mídia parece que conseguiu ou vai conseguir a cabeça de Sarney, gostaríamos de saber quais as próximas ações e posições dos nossos grandes jornalistas e empresas de mídia sobre pessoas e casos similares a exemplo de Arthur Virgílio, Tião Viana e outros senadores que viajaram de férias com nosso dinheiro e/ou foram beneficiados com os atos secretos?

Para os respondentes: marque apenas uma alternativa. Esperamos obter o máximo de sinceridade nas respostas. Só vale uma, mesmo que você entre em dúvida ou caia num dilema profundo, marque apenas uma.

a) Eles são inocentes até que se prove o contrário, por isso não é prudente uma manchete, notícia ou denúncia sobre tais casos, no máximo uma nota e sem repercussão de nossos analistas políticos.

b) Eles não sabiam que tais ações eram ilegais e/ou imorais e não havia regulamentação clara sobre os casos, por isso é melhor deixar como está. Eles são gente boa. Não é editor?

c) Não vale a pena. Eles não teriam a mesma repercussão que um Sarney, eles iriam cair logo ou ninguém iria dar atenção. Com Sarney a gente consegue esquentar o noticiário por mais tempo.

d) A cabeça de Sarney vai ser um belo e muito importante troféu para minha galeria do que esses outros senadores. Quem não queria isso.

e) É uma questão prática que não tem haver com esses outros senadores. Veja, com Sarney da presidência do congresso seria mais complicado para a oposição e a grande mídia montar e disseminar escândalos e CPI’s contra o governo.

f) É uma questão pessoal com o Sarney e não tem haver com esses outros senadores. Sarney estava dando apoio e sustentação demais a Lula no PMDB, e o partido é peça chave na eleição de 2010. Queríamos apenas uma disputa mais equilibrada. Não é mesmo editor?

g) Era mesmo uma questão moral e de melhoria das práticas do congresso, mas a nossa fome de moralização já passou. Para sorte desses outros senadores!

h) Bem, eu não sabia ao certo o que estava fazendo. A denúncia chegava à redação e eu publicava. Claro, eu dourava a pílula e colocava um discurso moralista. Sabe, até que vendeu bem.

i) Cara, deixa de me amolar. Não está bom a cabeça de Sarney? O que você quer mais? Deixe esses outros para lá, eu não sou Deus, não?

j) Cara, se a gente começar a atacar esses outros senadores vai começar a ficar claro que se devem mudar as práticas no congresso e não as pessoas. E isso não é bom para a nossa classe nem para o país. Senta aí e assiste pô.

k) Pensando bem, depois de ler todas as alternativas… Alguém poderia me repassar alista daqueles senadores que viajaram em férias e foram beneficiados por atos secretos. É melhor não é? Pode ser por e-mail, se cair na caixa de spam não tem problema não. Valeu.

Obrigado pela sua contribuição.


PSDB e PMDB em guerra no senado

29 julho, 2009

PSDB e PMDB, o primeiro é filho desgarrado do segundo, entraram em pé de guerra declarada. Agora é ver se esse levantamento de armas vai para frente ou se vão baixar as armas e deixar tuuuuudo passar ou se vão eleger por negociação uma cabeça para ser cortada para o grande público! A conta de hoje Sarney está na frente da lista, mas faltaria a cabeça de alguém do PSDB.

Outra: vejam só como funcionam as coisas no meio político brasiliano. Todos sabem quem são os senadores que fizeram coisas erradas, mas ninguém quer punição para eles. Mas parece que chega um momento que esse acerto tácito é quebrado, como agora. Temos que viver a mercê disso? E com a conivência da grande mídia? Até quando? Como venho dizendo, se é para cair Sarney, tem que cair os outros que se beneficiaram das atos secretos e coisas mais…

Vejam reportagem da guerra declaração, é bom dizer.

A decisão do PSDB de entrar com três representações no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (AP), levou o PMDB a declarar guerra aos tucanos.

Líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL) informou ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), que o PMDB decidiu responder na “mesma moeda” e também irá entrar com representações contra senadores tucanos.

