Torcidas do Botafogo?

25 Novembro, 2009

Vejam essas duas reportagem e tentem entender o que está ocorrendo com as torcidas do botafogo. Muitas informação, pouco entendimento:

O presidente da torcida organizada do Botafogo, Força Independente Anjinhos do Belo, Rodrigo Pereira, procurou o Paraíba1 nesta sexta-feira (20) para pedir ajuda. Ele teme ser atacado e até morto por integrantes de torcidas rivais no próximo domingo (22), quando acontece a final da Copa Paraíba.

Segundo ele, o Ministério Público começou a acompanhar os casos de violência nas torcidas da Paraíba e ficou de convocar uma nova reunião com a presença do Comando da Polícia Militar. Porém, este encontro nunca aconteceu. Rodrigo disse que foi várias vezes ameaçado e que, inclusive, já foi agredido antes.

Rodrigo explicou que espera o encontro com a Polícia para sugerir que o estádio passe a abrir as portas para as diversas torcidas em horários específicos para, assim, evitar os confrontos na chegada ao campo. “Temos que ir em grupo. Se formos sozinhos ao campo, corremos o risco de sermos encurralados e espancados”.

“Eu represento uma torcida e não posso deixar de ir ao campo, mas temo por minha vida”, disse revelando que um dos líderes de torcida é policial militar e anda armado sempre, “inclusive quando não está de serviço”. O policial a que se refere é o cabo França, conhecido como Leão. De acordo com Rodrigo, há até fotos na Internet em que o policial aparece com uma bandeira roubada dele sendo rasgada.

O presidente disse que as ameaças que sofre por liderar a torcida Fiab se tornaram mais graves quando, há quinze dias, teve a loja onde trabalha atingida por disparos de revolver. “A loja estava fechada na hora, mas o rapaz que dorme lá para cuidar do local teve que se jogar no chão para escapar dos tiros.

Ele pediu que ficasse registrado que se algo acontecer a ele nos próximos dias, os prováveis culpados serão o cabo França, da torcida Jovem do Botafogo, ou o dirigente Léo, da torcida Fúria Independente do Botafogo. O curioso é que a violência acontece entre torcedores do mesmo time.

O dirigente de torcida e policial militar citado na matéria, também conhecido como professor Leão, foi contactado pela reportagem por telefone, mas se negou a falar sobre o assunto.

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O acusado de ter assassinado a tiros dois homens no Busto de Tamandaré, na orla de Tambaú, em João Pessoa, na noite do último domingo (22), já pode estar fora da capital. É o que acredita o delegado Francisco de Assis da Delegacia de Roubos e Furtos, na Central de Polícia, no Centro da Capital, designado em caráter especial pelo Delegado Geral da Polícia Civil Canrobert Rodrigues para investigar o caso.

Em entrevista ao Portal Correio, Francisco Assis disse que o jovem acusado de ter disparado contra cinco pessoas e matando duas é o estudante do curso de Direito do Unipê onde faz o segundo período Eduardo Raniere (idade não revelada), também conhecido como Gordo DD.

Ainda, segundo o delegado, o pai do estudante foi levado à sede da SES, em Mangabeira, na Capital, acreditando que o seu filho estaria com problemas atribuídos a motocicleta.

Francisco de Assis contou que Eduardo Raniere já tem passagem pela Polícia. Ele, quando menor, chegou a ficar detido no Centro Educacional do Adolescentes (CEA). O motivo da detenção não foi informado.

O estudante mora no bairro de Jaguaribe e é membro da torcida Força Independente Anjinhos do Belo (Fiab) que seria uma dissidência da Torcida Jovem do Botafogo. Já uma das vítimas, Jonathan, seria integrante da torcida Fúria.

Na opinião de Francisco de Assis, as torcidas, na verdade, são verdadeiras fachadas de gangs que vêm atuando em João Pessoa.

As vítimas
As vítimas atingidas durante o tiroteio são o zelador Jonathan Santos Monteiro, 19 anos (membro da torcida Fúria), e o ambulante João Sebastião dos Santos, 40. O primeiro foi atingido por três tiros no tórax e morreu no local. O segundo foi atingido por um tiro nas costas, chegou a ser socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma da Capital, mas não resistiu ao ferimento.

As outras três vítimas atingidas pelos vários disparos são o estudante André de Queiroz Ferreira, 19, que saiu ferido com tiros nas pernas; Thiago José Santos da Silva, 23, e mais um jovem de 17 anos. Todos foram socorridos para o Trauma e já receberam alta.