Renan e Guerra trocaram telefonemas nos últimos dias. O líder do PMDB considerou que a questão virou partidária e que o caminho é adotar a mesma estratégia. Renan disse ao tucano que vai ao Conselho de Ética contra o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), considerado pelos peemedebistas como “réu confesso” por admitir ter recebido empréstimo do ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia e contratado um funcionário-fantasma.

“O PSDB acaba de arranjar um jeito de se livrar do Arthur porque ele vai ser processado no conselho. As acusações são mais graves do que as que existem contra Sarney. O PMDB não é partido de frouxo”, disse Wellington Salgado (PMDB-MG), senador da tropa de choque de Renan Calheiros.

O comentário no PMDB era que estava “oficializada a guerra política com os tucanos”. Segundo peemedebistas, a cúpula do PSDB foi avisada de que, numa guerra, não há “corpos apenas de um lado, mas dos dois”, uma referência indireta de que, se Sarney perder o mandato, senadores tucanos também terão o mesmo destino.

Renan e Guerra concordaram que a situação é “muito grave”. O tucano disse a Renan que não vê condições de Sarney continuar à frente da presidência, pois já não tem condições de controlar a crise e as acusações contra ele e a família.

Esse foi também o tom que senadores usaram em telefonemas para o próprio Sarney, que consideraram “muito cansado”. Na cúpula do PMDB, contudo, a ordem é resistir. Sarney afirmou aos peemedebistas que não planeja renunciar.

O PMDB cogita entrar com representação contra outros tucanos, como Tasso Jereissati (CE), que usou verba de passagens aéreas para fazer manutenção de avião particular.

Apesar da ameaça peemedebista, o PSDB -sigla que foi fundada por dissidentes do PMDB nos anos 80- entrou ontem com três representações no Conselho de Ética contra Sarney por quebra de decoro que podem resultar na cassação do mandato dele.

A primeira trata do uso irregular de recursos da Petrobras na Fundação Sarney, e a segunda, dos atos secretos. A terceira é sobre o fato de um neto de Sarney ter atuado no mercado de crédito consignado da Casa.

As representações foram apresentadas quase um mês após denúncias feitas formalmente por Arthur Virgílio.

A diferença entre denúncia e representação é que a segunda, se aceita pelo relator, já dá abertura imediata a um processo por quebra de decoro parlamentar contra o congressista.

Apesar das críticas feitas por Virgílio, o PSDB hesitou em processar Sarney porque não havia consenso na bancada. Além disso, temia-se contra-ataque contra o líder tucano.

Virgílio disse ontem que começou a devolver o dinheiro que um funcionário seu recebeu do Senado enquanto estudava no exterior, um total de R$ 210 mil que serão pagos em quatro prestações.

No Conselho de Ética, o PMDB é o partido com mais integrantes: quatro. Para fazer maioria, depende de integrantes da base aliada, que têm seis membros. Juntos, os governistas detêm dez cadeiras. O conselho tem 15 integrantes. Para aprovar um relatório recomendando a perda do mandato, é preciso metade dos votos mais um. O pedido de cassação segue para ser votado em plenário.

Uma coisa sobre Arthur Vírgilio, o novo paladino da ética: sua contradição é própria. Veja um exemplo>


Para entender a crise no senado

21 julho, 2009

Este post do Observatório da Imprensa nos ajuda não apenas a entender um pouco da crise do senado, mas também a entender o papel da grande mídia nesta crise.

Vamos ler.

O Congresso Nacional está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal.

Para começo de conversa, a crise não se restringe ao Senado, embora as falcatruas da Câmara tenham sido ofuscadas pelos episódios que vieram à tona na Casa Alta do parlamento brasileiro. A rigor, os primeiros casos denunciados neste ano, sobre a farra das passagens aéreas, dizem respeito aos deputados federais, que transformaram as milhagens e os bilhetes não utilizados em mercadoria. A apuração não avançou muito, ficou na publicação de casos particulares – até o impolutíssimo Fernando Gabeira (PV-RJ) acabou admitindo que usou passagens da sua cota para a filhota viajar ao Havaí.

O que jornal nenhum investigou foi a parte mais grave da história, pois o uso de bilhetes da cota pessoal de deputados para seus parentes, amigos ou namoradas é café pequeno perto do esquema que transformava as passagens e milhagens em mercadoria. Como se sabe, mercadorias são vendidas e compradas mediante pagamento. Quem embolsou os recursos? Quem operava o esquema? Ninguém sabe, ninguém viu. O assunto simplesmente morreu na imprensa tupiniquim.