Os tiros foram dados durante um evento de motocicletas e acessórios para motociclistas que ocorria no Busto de Tamandaré. De acordo com o delegado, o estudante teria tido uma discussão e chegado a trocar socos com uma das vítimas, Jonathan, horas antes dos disparos. O motivo da briga teria relação com as torcidas as quais Eduardo e Jonathan pertenceriam.

Ainda, segundo o delegado, depois da briga, Jonathan teria dito ao estudante que voltasse para apanhar mais e o estudante teria afirmado que voltaria. O que acabou se confirmando. Segundo testemunhas, o estudante teria chegado ao local em uma motocicleta e se aproximado do zelador já com uma arma em punho fazendo vários disparos não apenas contra Jonathan, mas também contra outras pessoas que estavam próximas.


CRACK – a morte ronda João Pessoa e o Nordeste

18 Novembro, 2009

Segundo reportagem do JPB o crack é consumido ou já foi consumido por 2% da população de João Pessoa. É o pouco alarmante. Este blog desde o início de sua operação há um ano alertava o surto de consumo de crack na Paraíba. É assustador. Precisamos urgentemente da atuação do poder público em vários segmentos, que vai da prevenção até o tratamento.

Abaixo colocamos os vídeos sobre a série de oito reportagens do JPB sobre o avanço do crack no Nordeste e na Paraíba. Valem a pena ver, não podemos deixar de lado. Este blog já mostrou em post anterior que o crack é o centro nervoso do aumento da criminalidade da Paraíba. Combater o crack é garantir segurança pública e saúde a população. Não queremos ver zumbis humanos como na cracolândia em São Paulo.

Vejam o post. Toda esta violência tem um centro nervoso, uma espinha dorsal que se chama CRACK. Trata-se de droga de baixa qualidade e preço, sendo aquela que possui os efeitos mais nocivos a saúde e a família. Ainda, é uma droga de fácil dependência, sendo seu vício extremo. Esta droga invadiu a Paraíba nos últimos anos, com o apoio de pessoas de outros estados.

Valorizamos a reportagem da Tv cabo Branco, é a grande mídia acordando para um problema gravíssimo. Temos a vantagem de poder combater no início, não podemos perder essa oportunidade em meio a escuridão atual e apagão futura, se nada ocorrer.

Primeiro vídeo

Segundo vídeo

Terceiro vídeo

Quarto vídeo

Quinto vídeo

Sexto vídeo

Sétimo vídeo

Oitavo vídeo


Aliança Ricardo Coutinho – Cássio Cunha Lima. Resultado da pesquisa e análises

16 Novembro, 2009

Este blog colocou no ar sua primeira pesquisa. Durante dois meses (16 de setembro até 15 de novembro) os leitores puderam votar e expressar sua opinião sobre esta muito falada aliança entre Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho para montar uma chapa nas próximas eleições. O blog perguntou, Caso Ricardo Coutinho se alie a Cássio Cunha Lima você votaria nele para governador?.

Eram três opções: sim, não e estou em dúvida. Os resultados indicam que 65% dos votantes aprovam a aliança, enquanto 30% desaprovam, e não votaria em Ricardo. A pesquisa parte do pressuposto de que os votantes são eleitores de Ricardo. Deste modo, um terço destes não gostam da ideia de Ricardo se juntar com os Cunha Lima.

Esta pesquisa não possui validade científica, pois não trabalhou com amostras estratificadas da população do Estado, mas expressas tendências similares àqueles da pesquisa IBOPE, no qual 52% aprovam e 28% são contra, principalmente se consideramos seu pressuposto. Saindo do campo das dados quantitativos e entrando no campo das argumentações podemos inserir esta pesquisa em alguns análise macro da situação política do Estado para 2010.

Até agora a aliança vem sendo propagada e desejada com fervor por Cássio Cunha Lima e seus seguidores e aliados. Ricardo aceita por omissão, por não manifestar seu apoio ou recusa ao que está sendo dito. Ele sabe que está numa berlinda e que para vencer precisa de apoios e palanques no interior, mas a qual custo, fazendo aliança com que tipo de políticos e partidos?

O grupo dos Ricardistas não é maior que o grupo de Maranhistas e Cassistas, talvez seja similar aos Ciceristas. O grande diferencial de Ricardo é sua gestão em João Pessoa, suas novas ideias e resultados obtidos, e isso se dá num contexto de velhos nomes desgastados pela história e sua própria atuação. Isso lhe garante os eleitores desvinculados a políticos e partidos, o eleitor médio da Paraíba. Ou seja, é um momento único para o prefeito. Assim percebemos que essas pesquisas refletem mais a aceitação de  Ricardo entre os Cassistas, do que o contrário. E isso já se firmou, mesmo que Cássio fale que não quer, vai ficar registrado que um dia ele quis e lutou por tal aliança.

Neste momento temos o grande problema de Ricardo, abandonar sua base e até dar as costas para sua história e ideias para obter o apoio político e midiatico de Cássio. Se tal guinada for feita, ele não será mais Ricardo, mas sim, um dos fortes seguidores de Cássio Cunha Lima. Não terá mais sua base de apoio e será um alienígena na base de Cássio, um mero apêndice dos Cunha Lima, como já foi Cozete e agora é Cícero. Os dois vivem na pele os malefícios de sua fidelidade e apoio aos Cunha Limas. Ou seja, pode ser uma morte prevista do prefeito, com um leve suspiro se conseguir ocupar o poder.

As cartas estão na mesa, os próximos passos é que definirão como será as composições para 2010. Se Ricardo conseguir o apoio do PT e do PCdoB, como do PTB e PP ele terá muito musculatura que compense um possível apoio formal que ele pode vir a fazer para Cássio, o que será uma grande tristeza e um ponto negativo na renovação da política do Estado, haja vista que nestes últimos 30 anos a política paraibana se resumiu a uma briga entre Cunha Lima e Maranhão, seja no mesmo partido ou não.

Em breve o blog completará um ano de atuação e muitos leitores conquistados. E novas pesquisas estarão no ar.


Ameaças e limitações a democracia no Brasil – Dallari

15 Novembro, 2009

democracia

Ao completar 20 anos do retorno do país ao processo de eleições diretas, o Brasil ainda enfrenta resistência à democracia, na opinião do constitucionalista Dalmo Dallari. Essa resistência parte, de acordo com o jurista, de grupos tradicionais que ainda insistem na manutenção do trabalho escravo e de um processo de criminalização de movimentos sociais e de comunidades pobres.

“É falta de democracia a alta incidência de trabalho escravo especialmente em certos tipos de exploração econômica. Temos um grupo organizado do agronegócio que age ostensivamente dentro do Congresso Nacional, que se coloca acima da Constituição. O primeiro objetivo é ganhar dinheiro. Com isso, permanece essa vergonha que é o uso do trabalho escravo.”

A tentativa de criminalizar movimentos sociais, segundo ele, e a criminalização da própria pobreza são manifestações ainda remanescente de um sistema autoritário, discriminatório que se afirmou no Brasil durante a história. “Ainda é uma herança do sistema colonial. Houve a formação de uma elite econômica absolutamente egoísta que não reconhece o valor humano dos pobres, dos trabalhadores. Isso infelizmente ainda existe no Brasil e provoca o problema da criminalização.”

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Dallari apontou a Constituição Federal de 1988 como o mais importante marco da volta do país ao processo democrático. “Pela primeira vez tivemos no Brasil uma Constituição que começa afirmando princípios que são obrigações mínimas. É importante ressaltar que logo no início a Constituição afirma como princípio a dignidade humana Esse princípio foi que abriu caminho para as reivindicação de direitos”, destacou.

Outro ponto destacado por Dallari como sinônimo de atraso do processo democrático são os crimes de pistolagem, com fundo político, que ainda ocorrem em alguns estados brasileiros. Ele chegou a citar os assassinatos cometidos por grupos de extermínio na Paraíba e em Pernambuco que atualmente mantêm como ameaçados os deputados federais Luiz Couto (PT-PB) e Fernando Ferro (PT-PE). “ Nós temos plena violência contra a pessoa humana no estado da Paraíba e em Pernambuco. Ainda se praticam o crime da pistolagem, com assassinato de juízes e de deputados”, destacou.

Na avaliação de Dallari as consequências positivas do retorno do Brasil ao processo democrático está na maior distribuição de renda que se verificou nos últimos anos e nas políticas públicas implantadas desde então. “Há ainda um caminho grande a ser percorrido, mas comparando com o que existia antes de 1988, o saldo é positivo. Estamos avançando. Podemos dizer que o Brasil vem se democratizando, e a Constituição tem dado uma contribuição fundamental para isso.”