Mesmo considerando apenas os fatos amplamente noticiados dos desmandos no Senado, a cobertura é repleta de lacunas. O foco em Sarney acaba fazendo com que muita coisa importante não seja publicada. A Primeira Secretaria do Senado, comandada hoje por Heráclito Fortes (DEM-PI), é uma espécie de “prefeitura” da Casa. Entre as prerrogativas desta secretaria estão as de realizar licitações, nomear e demitir servidores e a de cuidar da execução do Orçamento do Senado. O primeiro-secretário também assina, depois do presidente, as atas das reuniões secretas.

É muita coisa, mas do jeito que as reportagens dos jornalões têm sido publicadas, parece que só José Sarney sabia e cuidava das falcatruas. Ora, nos últimos anos o cargo tem sido ocupado exclusivamente por parlamentares do DEM, antigo PFL – antes de Heráclito, Efraim Moraes e Romeu Tuma foram os “prefeitos” do Senado. Apesar de tudo isto, nitidamente os democratas vêm sendo poupados do tiroteio. Batom, só na cueca de Sarney (e de Renan Calheiros, os ex-presidentes da “Era Agaciel” Garibaldi Alves e Tião Viana também não estão sendo cobrados na mesma intensidade).

Sem graça

É evidente que Sarney tem culpa no cartório – foi ele quem nomeou Agaciel Maia diretor-geral do Senado, para começo de conversa –, mas a imprensa ainda não conseguiu esclarecer o que está por trás da guerra que vem sendo travada no Congresso Nacional, limitando-se a publicar denúncias vazadas na maior parte das vezes por funcionários do Senado ou gente com interesse direto na publicação das denúncias. Pior ainda, os jornalões e seus colunistas não estão conseguindo colocar as denúncias em um contexto que as explique. Para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri político.

Ora, José Sarney não nasceu ontem nem tem vocação para se auto-imolar. O que os brasileiros estão tomando conhecimento neste momento são práticas muito antigas, anteriores até mesmo à primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Não foi de ontem para hoje que o Senado contratou 9,6 mil funcionários (contando os inativos, o número chega a espantosos 18 mil e nesta soma não estão os terceirizados e comissionados) para servir os 81 senadores, o que é um absurdo lógico e administrativo.

Também não foi de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa, ou que começaram a se formar as filas para comprovar a presença e fazer jus às horas-extras. E o mais importante de tudo, não foi de ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos dos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes…

Na verdade, a grande lacuna da atual cobertura da crise é mesmo a falta de contextualização. Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. Nem é tão difícil assim explicar as coisas: Sarney faz parte do PMDB governista, que decidiu romper com um acordo de cavalheiros e disputou o comando das duas casas parlamentares, quando o natural era o PT ficar com a presidência do Senado, cedendo a da Câmara ao PMDB. Curiosamente, a entrada de Sarney na disputa dividiu a oposição – ele recebeu apoio do DEM, mas não do PSDB.

Com a vitória do senador do Amapá no Senado e do deputado Michel Temer (SP) na Câmara Federal, uma parcela substantiva do PT ficou incomodada com o que julgou “excesso de poder” dos peemedebistas. Ao mesmo tempo, boa parte dos tucanos, especialmente os próximos ao governador de São Paulo José Serra também não acharam muita graça em ter como comandante do Senado, justamente no período pré-eleitoral e durante a campanha de 2010, um político extremamente próximo do presidente Lula, capaz de influenciar decisivamente na costura das alianças estaduais e nacional.

Espetáculo da notícia

Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas como o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula.

Do ponto de vista dos “serristas”, enfraquecer esta ala peemedebista é um dos poucos jeitos de pelo menos tentar uma neutralidade do partido, detentor de muito tempo na propaganda eleitoral no rádio e televisão. Para uma parcela do PT, trata-se de preservar o seu quinhão na máquina governamental. Já os democratas optaram pelo apoio a alguém que no fundo, no fundo, é um dos seus.

Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das notícias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesse no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo.

Por Luiz Antonio Magalhães em 14/7/2009