ASPOL virá objeto descartável na mão do Governo

10 Novembro, 2009

A ASPOL está sentindo na pele e de forma muito clara, como é ser um objeto descartável, um objeto de conveniências. Será que eles lembram que o Sistema Correio também os abandonou?! O correio só fala na quantidade de processos acumulados e notinhas escondidas no jornal. Pois é… Só o tempo para mostrar com as coisas políticas funcionam na Paraíba.

Aliás isso não ocorre apenas em relação a polícia. As propagandas que o Governo está soltando no ar transformaram as obras de Cássio em obras que estão trazendo a reconstrução da Paraíba. Sei que Maranhão tem que fazer seu jogo político, mas está ultrapassando alguns limites do aceitável, chega a ser cinismo. Dizem que estão tocando a obra do Clementino… faz tempo que esta obra está sendo tocada, eles só estão continuando e se apropriando como se ela tivesse começado agora.

Pois bem, os policiais que antes tinham todo o direito e estavam certos em suas reivindicações viraram agora aquele grupo de pessoas inflexíveis que querem tornar a segurança um caos. Vejam as declarações de Flávio Moreira da ASPOL.

“Ano passado os deputados estavam conosco em nosso movimento, subindo em carros de som e dizendo que o governo era um caos. Mas após mudança de governo, ninguém mais fala nada”, reclamou o presidente da Associação dos Policiais Civis da Paraíba (Aspol), Flávio Moreira, em participação no programa Paraíba Agora, da 101 FM.

Segundo ele, os deputados Trócolli Jr. e Gervázio Filho (ambos do PMDB), a quem chamou de amigos, participavam ativamente dos protestos feitos pelos policiais até o fim do ano passado. No entanto, com a cassação do cargo de Cássio Cunha Lima (PSDB) e o encaminhamento de José Maranhão (PMDB) ao governo do Estado, os deputados, antes de oposição, desistiram de apoiar o movimento grevista.

“Antes, eles acreditavam que a segurança no Estado estava um caos e cobravam do então governador uma solução. Mas será que só porque mudou o governo a segurança deixou de precisar de ajuda?”, questionou.

Flávio disse ainda que o movimento já “flexibilizou” demais. “Estamos esperando há 8 meses, pediram que esperássemos até 2009, depois disseram que resolveriam em 2010. Agora estão querendo lançar as modificações para 2011. Nós aceitamos, mas a proposta deve suprir nossas necessidades”.


Crime organizado, mídia e política

9 Novembro, 2009

Qual o limite? Se todos esses fatos forem verdades trata-se de um absurdo sem comparação. O crime organizado se aproveitando de todas as instituições da sociedade para fazer valer seus interesses ilegais, imorais. Até onde vamos parar?

Veja reportagem do Domingo Espetacular.


Poder político e dinheiro “sujam” eleição de instituições na Paraíba

8 Novembro, 2009

Temática de suma importância para quem observa o cenário político paraibano e nacional. Mostra também a capacidade do Paraíba 1 em observar e tentar analisar tais fatos. O movimento estudantil já conhece muito bem essas forças.

A interferência do poder político e da influência econômica no processo de escolha interna das instituições na Paraíba já está chamando a atenção da academia. Nas universidades, o assunto já toma conta de debates em salas de aula e se transforma em teses e monografias. O “fenômeno” em questão está sendo avaliado em seus níveis de contaminação desde a base – como as Sociedades de Amigos de Bairro e Conselhos Tutelares – até esferas de influência poderosas, como a Ordem dos Advogados do Brasil e a poderosa Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB).

“Lamentavelmente, nos últimos tempos, existe bastante material para estudo sobre essa contaminação sem limites das instituições no processo de partidarização de escolha dos dirigentes”, avalia o cientista político Ítalo Fittipaldi. Segundo o especialista, as informações sobre o desvirtuamento das eleições internas nas instituições são “assombrosas e preocupantes”.

Em João Pessoa, a situação é crítica, por exemplo, nas eleições dos conselhos tutelares. Até mesmo a “compra” de candidatos por agentes políticos se transformou numa realidade que já não é mais escondida. “A negociação é grande, tem vereadores aí que estão dando de R$ 2 mil a R$ 5 mil para o conselheiro fazer a campanha”, revelou Carlos Antônio Ribeiro da Silva, 32 anos, educador social que está tentando a recondução ao cargo de conselheiro, mas se diz desestimulado em função da concorrência desleal com candidatos apoiados por donos de mandatos.

A presidente do Conselho Tutelar Sudeste de João Pessoa, Lindinalra da Silva, 28 anos, denunciou que grande parte dos candidatos a conselheiro encara o cargo como “trampolim político”. “Infelizmente virou um cabide de emprego. O que motiva, hoje, algumas pessoas a concorrerem ao cargo de conselheiro tutelar é o salário, a oportunidade de estar em um meio político-partidário”, denuncia Lindinalra.

Ítalo Fittipaldi vê com preocupação esse fenômeno da partidarização de eleições e avalia como perigosa a intensificação dessas interferências. “O grande problema é essas instituições se transformarem em apêndices de partidos políticos, em uma espécie de extensão de legendas, porque assim elas perdem até mesmo a sua legitimidade de representação”, disse o especialista.


Onde está o autoritarismo? E o fim de uma aliança – PMDB-PSB

5 Novembro, 2009

O prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho é acusado de ser autoritário e querer impor um projeto pessoal de poder para as eleições de 2010. Mas para que serve tais “argumentos”? São utilizados no jogo para impor uma imagem negativa a Ricardo e outra positiva a Maranhão com bases superficiais. Vamos entender autoritarismo num sentido de senso comum, como alguém que deseja impor sua vontade dentro do jogo político e afastar desse sentido o que seria golpes de estado e outros eventos similares.

José Maranhão que de vez em quando afirma que está aberto a conversas com Ricardo e que no PMDB não há desentendimento, que há diálogo etc e etc. Esconde por baixo das palavras-manta o próprio projeto de poder. Vejam bem, o atual governador ficou no poder praticamente 8 anos de 1994-2002. Afinal Mariz morreu muito cedo e nem conseguiu dar o tom de seu governo. Após isso tentou emplacar seu sucessor, o tal Roberto Paulino e tentou mais duas vezes voltar ao poder sem sucesso.

Voltou agora para cumprir quase dois anos de mandato e assim fechar 10 anos de poder. Insatisfeito, quer ser candidato para 2010 e ficar mais 4 anos. Ou seja, algo em torno de 15 anos no poder e mais 25 anos influenciando os rumos do poder na Paraíba. É quase certo que Maranhão será candidato como 2 mais 2 são 4. E ai de quem questionar. Isso, é claro, não aparece, afinal o PMDB é um partido de diálogo e sem divergências.

Democracia também implica alternância, principalmente quando novas forças políticas possuem possibilidades claras de colocar seu projeto de governo e poder em prática. Luciano Cartaxo alardeia que muitos brigam e qualquer um quer ser vice de Maranhão sem pensar no projeto e no que politicamente o governador representa, neste momento. Desdenha se aliar a Ricardo, que tem mais coerência com PT do que Maranhão. Deseja ser vice como se outras vias não existissem.

Além desse passado todo, outra fato que fica é que Maranhão só aceita Ricardo se este apoiar seu projeto político de voltar ou ficar no Palácio da Redenção, muito embora isso não seja dito. Ninguém fala que ele é o candidato do PMDB, mas todos sabem que ele o é. Ou seja, o PMDB e o próprio Maranhão esconde seu autoritarismo imputando-o aos outros, aos adversários.

Assim, quem é o paladino do autoritarismo?

Mas afinal, o que temos? Temos um bloco de partidos aliados no qual um figura nova desponta com forte capacidade de conseguir ganhar o governo, algo até reconhecido claramente pelo oposição. E como natural, tal figura deseja colocar seu nome na rua para ser eleito e governar o Estado. Por outro lado, tal figura, como é de praxe, enfrenta dissidências dentro do bloco aliado, pois há intenções de governo por parte de outro membro do bloco.

Todos com suas intenções legítimas colocam seu bloco na rua para obter apoio, mas não se falam e nem tentam resolver suas diferenças, aí encaminham-se para a separação muda. Essa falta de comunicação e separação muda é a marca do fim desta aliança, não se trata desse ou daquele ter abandonado a aliança. Afinal, a aliança não era Maranhão forever (para sempre). E nem poderia ser.

A aliança acabou porque os dois tem projetos que se chocam e não desejam reduzir suas posições. Até aí tudo bem, mas o que é problemático, é não querer ou se evitar conversar, talvez por saber que esse papo vai chegar a canto nenhum e talvez gere apenas mais desgaste. Vamos deixar isso para as eleições de 2010, devem pensar o antigos aliados.

Como se vê falar em autoritarismo é apenas falácia no jogo político, não muito elevado que ocorre na Paraíba.


PMDB rifa o PT em diversos Estados.

4 Novembro, 2009

Quanto vai custar a candidatura do PT a presidência? A morte do partido, sua subserviência aos comandos de um outro partido? Pois bem, as coisas parecem que se encaminham para algo parecido. Será que o PT vai virar partido de cúpula e desconsiderar seus militantes?

Vamos a notícia:

A comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta nas eleições de 2010 faz sua primeira reunião hoje, na sede do PT em Brasília. Os dez petistas e dez peemedebistas que compõem a comissão fizeram reuniões prévias para levantar os problemas eleitorais no Brasil, tal como ficara acertado quando PT e PMDB fecharam a aliança nacional em torno da candidatura à Presidência da República da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em Minas Gerais, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não se conforma de liderar as pesquisas eleitorais com mais de 40% das intenções de voto em qualquer cenário e ainda ter de enfrentar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que não ultrapassa 12% na preferência. Ele disse que, deste jeito, perdem os dois. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também não aceita a candidatura de Lindberg Farias (PT), que já obteve o apoio do diretório fluminense para se apresentar como candidato no horário eleitoral do PT no rádio e na televisão. O programa vai ao ar no fim de novembro.

No Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli mandou avisar que está pronto para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff, mas que não o fará caso o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, entre na briga pelo governo estadual. Para demonstrar boa vontade, ele avisa que já se acertou com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e que não haverá dificuldade em fazer uma dobradinha com o petista.

Ceará

Também é grande a gritaria do PMDB contra o PT no Ceará – do deputado e ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB). O protesto é contra a candidatura ao Senado do ministro da Previdência Social, José Pimentel. Em jantar da cúpula peemedebista ontem à noite na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), Eunício se queixou de que Pimentel faz uma campanha agressiva com dinheiro da Previdência para competir com ele.

A preocupação dos governistas no Ceará é grande porque uma das duas vagas ao Senado deve ficar com a oposição, já que o senador Tasso Jereissati (PSDB) disputa a reeleição com o apoio do governador Cid Gomes (PSB) e do irmão Ciro, deputado e pré-candidato pelo PSB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Refletindo sobre 2010 – Rubens Nóbrega

4 Novembro, 2009

O jornalista Rubens Nóbrega do Sistema Correio publicou na coluna diário sua, podemos dizer, indecisão sobre o peito de 2010. Ele se diz sem opção. O que merece destaque desta análise pessoal do jornalista além da sinceridade é a falta de subterfúgios e argumentos ocultos, o que está cada vez mais raro.

Essas palavras capacita o leitor a fazer suas análises e tomar sua posição, que pode similar ao do jornalista ou mesmo contrário. O que vale é a autonomia.

Por isso merece destaque essa reflexão.

Começo a entrar em pânico pela primeira vez na minha vida de eleitor. Juro que nunca me aconteceu antes o que está acontecendo agora: faltando um ano para a próxima eleição, ainda não sei em quem votar para governador do meu Estado.
A causa da aflição tem a ver com a minha opção pessoal, irrenunciável e intransferível em matéria de escolhas políticas dentro da democracia possível que temos: sou visceralmente contra o voto nulo ou o voto em branco.
Com todo respeito a quem defende o contrário, considero que anular o voto é nulificar a própria participação no processo – esse sim, efetivamente democrático – de cobrança, protesto, crítica, sugestão ou denúncia contra o eleito ou ao eleito.
Votar em branco, então, é negar princípio basilar da existência humana: reconhecer, entre muitos, pelo menos um que tenha alguma qualidade, um mínimo de valor para merecer voto que lhe permita representar minimamente o eleitor.
Resumindo, o voto tem que valer, tem que ser política e eleitoralmente válido, para o bem ou para o mal. Se for para o mal, na falta do recall temos a alternativa de não apenas negar o voto como lutar de alguma forma para derrotar quem não correspondeu.
É assim que funciona em nossa claudicante democracia, que não melhora um tico se os cidadãos começarem a adotar posturas e a fundamentar decisões num absenteísmo que no final das contas reverte contra todos.
É bem verdade que nesse meu ativismo – e de muita gente mais, creio – está embutido um risco muito sério: o de se votar no menos ruim, de se escolher alguém por exclusão. Acontece. Principalmente quando dá segundo turno.
De qualquer sorte, como já disse uma vez o filósofo Paulo Soares sobre a candidatura do próprio irmão, Soares Madruga, “dos males, o menor”. O problema é que para 2010 não estou vendo até agora sequer um mal menor.
E aí me bate aquela aflição medonha…

Votar em Maranhão?
Como, se até agora, oito meses após tomar de volta o poder, o seu governo se comporta como quem entende que governar se resume a tocar obras sem tocar, no sentido de resolver, os problemas mais cruciantes da Paraíba?
Chego a pensar que o governador e seus auxiliares realmente acreditam que resolver a saúde, por exemplo, significa construir ou concluir hospitais e botar pra funcionar, sem que exista no Estado uma política pública de saúde digna desse título.
E o que dizer da Educação? Alguém aí poderia me apontar algum programa educacional conseqüente e de resultados mensuráveis, palpáveis, concebido e posto em prática por este governo para acabar ou pelo menos atacar repetência ou evasão escolar?
Dá pra falar em educação pública com um mínimo de qualidade quando o Estado paga tão mal aos seus professores e não dispõe deles em quantidade minimamente suficiente – concursados, qualificados – em centenas de escolas?
Segurança? Dá pra falar em segurança pública com mais de uma centena de cidades sem delegado ou com duas centenas policiadas por no máximo cinco policiais militares, sem contar greve dos policiais e o pior salário do Brasil que dizem receber?
E o que o governo faz para resolver ou, pelo menos, ensaia resolver? Sinceramente, não vejo nada. E temo que o próprio governo se ache o máximo porque toma de conta. E nisso, reconheço, é mil vezes melhor do que o antecessor.

Votar em Ricardo?
Até o início deste ano, o dilema que confesso agora não existia. Estava certo de votar em Ricardo Coutinho para governador. Afinal, o Mago dera provas em seu primeiro mandato de prefeito da Capital que poderia fazer diferente.
Mas aí o alcaide e suas circunstâncias levaram-no para um lado que faz do discurso da diferença mero exercício de retórica e sua prática política muito parecida ou igual à daqueles que ele combatia ontem (Cássio Cunha Lima) e hoje (José Maranhão).
Quer ver uma coisa: tem coisa mais cassista – ou maranhista, para quem assim preferir – que se aliar (ou tentar aliar-se) a alguém como Cássio Cunha Lima, ícone do mais desbragado patrimonialismo que já se adonou do poder na Paraíba?
Desse jeito, onde vai parar aquela belíssima palavra de ordem (repetida ad nausean por Ricardo na campanha de 2004) de ‘resgatar o caráter público da administração pública’ que a Prefeitura da Capital perdera sob Cícero Lucena?
Desde quando ou a partir de quando Cássio se tornou melhor do que Cícero aos olhos, corações e mentes do ricardismo? Ou será que vale qualquer coisa para se chegar a um poder que pode mais ou pode quase tudo, em se tratando da Paraíba?
Não é só a aproximação ou a tentativa de fazer dobradinha com Cássio (e o que ele representa) que me fez repensar e, por enquanto, desistir de votar em Ricardo Coutinho para governador do meu Estado.
A proximidade com o cassismo parece ter contaminado irremediavelmente o nosso prefeito, a julgar pelo esforço de cooptação – em curso no atual mandato – movido a dinheiro público.
Digo isso pelo que li e vi comprovado ontem na última edição do Contraponto, que exibe a relação de membros de um partido que teve o professor Chico Barreto como candidato a prefeito em 2008 e esse mesmo time joga hoje no time do prefeito Ricardo.
Não apenas joga como foi responsável por denúncias que deixaram Barreto muito mal na fita perante o eleitorado naquela disputa, acusado de ter recebido dinheiro de duvidosa procedência para espinafrar o alcaide.
E o que tem isso? Tem que o Contraponto prova reproduzindo atos publicados no Semanário Municipal (órgão oficial da PMJP) e tudo o mais que os mesmos denunciantes hoje são bem aquinhoados prestadores de serviço ao governo do PSB.
Aí eu pergunto: tem coisa mais cassista – ou maranhista – do que isso? Ou já posso perguntar assim: tem coisa mais ricardista do que isso?